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Jamil Chade e o futuro da FIFA

Mattheus Reis

Em 27 de maio de 2015, o futebol sofreu o seu maior abalo. Os principais dirigentes da FIFA, acusados de corrupção foram presos na Suíça, onde se reuniam para o congresso anual da entidade. Dois anos depois, mudanças aconteceram na FIFA, mas elas foram realmente capazes de fazer o jogo ser mais limpo?

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Jamil Chade é correspondente internacional do jornal O Estado de S. Paulo. Foto: Sérgio Settani Giglio.

As denúncias da Procuradoria-Geral dos Estados Unidos, responsável pelas investigações, levaram à renúncia do então presidente Joseph Blatter, no cargo desde 1998. O ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), José Maria Marin, o ex-jogador francês Michel Platini e outros 10 dirigentes envolvidos no escândalo foram banidos de qualquer atividade ligada ao esporte. A perda de patrocínios e os custos com advogados no processo fizeram a FIFA acumular prejuízos de 1,5 Bilhão de reais nos últimos dois anos.

Mas o correspondente do jornal “O Estado de S. Paulo” em Genebra, na Suíça, Jamil Chade, que há 15 anos cobre os bastidores do futebol, afirma que, apesar da crise o poder apensas trocou de mãos, sem mudanças profundas na estrutura do futebol:

“Pouco mudou, pelo menos mudou menos que o necessário para que a credibilidade da entidade fosse restabelecida. Ainda existe gente na FIFA pedindo demissão por não concordar com a forma pela qual essa reforma está sendo conduzida”.

Um dos que se afastaram foi o auditor independente Domenico Scala. Para Jamil Chade, a saída de Scala mostra a concentração de poder e a falta de transparência na gestão do atual presidente Gianni Infantino:

“Há um ano, o Domenico Scala pediu demissão porque ele disse “a nova estrutura da FIFA permitirá que o presidente simplesmente demita qualquer um que estiver fazendo investigação. Infantino disse que não faria isso de jeito nenhum. Um ano depois Infantino faz exatamente o que Scala tinha alertado.”

O julgamento da FIFA e de seus dirigentes está marcado para novembro nos Estados Unidos. A entidade que comanda o esporte mais popular da Terra pode vir à falência caso seja considerada como “organização criminosa”. Marin cumpre prisão domiciliar em Nova York. Outro brasileiro investigado, o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero não cumprirá sentença caso seja condenado à prisão pela Justiça americana ,já que a legislação brasileira não permite a extradição de brasileiros residentes no país, caso de Del Nero. Ultimamente, o dirigente retirou de sua agenda qualquer viagem ao exterior, em especial a países que possuem acordo de extradição com os EUA para cumprimento de pena em regime fechado.

Na entrevista concedida com exclusividade, Jamil Chade comenta outros aspectos sobre as transformações pelas quais a FIFA atravessa e quais podem ser os seus impactos para o futuro da entidade. Para ouvir a entrevista completa, é só clicar aqui.