O (des)legado dos megaeventos esportivos

Autores

Tatiana Borin

Subtítulo

um estudo de caso sobre os impactos da realização da Copa do Mundo (FIFA) em Porto Alegre

Orientador

Alberto Reinaldo Reppold Filho

Banca

Elisandro Schultz Wittizorecki, Giovanni Felipe Ernest Frizzo, Bruno Gawryszewski

Faculdade / Instituição

Escola de Educação Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul

Tipo

Dissertação

Área de concentração

Mestrado em Educação Física

Ano

2017

Páginas

291

Cidade

Porto Alegre

Resumo (pt)

Porto Alegre foi uma das doze cidades-sedes da Copa do Mundo FIFA 2014. À época da sua candidatura e durante o preparo do evento, muito se divulgou acerca dos prováveis legados que a realização deste megaevento deixaria como retorno à cidade e seus habitantes. Diante disso, passados dois anos do fim da Copa, quisemos avaliar e descrever quais foram os principais impactos que sediar a Copa do Mundo deixou à Porto Alegre e seus (suas) habitantes no âmbito socioeconômico. Para cumprir com tal objetivo, fizemos um estudo de caso com enfoque qualitativo cuja coleta de dados deu-se através de pesquisa documental, entrevistas semiestruturadas, observações e registros de campo. Para compreender como se dá a realização de um megaevento, fizemos um histórico de como os megaeventos surgiram, se desenvolveram e se firmaram partindo de sua base esportiva e de sua base dentro da sociedade capitalista e globalizada. Também refizemos o caminho histórico percorrido pelas cidades em busca da reestruturação urbana – propiciada pelos megaeventos. Ao analisar os dados, elencamos duas categorias relacionadas ao âmbito social (reestruturação urbana e política/legislação) as quais subdividiram-se em: moradia e especulação imobiliária, garantias à FIFA e legislação, mobilidade urbana e segurança e violência. Percebemos que as obras de mobilidade privilegiaram veículos motorizados individuais e interesses de empreiteiras. As remoções realizadas em nome da Copa do Mundo são (ainda) um ponto de resistência de inúmeras famílias e comunidades – as quais não suportam mais a violação ao seu direto de moradia. A polícia comprou inúmeras armas e munições para conseguir proteger a Copa – e não as pessoas. Com relação à legislação, criou-se no Brasil um estado de exceção, sob qual a FIFA e seus interesses foram soberanos. O dinheiro utilizado para as obras da Copa teve sua origem no fundo público, ao contrário do prometido inicialmente. O custo final apresentou uma redução em relação ao custo inicial, porém isso deveu-se apenas à retirada de inúmeras obras (de mobilidade, na maioria) que não ficariam prontas dentro do prazo. Tivemos a FIFA, as grandes empreiteiras, políticos e a iniciativa privada como vencedores da Copa – e o legado à população de Porto Alegre ficou esquecido diante de tantos processos de corrupção e lavagem de dinheiro que os grandes ligados à Copa se envolveram.

Palavras chave: Copa do Mundo, Porto Alegre, Legados, Megaeventos Esportivos, Reestruturação Urbana e Esporte.

Abstract

Porto Alegre was one of the twelve host cities of the 2014 FIFA World Cup. At the time of its candidacy and during the preparation of the event, much was announced about the probable legacies that the accomplishment of this mega event would leave as a return to the city and its inhabitants. In view of this, two years after the end of the World Cup, we wanted to evaluate and describe the main impacts that hosting the World Cup left to Porto Alegre and its inhabitants in the socioeconomic context. To accomplish this goal, we conducted a case study with a qualitative approach which data collection took place through documentary research, semi-structured interviews, observations and field records. To understand how a mega event takes place, we made a history of how megaevents have emerged, developed and established themselves in sports within the capitalist and globalized society. Also, we make the historic path taken by cities in search of urban restructuring – propitiated by mega-events. In analyzing the data, we have listed two categories related to social scope (urban restructuring and politics / legislation) which were subdivided into: housing and real estate speculation, guarantees to FIFA and legislation, urban mobility and security and violence. It becomes evident that the mobility projects favored individual motor vehicles and the contractors. The removals made in the name of the World Cup are (still) a point of resistance of countless families and communities – which no longer support the violation of their housing right. The police bought numerous weapons and ammunition to protect the World Cup event- not the people. With regard to legislation, a state of exception was created in Brazil, under which FIFA and its interests were sovereign. The money used for the infrastructure works of the Cup had its origin in the public fund, contrary to the one promised initially. The final cost was reduced compared to the initial cost, but this was only due to the withdrawal of numerous infrastructure works (mostly for mobility) that would not be ready on time. We had FIFA, big contractors, politicians and private initiative as winners of the World Cup – and the legacy of the population of Porto Alegre was forgotten in face of so many corruption and money laundering scandals that the big Cup entrants got involved.

Key words: World Cup, Porto Alegre, Legacies, Sports Mega Events, Urban Restructuring and Sport.

Resumo (outro idioma)

Porto Alegre fue una de las doce ciudades sede de la Copa Mundial de la FIFA 2014. En el momento de su candidatura y durante la preparación del evento, tanto fue publicado sobre el probable legado que la realización de este mega evento volvería a la ciudad y sus habitantes. Así, dos años después del final de la Copa del Mundo, hemos querido evaluar y describir cuáles eran los principales impactos que la celebración de la Copa Mundial han traído a Porto Alegre y sus habitantes en el ámbito socioeconômico. Para cumplir con este objetivo, se realizó un estudio de caso con enfoque cualitativo cuya recolección de datos se realizo a través de la investigación documental, entrevistas semiestructuradas, observaciones y registros de campo. Para comprender cómo es la realización de un mega evento, hicimos una historia de cómo han surgido los mega eventos, se desarrolla y firma a partir de su base de deportes y su base dentro de la sociedad capitalista y globalizada. También rehacemos el camino histórico tomado por las ciudades en busca de reestructuración urbana – provocada por los mega eventos. Mediante el análisis de los datos se indican dos categorías relacionadas con el contexto social (reestructuración urbana y política / legislación) que se subdivide en: vivienda y la especulación inmobiliaria, garantías de la FIFA y la legislación, la movilidad urbana, y la seguridad y la violencia. Nos damos cuenta de que las obras privilegiaron la movilidad de vehículos particulares y los intereses de los contratistas . Las retiradas en nombre de la Copa del Mundo son (todavía) un punto de resistencia de un sinnúmero de familias y comunidades – que ya no soportan la violación de su derecho a la vivienda. La Policía compró numerosas armas y municiones para poder proteger a la Copa del Mundo – y no a las personas. En cuanto a la ley, se creó en Brasil un estado de excepción, en virtud del cual la FIFA y sus intereses eran soberanos. El dinero utilizado para la construcción de la Copa del Mundo tuvo su origen en el fondo público, a diferencia del prometido originalmente. El coste final se redujo en comparación con el costo inicial, pero esto se debió únicamente a la eliminación de numerosas obras (movilidad, en su mayoría) que no estaría listo a tiempo. Tuvimos que la FIFA, los gran contratistas, los políticos y el sector privado como los ganadores de la Copa Mundial – y el legado de la población de Porto Alegre fue olvidado frente a muchos casos de corrupción y lavado de dinero que los grandes relacionado con la Copa del Mundo se envolvieron.

PALABRAS CLAVE: Copa Mundial, Porto Alegre, Legados, Mega Eventos Deportivos, Reestructuración Urbana e Deportes

Sumário

1 CONSIDERAÇÕES INTRODUTÓRIAS, 15
1.1 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS, 21
1.2 (RE)CONHECENDO O CASO – E A CIDADE, 30

2 SOCIEDADE NEOLIBERAL E LÓGICA POLÍTICO-IDEOLÓGICA, 36
2.1 AS CIDADES – SUA ORIGEM E INSERÇÃO NA LÓGICA CAPITALISTA, 48
2.2 REORGANIZAÇÃO E REURBANIZAÇÃO DAS CIDADES: PARA QUE(M)?, 56
2.3 OS MEGAEVENTOS ESPORTIVOS INSERIDOS NO PROCESSO DE REESTRUTURAÇÃO URBANA, 65

3 AS DIVERSAS FACES DO ESPORTE MODERNO E SUA CONSTITUIÇÃO COMO TAL, 70
3.1 BREVE HISTÓRICO E DISCUSSÕES ACERCA DO ESPORTE, 71
3.2 A ERA DOS MEGAEVENTOS ESPORTIVOS, 81
3.2.2 Legados dos Megaeventos Esportivos e Ideologia, 83
3.2.2 Histórico, atualidade e como ser “mega”, 90
3.2.3 Os boicotes e os escândalos, 96
3.3 O ESPORTE UTILIZADO ENQUANTO INSTRUMENTO PARA A REPRODUÇÃO DO CAPITALISMO, 103
3.4 A TRAMA QUE TROUXE A COPA AO BRASIL, 109

4 ANÁLISE DAS CONSEQUÊNCIAS SOCIAIS DA COPA EM PORTO ALEGRE, 117
4.1 REESTRUTURAÇÃO URBANA, 118
4.1.1 Mobilidade Urbana, 128
4.1.2 Moradia e Especulação Imobiliária, 134
4.2 POLÍTICA/LEGISLAÇÃO, 147
4.2.1 Garantias à FIFA e Lei Geral da Copa, 148
4.2.2 Violência e Segurança, 157

5 ANÁLISE DAS CONSEQUÊNCIAS ECONÔMICAS DA COPA EM PORTO ALEGRE, 165
5.1 O CUSTO TOTAL E A ORIGEM DOS RECURSOS, 166
5.1.1 A polêmica das estruturas temporárias do Beira-Rio, 171
5.2 OS LUCROS DA COPA, 173

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS, 179

REFERÊNCIAS, 183

APÊNDICE A – ROTEIRO DA ENTREVISTA SEMIESTRUTURADA, 199
APÊNDICE B – ENTREVISTA CAMILA – COMITÊ POPULAR DA COPA, 200
APÊNDICE C – ENTREVISTA BRUNO E MARCELO – VINCULADOS À PMPA, 209 APÊNDICE D – ENTREVISTA LUCAS – REPRESENTAÇÃO COMUNITÁRIA, 233 APÊNDICE E – ENTREVISTA BERNARDO – DOUTORANDO, 252

ANEXO A – MATRIZ DE RESPONSABILIDADES RIO GRANDE DO SUL/PORTO ALEGRE, 265
ANEXO B – TERMO ADITIVO À MATRIZ DE RESPONSABILIDADES DE PORTO ALEGRE – SEGURANÇA, 279

Referência

BORIN, Tatiana. O (des)legado dos megaeventos esportivos: um estudo de caso sobre os impactos da realização da Copa do Mundo (FIFA) em Porto Alegre. 2017. 291 f. Dissertação (Mestrado em Educação Física) - Escola de Educação Física, Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, 2017.