04.2

Odir Cunha

Equipe Ludopédio, Marco Lourenço

O escritor paulistano Odir Cunha conquistou dois prêmios Esso. O primeiro pela cobertura da Copa do Mundo de 1978 disputada na Argentina e o segundo pela cobertura do Jogos Pan-Americanos de 1979 realizado em Porto Rico. Trabalhou como repórter e editor no Jornal da Tarde, comentarista de futebol e de tênis na TV e na Rádio Record, repórter do jornal O Globo, repórter e produtor da Rádio Excelsior, entre outrod veículos. Foi ainda diretor do departamento de imprensa da Secretaria Municipal de Esportes de São Paulo (quando Oscar Schmidt foi secretário). É autor de diversos livros, entre eles: “Time dos Sonhos, a história completa do Santos Futebol Clube”, “Donos da Terra” e “Heróis da América, a história completa dos Jogos Pan-americanos”. Em 2010, o pesquisador e historiador Odir Cunha virou notícia no cenário esportivo brasileiro. O “Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959”, de sua autoria, foi aprovado pela Confederação Brasileira de Futebol. Nesta entrevista, dividida em duas partes, abordamos esta e outras questões, decisivas para (re)compreender o que se define como “uma história do futebol brasileiro”.

Odir Cunha ganho o prêmio Esso pela cobertura da Copa do Mundo de 1978 na Argentina. Foto: Equipe Ludopédio.

 

 

Primeira parte

Onde e quando começou seu interesse pelo jornalismo?

Meu interesse começou em 1967 quando eu estudava no colégio Padre Francisco João de Azevedo, na Cidade Dutra, e os meus amigos criaram o jornal chamado O Gil (personagem do Walt Disney). Meu amigo Carlos Figueiredo era o editor, havia também o Ary China, era uma época de movimento estudantil, era um jornal de tendência esquerdista ligado à UEE (União Estadual dos Estudantes). Então, comecei fazendo matérias para o O Gil. Lembro que cobri a Olimpíada Infanto-Juvenil, o nosso colégio foi vice campeão de handebol. O título era “Azevedo vice-campeão”. E gostei. O jornalismo era uma maneira de você influenciar, de distribuir conhecimento e influenciar a cabeça das pessoas. E essa influência pode ser positiva ou não. E eu achava isso de um poder imenso. Você influir na ideia que as pessoas faziam dos fatos e tal. E logo em seguida no jornal de bairro. Trabalhei no O Gil em 1967, com 14 para 15 anos, e depois, já com 18 anos, no Mini Jornal da Cidade Dutra. Eu vi a plaquinha do jornal em um prédio no caminho de casa, fui lá e perguntei se eles precisavam de revisor, porque achei que só tinha condição de ser revisor. Estavam lá os donos, que eram um casal, e o Érico falou: precisamos de um revisor, só que temos um problema. Eu falei qual é? Não temos salário para te pagar, você aceita trabalhar de graça? Eu falei: aceito! E aí começou a minha carreira de jornalista, sempre trabalhando praticamente de graça, mas com idealismo. O Érico, um cara sempre otimista, apesar da vida difícil, pois trabalhava à noite em outro emprego e se dedicava ao jornal de dia, me falou: Odir, todo mundo que se contamina por esse bichinho que é essa coisa do jornalismo, nunca mais abandona. E ele estava certo. Isso foi em 1970-71 e eu comecei muito a querer ser jornalista. Mas como precisava do diploma, só depois que eu comecei a trabalhar na Folha como paste-up é que eu tive condição de pagar a minha faculdade de jornalismo. E aí me tornei jornalista. Formei-me em 79, mas já em fevereiro de 77 eu já havia entrado no Jornal da Tarde, sem conhecer ninguém. Um jornal que privilegiava no texto um novo jornalismo, um texto mais romanceado, da turma Capote. Nós líamos muito lá Gay Talese, as obras da multidão. O Ernest Hemingway tem um texto que eu achava ideal para o novo jornalismo porque o Hemingway também foi repórter. Tinha um texto moderno, sucinto e ao mesmo tempo objetivo. E o cara escrevia super bem, tanto é que ganhou o Nobel de Literatura. Então, o jornalismo também satisfazia um desejo intelectual meu, que era me tornar uma pessoa mais culta, escrevendo melhor, entendendo melhor o mundo. Na redação do Jornal da Tarde ia sempre um vendedor de livros e através das dicas dos mais velhos nós comprávamos os livros dos autores importantes para a nossa profissão. Lembro que como foca [jornalista iniciante] eu estava lá e passava um cara e os mais novos diziam: aquele cara tem um puta texto, aquele cara tem um puta lide. Havia uma preocupação com o lide que é a abertura da matéria. Eu conheci repórteres como o Sérgio Baklanos que ficavam cinco horas afinando o lide e o resto do texto ele fazia em meia hora.

Você participou ativamente da quebra de paradigma do triângulo invertido?

Sim. Eu fiz os testes lá e fui bem, principalmente ortografia. Houve uma pré-seleção, umas 200 pessoas participaram e 20 foram para a redação para serem entrevistados pelo Fernando Portella que era o chefe de reportagem. O Fernando Portella escrevia livros, um cara bom pra cacete, pernambucano, já com alguma experiência, já com uns 40 anos. Quando ele me entrevistou ele falou: garoto o que você sabe sobre jornalismo? Eu tinha comprado um livrinho das edições de ouro que tinha algumas técnicas de jornalismo e falava da pirâmide invertida. Eu falei olha, tem a pirâmide invertida. Vocês sabem por que pirâmide invertida? Logo no lide você fala do mais importante da notícia, a base, e depois dos detalhes, por isso pirâmide invertida. No lide, você já responde as perguntas básicas da matéria: o que, quem, quando, onde, porque e como. Assim: ontem, em tal horário, fulano de tal dirigindo um Alfa Romeu colidiu com o carro tal na esquina da rua tal e morreram tantas pessoas. Quer dizer, o cara já dá toda a notícia logo no lide, que é uma técnica até hoje empregada por alguns jornais mais tradicionais, O Estadão e O Globo, por exemplo. No Jornal da Tarde não era assim. No Jornal da Tarde, desde que você levasse o leitor a ler aquela notícia até o final, poderia abrir a matéria do jeito que quisesse. Pegar o leitor pela mão e leva-lo até o final da história era o grande objetivo do texto.

Poderia dar algum exemplo?

Então… Comecei o perfil do Palhinha, que jogou no Corinthians, assim: “Papai, me dá um sorvete?” Que era uma frase do filhinho dele. Eu o estava entrevistando quando o garotinho se aproximou e pediu o sorvete. Naquele dia o Palhinha estava tão feliz por ter estreado na noite anterior pela Seleção Brasileira, e feito um gol, que o filho poderia pedir o que quisesse que ele daria. Então, eu usei essa frase da criança mostrar o estado de espírito do Palhinha, muito feliz por ter jogado pela Seleção. Aí contei da noite anterior, do jogo, e fui levando o leitor através da notícia. A gente fazia esses exercícios de criar a matéria de qualquer jeito. Então, pirâmide invertida, respondendo, foi uma coisa que logo no primeiro papo com o Fernando Portella deixei de levar em conta. Ele falou: esquece, aqui desde que você leve o leitor a ler a matéria, é isso o que importa. O que valorizava essa técnica, que é chamada do novo jornalismo, ou do jornalismo literário? Valorizava a criatividade, o talento de cada um. Mas talento, para mim, é uma coisa que você trabalha. Não existe quem nasce sabendo. Nem Pelé nasceu sabendo. O pai dele ensinou matar no peito, cabecear, a chutar com a esquerda, que ele não tinha. Então, não existe isso, ninguém nasce sabendo. Você aprimora as suas aptidões e é claro que se você gosta de alguma coisa, terá mais paciência para treinar aquilo e acabará se desenvolvendo mais. Se você gosta de música e é capaz de ficar cinco horas por dia ensaiando um instrumento, é claro que vai tocar melhor do que os outros. Então, a gente lia mais no Jornal da Tarde. Criei pastas com textos de cada repórter do jornal, os melhores, para analisar o estilo de cada um, para ver o estilo que eu gostaria de seguir se eu continuasse no jornal. Tive todos esses cuidados e acabei ficando.

Odir Cunha recebeu o prêmio Esso pela cobertura dos Jogos Pan-Americanos de 1979 realizado em Porto Rico. Foto: Equipe Ludopédio.

Hoje em dia tem algum jornalista que você diz: esse texto é muito bom?

Olha, eu vou ser sincero: não tem nenhum jornalista que eu babe ovo, pô esse cara! De esporte, não. Acho que o bom texto, o bom redator de qualquer assunto, se ele escrever sobre esporte, também vai escrever bem. Então, há os grandes escritores. Aposto que o João Ubaldo Ribeiro, se cismar de escrever sobre futebol, vai escrever super bem, porque é um grande escritor, tem a técnica da redação, a sensibilidade. Há o José Roberto Torero, meio escritor, meio jornalista, que escreve bem. Não é porque é santista não! (risos), mas acho que é um dos melhores textos sobre esporte. Hoje o jornalismo foi muito para o sensacionalismo, pro ibopismo. As pessoas são muito preocupadas com números. Eu vejo alguns colegas fazendo alarde de seu site, de seu blog, pelo número de comentários ou pelo número de visitas. Não deveria ser um critério importante, porque você pode ter muitas visitas, como eu já tive, mas movidas por um sentimento negativo. Fiz uma matéria sobre ranking de torcidas, e o Vasco estava lá embaixo, porque eu acho que a Timemania é um referencial e os vascaínos ficaram alucinados e inundaram o meu blog. Agora, qual a vantagem? A maioria me xingando, eles entraram porque ficaram indignados. Agora, uma pesquisa posterior do Lance/Ibope provou que a torcida do Vasco, dos times grandes, foi a que mais caiu, perderam dois milhões e cem mil torcedores nos últimos dez anos. Sinal que eu não estava embasado em fatos etéreos (relativos a éter, voláteis), era uma coisa concreta. Mas hoje há muito dessa corrida por números, há programas de televisão dirigidos a dar ibope, a gerar audiência, e com isso se perdeu o bom gosto. Antes nem existia ibope. A TV Record, a primeira TV, tinha um corpo de baile, da Ruth Rachou, tinha uma orquestra, grupos de teleteatro que encenavam peças clássicas Então, havia muitos elementos de uma arte mais refinada incorporada na televisão que foi criada a partir da rádio. Acho errado o ibopismo porque você nivela por baixo. A maioria do povo é ignorante, no sentido de ignorar as coisas. É verdade, a gente não precisa fazer média. A maioria das pessoas que gostam de futebol, por exemplo, não conhecem a história do futebol, a maioria dos jornalistas esportivos também não conhece a história do futebol. Isso não dá ibope, não dá audiência, porque você não gosta daquilo que você não conhece. Se fôssemos outro país… Tem um cara que fez um livro sobre a história do Arsenal, ele era torcedor, ele conta a vida dele ligada ao time. Isso foi um sucesso lá na Inglaterra. Será que daria certo aqui? Talvez não, porque esse respeito pela história não existe, a unificação provou isso. A unificação provou uma falta de respeito muito grande pela história. Como naquela frase: não sei, não gosto de saber e tenho raiva de quem sabe. Então, eu despertei o ódio de muita gente simplesmente por tocar em um assunto que a maioria não sabe e por não saber achou que estava sendo manipulado. É porque está acostumado a ter uma ideia da CBF como uma entidade manipuladora e é muito mais fácil você acreditar nisso do que você sentar, analisar, ler. O brasileiro tem preguiça de ler.

Como passou a trabalhar com jornalismo esportivo, mais especificamente futebol?

Eu fui entrevistado pelo Fernando Portella e comecei na Geral. Geral era a editoria do jornal que cobria de tudo: cidade, polícia, trânsito, isso era a geral. Tanto eu entrevistei o prefeito de São Paulo Olavo Setúbal, aliás, essa foi uma experiência muito louca porque alguns anos antes eu nem tinha RG. Eu tirei RG com 21 anos. Eu era órfão de pai, morava numa casinha na Cidade Dutra com minha mãe e meus dois irmãos, estudei em escola pública… Era um cara assim, meio under dog, de repente estou entrevistando o prefeito de São Paulo. E eu percebi a força do Jornal da Tarde, que era a TV Globo do jornalismo impresso. Cheguei para o Olavo Setúbal meio tímido, no começo eu até gaguejava de timidez diante de uma autoridade, mas eu consegui falar que era repórter do Jornal da Tarde e ele respondeu: você é do Jornal da Tarde? O Olavo Setúbal botou a mão em mim me levou para o canto e deu uma entrevista praticamente exclusiva. Eu percebi a força do Jornal da Tarde naquele dia. Bem, mas eu queria ir para o esporte. Polícia foi muito bom porque você se envolve em histórias humanas, para quem gosta de escrever é muito bom. Mesmo um acidente de ônibus, eu transformei um acidente de ônibus numa história, peguei desde a hora que saiu do ponto e fui indo, entrevistei as pessoas do ônibus, e o nome virou: a tragédia do ônibus zangado. Eu descobri que o motorista estava cobrindo a vaga de um amigo dele, já estava tarde, ele fazia o horário cedo, a mulher dele estava doente, então, ele estava querendo chegar cedo em casa e nessa turma da noite entravam muitos estudantes que ficavam fazendo arruaça no ônibus. Ele foi ficando zangado, foi acelerando o ônibus, não foi parando nos pontos. Brincaram com o nome dele que era Enoque e a cobradora o chamava de Nhoque e os caras davam risada e ele nervoso, foi acelerando e capotou o ônibus numa curva. Ele e um estudante morreram. E aí eu consigo pegar toda essa história e colocar, o Jornal da Tarde dava essa possibilidade. Então, você podia romancear e era tudo real, mas ao mesmo tempo poderia ser uma ficção porque desde que você pegasse desde o início e contassem com a técnica certa, era uma realidade ficcional, digamos. E os caras foram gostando desses meus trabalhos, e quando surgiu uma vaga nos esportes, todo mundo já sabia que eu queria ir para o esporte. Eu fui e foi legal. Mas antes tive uma lição importante, que acho legal as pessoas saberem. Eu fui para o esporte, mas o esporte estava cheio de estrelas: Flávio Adauto tinha ganhado dois prêmios Esso pela Folha; Roberto Avallone, que era um bom chefe de reportagem, um ótimo pauteiro, não é esse cara caricato da televisão, escrevia bem, tinha boas pautas; Vital Bataglia, um jornalista fantástico, um excelente repórter, que fez uma matéria, “Juiz Ladrão” e ganhou um prêmio Esso Geral (não só de Esporte) . Ele se passou por bandeirinha, pois tinha curso de arbitragem, e foi para um jogo no interior e retratou toda a tentativa de suborno do trio de arbitragem, inclusive dele. Então, existia esse tipo de matéria naquele tempo. E a equipe era muito boa: Castilho de Andrade, que já falava várias línguas numa época em que jornalista nenhum falava inglês. Até que um dia, eu tomando o ônibus para o jornal – tinha um ônibus especial que saía da cidade, pois o Estadão antes ficava na Major Quedinho e mudou para o bairro do Limão. Nesse ônibus sentei do lado de uma companheira, Sheila Lobato, jornalista carioca que eu conhecera na Geral, aí ela falou: e aí Odir como está lá? Eu falei “não está legal, só estão dando matérias pequenas para fazer”. E ela: Odir, não importa o tamanho da matéria, você pode fazer grandes matérias que são uma porcaria e pequenas matérias muito boas. Então, se te derem o treino do Juventus para fazer, 20 linhas sobre o treino do Juventus, procure fazer as melhores 20 linhas já escritas sobre o treino do Juventus. É mesmo! Um pensamento lógico. Se me davam Portuguesa para fazer ou um jogo ridículo para fazer de dois times pequenos, eu passei a tentar fazer o melhor que podia. Comecei a usar essa filosofia de trabalho. Aí me passaram um dia um jogo em Jundiaí de dois times que estavam para serem rebaixados. O jogo foi 0 x 0 e eu ditei o texto por telefone. Foram apenas 20 linhas, mas eu pesquisei antes sobre os times e eu retratei o medo que pairava sobre os times, sobre o estádio, porque cair para a segunda divisão era a morte para um clube, talvez nunca mais voltasse, era um terror. Então, os times jogaram com medo e você percebia isso nos lances. Eu tentei descrever isso. No dia seguinte eu me surpreendi quando cheguei, peguei o jornal e vi que o texto estava assinado. E o Vital Bataglia, que era o editor, antes de ir para a reunião de pauta passou por mim e falou: garoto escreva sempre assim. Eu pensei (rindo) esse é o caminho. E aí eu comecei a caprichar em cada matéria.

Qual a importância da conquista dos prêmios Esso? Como foram as reportagens?

Seis meses depois [de ter escrito esse texto] viriam os Jogos Pan-Americanos de Porto Rico e o Vital Bataglia me colocou para cobrir junto com o Castilho de Andrade. Alguns jornalistas colegas se revoltaram porque eu era novo, acharam que estavam me dando um prêmio que eu não merecia. No ano anterior a equipe do JT tinha ganhado o prêmio Esso pela cobertura da Copa na Argentina. E como foi esse prêmio Esso: havia um caderno diário sobre a Copa. Eu não fui pra lá, mas mesmo aqui fiz matérias de página inteira, cobrindo outros eventos, cobrindo um cara que falava sobre biorritmo que deu maior ibope na época porque ele dizia se o jogador ia jogar bem ou não. Era uma moda o biorritmo e dava uma página inteira, então era uma matéria importante, pela visibilidade. Como toda a equipe ganhou, 20 caras, eu ganhei junto, mas ganhei com outros 20. Agora em 1979 fomos apenas eu e o Castilho cobrir os Jogos Pan-Americanos de Porto Rico. Aí fui com uma adrenalina… Meu sonho era ganhar um prêmio Esso que tivesse o meu nome, porque era o prêmio mais importante do jornalismo brasileiro e havia um prêmio Esso de formação esportiva, que hoje não há mais. Então, eu fui com um tesão tão grande, que cobria desde provas de remo que começavam às 7h30 da manhã até luta de boxe que terminava 1h30 da madrugada. Eu dormia pouco, mas estava tão adrenalizado que eu ia para tudo o quanto era lugar, cobria tudo o que era coisa. A gente ia mandando esse material para cá e eles iam editando aqui. Teve um dia que estava chovendo, eu estava numa Guagua que é uma perua, ela parou perto de um ginásio, eu entrei, havia um cara batendo o recorde mundial de levantamento de peso, um cubano. Nem estava previsto a gente cobrir, mas pô um recorde mundial! Eu fui, cobri, entrevistei atletas, técnicos, jornalistas cubanos, falei do halterofilismo de Cuba, fiz uma matéria, mandei para cá e quando cheguei vi que editaram bem essa matéria. Dei sorte de cobrir a maioria das modalidades que ganharam medalhas de ouro para o Brasil. Voltei, falei para o Castilho: vamos inscrever essa cobertura no prêmio Esso. Fui ao editor-chefe, consegui sua assinatura e inscrevi a cobertura… Daí estava cobrindo um jogo em Ribeirão Preto, Comercial e Flamengo, quando o nosso correspondente lá veio com a notícia que a gente tinha ganhado o prêmio Esso. Foi justo, era a competição mais importante do ano, nós fizemos a melhor cobertura, procuramos ângulos diferentes, não ficamos naquela coisa padrão e ganhamos. Se eu tivesse continuado no Jornal da Tarde provavelmente poderia ter ganhado muitos outros prêmios, pois o Esso me tornou um repórter especial do futebol, do esporte. Provavelmente teria ido a Copas do Mundo, Olimpíadas, mas um ano depois eu me invoquei com o jornal, que não me dava aumento, recebi uma proposta de uma revista de tênis, a TênisEsporte, e fui para ser sub-editor. Nove meses depois a revista de tênis fechou, aí fui trabalhar na rádio Globo, no jornal O Globo, mas nunca mais voltei para a reportagem do Jornal da Tarde. Voltei como redator e depois como editor, mas não mais como repórter, que é o que eu acho que sei fazer melhor. Acho que é uma coisa que talvez eu sentisse um pouco de falta, mas é o que a Suzana Silva, minha mulher, fala: nós somos o resultado de todas as experiências que tivemos. Então, você não pode se arrepender de nada. Se você hoje pensa assim é porque passou por todas as experiências, boas ou não tão boas. Então, não posso me arrepender de algo que eu fiz. Agora, se eu tivesse continuado no Jornal da Tarde provavelmente teria feito uma carreira excelente lá, porque me sentia em casa lá, gostavam de mim, me davam boas pautas. Eu era a Glória Maria do esporte do Jornal da Tarde (risos).

E hoje, tem o mesmo significado?

Eu acho que tem, mas não há mais essa valorização da imprensa esportiva. Não há mais o prêmio Esso de informação esportiva. Eu acho um absurdo. Não sei como a classe de jornalistas esportivos permitiu que não houvesse mais o prêmio Esso de informação esportiva. Se você analisar a história do jornalismo brasileiro, alguns dos grandes jornalistas vieram do esporte: Mario Filho, Nelson Rodrigues, Armando Nogueira, que era diretor de jornalismo da TV Globo, e por que não há um prêmio Esso para essa categoria? Você tem em São Paulo o prêmio Ford/Aceesp [Associação dos Cronistas Esportivos do Estado de São Paulo], um prêmio em que as pessoas votam! Eu nunca pediria um voto em mim. Eu nunca vou ganhar esse prêmio. Também não estou me queixando. Vou a todos os jantares, não sou como a maioria dos jornalistas, que se não ganha, não vai ao jantar. Eu vou a todos porque é uma oportunidade de rever os amigos. Não considero que eu tenha nenhum inimigo na crônica. Eu tenho pessoas que às vezes pensam diferente. O Ford/Aceesp tem a sua importância, mas falta um prêmio que tenha mais credibilidade, que era o prêmio Esso de informação esportiva.

Odir Cunha é autor do livro “Time dos Sonhos, a história completa do Santos Futebol Clube”. Foto: Equipe Ludopédio.

Quais mudanças significativas você pode indicar no jornalismo esportivo do início da sua carreira até os dias de hoje?

Eu corro o risco de ser saudosista, claro. Mas eu acho que havia um respeito maior pelos mais experientes, pelos mais velhos. E talvez isso não fosse só do jornalismo, viesse da educação que a gente tinha em casa. Eu sou do tempo que você pedia benção pra sua mãe, pro seu pai. Pedia a benção, beijava as mãos dos meus tios. Ouvíamos os mais velhos, as histórias dos mais velhos e aprendíamos com eles. Hoje há uma falta de respeito maior pelo conhecimento e se você não respeita o conhecimento, não respeita também a experiência, pois experiência é sinônimo de conhecimento. O Armando Nogueira, considerado pela maioria o Príncipe do Jornalismo Esportivo, me confidenciou quando me entrevistou no Programa Bate-Papo com Armando Nogueira, em 2007, um dos últimos programas que ele fez, eu acho, que ele estava desanimado com a reação agressiva dos leitores dos sites, dos blogs. Hoje há essa agressividade, as pessoas escolhem um nick, se escondem atrás de um nome fictício e ofendem os outros, questionam as informações mesmo sem nenhum argumento ou fundamento. Antes, como é que funcionava? Você tinha o jornal, o contato com o leitor era através de cartas que esse leitor enviava para você. Ele tinha de botar nome, sobrenome, endereço, se responsabilizava pelo que escrevia e muitas vezes escrevia do próprio punho. Eram raras as cartas datilografadas. Então, havia um comprometimento. Se ele te criticasse, ele estava assumindo aquela crítica e a opinião do leitor era muito mais levada a sério do que nos dias de hoje. Se eu fizesse uma matéria sobre um assunto e recebesse duas cartas criticando aquela matéria, o editor já ia me chamar para conversar. Duas! Porque já demonstrava que havia um respeito pela opinião do leitor e duas cartas eram suficientes. Talvez uma carta já fosse suficiente para o editor te chamar e saber se aquela crítica era procedente, como é que você tinha feito a matéria, quais foram as fontes. E hoje você vê blogs receberem centenas de críticas e não são levadas a sério, até porque elas não têm fundamento. Então, tem muita xingação. Hoje o jornalismo esportivo foi dominado pelo espírito do torcedor, que se baseia na ironia, no deboche, quando deveria ser o inverso. O jornalista esportivo é que deveria estar impondo ao torcedor, ou pelo menos tentando impor, uma cultura diferente, de respeito à história do futebol, aos adversários, aos próprios jornalistas, mas é claro que para isso o jornalista teria que passar essa credibilidade. Porém, a partir do momento em que você tem o ibopismo, a ideia de se gerar polêmica para dar ibope, você tem jornalistas falando coisas que eles nem acreditam, só para gerar polêmica e discussão. Não preciso citar nomes, mas vocês sabem. Falam exatamente o que não acreditam, mas sabem que aquilo vai gerar a discussão, vai aumentar o ibope. Então, há uma inversão de valores. O espírito do torcedor está dominando o jornalismo esportivo. Porque hoje há uma interatividade muito maior, as pessoas querem contentar o torcedor porque ele que dá audiência para o seu blog, pro seu site, pro seu programa de televisão, de rádio, ele é que mantém a sua revista e o seu jornal vivos. Nós, jornalistas, deveríamos estar tentando romper essa barreira e passar uma informação mais fidedigna e respeitosa ao torcedor.

A relação do jornalista, do jornal, da mídia não é mais com o leitor, é com o consumidor. Então, desde que seja consumido é que vale?

Sim, eu acho que é isso. Uma boa definição. O leitor passou a ser um consumidor e há esse respeito, essa reverência do jornalista esportivo em relação ao leitor. Por outro lado, vejo muitos leitores com um poder de questionamento muito bom também. Eu percebo isso no meu blog. Com argumentos fortes. Aliás, eu me pauto muito pela opinião dos meus leitores. Eles me respeitam e me ouvem, mas eu também os respeito e os ouço. Tem até jurista entrando no meu blog, embasando o trabalho da unificação com uma visão jurídica, que é o Luiz Tomaz. Então, é difícil generalizar. Porém, grosso modo você tem razão, hoje o leitor é visto como cliente. E muitas vezes o jornalista se torna subserviente à vontade do leitor.

A partir de sua experiência com o Pan-Americano, com a Copa de 78 que tipo de experiência você pode trazer para a cobertura da Copa 2014 e a Olimpíada de 2016? Quais os novos desafios para o jornalista neste momento?

As pessoas têm várias maneiras de ver uma Copa e uma Olimpíada no Brasil. Se você analisar do ponto de vista esportivo, não há nada de negativo, pelo contrário. Há uma corrente do jornalismo esportivo que parece não gostar de esporte. Criticaram o Pan-Americano no Rio [2007], estão criticando a Olimpíada e criticando a Copa do Mundo, porque estão achando que são maneiras de desviar dinheiro público. Claro que a fiscalização tem de existir. Agora, infelizmente, vivemos num país em que a corrupção é latente e existe até em merenda escolar. Então, não vai ser só numa Olimpíada. Eu vejo uma Olimpíada como o maior acontecimento esportivo que existe. Um exemplo de educação, não só esportiva, mas que você pode usar para a própria educação dos jovens. Eu escrevi um livro pequeno que se chama Sonhos mais que possíveis: histórias reais de superação, amor e determinação em Olimpíadas que são um exemplo muito bom para qualquer pessoa. Vejo o esporte como uma maneira justa de compensar o mérito das pessoas, porque não tem como você enganar. Você não vai ser campeão iludindo, você vai ter de superar obstáculos dificílimos. Vai ter de treinar duro, vai ter de superar concorrentes fortíssimos. Então, não há um campeão mentiroso, um campeão olímpico que é uma grande farsa, a não ser que ele use drogas. Senão ele sempre será um exemplo de superação, mesmo que não seja o vencedor: a própria luta, o próprio esforço é um exemplo digno e só hoje os atletas conseguem ganhar algum dinheiro, eles viveram boa parte do tempo na miséria. Ser atleta era sinônimo de ser miserável e eles foram os maiores exemplos de heróis de nosso tempo, de heróis modernos. O Johnny Weismuller na natação, o Jesse Owens, que derrotou a teoria racista de Adolf Hitler, mas morreu pobre. Mesmo depois de ganhar, de dar uma grande demonstração contra o racismo, Owens foi vítima do racismo nos Estados Unidos quando voltou. Então, o esporte dá exemplos maravilhosos. Uma Olimpíada é uma enciclopédia que pode ser lida e relida durante a eternidade. Agora, se a preocupação for descobrir mazelas na Olimpíada e se esquecer do que é essencial, que é o drama humano que estará presente na Olimpíada, a história de vida, de superação, as pessoas não vão ver o que é mais bonito na Olimpíada. Não que não se deva preocupar com as outras coisas, com o desvio de verbas, mas quem ama o esporte vai se preocupar com outros detalhes. Então, a Olimpíada e a Copa do Mundo no Brasil são eventos maravilhosos que fazem parte para mim de um ritual de passagem do Brasil para uma etapa adiante, de um país um pouco mais desenvolvido também culturalmente, pois nossa cultura esportiva vai ganhar uma nova dimensão. Eu vejo isso, quer dizer, se o Canadá já fez duas Olimpíadas, se o Japão, vários países já fizeram, até países com possibilidades econômicas menores do que o Brasil, por que o Brasil não pode fazer uma Olimpíada?

Mesmo com a experiência do Pan-Americano, com o legado, dá para ter esse otimismo para os próximos grandes eventos esportivos que acontecerão no Brasil?

Eu sou uma pessoa otimista. Eu acredito nos sonhos. Tudo começa com um sonho e toda caminhada começa com o primeiro passo. Você cria um filho e uma hora ele tem de seguir a vida dele. Eu fiz um livro sobre animais Os bichos ensinam que me ensinou muito. Uma águia não foi feita para viver no ninho. O filhote de águia um dia vai ter que voar, alguns vão se espatifar lá embaixo, um entre não sei quantos vão se espatifar. É a lei da natureza, mas não é por isso que o casal águia vai manter o filho no ninho a vida inteira. Então, o Brasil um dia vai ter de dar essas demonstrações de maturidade, de responsabilidade. Não é não fazendo a Olimpíada porque a gente tem medo que as pessoas roubem que as pessoas vão se tornar honestas. Se impedir a pessoa de roubar você não transformou a pessoa em honesta. Não é permitindo a possibilidade da desonestidade, mas você tem de confiar nas pessoas, confiar no nosso povo, na honestidade, na capacidade de fiscalização, na capacidade de organização. E se nós não enfrentarmos um evento desse a gente sempre vai ficar inseguro em relação a nós mesmos. Somos um povo mau caráter? Somos um povo inconfiável? Não podemos fazer aqui uma Olimpíada e uma Copa do Mundo porque vamos roubar? Porque as pessoas sempre falam assim: eles roubam, nós não. Nós fazemos parte do mesmo povo. Quer dizer, nós temos o poder de fiscalização, nós elegemos esses políticos que estão aí. Então, eu vejo do Pan-Americano para cá que a nossa natação deu um salto, a ginástica deu um salto, o atletismo melhorou, o próprio estádio Engenhão está sendo utilizado pelo Botafogo. Eu vejo mais coisas positivas. Até porque a decisão já foi tomada. Adianta a gente ficar remando contra agora? Acho que a partir do momento em que a decisão foi tomada e que vamos realizar, se houver uma mobilização global do Brasil para que esses eventos sejam bem-sucedidos, eles terão muito mais chances de serem bem-sucedidos, de serem lucrativos, de muita gente ganhar com isso, de haver um desenvolvimento muito maior dos esportes. Se eu praticasse qualquer modalidade que vai ser incluída nos Jogos Olímpicos, eu procuraria aproveitar para fazer palestras, dar cursos, livros. Eu iria aproveitar a Olimpíada para divulgar mais ainda a minha modalidade e isso seria extremamente positivo. Eu acho que isso vai ser feito, cada modalidade vai aumentar o mercado de trabalho. Então, eu vejo mais coisas positivas. Não quero dizer que devemos fechar os olhos, usar um tapa olho, mas já foi decidido, vai ser feito. E ficar criando site para ver para onde vão os dinheiros que vão ser gastos? Que exista isso também! Mas só isso? Que jornalistas façam uma campanha desde já contra? O que eu senti no Pan-Americano é que fizeram uma campanha, que atrapalhou muito o meu livro, fiquei meses trabalhando naquilo, consegui fazer um livro completo, bonito e de repente descobri que os Jogos Pan-americanos se tornaram uma competição que a boa parta das pessoas parecia detestar, influenciadas por alguns jornalistas esportivos. Por que alguém escolhe ser jornalista esportivo se você odeia o esporte? Eu não entendo!

Oir Cunha é autor do Dossiê pela Unificação dos Títulos Brasileiros a partir de 1959 que foi aprovado pela Confederação Brasileira de Futebol. Foto: Equipe Ludopédio.

Como foi seu contato com Oscar Schmidt?

Fui ghostwriter por dois anos do livro do Nuno Cobra “Semente da Vitória” para a editora Best Seller. Aí o José Henrique Grossi, editor da Best Seller, me ligou. Ele queria alguém pra escrever um livro sobre o Oscar Schmidt, que o conhecesse e pudesse ser o ghostwriter. E eu cobri o mundial que o Sírio ganhou, em 1979, no Ibirapuera, depois cobri uma excursão que o Sírio fez pela Argentina. Na excursão eu conheci bem o Oscar, sujeito muito idealista, patriota e com uma garra e talento impressionantes. Aí eu fiz o livro com ele. Parecia mais um depoimento editado, eu ia pautando ele e gravando, depois editávamos. Num certo momento eu perguntei a ele, Oscar, você já fez muitos pontos né? Será que você não tem um recorde aí? [Oscar]: Olha cara, eu tenho todos os pontos que eu fiz na Europa, mas aqui não, porque a Federação Paulista de Basquete não tem a súmula dos jogos e nem os jornais registravam. Então, pegamos o que era possível e fizemos uma média pelos jogos feitos no ano, tirada para baixo, que chegou a 24 pontos por jogo. Aí virou um recorde mundial extra-oficial. Quando a imprensa também passou a acompanhar, ele chegou aos 43 mil pontos, e acabou que virei co-autor porque o Oscar quis meu nome estampado na capa do livro. Era um livro simples, até pouco comportado, diria. Ele contava que uma das diversões dele era jogar ovo podre em travesti na Indianópolis. Eu disse: Oscar, não é melhor tirar isso? Mas enfim, o livro vendeu 10 mil cópias, foi aí que eu entendi que mesmo ele sendo um ídolo, o mercado editorial no Brasil é assim mesmo, dez mil exemplares já era uma venda significativa.

E sua participação na secretaria de esportes de São Paulo?

Bom, eu ouvi boatos que o Oscar poderia ser convidado pra ser secretário de esportes do (prefeito Celso) Pitta. Liguei pro Oscar e perguntei a ele se fosse convidado pro cargo, ele me colocaria como assessor de imprensa. Ele disse que havia outro nome pro lugar, mas então eu me ofereci pra dar uma força e ele topou se caso acontecesse. Aí teria aquele jantar no final do ano da Associação dos Cronistas Esportivos, e eu levei o Oscar. O mestre de cerimônias era o Ênio Rodrigues, meu amigo. Eu pedi pro Ênio: Cara, anuncia aí o futuro Secretário de Esportes, Oscar Schmidt. Pô, o que o cara não faz quando está desempregado, né? Depois disso já ficou aquele zum zum zum, um cara bota numa coluna, etc. Naquele mesmo jantar eu conheci um cara que era coordenador de esportes da prefeitura. Pedi uma força pra ele e ele disse que havia trabalhado com o Maluf e faria o contato pra agendar uma reunião com a gente. Pô, não sou malufista, mas eu queria trabalhar, exercer minha profissão. Aí o cara me ligou e avisou da reunião segunda-feira, 10h, na prefeitura, eu, Oscar e o Pitta. Primeiro passamos pela sala de imprensa pro pessoal ver o Oscar. Aí perguntaram, ô Oscar, que está fazendo por aqui? E o Oscar disse o prefeito me chamou pra uma reunião, ainda não sei. Chegando na mesa de reunião, o prefeito Pitta perguntou: Oscar, a que devo sua visita? Bom, aí eu respondi: Sr. Prefeito, é que nós lemos pela imprensa que o senhor tem interesse de convidar o Oscar para ser Secretário de Esportes. Então o Pitta disse: Poxa, Oscar, você aceita? Eu ia mesmo ligar pra você. Depois o prefeito desceu e anunciou o novo secretário e começamos o trabalho. Mas aí que eu vi como o serviço público é uma merda. Tinha dois caras concursados ali comigo que cismaram de trabalhar só duas horas por dia. Não havia como substituí-los. Coloquei os cargos dos dois à disposição, mas foi pior. Eles passaram a ganhar sem trabalhar. Eu tive que segurar todos os pepinos, além de estar passando por um momento complicado no meu casamento. Então numa segunda-feira o Oscar chegou mal-humorado e veio gritar comigo. Justo eu, que entrava às oito da manhã e saía oito da noite. Atendia a imprensa, escrevia releases, enviava pautas para os veículos, coordenava o site da Secretaria… E ele, que nunca tinha sido grosso comigo, cismou de ser justo naquela segunda-feira que eu também não estava legal. Mandei-o se foder. Agora você imagina, eu sentado, chega um cara de 2,05m de altura, com os olhos vermelhos gritando: “O que?!” Pô, esse cara vai arrancar minha cabeça! (risos). Aí eu falei, vai lá com seus amigos, ele já estava com umas amizades bem estranhas… Bom, eu fui demitido naquele dia, depois de 10 meses na Secretaria. Mas foi bom ter saído. O Oscar seria candidato a senador com apoio do Maluf e eu coordenaria a campanha. Pô, eu ia ficar com imagem de malufista pro resto da minha vida. Era bem melhor ficar desemprego e começar tudo de novo.

Confira a segunda parte da entrevista no dia 16 de fevereiro.