Faculdade
Setor de Ciências Humanas, Universidade Federal do Paraná
Orientador
Luiz Carlos Ribeiro
Banca
Wanderley Marchi Jr, Carlos Roberto Antunes do Santos, Ricardo de Figueiredo Lucena, Antonio Jorge Soares
Data da defesa
2007
Sumário
1. INTRODUÇÃO, 1
1.1. Literatura e Esporte no Brasil, 1
2. CRÔNICA LITERÁRIA (ESPORTIVA) E HISTÓRIA: QUESTÕES METODOLÓGICAS, 12
2.1. Sobre a Literatura e a História, 12
2.2. Crônica – o gênero, 26
2.3. A crônica e o futebol, 37
3. A CRÔNICA NA BELLE ÉPOQUE: A INTELECTUALIDADE BRASILEIRA DEBATENDO SOBRE FUTEBOL E CIVILIDADE, 59
3.1. O Surgimento do Futebol e sua Modesta Aparição no Jornal, 62
3.2. O Futebol Desperta a Curiosidade dos Literatos Brasileiros, 71
3.3. O Esporte na Crônica do Início do Século XX: múltiplos significados e Ideais, 92
3.4. Crônica, Engajamento Social e Futebol, 108
3.5. Futebol e Sentimentalismo Manifesto, 147
3.6. O Football Como Pretexto: micro-relações de poder na literatura Brasileira, 161
4. O SURGIMENTO DA CRÔNICA ESPORTIVA ESPECIALIZADA: ESTÉTICA LITERÁRIA E A METÁFORA DA “PÁTRIA EM CHUTEIRAS”, 203
4.1. O Ideal da Integração Racial e o Futebol na Obra de um Ensaísta, 209
4.2. O Esporte Presente na Vida de Jovens Literatos, 228
4.3. Cronistas Esportivos e suas Diversas Formas de Engajamento, 248
4.4. Identidade Literária: Estilos Próprios na Crônica Esportiva, 273
4.5. A Crônica Esportiva: entre o Ideal da Brasilidade e a Autonomia Literária, 310
5. APONTAMENTOS FINAIS, 345
6. FONTES, 354
7. BIBLIOGRAFIA, 361
Resumo [PT]
A reflexão aqui proposta sobre o futebol, manifesta através das crônicas literárias, foi periodizada em dois blocos históricos de acordo com as suas características e o contexto: o primeiro bloco ligado à sociogênese do esporte no Brasil, quando a crônica das primeiras décadas do século XX discutia a sua funcionalidade e representatividade na nova sociedade republicana. Tal embate teve seu desfecho logo após a popularização do esporte e o lançamento de um novo movimento literário, o Modernista. Já no segundo bloco histórico, o futebol se encontrava devidamente inscrito como elemento central da cultura brasileira, assumindo um papel de agente afirmador da identidade nacional. Nestes complexos cenários se estabeleceram questões fundamentais para o entendimento das tensões que envolveram o futebol e a literatura: quais foram as relações de força no campo literário brasileiro manifestas através das crônicas sobre o esporte? Evidentemente, tais relações, através das crônicas, explicitariam a presença de um contexto social mais amplo ao mesmo tempo em que dariam indícios da personalidade literária de alguns escritores de renome nacional gerando, secundariamente, as seguintes questões: quais os limites artísticos de um gênero literário preso ao cotidiano? Como se processou o debate intelectual acerca da função social do esporte no campo literário? Como poderiam ser pensados os momentos históricos de construção de modelos explicativos, legitimados através do esporte e sua respectiva literatura? Objetivou-se assim, primariamente, buscar os indícios necessários à compreensão do significado sócio-cultural destes posicionamentos e “diálogos” estabelecidos através das crônicas futebolísticas. Partindo da hipótese central de que, como figuras públicas, os literatos necessitavam estabelecer relações de força visando respaldá-los dentro do campo literário/intelectual. Tal hipótese foi confirmada, pois o poder simbólico gerado pela produção artística permitiu que estes literatos pudessem criar e reproduzir sua própria concepção de mundo. Ora na tensa disputa entre os escritores no início do século, cujo debate girava em torno da assimilação de hábitos e costumes europeus e a concepção de um ideal de civilidade; ora na consensual e hierárquica configuração estabelecida a partir das formulações de Gilberto Freyre, no segundo momento pesquisado.




