Faculdade
Faculdade de Educação Física, Universidade Estadual de Campinas
Orientador
Nelson Carvalho Marcelino
Banca
Elisete Zanlorenri, Heloisa Baldy Reis, Silvana Vilodre Goellner, Victor Andrade de Melo
Data da defesa
2001
Sumário
Bola em jogo, 3
Na cara do gol, 7
A construção da jogada, 16
Vasco...Ah, meu Vasco, 24
História de vida vascaína, 32
Coisa de vascaíno, 69
Fim de papo, 122
Referências bibliográficas, 126
Resumo [PT]
Esta pesquisa buscou a compreensão do processo de construção da relação do torcedor vascaíno com o Clube de Regatas Vasco da Gama, Rio de Janeiro. Os objetivos foram: saber o que leva milhões de pessoas a optar por torcer por este clube; conhecer qual o significado deste clube em suas vidas; compreender como essas pessoas vivenciam essas experiências; e identificar quais são as características peculiares do torcer vascaíno. Para tal, optou-se pela abordagem cultural, utilizando como técnica de coleta de campo a observação participante, a análise documental, o diário de campo e entrevistas semi-estruturadas. Este estudo indicou que o torcedor passa a se interessar pela equipe de futebol, em geral, por vínculos familiares, vínculos de amizade, por residir próximo ao clube, por se identificar com a origem e, ou, história do clube ou por vivenciar, nessa fase de escolha, momentos de sucesso ou insucesso dessa equipe. Além disso, o torcer por um clube representa para o indivíduo a possibilidade de "expressão pública de sentimentos", utilizando uma expressão de Geertz. O futebol seria, assim, um veículo, dentre outros, no qual o indivíduo poderia expressar seus sentimentos de forma pública, que se constrói e se manifesta simbolicamente no seio de determinada cultura. A relação intensa do torcedor com o clube faz com que ele não separe a identidade sujeito/torcedor. Essa identidade é alcançada através de experiências, que incluem momentos de alegria e tristeza nessa história/relação. No que diz respeito às características específicas visualizadas nessa relação torcedor e Vasco, encontrou-se o anticlube - o clube arqui-rival - no caso, o Clube de Regatas do Flamengo. O interessante dessa relação de oposição é justamente o sentido que traz ao torcer vascaíno, como se o torcedor do Vasco se definisse como o não-flamenguista. O torcedor do Vasco identifica seu clube e a sua torcida como diferentes dos outros clubes e das outras torcidas por uma série de valores. Para o vascaíno, o Vasco se diferencia dos outros grandes clubes do Rio de Janeiro por ser um representante de grupos historicamente desprivilegiados na sociedade carioca, entre eles, o negro, o pobre, o português e o suburbano. Essa idéia perpetuou-se pela sua história de afirmação nos anos 20, pela representatividade do "Expresso da Vitória" e pelas conquistas dos anos 70 e 90. Percebeu-se também uma tensão entre as diversas formas de torcer, em que se busca hierarquizar quem é "mais vascaíno". O Vasco, para seus torcedores, é uma referência de tempo e de espaço. A partir da relação construída com este clube, esses sujeitos se localizam e buscam sentido para suas vidas.



