"A derrota do Jeca" na imprensa brasileira

Disputada em solo brasileiro no ano de 1950, a IV Copa do Mundo de Futebol assumiu, aos olhos da imprensa brasileira, um conjunto de significados que iam além de seu aspecto meramente esportivo, sendo apresentado como uma possibilidade ímpar de nos mostrarmos ao mundo como uma nação civilizada, moderna e capaz de grandes conquistas e realizações. Contudo, após a inesperada derrota para o Uruguai na última partida, foram buscadas explicações e culpados para o que havia acontecido dentro das quatro linhas do Maracanã. Ainda que de forma involuntária, este processo acabaria por resgatar antigas perspectivas acerca do brasileiro, auto-imagens depreciativas que nos tinham por condenados ao atraso diante de um modelo europeu de civilização, no momento exato em que tais visões passavam a serem contestadas por novas interpretações acerca do Brasil. O objetivo deste trabalho é vislumbrar como tal processo ocorreu através das páginas da imprensa escrita brasileira, instrumento capaz de difundir através da sociedade conjuntos de idéias e sensações. Para tanto, partimos de uma análise de algumas das principais interpretações existentes acerca do Brasil na primeira metade do século XX, inserindo posteriormente o futebol e sua transformação em símbolo de nacionalidade ao longo de nossa História. É com estas bases constituídas que os textos jornalísticos referentes à IV Copa do Mundo de futebol tornam-se objeto de nossa análise. Por fim, buscamos compreender como a derrota para o Uruguai acabou por tornarse uma espécie de mito no discurso da imprensa esportiva, algo para ser necessariamente vingado a cada novo encontro entre os dois selecionados, ao mesmo tempo em que as lembranças de 1950 são constantemente retomadas em novos contextos.

Gerson Wasen Fraga
22/05/2012

"Eu canto, bebo e brigo... alegria do meu coração"

Esta dissertação trata do modo como as masculinidades são vivenciadas nos estádios de futebol. Tendo como referência os Estudos Culturais e de Gênero Pós-Estruturalistas, realizei uma análise cultural procurando mapear representações de masculinidades nesse contexto cultural específico. Para a construção do material empírico selecionei quatro jornais da cidade de Porto Alegre. Com eles, consegui observar narrativas de diferentes atores envolvidos com o futebol de espetáculo que me permitiram visualizar algumas das características positivadas nesse contexto. Além desse material, realizei observações participantes em oito jogos do Campeonato Gaúcho de 2008, sistematizadas em diários de campo. As observações aconteceram em quatro jogos do Sport Club Internacional e em quatro jogos do Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense, nos estádios Beira-Rio e Olímpico. Procurei evidenciar como as ações dos torcedores, seus cânticos, suas vestimentas e faixas estão envolvidas nas construções das masculinidades desses sujeitos. Nos estádios de futebol, os sujeitos têm a possibilidade de ficarem ‘anônimos’, além de terem suas múltiplas identidades subordinadas à identidade de torcedor de futebol e colocarem-se em ação de forma coletiva. Os estádios exercem uma pedagogia. É necessário aprender quando gritar, quando calar, o que gritar, o que calar, o que e como sentir... O conceito de currículo da ‘ciência’ pedagógica parece-me produtivo para pensar as práticas exercidas nos estádios de futebol. O currículo não é aqui entendido como um caminho de início, meio e fim, onde os sujeitos sairiam de uma condição de não aptos até um lugar onde seriam diplomados e dali em diante poderiam ‘exercer’ a condição de homem ou de torcedor em qualquer contexto cultural. O currículo seria mais bem entendido, aqui, se pensado como uma série de prescrições, algo que os sujeitos são reiteradamente convidados a fazer. Ao longo da dissertação procurei apresentar diferentes narrativas sobre futebol e masculinidades que atravessam a construção do torcedor de futebol, especialmente os que frequentam estádios. A partir da aposta em um currículo de masculinidade do torcedor de futebol, sistematizei os conteúdos deste currículo em torno de quatro eixos: 1) Raça, garra e luta; 2) Violência e socialização; 3) Um amor de macho; 4) Masculinidades subalternas. No
primeiro eixo, evidencio a necessidade de jogadores e torcedores demonstrarem algo mais,
associando-se as representações dos clubes e do futebol gaúcho. No segundo, mostro como a homofobia e os confrontos físicos podem ser entendidos como forma de sociabilidade. A afetividade ganha destaque no terceiro eixo. Nesse ambiente onde as masculinidades viris são valorizadas positivamente, também aparecem significativas demonstrações de carinhos, declarações de amor e choros nem sempre valorados para uma masculinidade tradicional. No último eixo destaco a construção da masculinidade do adversário com toda a carga negativa possível fazendo uma clara distinção entre a masculinidade ‘inadequada’ deles que confirma a condição de normalidade da nossa masculinidade.
 
Palavras-chave: Masculinidade; Futebol – Educação; Currículo; Cultura; Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense; Sport Clube Internacional

Gustavo Andrada Bandeira
22/05/2012

A magia da seleção

Este artigo responde, com uma perspectiva antropológica, algumas questões relativas ao interesse do público pelas Copas do Mundo. Objetiva-se explicitar os sistemas simbólicos que dão suporte às emoções futebolísticas, seja nos confrontos entre clubes ou entre Estados-Nação. Será dada ênfase, sobretudo, ao processo de investimento simbólico a partir do qual uma equipe de onze competidores, organizada por uma entidade laica, no caso a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), passa a representar a nação brasileira.

Arlei Sander Damo
22/05/2012

Ah! Eu Sou Gaúcho! O nacional e o regional no futebol brasileiro

Discute-se neste artigo, a partir da performance do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense entre 1995 e 1997, a polêmica em torno das identidades regionais e nacionais. As inúmeras conquistas do clube gaúcho nesse período suscitaram uma série de manifestações acerca do estilo gremista de jogar futebol e, por extensão, do "ser gaúcho". Criou-se, então, uma polêmica extra-campo, desde as arquibancadas até a mídia especializada. De um lado, os que consideravam o Grêmio um time violento. De outro, os que viam nele apenas um espírito guerreiro. Como enquadrar o estilo gremista no cenário nacional, se ele parecia afrontar o "futebol-arte", desde muito caracterizado como próprio dos brasileiros? Eis a questão. O que, no princípio, poder-se-ia considerar uma discussão circunscrita ao universo futebolístico, acabou voltando-se para a esfera das identidades regionais e às antigas, porém atuais, querelas entre gaúchos e brasileiros. Trata-se de um entre tantos dilemas nacionais operacionalizados a partir do futebol.

Arlei Sander Damo
22/05/1999

Apresentação (dôssie Antropologia e Esporte)

Arlei Sander Damo, Ruben George Oliven, Simoni Lahud Guedes
22/05/2012

Do dom à Profissão

Prefácio - Ruben George Oliven, 17

Introdução, 21

Capítulo 1 - A diversidade futebolística e a dinâmica das emoções na versão espetacularizada, 33
1.1 Football e futebóis, 35
1.1.1 Codificação, diáspora e bricolagem do football association, 35
1.1.2 As matrizes futebolísticas, 39
1.1.2.1 A matriz bricolada, 40
1.1.2.2 A matriz espetacularizada, 42
1.1.2.3 A matriz comunitária, 45
1.1.2.4 A matriz escolar, 47
1.2 A dinâmica das emoções no futebol de espetáculo, 49
1.2.1 Paixão Clubística e emoções engajadas, 51
1.2.2 O clubismo brasileiro como trama social e simbólica, 56

Capítulo 2 - Espetacularização do futebol e a mercadorização dos jogadores, 68
2.1 Profissionalização e mercadorização em diacronia, 70
2.1.1 A compensação pelo não trabalho, 70
2.1.2 Os primórdios da mercadorização dos futebolístas, 74
2.1.3 A ética capitalista e o mercado para pés-de-obra, 81
2.2 As políticas de recrutamento da dupla Gre-Nal, 85
2.2.1 O recrutamento estratégico de negros pelo Inter, 85
2.2.2 As estratégias de recrutamento num mercado periférico, 88

Capítulo 3 - O estatuto dos jogadores e os capitais futebolísticos, 93
3.1 As especificidades da carreira de futebolista, 94
3.1.1 A face oculta da profissão, 94
3.1.2  A impressão de meninos e meninas sobre os boleiros, 103
3.1.3 Brasil, "celeiro de craques", 108
3.2 Os capitais futebolísticos, 112

Capítulo 4 - Os modelos de formação/produção, 124
4.1 Os modelos de produção com base no futebol, 127
4.1.1 A produção endógena, 127
4.1.2 A produção exógena, 136
4.1.3 A produção híbrida, 144
4.2 A formação de futebolistas “à francesa” e “à brasileira”, 144
4.2.1 A performance futebolística das formações “à francesa” e “à brasileira”, 147
4.2.2 O desempenho escolar das formações “à francesa” e “à brasileira”, 151

Capítulo 5 - Nos bastidores da configuração colorada, 156
5.1 A nação colorada, 157
5.2 Homens à beira de um "ataque de nervos", 162
5.2.1 A crise de resultados e o desespero dos torcedores, 163
5.2.2 As categorias de base como solução para a crise, 166
5.3 Meninos no meio de homens, 174

Capítulo 6 - O espectro do dom, 185
6.1 Definições e indefinições do dom, 187
6.1.1 O dom/talento e o dom/dádiva, 187
6.1.2 O dom futebolístico matizado pelas teorias da reciprocidade, 195
6.2 A transmutação do dom no futebol, 203
6.2.1 Os ganhos ambivalentes advindos do dom, 203
6.2.2 O "dinheiro do dom" a partir de "A história de Iranildo", 207

Capítulo 7 - Jogando na rua
, 226
7.1 A rua no imaginário futebolístico, 227
7.2 Virilidade, coragem e outros atributos masculinos, 237
7.3 O engendramento do gênero a partir dos jogos de futebol, 243

Iconografia, 253

Capítulo 8 - As rotinas de um centro de formação, 265
8.1 Progressões e exclusões, 266
8.2 Dois dispositivos estratégicos da formação colorada, 278
8.2.1 Recrutamento e seleção precoce de talentos, 278
8.2.2 O internato e as suas múltiplas funcionalidades, 281

Capítulo 9 - A lapidação do dom e o futebol moderno, 289
9.1 As categorias espaço e tempo, 290
9.2 O senso prático e as práticas esportivas, 292
9.3 Treino é trabalho, 296
9.4 Trabalho e rotina, 299
9.5 A pior das rotinas: a preparação física, 302

Capítulo 10 - Os mercadores do dom, 310
10.1 A garipagem de dons, 314
10.2 Os agentes/empresários, 321

Considerações finais, 331

Notas, 335

Referências bibliográficas, 349

Arlei Sander Damo
22/05/2012

Do dom à profissão

Esta tese aborda o futebol de espetáculo a partir do processo de formação de atletas profissionais. Trata-se de uma etnografia tendo como objeto principal os dispositivos usados na conversão de jovens talentos em atletas aptos a performances em forma de espetáculo. Os dispositivos compreendem um conjunto variado de elementos, tais como: centros de formação, recrutamento e seleção de talentos, organização para o trabalho, tecnologias de treinamento, redes de agenciamentos, normas legais, especialistas em vários saberes e outros procedimentos que demarcam a rotina do referido processo. Do ponto de vista teórico, a profissionalização de jogadores é usada estrategicamente em dupla perspectiva. Por um lado, investiga-se a circulação das emoções no espectro do futebol de espetáculo, cuja força motriz é dada pela adesão dos torcedores aos clubes, instituições tradicionais a quem os jogadores disponibilizam os capitais incorporados ao longo da formação. Por outro lado, são abordadas as lógicas subjacentes à própria formação, com atenção especial à circulação de jovens talentos e seus estatutos: de pessoas e de mercadorias. A observação participante foi realizada em vários centros especializados em formação, no Brasil e na França, dentre os quais destacam-se o Sport Club Internacional (Porto Alegre) e o Olympique Marseille (França). A tese focaliza a singularidade das configurações concretas, usando a diversidade das experiências para apresentar uma síntese de quem, quando, onde, como e com que finalidade produzem-se jogadores profissionais. O desafio de compreender um fato social extenso, integrado aos cenários urbanos aos quais o pesquisador faz parte, atravessa esta investigação, cujo suporte etnográfico foi decisivo em todos os momentos.
 
Palavras chaves: futebol, jogador, formação, dom, pessoa, mercadoria, etnografia.

Arlei Sander Damo
22/05/2012

Dom, amor e dinheiro no futebol de espetáculo

Este texto tem como objeto analisar as tensões em torno do amor e do dinheiro no contexto do futebol de espetáculo. Inicialmente são explicitados os diferentes significados do dom, como sinônimo de talento e de dádiva, no contexto da formação de jogadores. Também serão problematizadas as tensões decorrentes do fato de que os torcedores, engajados ao espetáculo a partir do pertencimento clubístico, empenham amor e dinheiro nesse sistema, enquanto os atletas, em contrapartida, dispõem seus talentos. Um caso paradigmático de tensão nesse tipo de relação é descrito e analisado na última parte do artigo.

Arlei Sander Damo
22/05/2012

Futebol e Estética

Este ensaio pretende dar uma contribuição ao entendimento do esporte e, particularmente, do futebol no Brasil a partir de uma perspectiva estética. Desta forma são apresentadas e discutidas três categorias analíticas: o ritual disjuntivo, o “pertencimento” clubístico e a noção de jogo absorvente. 

 

Arlei Sander Damo
22/05/2012

Monopólio estético e diversidade configuracional no futebol brasileiro

Este artigo tem por objetivo criticar o monopólio temático exercido pelo futebol profissional. Para tornar este argumento mais claro serão apresentados quatro modelos configuracionais em torno dos quais a diversidade futebolística é melhor visualizada e compreendida: o futebol profissional (de espetáculo ou de alto rendimento), o futebol de bricolagem (futebol de improviso, informal, pelada, racha, etc.), o futebol comunitário (futebol de várzea, amador, de bairro, de fábrica, etc.) e o futebol escolar (institucional, disciplinar, etc.). A parte final do texto está direcionada para o futebol comunitário, com a finalidade de dar visibilidade acadêmica a um dos segmentos que a narrativa hegemônica encobriu, mas que revela-se de grande interesse às ciências sociais e, quero crer, à Educação Física. 

Arlei Sander Damo
22/05/2012

Nações em campo

De pátrias e de chuteiras, 7
Édison Luis Gastaldo e Simoni Lahud Guedes

Parte 1 - O espetáculo quadrienal da nação brasileira, 13

"Os campeões do século": notas sobre a definição da realidade no futebol-espetáculo, 15
Édison Luis Gastaldo

O ethos capitalista e o espírito das copas, 39
Arlei Sander Damo

Os europeus do futebol brasileiro ou como a "pátria de chuteiras" enfrenta a ameaça do mercado, 73
Simoni Lahud Guedes

A Pátria na "imprensa de chuteiras": futebol, mídia e identidades brasileiras, 87
Édison Luis Gastaldo

Copa de 70: o planejamento México, 103
Antonio Jorge G. Soares, Marco Antonio Santoro Salvador e Tiago Lisboa Bartholo

Parte 2 - Países do futebol: Argentina e Brasil nas Copas do Mundo, 125

De criollos e capoeiras: notas sobre futebol e identidade nacional na Argentina e no Brasil, 127
Simoni Lahud Guedes

Tropicalismos y europeísmos: la narración de la diferencia entre Argentina y Brasil a través del fútbol, 147
Pablo Alabarces

Jogo Bonito versus Fútbol Criollo: imprensa e "olhar" argentino sobre nosso futebol, 165
Ronaldo Helal

Entre el infierno y la gloria: crisis, política y mundiales: Argentina y la Copa del Mundo de 2002, 197
Pablo Alabarces

Édison Gastaldo, Simoni Lahud Guedes
22/05/2012

No meio do caminho

O objetivo do presente trabalho é estudar, a partir do escrito de cronistas e memorialistas dos anos 1950, como o desenvolvimento do futebol expressou o contraditório processo de inscrição da sociedade brasileira na modernidade, aberta pela expansão capitalista do momento pós-guerra. Esses cronistas, muitas vezes, construíram a imagem dramatizada da angústia nacional em superar o atraso, em vencer o subdesenvolvimento para provar que eram um país civilizado. O futebol se apresenta, assim, como uma evidência do “caráter nacional brasileiro”. Desse modo, buscou-se perceber como os cronistas e memorialistas representaram as derrotas nas Copas do Mundo de 1950 e 1954, bem como a vitória brasileira em 1958. Constatou-se que os cronistas do Jornal dos Sports seguiam o ideal estabelecido por Mario Filho, na época dono do periódico. De acordo com a visão desse literato, era fundamental a obtenção do título para que ocorresse a afirmação das pessoas de cor na sociedade brasileira, algo que era apontado como um dos principais dilemas da modernidade nacional. Ao analisar a documentação, verificou-se que as crônicas eram eivadas de valores passionais, criando representações variadas sobre os acontecimentos, estratégia utilizada para que os literatos pudessem “controlar” os sentimentos dos torcedores – ora através do medo, ora através da expectativa e confiança no futuro e, em outros momentos, através do resgate de pontos positivos, mesmo diante de situações adversas. Tal situação gerou a tensão de um discurso que buscava incorporar elementos emergentes e modernizadores, mas que não conseguiu abandonar os valores passionais. Na visão dos literatos, a vitória em 1958 foi decorrente do amadurecimento do povo brasileiro, que conseguiu se libertar do sentimento de inferioridade que o acompanhava. Por isso, essa vitória apresentou um grande significado simbólico, já que permitiu aos cronistas afirmarem que o Brasil não possuía apenas os melhores jogadores, mas também um povo vibrante e promissor, representado por aqueles atletas, que sintetizavam a identidade do país de JK.
 
Palavras-chave: Futebol; modernidade; subdesenvolvimento; razão; paixão.

Miguel Archanjo de Freitas Junior
22/05/2012

Os donos do campo e os donos da bola

Nesta pesquisa, proponho analisar o futebol a partir de três pontos de vista diferentes, mas que se complementam: a globalização, a geopolítica e a mercantilização. O futebol transformou-se em uma indústria e, independentemente da habilidade dos jogadores dentro de campo, o poder econômico dita os rumos como o futebol vai se realizar como prática social e não há como fazer uma análise geográfica do futebol sem levar isso em conta. Em tempos de globalização, as mudanças ocorrem também no esporte, em todos os níveis, em todos os lugares, em escalas e proporções diferentes. A intenção deste trabalho é mostrar como ocorre a concentração do dinheiro em poucos clubes e revelar a transformação do jogador em mercadoria.
 
Palavras-chave: Globalização, Futebol, Geopolítica, Geografia Econômica, Sociedade do Espetáculo

Paulo Miranda Favero
22/05/2012

Para o que der e vier

Este trabalho é resultado de uma pesquisa etnográfica, realizada junto ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e seus torcedores, acerca do pertencimento clubístico. Tendo esses torcedores como referência, são abordados vários aspectos da relação torcedor-clube de futebol no Brasil. Considerando-se esta relação como a mola propulsora do gosto pelo futebol, são investigados os aspectos simbólicos constitutivos das rivalidades entre os clubes e, por extensão, entre seus torcedores. Como tais rivalidades transcendem o universo específico do futebol, busca-se identificar, através delas, os pontos de intersecção entre este esporte e outras esferas da sociedade brasileira. Sendo o Grêmio um clube de Porto Alegre e as rivalidades locais as mais densas, é por oposição ao Sport Club Internacional, o "outro" porto-alegrense, que os gremistas se pensam primeiramente. Também se pensam entre si, enquanto totalidade, uma comunidade de sentimento traduzida pelo termo êmico nação. E quando o Grêmio vence equipes de outros Estados, especialmente do centro do país, permite expressar os antigos e ao mesmo tempo atuais sentimentos regionalistas. Em mostrar como pode o pertencimento clubístico operar em tantas frentes, e como procede em cada uma delas, constitui o propósito desta dissertação. 

Arlei Sander Damo
22/05/1998

Placar e a produção de uma representação de futebol moderno

Esta dissertação trata das representações produzidas e veiculadas pela mídia sobre o futebol. A partir do aporte teórico dos Estudos Culturais, em sua vertente pós-estruturalista, busco analisar a construção de uma representação de futebol moderno na Revista Placar, da Editora Abril, o mais importante periódico esportivo brasileiro. Para isso, concentro meu estudo nas edições publicadas entre abril de 1995 e março de 1999, período imediatamente posterior a uma profunda reforma editorial, na qual revista adotou o lema “Futebol, Sexo & Rock and Roll”. O exame desse material me permite afirmar que, a representação de futebol moderno produzida pela revista naquele momento gira em torno de três eixos principais: 1) a gestão moderna: onde valores empresariais são incorporados e o futebol é administrado como um negócio que objetiva, direta ou indiretamente, ao lucro financeiro; 2) o torcedor moderno: entendido como um consumidor, distanciado no estádio de seus pares e da própria partida, e com sua relação com o clube dessacralizada; e, finalmente, 3) o jogador moderno: pensado e produzido cientificamente, e preocupado em vender bem sua imagem. Por fim, concluo refletindo sobre os pontos de contato e articulação entre estes três eixos.

Palavras-chave: Futebol, mídia, Estudos Culturais, representações sociais.

Renato Machado Saldanha
22/05/2012

Senso de jogo

Arlei Sander Damo
22/05/2012

Torcidas organizadas de futebol (resenha)

Confira texto completo no site da Anpocs.

Arlei Sander Damo
22/05/1996