A torcida brasileira

Apresentação, 7

Sportsmen: os primeiros momentos da configuração de um público esportivo no Brasil (século xix-década inicial do século xx), 17

Torcer, torcedores, torcedoras, torcida (bras.): 1910-1950, 51

A festa competitiva: formação e crise das torcidas organizadas entre 1950 e 1980, 85

Políticas da corporalidade: socialidade torcedora entre 1990-2010, 123

Bernardo Borges Buarque de Hollanda, João Manuel Casquinha Malaia Santos, Luiz Henrique de Toledo, Victor Andrade de Melo
22/05/2013

A virada econômica do futebol

Esta tese procura compreender as transformações ocorridas nos estádios de futebol a partir da década de 1980. Através da pesquisa em estádios de futebol no Brasil, na Alemanha e na Argentina, procuramos evidenciar a forma como processos sociais mais amplos se materializaram na configuração deste espaço singular que é um estádio de futebol. Procuramos delinear, em cada caso estudado, o contexto social que coordenou as propostas de novas formas de gestão deste esporte, a partir da análise das transformações ocorridas nos estádios. Vemos que, no futebol moderno, convertido em mercadoria e regido pela lógica de mercado, os estádios assumem uma importância central, um palco onde a partida de futebol é somente mais um dos produtos em oferta a serem consumidos. Da mesma forma, procurou-se mostrar que a nova concepção de estádios pressupõe a formação de um novo tipo de torcida, neutra, pacificada e constantemente vigiada, convertida em consumidora.
 
Palavras-chave: Antropologia do futebol, futebol, Estádios de futebol, economia, gestão do esporte, Copa do Mundo.

Antonio Holzmeister Oswaldo Cruz
22/05/2013

A voz da torcida: Biografia, História Oral e Memória nos relatos de antigas lideranças torcedoras

O artigo tem por finalidade pontuar a relação memória-história, a partir de um conjunto de atores bem preciso do universo esportivo. O ponto de partida são entrevistas realizadas com fundadores e líderes de torcidas organizadas de futebol da cidade do Rio de Janeiro, atuantes nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Os dez depoimentos de lideranças torcedoras dos clubes do Rio foram colhidos como fonte primária para a minha tese de doutoramento, defendida no Programa de Pós-Graduação em História Social da Cultura da PUC-Rio, em 2008, com o título de O clube como vontade e representação: o jornalismo esportivo e a formação das torcidas organizadas de futebol do Rio de Janeiro (1967-1988). Como se sabe, as torcidas organizadas são coletividades contemporâneas que emergiram com maior força na segunda metade do século XX. Nelas, o registro escrito é raro ou rarefeito. Em contrapartida, a lógica das rivalidades nesse campo tem por efeito um acentuado grau de coesão dos agrupamentos, reunidos em torno de uma memória coletiva transmitida oralmente, de geração a geração. O artigo se aterá à descrição dos elementos que estruturam o discurso dos chefes de torcida, os pontos fortes da memória no que respeita o surgimento e a formação de suas próprias agremiações. Procura-se mostrar de que maneira os relatos concernentes à biografia do responsável do grupo revelam novas perspectivas não apenas sobre as torcidas organizadas como sobre a história do futebol e história do país naquele período.

Bernardo Borges Buarque de Hollanda
22/05/2013

Azul y oro como mi corazón: masculinidad, juventud y poder en una porra de los Pumas de la UNAM (resenha)

Artigo publicado no site da revista: www.uff.br/esportesociedade/

Bernardo Borges Buarque de Hollanda
22/05/2013

Futebol, arte e política: a catarse e seus efeitos na representação do torcedor

O presente artigo acompanha os desdobramentos do conceito de catarse na tradição filosófica ocidental. Seu intuito é compreender como se deu a passagem do elemento catártico, originado nos domínios do teatro, para o universo esportivo na vida contemporânea. Para isto, analisa-se a maneira pela qual os princípios aristotélicos de representação dramática, cujo efeito sobre o público espectador seria o escoamento das tensões, foram deslocados das artes cênicas para os esportes no século XX. Tal deslocamento permite que se entenda o preconceito intelectual em torno do futebol, visto como fenômeno de alienação das massas, sucedâneo da religião como “ópio do povo”. Com base nos apontamentos do dramaturgo alemão Bertolt Brecht, procura-se uma via alternativa dentro da própria tradição marxista, capaz de identificar na experiência dos esportes a desconstrução da “ilusão” cênica, o que se torna possível graças à nova percepção do papel do espectador na modernidade.

Bernardo Borges Buarque de Hollanda
22/05/2013

No tempo da Charanga

Artigo publicado no site da revista: www.uff.br/esportesociedade/

Bernardo Borges Buarque de Hollanda, Melba Fernanda da Silva
31/12/1969

O clube como vontade e representação

Agradecimentos, 11

Prefácio - Luiz Henrique de Toledo, 15

Introdução, 21

PRIMEIRA PARTE: O torcedor como ator: a persona, a máscara e sua sombra

Capítulo 1 - Ethos de espectador, pathos de torcedor, 71

Capítulo 2 - O chefe de torcida: carisma, humildade e idolatria, 95

Capítulo 3 - Da autenticidade à ambição: novo estigma do profissionalismo, 133

SEGUNDA PARTE: O drama do Jornal dos Sports e a formação das Torcidas Jovens

Capítulo 1 - Microfísica do Poder Jovem, 163

Capítulo 2 - O paradigma geracional e a retórica da ruptura, 213

Capítulo 3 - O Estado e os estádios - e as multidões se organizaram?, 269

TERCEIRA PARTE: Genealogia da moral torcedora

Capítulo 1 - Arquelogias da violência, 339

Capítulo 2 - Da aventura: caravanas e narrativas de viagem, 407

Capítulo 3 - A lira & o bumbo - canto coletivo, cultura de massa, paródia, 487

Conclusão, 523

Referências Bibliográficas, 543

Caderno de imagens, 573

Bernardo Borges Buarque de Hollanda
22/05/2013

O clube como vontade e representação

O ano de 1968 também foi marcado por agitações e revoltas nas arquibancadas do Maracanã. Em um período de crise no desempenho de suas equipes, grupos juvenis de aficionados torcedores lançam-se ao enfrentamento contra dirigentes de grandes clubes cariocas, por meio de protestos, manifestações e até passeatas fora do Estádio Mário Filho. Sob inspiração do slogan internacional Poder Jovem, estes recém-formados agrupamentos adotam de igual modo uma postura crítica face ao tradicional modelo de torcida, as Charangas, oriundas da década de 1940. Ao longo do decênio de 1970, as Torcidas Jovens consolidam-se no cenário esportivo e ensejam o surgimento de uma profusão de pequenas e médias agremiações, que revestem o ato de torcer de significados associativos e culturais, recreativos e sociais até então inexistentes. A culminância deste processo ocorreria no início da década seguinte, quando lideranças de tais grêmios tentam se agrupar em torno de interesses comuns e, entre 1981 e 1984, deflagram uma série de sucessivas greves, piquetes e boicotes pela redução do preço dos ingressos, entre outras reivindicações. Tal postura resultaria na criação da ASTORJ, a Associação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro, uma entidade com duplo objetivo: por um lado, a legitimação de uma força corporativa com influência na estrutura de poder dos esportes; por outro, a formalização do entrosamento entre os chefes de torcidas rivais, expressa no lema “Congregar, Congraçar, Unir”. No decurso da década de 80, o projeto da ASTORJ não prosperaria, com a perda da representatividade e com a incapacidade de conter as crescentes rixas e animosidades entre os componentes das facções torcedoras. Ao enfeixar esses acontecimentos, extraídos da leitura serial de narrativas jornalísticas obtidas em periódicos esportivos e de relatos orais colhidos em entrevistas, o presente trabalho procura mostrar de que maneira um tipo específico de associação, pautado na idolatria clubística, ganhou vulto em escala nacional e internacional nas décadas de 1960, 1970 e 1980, e assumiu particularidades históricoculturais no futebol profissional do Rio de Janeiro. Busca-se evidenciar como esse fenômeno da segunda metade do século XX atendeu a novas demandas de participação e de diferenciação por parte de contingentes urbanos em um domínio cada vez mais competitivo, massificado e mercantilizado. A música, de um lado, e a violência, de outro, foram os meios expressivos mais notáveis a que esses movimentos recorreram para tomar parte e para adquirir visibilidade no universo do espetáculo esportivo contemporâneo. Ao analisar a ação, a formação e a transformação de um campo específico de subgrupos torcedores, reconstituindo uma experiência histórica particular, a tese que ora se apresenta tem o intuito de demonstrar em que medida as torcidas organizadas constroem sua identidade através de uma relação direta com os meios de comunicação de massa e orientam seus métodos de atuação através de uma bricolagem e de uma leitura muito própria dos valores presentes no jogo, no esporte e no meio social circundante.
 
Palavras-chave: Futebol, Cultura e Sociedade; História Social e Memória Coletiva; Torcidas Organizadas e Jornalismo Esportivo; Mário Filho e Jornal dos Sports; Torcidas Jovens e Cultura Juvenil; Espetáculo Esportivo e Violência.

Bernardo Borges Buarque de Hollanda
22/05/2013

O descobrimento do futebol

Prefácio, 11

Introdução, 21

Futebol, uma querela modernista, 45
Da música popular à brasilidade esportiva, 47
Esporte moderno, jogo tradicional, 70
Ética e estética do futebol, 87

O modernismo e a crônica esportiva, 121
Do romance à crônica esportiva, 123
A crônica esportiva moderna, 140
O cronista-torcedor, 157

Por que me ufano do meu clube, 189
Os clubes - comunidades imaginadas, 191
De naus, almirantes e marinheiros, 224
Tal Brasil, qual Flamengo?, 244

Conclusão, 283

Referências Bibliográficas, 303

Bernardo Borges Buarque de Hollanda
22/05/2013

O descobrimento do futebol

O objetivo desta dissertação é acompanhar a relação dos escritores modernistas brasileiros com o futebol nas décadas de 1930, 1940 e 1950, tendo como principal referência a figura do romancista e cronista esportivo José Lins do Rego (1901-1957). Procura-se mostrar de que maneira as questões sociais, culturais e artísticas do modernismo, entendido em seu sentido histórico mais amplo, encontram-se presentes na visão do escritor paraibano acerca do fenômeno futebolístico no Brasil. Assim como o folclore e a música popular, integrados à plataforma modernista desde a década de 1920, busca-se evidenciar de que forma José Lins do Rego insere o futebol na discussão em torno da formação da identidade e da cultura brasileira, identificando no Clube de Regatas do Flamengo tudo aquilo que ele considerava ser os aspectos genuínos da nacionalidade.

Palavras-chave: Literatura e futebol; modernismo e regionalismo; crônica esportiva; José Lins
do Rego; Clube de Regatas do Flamengo; cultura brasileira e identidade nacional.

Bernardo Borges Buarque de Hollanda
22/05/2013

O esporte na imprensa e a imprensa esportiva no Brasil

Prefácio - O esporte na imprensa ou  a imprensa no esporte?, 9
Ronaldo Helal

Apresentação, 15
Bernardo Borges Buarque de Hollanda
Victor Andrade de Melo

Causa e consequência: esporte e imprensa no Rio de Janeiro do século XIX e década inicial do século XX, 21
Victor Andrade de Melo

A cidade e o jornal: a Gazeta Esportiva e os sentidos da modernidade na São Paulo da primeira metade do século XX, 52
Luiz Henrique de Toledo

O cor-de-rosa: ascensão, hegemonia e queda do Jornal dos Sports entre 1930 e 1980, 80
Bernardo Borges Buarque de Hollanda

O discurso pela imagem: Manchete Esportiva e sua proposta fotojornalística (1955-1959 e 1977-1979), 107
André Alexandre Guimarães Couto

Um raio-x da Revista do Esporte, 130
Álvaro do Cabo

Placar: 1970, 149
João Malaia

Juventude em revista: surfe e Fluir, 171
Rafael Fortes

Lance! um jornal do seu tempo, 186
Maurício Stycer

Sobre os autores, 207

Bernardo Borges Buarque de Hollanda, Victor Andrade de Melo
22/05/2013

Torcidas organizadas de futebol: entre memória e história

A comunicação apresenta reflexões acerca da relação memória-história, a partir de um conjunto de atores do universo esportivo. O ponto de partida são entrevistas realizadas com líderes de torcidas organizadas de futebol do Rio de Janeiro, nas décadas de 1960, 1970 e 1980. Os depoimentos foram colhidos como fonte primária para a minha tese de doutorado, no Programa de Pós-Graduação em História Social da Cultura da PUC-Rio: O clube como vontade e representação: o jornalismo esportivo e a formação das torcidas organizadas de futebol do Rio de Janeiro (1967-1988). Como se sabe, as torcidas organizadas são coletividades contemporâneas que emergiram com maior força na segunda metade do século XX. Nelas, o registro escrito é raro ou rarefeito. Em contrapartida, a lógica das rivalidades nesse campo tem por efeito um acentuado grau de coesão dos agrupamentos, reunidos em torno de uma memória coletiva transmitida oralmente, de geração a geração. A apresentação procurará enfocar os elementos que estruturam o discurso dos chefes de torcida a respeito da formação de suas próprias agremiações. Procura-se mostrar de que maneira os relatos concernentes à memória do grupo revelam novas perspectivas não apenas sobre a história do futebol como sobre a própria história do país naquele período.

Bernardo Borges Buarque de Hollanda
22/05/2013