Futebol brasileiro

Futebol brasileiro: a trajetória do jogador profissional e o fim de sua carreira é o foco deste estudo, considerando que esse esporte se apresenta como um relevante instrumento na vida social, tendo colaborado para a consolidação da identidade nacional brasileira. Buscou-se analisar a carreira do jogador de futebol profissional a partir de uma perspectiva de profundas mudanças no mundo do trabalho, destacando a formação do ídolo, através de sua trajetória e de como o fim da carreira expõe um contexto marcado pela incerteza do futuro e frustrações diante de um sonho interrompido, onde a retomada da estabilidade social apresenta o dilema da aceitação de uma nova identidade dentro ou fora desse esporte. Optou-se pela utilização de uma
metodologia qualitativa, especialmente a entrevista semi-estruturada, com entrelaçamento tanto de aspectos do referencial teórico, como dos repertórios interpretativos dos sujeitos. O roteiro de entrevista abordou temas como, carreira do jogador, ascensão social, representação social, a relação trabalho/profissão, avaliação pessoal da carreira, entre outros. Para tanto, foram entrevistados quatro ex-jogadores de futebol profissional brasileiro e também utilizou-se como fonte de dados, reportagens veiculadas na imprensa escrita e bibliografias concernentes ao tema proposto. Verificou-se que a administração do esporte no Brasil é conduzida, com raras exceções, de forma amadora, visando o interesse de poucos que, amparados por estatutos e regras formais e informais, perpetuam-se no poder, vindo a prejudicar a profissionalização da administração desse esporte brasileiro. Verificou-se ainda que a questão da permanência desse profissional no mesmo segmento ao fim da carreira, confirmando o profissionalismo, depende de uma projeção antecipada, sendo possível o empreendedorismo, outros formatos de inserção no próprio esporte, ou ainda, a inserção em outra profissão conforme sua formação acadêmica, quando esta existir.

Palavras-chave: futebol brasileiro; futebol profissional; fim de carreira do
jogador de futebol.

Wilson Constantino de Araujo Filho
22/05/2012

O tradicional e o moderno

O estudo analisa as manifestações da cultura popular brasileira no interior do futebol profissional praticado no Brasil. Analisa os discursos das informações colhidas com os atores (jogadores, dirigentes, técnicos e jornalistas) de equipes de futebol que disputam os campeonatos regionais e nacionais. Introduz a discussão em torno das características propostas por A. Guttmann, consubstanciado na teoria de Max Weber. Para contrapor a racionalidade dos conhecimentos científicos, que lentamente estão sendo introduzidos no futebol brasileiro, o estudo busca em Georges Balandier suportes teóricos que demarquem olhares antropológicos, quando os rituais de fé, crença e superstições existentes no cotidiano popular brasileiro afloram nos atores do futebol, sendo a racionalidade insuficiente para explicar as manifestações que ocorrem nesse espaço. Busca introduzir uma discussão em torno da formação de clubes de futebol identificando dois contextos geográficos: a Região Sul, do início do século XX até meados de 1930, e a região do interior de São Paulo, detendo-se na fundação dos clubes, logo no início do século XX. Nos dois momentos, o estudo procurou abordar e identificar contextos populares na formação dos clubes de futebol, introduzindo uma discussão de resistência cultural no Sul e de manutenção de uma família de sentimentos mútuos na formação dos clubes do interior de São Paulo. Como tradicional, no futebol, o estudo aponta a identificação de crenças, fé, superstições e discursos de exjogadores de futebol que sinalizam uma possível volta ao futebol sem os superlativos da modernidade.

Unitermos: 1. moderno e tradicional; 2. fé, crenças e superstição; 3. futebol.

José Luiz dos Anjos
22/05/2012

O tradicional e o moderno no futebol brasileiro

Esse trabalho analisa os processos de modernização por que passou o futebol brasileiro, identificando as características que o estruturam até os dias de hoje. Primeiramente, buscam-se as alterações significativas que caracterizam as transformações como sendo um processo de modernização do futebol e de suas estruturas, analisando-se em seguida, o caráter destas transformações verificando se guardam alguma relação de similaridade com a forma em que se deu a modernização da sociedade brasileira. Além disso, procura-se compreender se o atraso apontado como sendo característico do futebol brasileiro - presente no discurso dos diversos atores que atuam nesse meio - é um traço de nossa cultura e foi historicamente construído, ou se é intrínseco do futebol praticado em países de centros considerados periféricos. A pesquisa foca também os principais atores que se movem nesse cenário, analisando a atuação do Estado, dos dirigentes esportivos e das empresas capitalistas, com o intuito de compreender as características que estruturam o futebol no Brasil. A análise parte da introdução do futebol em nosso território através da elite dirigente, passando por sua transformação em esporte popular e de massas e sua profissionalização, até sua instrumentalização pelo Estado e a aproximação entre o futebol e a política, que cria a categoria dos dirigentes esportivos, e atinge a última grande transformação, que estamos assistindo no início do século XXI, ou seja, uma modernização gestada pelo Estado, através de leis que abrem a possibilidade para que o mercado conduza esse novo processo e que pode estar conduzindo o futebol a uma re-elitização.

Palavras chave: Futebol; Tradicional; Moderno; Modernização; Elitização; Modernização Conservadora.

Ademir Ângelo Castellari
22/05/2012

Violência entre Torcidas Organizadas de futebol

O presente artigo busca compreender o fenômeno da violência entre “torcidas organizadas”, a partir das justificativas de explicação dos atos de violências utilizadas pelas “autoridades públicas” e torcedores. Mostra, em síntese, que a violência produzida pelos grupos de torcedores é parte da dimensão cotidiana dos grandes centros urbanos na sociedade brasileira contemporânea, conseqüência do esvaziamento político-cultural-coletivo dos novos sujeitos sociais.

Carlos Alberto Máximo Pìmenta
22/05/2012