A bola, os "brancos" e as toras

A parcela do povo indígena Xavante (família lingüística jê) que vive na área de Sangradouro (sudeste do estado do Mato Grosso) está no centro da situação etnográfica abordada neste trabalho. Cambiante e "expansionista", a situação confere sentido à própria relação com o pesquisador: trata-se de xavantes que atravessam processo de fissão política resultante na criação de nova aldeia, que ampliam seus laços de sociabilidade em São Paulo, que formam uma 'ong' sediada nesta capital e que convidam o autor, ex-jogador profissional, a conciliar seus próprios interesses etnológicos com uma espécie de "assessoria futebolística" a eles. É esse o ponto de engate entre a investigação aqui resumida e a específica realidade xavante de Sangradouro. Com base numa aproximação inicial dessa realidade que assim se condicionou, a dissertação vasculha caminhos para o tratamento teórico de fenômeno de larga recorrência mas pouco estudado até o presente: a atração de povos indígenas pelo conhecido esporte de penetração mundial. Esforça-se por situar o futebol em termos históricos e desde o ponto-de-vista desses xavantes, e descreve a multi-facetada presença da prática esportiva na sua vida contemporânea. O futebol organizado, praticado e assistido cotidianamente, campeonatos dentro da terra indígena e nas cidades vizinhas, encontros inter-aldeias, o horizonte do profissionalismo e a relação estabelecida com o pesquisador integram, com diferentes níveis de aprofundamento etnográfico, o texto apresentado. Seus destaques, porém, vão para: (1) os modos como os xavantes formam equipes esportivas, (2) os nexos de sentido, por eles sugeridos, entre a corrida de toras, célebre instituição dos Jê, e a atividade física que aprenderam e têm aprendido com não-índios (3) o lugar que o futebol ocupa, já há algum tempo, no universo de relações sociais estabelecidas com os "brancos" e outros índios. Um tripé de meio-campo que leva a repensar a circunscrição etnográfica e os parâmetros comumente utilizados para analisar a
entidade chamada 'sociedade xavante'.

Fernando de Luiz Brito Vianna
22/05/2012

Boleiros do Cerrado

Prefácio: A bola dentro da tora, 9
Cesar Gordon


Uma outra Apresentação: Pesquisador e pesquisado, 15
Hiparidi Top’tiro


Capítulo 1: A bola, os “brancos” e as toras, 17

Capítulo 2: Deslocamentos, visitas, encontros, 45

Capítulo 3: Xavantes de Sangradouro nos anos 90, 87

Capítulo 4: Bola rolando, 109

Capítulo 5: Alguns aspectos do futebol xavante, 163

Capítulo 6: Futebol na cabeça, 203

Capítulo 7: O tempo passa, 235

Capítulo 8: Eles e nós: relações futebolísticas e outras que tais, 281

Fernando de Luiz Brito Vianna
22/05/2012