"Eu canto, bebo e brigo... alegria do meu coração"

Esta dissertação trata do modo como as masculinidades são vivenciadas nos estádios de futebol. Tendo como referência os Estudos Culturais e de Gênero Pós-Estruturalistas, realizei uma análise cultural procurando mapear representações de masculinidades nesse contexto cultural específico. Para a construção do material empírico selecionei quatro jornais da cidade de Porto Alegre. Com eles, consegui observar narrativas de diferentes atores envolvidos com o futebol de espetáculo que me permitiram visualizar algumas das características positivadas nesse contexto. Além desse material, realizei observações participantes em oito jogos do Campeonato Gaúcho de 2008, sistematizadas em diários de campo. As observações aconteceram em quatro jogos do Sport Club Internacional e em quatro jogos do Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense, nos estádios Beira-Rio e Olímpico. Procurei evidenciar como as ações dos torcedores, seus cânticos, suas vestimentas e faixas estão envolvidas nas construções das masculinidades desses sujeitos. Nos estádios de futebol, os sujeitos têm a possibilidade de ficarem ‘anônimos’, além de terem suas múltiplas identidades subordinadas à identidade de torcedor de futebol e colocarem-se em ação de forma coletiva. Os estádios exercem uma pedagogia. É necessário aprender quando gritar, quando calar, o que gritar, o que calar, o que e como sentir... O conceito de currículo da ‘ciência’ pedagógica parece-me produtivo para pensar as práticas exercidas nos estádios de futebol. O currículo não é aqui entendido como um caminho de início, meio e fim, onde os sujeitos sairiam de uma condição de não aptos até um lugar onde seriam diplomados e dali em diante poderiam ‘exercer’ a condição de homem ou de torcedor em qualquer contexto cultural. O currículo seria mais bem entendido, aqui, se pensado como uma série de prescrições, algo que os sujeitos são reiteradamente convidados a fazer. Ao longo da dissertação procurei apresentar diferentes narrativas sobre futebol e masculinidades que atravessam a construção do torcedor de futebol, especialmente os que frequentam estádios. A partir da aposta em um currículo de masculinidade do torcedor de futebol, sistematizei os conteúdos deste currículo em torno de quatro eixos: 1) Raça, garra e luta; 2) Violência e socialização; 3) Um amor de macho; 4) Masculinidades subalternas. No
primeiro eixo, evidencio a necessidade de jogadores e torcedores demonstrarem algo mais,
associando-se as representações dos clubes e do futebol gaúcho. No segundo, mostro como a homofobia e os confrontos físicos podem ser entendidos como forma de sociabilidade. A afetividade ganha destaque no terceiro eixo. Nesse ambiente onde as masculinidades viris são valorizadas positivamente, também aparecem significativas demonstrações de carinhos, declarações de amor e choros nem sempre valorados para uma masculinidade tradicional. No último eixo destaco a construção da masculinidade do adversário com toda a carga negativa possível fazendo uma clara distinção entre a masculinidade ‘inadequada’ deles que confirma a condição de normalidade da nossa masculinidade.
 
Palavras-chave: Masculinidade; Futebol – Educação; Currículo; Cultura; Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense; Sport Clube Internacional

Gustavo Andrada Bandeira
22/05/2012

Amor e masculinidade nos estádios de futebol

 O futebol é um artefato cultural que ensina comportamentos, valores, modos de ser e estar no mundo... Nesse trabalho, se discute como as emoções e os amores associam se com construções históricas sobre o tema e são representados nos estádios de futebol e como atravessam as construções de masculinidades dos torcedores. Não se entende aqui as emoções ou o amor apenas como estados subjetivos e privados, mas como práticas discursivas envolvidas em relações de poder. Ao realizar a expressão pública dos sentimentos, os torcedores colocam em jogo o que é desejado de ser sentido ou o que pode ser entendido como emocionante nos estádios de futebol. O amor dos torcedores de futebol é um amor específico, em atuação. É um amor cantado, narrado e sentido de forma coletiva. Os torcedores amam juntos, amam com seus familiares, amam entre homens. Amam o clube, o time, os jogadores e a própria torcida.

Gustavo Andrada Bandeira
22/05/2012

É dia de lotar o estádio: como os torcedores são convocados para uma partida de futebol

Tendo como referência os Estudos Culturais e de Gênero pós-estruturalistas, este trabalho procura problematizar as formas como os torcedores são convidados a participarem dos jogos de seus clubes. Para tanto selecionei quatro jornais da cidade de Porto Alegre nos dias de quatro jogos do Sport Club Internacional e do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense no Campeonato Gaúcho de 2008, observando dois conjuntos de textos diferentes: os veiculados pelas equipes de marketing dos clubes e os dos comentaristas dos jornais. Entendo que esses materiais produzem uma espécie de currículo com conteúdos de uma masculinidade específica para ser exercida nos estádios Olímpico e Beira-Rio. A análise permite-me pensar aproximações e afastamentos entre os dois conjuntos de textos: ambos falam sobre a importância do torcedor na construção de um ambiente favorável para sua equipe; os textos publicitários destacam a paixão e a união entre time e torcida em busca da vitória e em alguns casos podem convocar os torcedores para uma batalha; os comentaristas fazem maiores alusões ao comportamento da equipe, além de solicitar o apoio incondicional dos torcedores. Procuro investigar que representações de masculinidades são convocadas e de que forma são hierarquizadas. Esses conjuntos de textos interpelam os sujeitos de diferentes modos. Ao mesmo tempo em que colocam o torcedor como protagonista dos jogos, tentam diminuir o envolvimento dos mesmos com os eventos esportivos para evitar algumas manifestações de violência.
 
Palavras-chave: Masculinidade, representação e futebol

Gustavo Andrada Bandeira
22/05/2012

Emoções masculinas nos estádios de futebol

O objetivo deste estudo é visualizar como as narrativas dos torcedores de futebol se associam a construções históricas de amor e como essas atravessam suas construções de masculinidades. Para a produção do material empírico, frequentei os estádios Beira-Rio, do Internacional, e Olímpico, do Grêmio. Dentre as escolhas metodológicas permiti-me fazer alguns usos de uma etnografia pós-moderna com observações participantes e construção de diários de campo, além da análise de quatro jornais da cidade de Porto Alegre. A ideia foi partir desses olhares distintos para produzir outro olhar sobre representações de masculinidades, emoções e amores. As masculinidades que gozam de maior legitimidade nos estádios associam-se a figuras de machões e guerreiros, sempre dispostos a algum tipo de confronto. Curiosamente, é nesse contexto de homofobia e violência potencial que aparecem grandes manifestações públicas de sentimentos ou de afetos masculinos. Ao mesmo tempo em que diferentes manifestações não estão diretamente associadas a algumas das representações de masculinidades heteronormativas dos estádios de futebol, o amor também pode ser utilizado dentro de uma competição masculina em que a maior ou menor capacidade de amar produz hierarquias entre as masculinidades.

Gustavo Andrada Bandeira
22/05/2012

Representações de masculinidade nas torcidas de futebol

Tendo como referência os Estudos Culturais e de Gênero pós-estruturalistas, esse trabalho procura investigar construções de masculinidades em um contexto cultural específico. Masculinidade entendida como as formas culturais que significam vivências masculinas em uma dada cultura. Existe aqui a renúncia por qualquer característica fixa e essencial do que seria uma vivência masculina. Entendo também que as identidades são fragmentadas, múltiplas e plurais, fazendo com que um sujeito com vivências masculinas também seja atravessado por outros marcadores identitários tais como classe social, raça/etnia, geração, sexualidade e outros. Não entendo que exista uma única representação própria masculinidade no contexto cultural específico. Diferentes masculinidades podem ser vividas em um mesmo local, porém elas não se relacionam harmoniosamente, nem mesmo gozam de estatutos idênticos de legitimação. Olhar para as masculinidades em um contexto cultural específico é tentar enxergar como as diferentes masculinidades são representadas e hierarquizadas. Para esse trabalho, o contexto cultural a ser investigado são os estádios de futebol em Porto Alegre, do Sport Club Internacional (Beira-Rio) e do Grêmio Foot-Ball Porto-Alegrense (Olímpico), entendendo-os como um local que institucionaliza práticas, ensina, produz e representa masculinidades. A escolha por observar os dois estádios por entender que uma das principais formas de hierarquização das masculinidades nos estádios de futebol se dá na representação da torcida rival. Para tentar visualizar quais representações de masculinidades circulam nos estádios de futebol e ver como essas são hierarquizadas, ensaio algumas perguntas: Que representações de masculinidades aparecem nos estádios de futebol? Como são marcadas as hierarquias entre diferentes representações? De que forma os torcedores são convocados a participarem dos jogos? Aparecem resistências em relação a um modelo de masculinidade hegemônico? Onde e como isso pode ser observado? Para tentar responder essas perguntas, fui aos dois estádios durante a primeira fase do Campeonato Gaúcho de 2008. Observei as torcidas de Internacional e Grêmio em diferentes lugares do estádio. Além disso, separei as edições de quatro jornais de Porto Alegre nos dias de jogos e posteriores para visualizar a construção de narrativas sobre os jogos. Realizei observações participantes, em quatro jogos do Internacional e quatro jogos do Grêmio. As observações me permitiram construir oito diários de campo que, além das descrições, contaram com algumas impressões e também breves reflexões ampliadas na análise.

Gustavo Andrada Bandeira
22/05/2012

Um currículo de masculinidades nos estádios de futebol

O artigo procura analisar diferentes masculinidades nos estádios de futebol e ver de que forma elas se hierarquizam, mostrando como as ações dos torcedores, seus cânticos, suas vestimentas e faixas estão envolvidos nas construções das masculinidades desses sujeitos. Os estádios exercem uma pedagogia: aprende-se quando gritar, quando calar, o que gritar, o que calar, o que e como sentir... Argumenta-se que o conceito de currículo construído nos estádios de futebol pode ser pensado como práticas que os sujeitos são reiteradamente convidados a fazer. Essas práticas são sistematizadas no artigo em quatro eixos: raça, garra e luta; violência e socialização; um amor de macho; masculinidades subalternas.

 

Gustavo Andrada Bandeira
22/05/2012