'Cego é aquele que só vê a bola'

Nos últimos anos, os estudos sobre a prática do futebol no Brasil se avolumaram em diversas áreas do saber. Compreendido como um fenômeno de largo alcance social, o futebol que antes era desprezado pela intelectualidade, tornou-se espaço privilegiado para a compreensão de diversos fenômenos sociais correlatos. Não obstante ao desenvolvimento dessas pesquisas, diversas fontes documentais produzidas pelo universo futebolístico ao longo do século XX, ainda não tinham sido analisadas com rigor sistemático. Assim, esse trabalho ao se inserir em um contexto de renovação historiográfica denominada Nova História Cultural, busca compreender algumas facetas da sociedade paulistana que estiveram presentes em seus principais campos, equipes e estádios de futebol no período estudado (1894-1942). A formação de um circuito de praticantes e simpatizantes, a intervenção do poder público, a construção de campos e estádios, o surgimento dos três principais clubes de futebol da cidade, as disputas pelo controle das rendas geradas pelo espetáculo e sua profissionalização, mostraram-se como excelentes fontes documentais para a compreensão da complexidade do processo de modernização ocorrido em São Paulo e suas consequências para seus habitantes, no período abarcado pela pesquisa.

Palavras chaves: Cidade de São Paulo, identidade, futebol, invenção das tradições e cultura popular.

João Paulo Streapco
23/05/2012

A babel do futebol: atletas interculturais e torcedores ultras

A crise de credibilidade na arbitragem, as cenas de guerrilha urbana nos estádios, a perda dos parâmetros financeiros na gestão das esquadras, somadas à denominada “invasão dos estrangeiros”, representada em especial pelos atletas africanos, inter-relacionavam-se para compor a fórmula explosiva do calcio às vésperas do Terceiro Milênio. A partir de uma perspectiva teórica informada pelo quadro de referência da sociologia e da antropologia do esporte, o texto aborda esta conjuntura histórica e destaca as questões entrelaçadas do imaginário racista das torcidas ultras de extrema direita – exacerbado pelo avanço do futebol global – e a destreza simbólica dos jogadores negros, refletida na dupla habilidade de se desvencilhar das representações negativas e de articular novas significações sociais para o jogo.

José Paulo Florenzano
23/05/2012

A democracia corinthiana

Introdução, 11

Capítulo 1 - Os andarilhos da bola, 43

Capítulo 2 - Timão: nau dos loucos, 145

Capítulo 3 - A República do futebol, 307

Epílogo, 481

Referências, 501

José Paulo Florenzano
23/05/2012

A narrativa da ordem e da voz da multidão

Essa dissertação objetivou analisar como o futebol de São Paulo e do Rio de Janeiro foi utilizado pelo Estado Novo para concretizar o seu projeto de construir uma nação ordenada e disciplinada, afim com os valores produtivos próprios do capitalismo e com o projeto de unidade nacional pensado pelo regime. Analisando-se os principais periódicos e jornais especializados em esportes desses dois estados, vislumbrou-se como o futebol auxiliou na concretização de alguns ideais engendrados no período estadonovista e, ao mesmo tempo, através do seu aspecto ritualístico, desafiou alguns princípios caros ao Estado Novo.

Palavras-chaves: Estado Novo, Futebol, Imprensa, Nacionalismo e Regionalismo.

Melina Nóbrega Miranda Pardini
23/05/2012

Afonsinho e Edmundo

Prefácio, 7

Introdução, 9

Parte I
Afonsinho, 21

Desencontro, 23
O futebol-moderno, 25
O corpo-máquina, 31
As escolas de futebol, 36
Afonsinho no Botafogo, 43
A militarização do futebol brasileiro, 48
O domesticador de cães, 54
O longo verão quente: disciplina versus rebeldia, 70
Da sub-raça ao super-homem, 76
Os novos bárbaros, 85
A Lei de Passe, 95
A rebeldia entra em campo, 105
A Laranja Mecânica, 110
Jogador-problema, 118

Parte II
Edmundo, 125

Anjo e demônio, 127
O bandido entra em campo, 133
O jogo das máquinas, 147
A chave do problema, 154
O tribunal da norma, 161
A cartilha do jogador-disciplinar, 168
O estádio Panóptico, 178
Os animais das arquibancadas e o animal dos gramados, 186
A criação do jogador-animal, 192
O animal na casa do Senhor, 211
O animal e as Leis, 225
O exílio do Animal, 240

Dom Quixote e o Animal, 243

Bibliografia, 251

José Paulo Florenzano
23/05/1998

Feras, Mágicos e Guerreiros: a hegemonia em jogo

A formação do selecionado brasileiro desencadeia o complexo jogo de pressão e contrapressão envolvendo a comissão técnica, o elenco de atletas, a imprensa esportiva, o público torcedor e o poder político-econômico. A ação dos referidos atores, com efeito, adquire inteligibilidade no âmbito desta configuração social, revelando, ademais, a rede de interdependência que os reúne e opõe dentro de um processo dinâmico, aberto e sujeito a reviravoltas nas relações de poder. O referido processo encontra-se determinado, dentre outros fatores, por interesses políticos, forças econômicas e concepções de jogo. O presente artigo analisa a hegemonia conservadora estabelecida no quadro da configuração social esportiva.

José Paulo Florenzano
23/05/2012

Friedenreich e a reinvenção de São Paulo

O trabalho trata de diversos aspectos relacionados ao universo do futebol em São Paulo, entre 1910 e meados da década de 1930. O fio condutor das discussões é a trajetória, como atleta, de Friedenreich, considerado o primeiro grande ídolo esportivo brasileiro. O percurso é longo, das várzeas ao aristocrático Paulistano; das ruas da cidade à seleção brasileira. Como eixos centrais da dissertação, a relação entre o futebol e o mundo urbano e
moderno em construção na cidade; e a possibilidade de se vislumbrar, a partir dos campos de futebol, a forma como a questão da identidade se apresentava na metrópole que nascia. Parte-se do pressuposto que o futebol é elemento integrante de um contexto social mais amplo e, como tal, é capaz de apresentar, refletir, reproduzir e refratar uma série de fenômenos próprios do universo do qual é parte integrante. Naquela cidade que se urbanizava e crescia de forma bastante desordenada e, ainda, buscava modernizar-se tomando como apoio algumas idéias e práticas preferencialmente trazidas da Europa, encontra-se o futebol. Dos campos enlameados e improvisados dos subúrbios aos estádios dos clubes da elite, Friedenreich esteve presente nos diversos espaços sociais da cidade, revelando muitos dos dilemas existentes no país naquele momento. A forma como aquele que foi tido como o primeiro Rei do Futebol empreende sua trajetória é capaz de jogar luz sobre questões fundamentais de seu tempo. Fried pode, afinal, nos dizer um pouco até que ponto éramos modernos, ou se ainda vivíamos sob os velhos princípios do passado; e,
ainda, nos mostrar em que bases as identidades paulista e brasileira estavam sendo forjadas naquele momento, a fim de dar alguma forma e coesão àqueles tempos e lugares em transformação.
 
Palavras-chave: Friedenreich, Futebol, Cultura Urbana, Identidade

René Duarte Gonçalves Junior
23/05/2012

Futebol

Apresentação, 5
Márcia Regina da Costa

Boleiros, Futebol e Cinema

Arte e futebol, 15
Ugo Giorgetti

O dilema entre o personagem e o homem, 22
Sócrates

Futebol e cinema no Brasil 1908/1981, 26
Maurício Murad

Futebol empresa

Reflexões sobre o futebol empresa no Brasil, 41
Luís Fernando Pozzi

Futebol empresa, 61
Marcelo Weishaupt Proni

Elementos para uma concepção da cultura de massa, 70
Vera Regina Toledo Camargo

Futebol em liquidação, 80
Juca Kfouri

Futebol e democracia

O futebol e a razão utilitarista, 85
Ricardo Melani

Democracia Corinthiana, 91
Wladimir

Democracia, justiça e paz, 94
Afonsinho

Corinthians: do time do povo ao futebol empresa, 97
José Paulo Florenzano

Código, padrão e respeito, 103
Joel Rufino dos Santos

Várzea, futebol e lazer

O verdadeiro celeiro, 115
Euclides B. Silva Netto

Periferia e várzea: um espaço de sociabilidade, 117
Marco Antonio S. Santos

O futebol da cidade não morreu só mudou de lugar, 119
Flávio Adauto

Torcidas Organizadas

As transformações na estrutura do futebol brasileiro: o fim das Torcidas Organizadas nos estádios de futebol, 131
Carlos Alberto Máximo Pimenta

A invenção do torcedor de futebol: disputas simbólicas pelos significados do torcer, 146
Luiz Henrique de Toledo

Resumo da história dos Gaviões da Fiel, 167
José Cláudio de A. Moraaes (Dentinho) / Eduardo Escolese

A violência no futebol e a imprensa esportiva, 171
Elisabeth Murilho Silva

Futebol, Literatura e História

Nelson Rodrigues e a emancipação do homem brasileiro: de vira-latas a moleque genial, 185
Fatima Martin Rodrigues Ferreira Antunes

Os "Atletas de Cristo" no País do Futebol, 206
Francisco José Nunes

Construindo a nação: futebol nos anos 30 e 40, 214
Plínio José Labriola de C. Negreiros

O mito do "herói" e o futebol, 240
Zartú Giglio Cavalcanti

Futebol e crenças populares: um possível debate, 260
J. Luiz dos Anjos

Mito, Crônica, Futebol, 273
M. Ivoneti Busnardo Ramadan

Márcia Regina da Costa, José Paulo Florenzano, Elizabeth Quintilho, Silvia Carbone D'Allevedo, Marco Antônio S. Santos
23/05/1999

O tradicional e o moderno

O estudo analisa as manifestações da cultura popular brasileira no interior do futebol profissional praticado no Brasil. Analisa os discursos das informações colhidas com os atores (jogadores, dirigentes, técnicos e jornalistas) de equipes de futebol que disputam os campeonatos regionais e nacionais. Introduz a discussão em torno das características propostas por A. Guttmann, consubstanciado na teoria de Max Weber. Para contrapor a racionalidade dos conhecimentos científicos, que lentamente estão sendo introduzidos no futebol brasileiro, o estudo busca em Georges Balandier suportes teóricos que demarquem olhares antropológicos, quando os rituais de fé, crença e superstições existentes no cotidiano popular brasileiro afloram nos atores do futebol, sendo a racionalidade insuficiente para explicar as manifestações que ocorrem nesse espaço. Busca introduzir uma discussão em torno da formação de clubes de futebol identificando dois contextos geográficos: a Região Sul, do início do século XX até meados de 1930, e a região do interior de São Paulo, detendo-se na fundação dos clubes, logo no início do século XX. Nos dois momentos, o estudo procurou abordar e identificar contextos populares na formação dos clubes de futebol, introduzindo uma discussão de resistência cultural no Sul e de manutenção de uma família de sentimentos mútuos na formação dos clubes do interior de São Paulo. Como tradicional, no futebol, o estudo aponta a identificação de crenças, fé, superstições e discursos de exjogadores de futebol que sinalizam uma possível volta ao futebol sem os superlativos da modernidade.

Unitermos: 1. moderno e tradicional; 2. fé, crenças e superstição; 3. futebol.

José Luiz dos Anjos
23/05/2012

Quanto vale um talento?

Os jogadores de futebol profissional são possuidores de talentos variáveis, fator que os distinguem numa escala mercadológica que dinamiza a troca no universo futebolístico. Sob a ótica do futebol modernizado e do clubismo, ao talento, que é algo inato e intransferível, são agregados muitos outros valores, sobretudo de ordem simbólica, que dependem das relações estabelecidas dentro do enquadramento institucional desse esporte e que tem a ver com outros atores sociais, tais como torcedores, dirigentes, agentes e a mídia especializada. Como mercadoria singular, portanto, os jogadores são colocados em circulação no mercado “mundializado” do futebol, desfazendo vínculos e criando novas relações sociais. Este trabalho tem como objetivo compreender a lógica pela qual se dá tal processo simbólico que define os parâmetros de troca generalizada de atletas no domínio do futebol profissional.
 
Palavras-chave: Antropologia do esporte, futebol profissional, dom, mercadoria, circulação, valorização, jogadores.

Júlio César Jatobá Palmiéri
23/05/2012

Rebeldia Futebol Clube

Arte e diagramação: César Cuninghant

Raul Andreucci
23/05/2012

Revolução Vascaína

O presente trabalho é um estudo sobre os primeiros anos do futebol carioca, sua inserção no mundo capitalista e seu papel como catalisador de uma ordem social competitiva necessária ao desenvolvimento pleno deste sistema econômico durante a Primeira República e os primeiros anos da Era Vargas. A pesquisa recai sobre um clube em especial, o Vasco da Gama. Seus dirigentes, na maior parte das vezes ligados à classe empresarial da colônia portuguesa, tomaram atitudes inovadoras e até mesmo revolucionárias para o período. Enquanto os principais clubes da Capital defendiam um futebol elitizado, branco e amador, os diretores vascaínos introduziram em seu recém-montado time de futebol elementos das mais variadas camadas da sociedade, muitos deles mulatos e negros, e, em sua maioria, analfabetos, profissionalizando-os. Construíram aquele que chegou a ser o maior estádio de futebol da América do Sul e transformaram o clube em um dos maiores do mundo em menos de vinte anos de prática deste esporte. Dessa maneira, a colônia portuguesa conseguiu meios para fugir ao preconceito exacerbado que sofria na cidade e inseriu definitivamente os jogadores de origem humilde no seio dos grandes clubes como proletários do futebol.

Palavras-chave: História – futebol – capitalismo – racismo – espetáculo de massa

João Manuel Casquinha Malaia Santos
23/05/2012

 A construção social do tipo 'jogador de futebol profissional'

Diante da gama de possibilidades que o fenômeno esportivo em geral apresenta para a sociedade, e especificamente o futebol na sociedade brasileira, optamos por realizar um estudo sobre a construção coletiva do tipo “jogador de futebol profissional”. A partir da sistematização de elementos observados e conversados no contexto do futebol, foi possível refletir acerca da configuração social que permeia essa construção e entender as matrizes especificadoras, as relações sociais que são formadas, os atores envolvidos, as materialidades presentes, a ocorrência de jogos de força nas relações sociais, sua caracterização e entrelaçamentos inter e intracategorias do futebol. Para que isso fosse possível, escolhemos a observação in loco das situações de treinamento e jogo de diferentes categorias de jogadores de futebol (dente de leite, infantil, mirim, juvenil, júnior e profissional). Também conduzimos conversas informais com jogadores dessas categorias e com as pessoas citadas por eles como integrantes de sua rede de relações sociais (familiares e profissionais associados ao futebol, como médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, jornalistas, professores, coordenadores, dirigentes e patrocinadores dos clubes). Decidimos utilizar um recorte transversal de faixa etária/categoria, no qual foi escolhido aleatoriamente um jogador de futebol de cada categoria e, a partir dele, buscamos identificar pessoas que constituem seu cotidiano como jogador de futebol. Observamos seus treinamentos, participação em jogos, rotina e as pessoas presentes em sua vida quando o assunto é futebol. A partir da pergunta norteadora “O que é ser um jogador de futebol profissional?”, conversas informais com os interlocutores presentes na vida de cada atleta demonstraram os sentidos utilizados na perspectiva de cada um dos envolvidos na construção do tipo jogador de futebol profissional. Os resultados mostraram que a trajetória desses jovens em busca de sua formação e da consolidação de sua pertença a essa categoria é definida por esses sentidos, os quais, por conseguinte, consolidam a matriz na qual o próprio tipo se atualiza como categoria. A trajetória desses indivíduos é permeada de situações diferentes e de pessoas, relatoras de idéias e expectativas próprias, que nem sempre se coadunam com o entendimento da realidade vivida e desejada pelos próprios atletas. Entender essa trajetória, desde o período da infância até a aposentadoria do esportista, requisitou fazer escolhas que levassem a compreender as particularidades do processo. Esses resultados corroboram a tese deste estudo, a qual afirma que a matriz que constrói o jogador de futebol profissional está presente nas diferentes faixas etárias, produzindo e reafirmando sentidos que o caracterizam como tipo.

Palvras-chave: Construcionismo. Futebol. Práticas discursivas. Psicologia social do esporte.

Adriana Bernardes Pereira
23/05/2012