Em jogo a relação entre pesquisador e clube
O futebol, apesar de ser uma das modalidades esportivas mais praticadas e consumidas mundialmente, possui poucas pesquisas que procuram compreendê-lo pela perspectiva das ciências humanas e sociais, sobretudo quando comparadas com os estudos no campo das ciências biológicas. Dessa forma, me propus estudar e buscar entender o futebol como fenômeno da nossa sociedade perspectivando retratar a relação entre o pesquisador e o clube com foco voltado à apreensão e análise dos processos grupais em uma equipe profissional. Este trabalho, seguindo as orientações de uma pesquisa qualitativa, partiu da análise de um grupo de futebol profissional, com um recorte temporal específico, da abordagem à equipe e aos atletas e da análise institucional do clube selecionado. Para o presente estudo, utilizou-se como referencial teórico a psicologia social, com ênfase nos estudos de Kurt Lewin e Pichon-Rivière. Tais autores nortearam a compreensão acerca dos processos grupais, sustentaram a opção metodológica e embasaram teoricamente as análises. A equipe selecionada foi o São Paulo FC, clube de expressão do futebol profissional no cenário nacional e mundial. Participaram da pesquisa atletas profissionais de futebol que estavam em atividade neste clube, membros da comissão técnica e dirigentes desta equipe. A pesquisa de campo deu-se ao longo de 45 dias, nos quais procurei estar com o grupo em situações de treino, jogo, refeições, concentração e preleções de modo a possibilitar uma melhor e mais aprofundada leitura da realidade da qual eles fazem parte. As dificuldades encontradas para analisar os processos grupais desta equipe foram muitas, dentre as quais vale destacar a impossibilidade de acesso às situações e aos locais nos momentos pretendidos por mim, as negativas de entrevistas e a rejeição da aplicabilidade do teste de livre escolha. O vínculo criado entre o pesquisador e o clube sofreu significativas oscilações ao longo da pesquisa de campo, o que prejudicou ainda mais as análises. Diante desses fatos, uma análise da relação obtida entre o pesquisador e o clube, além dos instrumentos da análise institucional, foi importante para discutir uma série de informações não explicitadas e compreender o porquê dessas limitações e dificuldades. Portanto, reconheço que, independente do clube analisado, por conta das características inerentes ao futebol contemporâneo, principalmente em relação aos interesses financeiros e políticos presentes neste contexto, as dificuldades para compreensão dos processos grupais de uma equipe profissional de futebol provavelmente estarão presentes, variando, no entanto, de acordo com as características da instituição e principalmente conforme o tipo de vínculo criado com ela.
Palavras-Chave: Futebol; Psicologia do Esporte; Grupo.
23/05/2012
Futebol
23/05/2012
Futebol, tecnologia e aprendizagem
O objeto de estudo desta pesquisa são os processos de ensino e aprendizagem do futebol nos clubes e escolas, e o crescente papel que o emprego da tecnologia vem desempenhando na formação dos atletas profissionais deste esporte. A pesquisa leva em conta a história da constituição do futebol, envolvendo desde manifestações em culturas antigas até sua forma moderna, e sua subseqüente transformação em um espetáculo que desperta emoções e move multidões em diferentes contextos e lugares do mundo, com enorme presença e importância na cultura brasileira. A partir de um panorama das formas que a preparação dos atletas de futebol assume neste contexto, tendo em conta o impacto do pensamento científico e da tecnologia sobre a performance do atleta profissional de futebol, o trabalho recorre às direções oferecidas pela fenomenologia merleau-pontyana para propor uma maneira de compreender os modos como a corporeidade se traduz nas capacidades de um corpo encontrar soluções criativas em meio a situações de alta complexidade cognitiva exigidas no futebol. Levando-se também em conta o papel dos jogos eletrônicos que simulam partidas de futebol, e o modo como estes jogos ressignificaram o treinamento deste esporte, busca-se estabelecer uma relação tal entre a aprendizagem do futebol, as fases de desenvolvimento da criança, a ludicidade e a performance, que favoreça transpor as barreiras da representação, em direção à capacidade criativa. Neste percurso, recorre-se, como referência, principalmente, aos trabalhos de Merleau-Ponty e seus comentadores; aos trabalhos de Foucault sobre a disciplina do corpo; aos relatos do uso de jogos eletrônicos por jovens atletas; a textos de Gallahue, Unzelt, e Frisselli & Mantovani.
Palavras chave: Futebol, corpo, tecnologia, cognição, aprendizagem.
23/05/2012
Hipóteses para a popularização do futebol em São Paulo (1894-1920)
Este artigo tem por objetivo discutir os aspectos sociais e históricos envolvidos no surgimento do futebol, na cidade de São Paulo no final do século XIX, e seu desenvolvimento na metrópole, a partir das primeiras duas décadas do século XX. Serão analisadas as relações entre a modernização gerada pelo advento da urbanização de São Paulo, levando em consideração o aparecimento dos esportes, de novas modalidades de lazer e as novas formas identitárias relacionadas a este processo modernizador.
23/05/2012
O Atleta e o Mito do Herói
Introdução, 11
I. Cultura contemporânea: entre o moderno e o pós-moderno, 19
Moderno, modernismo e modernidade, 20
Pós-moderno, pós-modernismo e pós-modernidade, 27
Cultura contemporânea e comunicação, 36
II. O imaginário e sua estrutura, 47
Rumo ao imaginário, 49
O imaginário sócio-histórico, 52
As estruturas antropológicas do imaginário de Durand, 57
O regime diurno da imagem e a estrutura heróica, 61
O regime noturno e as estruturas mística e sintética, 66
A estrutura mística, 67
A estrutura sintética, 71
III. O mito, o herói e o atleta, 77
Mito e mitologia, 77
O herói como personagem mítico, 87
O herói arquetípico, 92
O herói esportivo, 95
IV. Da gênese ao esporte contemporâneo, 107
Origens do esporte, 109
A Grécia e o esporte, 111
O esporte na Odisséia, 120
O esporte moderno, 123
O Olimpismo - Citius, Altius, Fortius, 129
V. Cartografias do imaginário esportivo, 139
As histórias de vida, 142
O tempo na história, a história do tempo, 146
Histórias de vida no esporte, 151
1. O início da jornada, 151
2. A busca do caminho, 160
3. A aventura do herói, 171
4. Chegada à ilha da bem aventurança, 183
5. Regresso e ventura, 195
VI. Considerações finais, 209
Bibliografia, 217
23/05/2012
A construção social do tipo 'jogador de futebol profissional'
Diante da gama de possibilidades que o fenômeno esportivo em geral apresenta para a sociedade, e especificamente o futebol na sociedade brasileira, optamos por realizar um estudo sobre a construção coletiva do tipo “jogador de futebol profissional”. A partir da sistematização de elementos observados e conversados no contexto do futebol, foi possível refletir acerca da configuração social que permeia essa construção e entender as matrizes especificadoras, as relações sociais que são formadas, os atores envolvidos, as materialidades presentes, a ocorrência de jogos de força nas relações sociais, sua caracterização e entrelaçamentos inter e intracategorias do futebol. Para que isso fosse possível, escolhemos a observação in loco das situações de treinamento e jogo de diferentes categorias de jogadores de futebol (dente de leite, infantil, mirim, juvenil, júnior e profissional). Também conduzimos conversas informais com jogadores dessas categorias e com as pessoas citadas por eles como integrantes de sua rede de relações sociais (familiares e profissionais associados ao futebol, como médicos, nutricionistas, fisioterapeutas, jornalistas, professores, coordenadores, dirigentes e patrocinadores dos clubes). Decidimos utilizar um recorte transversal de faixa etária/categoria, no qual foi escolhido aleatoriamente um jogador de futebol de cada categoria e, a partir dele, buscamos identificar pessoas que constituem seu cotidiano como jogador de futebol. Observamos seus treinamentos, participação em jogos, rotina e as pessoas presentes em sua vida quando o assunto é futebol. A partir da pergunta norteadora “O que é ser um jogador de futebol profissional?”, conversas informais com os interlocutores presentes na vida de cada atleta demonstraram os sentidos utilizados na perspectiva de cada um dos envolvidos na construção do tipo jogador de futebol profissional. Os resultados mostraram que a trajetória desses jovens em busca de sua formação e da consolidação de sua pertença a essa categoria é definida por esses sentidos, os quais, por conseguinte, consolidam a matriz na qual o próprio tipo se atualiza como categoria. A trajetória desses indivíduos é permeada de situações diferentes e de pessoas, relatoras de idéias e expectativas próprias, que nem sempre se coadunam com o entendimento da realidade vivida e desejada pelos próprios atletas. Entender essa trajetória, desde o período da infância até a aposentadoria do esportista, requisitou fazer escolhas que levassem a compreender as particularidades do processo. Esses resultados corroboram a tese deste estudo, a qual afirma que a matriz que constrói o jogador de futebol profissional está presente nas diferentes faixas etárias, produzindo e reafirmando sentidos que o caracterizam como tipo.
Palvras-chave: Construcionismo. Futebol. Práticas discursivas. Psicologia social do esporte.
23/05/2012










