Futebol

Apresentação, 5
Márcia Regina da Costa

Boleiros, Futebol e Cinema

Arte e futebol, 15
Ugo Giorgetti

O dilema entre o personagem e o homem, 22
Sócrates

Futebol e cinema no Brasil 1908/1981, 26
Maurício Murad

Futebol empresa

Reflexões sobre o futebol empresa no Brasil, 41
Luís Fernando Pozzi

Futebol empresa, 61
Marcelo Weishaupt Proni

Elementos para uma concepção da cultura de massa, 70
Vera Regina Toledo Camargo

Futebol em liquidação, 80
Juca Kfouri

Futebol e democracia

O futebol e a razão utilitarista, 85
Ricardo Melani

Democracia Corinthiana, 91
Wladimir

Democracia, justiça e paz, 94
Afonsinho

Corinthians: do time do povo ao futebol empresa, 97
José Paulo Florenzano

Código, padrão e respeito, 103
Joel Rufino dos Santos

Várzea, futebol e lazer

O verdadeiro celeiro, 115
Euclides B. Silva Netto

Periferia e várzea: um espaço de sociabilidade, 117
Marco Antonio S. Santos

O futebol da cidade não morreu só mudou de lugar, 119
Flávio Adauto

Torcidas Organizadas

As transformações na estrutura do futebol brasileiro: o fim das Torcidas Organizadas nos estádios de futebol, 131
Carlos Alberto Máximo Pimenta

A invenção do torcedor de futebol: disputas simbólicas pelos significados do torcer, 146
Luiz Henrique de Toledo

Resumo da história dos Gaviões da Fiel, 167
José Cláudio de A. Moraaes (Dentinho) / Eduardo Escolese

A violência no futebol e a imprensa esportiva, 171
Elisabeth Murilho Silva

Futebol, Literatura e História

Nelson Rodrigues e a emancipação do homem brasileiro: de vira-latas a moleque genial, 185
Fatima Martin Rodrigues Ferreira Antunes

Os "Atletas de Cristo" no País do Futebol, 206
Francisco José Nunes

Construindo a nação: futebol nos anos 30 e 40, 214
Plínio José Labriola de C. Negreiros

O mito do "herói" e o futebol, 240
Zartú Giglio Cavalcanti

Futebol e crenças populares: um possível debate, 260
J. Luiz dos Anjos

Mito, Crônica, Futebol, 273
M. Ivoneti Busnardo Ramadan

Márcia Regina da Costa, José Paulo Florenzano, Elizabeth Quintilho, Silvia Carbone D'Allevedo, Marco Antônio S. Santos
23/05/1999

Futebol de muitas cores e sabores

Prefácio dos organizadores, 13

A word form FIFA, 15
Joseph Blatter

A European Football year to remember, 19
Lennart Johansson

Futebol plural, um fenómeno singular, 21
Ricardo Terra Teixeira

Em nome do futebol, 31
Gilberto Madaíl

História do futebol em Portugal (1888-2004), 33
João Nuno Coleho, Francisco Pinheiro

Abordagem sócio-antropológica do futebol em Portugal, país de futebol, 55
António da Silva Costa

A história social do futebol brasileiro: alguns elementos para a sua compreensão, 73
Maurício Murad

Tensões e mudanças recentes na cultura e na gestão do futebol brasileiro: entre a tradicional base local e as forças do mercado, 87
Gilmar Mascarenhas

O estilo brasileiro de futebol, seus dilemas e seus intépretes, 101
J. Sérgio Leite Lopes

Futebol: entre o simbólico e o mercado, 119
Sérgio Montero Souto

Fútbol: uma indústria caníbal, 137
Eduardo Galeano

Garrincha, o brasileiro mais amado, 141
Juca Kfouri

Pelé: os mil corpos de um Rei, 147
Luiz Henrique de Toledo

A pantera, o anjo e o menino, 169
Manuel Alegre

Um herói chamado Zagallo, 171
Jayme Valente Filho

Os ícones do futebol: João Havelange, 189
António Marques

Olhares e estados de alma, 195
Jorge Olímpio Bento

Viagem interior ao mundo do futebol, 219
José Augusto Santos

Atrás do palco, nas oficinas do futebol, 227
Júlio Garganta

Entre o sonho e a realidade, um mundo de expectativas e compromissos, 235
José Oliveira

A arte e a ciência da finta, 239
Go Tani

Futebol e multidisciplinaridade científica, 247
José Manuel Soares

A resistência no futebol, 251
António Natal Rebelo

Futebol e ciência: uma abordagem configuracional, 257
Roberto Ferreira dos Santos

Revisitando a relação entre a psicologia do desporto e o futebol profissional..., 263
António Manuel Fonseca

Psicologia aplicada ao futebol: estudos realizados no Brasil, 271
Dietmar Samulski, Pablo Greco

Futebol e música popular brasileira: do amadorismo à economia globalizada, 281
Nei Lopes

Futebol: os novos ícones, 303
Vítor Serpa

José Oliveira, Júlio Garganta, Maurício Murad
23/05/2012

Futebol e teoria social: aspectos da produção científica brasileira (1982-2002)

Este texto visa realizar um balanço bibliográfico dos principais trabalhos e pesquisas que tematizaram os esportes nas últimas duas décadas, particularmente o futebol, no domínio das ciências sociais. Expõe, de modo sumário, num primeiro momento, a conjuntura institucional em puderam ser desenvolvidas tais pesquisas e, num segundo momento, aponta, na forma de uma resenha crítica, para algumas das principais correntes analíticas que interpretaram o fenômeno aludido.

Luiz Henrique de Toledo
23/05/2012

Futebol se aprende na escola

Nesta dissertação procuramos investigar o complexo processo de aprendizagem do futebol no Brasil, focando uma cidade média do interior de São Paulo. Geralmente, tal processo é atribuído aos fatores mais essencializados que permeiam as representações do jogar ‘à brasileira’ (dom, jeito inato), distanciando a apreensão do fenômeno como uma construção simbólica e material essencialmente constitutivas. Procuraremos retomar essa discussão, tendo como recorte empírico o fenômeno emergente das chamadas "escolinhas de futebol" (públicas e privadas) como co-partícipes desse processo. Por um lado, o surgimento dessas “escolinhas”, nas décadas de 70 e 80, trouxe à tona a contraposição entre diferentes concepções sobre as formas do jogar, aprender e representar o futebol no país e, por outro lado, fomentou os investimentos de políticas sociais de lazer mais voltadas à juventude. Compreender esse processo é possibilitar, a partir do instrumental teórico e metodológico das Ciências Sociais, a apreensão de uma importante faceta da sociabilidade esportiva disseminada em alguns centros urbanos brasileiros.

Palavras-chave: futebol, escolinhas de futebol, projetos sociais, antropologia.

Claudemir José dos Santos
23/05/2012

Jogo livre: analogias em torno das 17 regras do futebol

O tema central desse ensaio é a análise das regras do futebol à luz de algumas teorias sociais que subsidiam, explícita ou implicitamente, inúmeras abordagens sobre o fenômeno esportivo. Manipulando o sumário do livro de regras, e impondo três deslocamentos conceituais de inspiração estruturalista, estrutural funcionalista e configuracional, respectivamente, os argumentos aqui desenvolvidos procuram recolocar o núcleo mais infra-estrutural do futebol, concebido no conjunto de suas regras, e que está na base do entendimento do futebol como um esporte moderno, dentro de um movimento comparativo mais amplo, fundamental para a consolidação de uma proposta de antropologia do esporte.

Luiz Henrique de Toledo
23/05/2012

Lógicas no futebol

Prefácio - José Guilherme Cantor Magnani, 13

Introdução, 15

Capítulo 1 - Treino é treino, jogo é jogo, 29
O futebol jogado nos manuais, 30
Breve histórico dos manuais técnicos, 30
Universalizando as regras, fragmentando estilos, 41
As formas do jogar, 56
A linguagem dos esquemas táticos, 66
Curso básico e soccer clinic, 83
Futebol se aprende na escola, 83
Do estilo à técnica, 97
Os técnicos de "ponta", 103
Trajetórias e dilemas profissionais, 113
Rotinas e rituais, 123
A máxima de Didi, 125
Os CTs e os treinos vistos dos alambrados, 131
Dos técnicos aos preparadores físicos e mentais, 136
A busca das formas-representações, 149

Capítulo 2 - Jornada Esportiva, 159
Os sentidos multiplicadores do jogo, no campo dos especialistas, 160
A "invenção" da crônica e dos cronistas, 160
Especialistas
e "amadores", 165
Clubismo e bairrismo entre os especialistas, 169
As coberturas diaristas, 174
Esportes nas coberturas jornalísticas, 174
"Fontes" e mídia esportiva, 179
Técnica e estilo do jornalismo esportivo diarista, 183
A construção simbólica da emoção entre os especialistas, 194
Transmissões ao vivo e as mesas-redondas, 198
Comentaristas, locutores, repórteres e cinegrafistas, 198
O ponto de vista dos especialistas, 205
Futebol falado, 208

Capítulo 3 - Futebol não tem lógica?, 219
Significados do torcer, 220
Sócios vs assistências, 220
As primeiras formas coletivas do torcer, 226
A violência vista "de dentro" e "de fora" do campo esportivo, 231
Das torcidas organizadas aos sócios-torcedores, 244
Mesas de bares e a sociabilidade cotidiana, 247
Da lógica competitiva e outras lógicas, 247
Sociabilidade cotidiana e o ethos "de bar", 260
Lógica do sensível, 266
Torcer e enxergar o jogo, 270
De olho no lance, 270
Versões de um mesmo esporte, 279

Considerações finais, 285

Notas, 291

Bibliografia, 319

Luiz Henrique de Toledo
23/05/2012

Lógicas no futebol

Lógicas no Futebol’ propõe reconstituir no plano da dimensão simbólica alguns dos aspectos que encerram a dinâmica entre os atores que conformam o chamado futebol profissional. Esporte nacional que articula vários domínios na sociedade, ofutebol está sendo enfocado neste trabalho a partir de um modelo etnográfico definido pela atuação de alguns dos atores sociais que o compõem, a saber, jogadores, técnicos, cronistas especializados, torcedores entre outros que, articulados àssuas práticas sociais específicas, definem um socius esportivo cuja dinâmica incide sobre os processos de identificação nacional. A análise privilegia a dimensão cotidiana, em relação a ritual, como referencial teórico e metodológico, recortadaa partir de alguns contextos particulares de exercício profissional, vivência e sociabilidade desses atores. Com isso, intenta-se confrontar determinadas versões de um mesmo fenômeno esportivo e o modo como são construídas e reciprocamenteengendradas as representações sobre o jogo e a própria sociedade que o gesta.

 

 

Luiz Henrique de Toledo
23/05/2012

No país do futebol

Introdução, 7

Dentro de campo: regras, táticas e formas do jogar, 11

Fora de campo: as formas do torcer, 52

Conclusão, 67

Cronologia, 70

Referências e fontes, 74

Sugestões de leitura, 76

Sobre o autor, 78

Luiz Henrique de Toledo
23/05/2012

O clube como vontade e representação

Agradecimentos, 11

Prefácio - Luiz Henrique de Toledo, 15

Introdução, 21

PRIMEIRA PARTE: O torcedor como ator: a persona, a máscara e sua sombra

Capítulo 1 - Ethos de espectador, pathos de torcedor, 71

Capítulo 2 - O chefe de torcida: carisma, humildade e idolatria, 95

Capítulo 3 - Da autenticidade à ambição: novo estigma do profissionalismo, 133

SEGUNDA PARTE: O drama do Jornal dos Sports e a formação das Torcidas Jovens

Capítulo 1 - Microfísica do Poder Jovem, 163

Capítulo 2 - O paradigma geracional e a retórica da ruptura, 213

Capítulo 3 - O Estado e os estádios - e as multidões se organizaram?, 269

TERCEIRA PARTE: Genealogia da moral torcedora

Capítulo 1 - Arquelogias da violência, 339

Capítulo 2 - Da aventura: caravanas e narrativas de viagem, 407

Capítulo 3 - A lira & o bumbo - canto coletivo, cultura de massa, paródia, 487

Conclusão, 523

Referências Bibliográficas, 543

Caderno de imagens, 573

Bernardo Borges Buarque de Hollanda
23/05/2012

O clube como vontade e representação

O ano de 1968 também foi marcado por agitações e revoltas nas arquibancadas do Maracanã. Em um período de crise no desempenho de suas equipes, grupos juvenis de aficionados torcedores lançam-se ao enfrentamento contra dirigentes de grandes clubes cariocas, por meio de protestos, manifestações e até passeatas fora do Estádio Mário Filho. Sob inspiração do slogan internacional Poder Jovem, estes recém-formados agrupamentos adotam de igual modo uma postura crítica face ao tradicional modelo de torcida, as Charangas, oriundas da década de 1940. Ao longo do decênio de 1970, as Torcidas Jovens consolidam-se no cenário esportivo e ensejam o surgimento de uma profusão de pequenas e médias agremiações, que revestem o ato de torcer de significados associativos e culturais, recreativos e sociais até então inexistentes. A culminância deste processo ocorreria no início da década seguinte, quando lideranças de tais grêmios tentam se agrupar em torno de interesses comuns e, entre 1981 e 1984, deflagram uma série de sucessivas greves, piquetes e boicotes pela redução do preço dos ingressos, entre outras reivindicações. Tal postura resultaria na criação da ASTORJ, a Associação das Torcidas Organizadas do Rio de Janeiro, uma entidade com duplo objetivo: por um lado, a legitimação de uma força corporativa com influência na estrutura de poder dos esportes; por outro, a formalização do entrosamento entre os chefes de torcidas rivais, expressa no lema “Congregar, Congraçar, Unir”. No decurso da década de 80, o projeto da ASTORJ não prosperaria, com a perda da representatividade e com a incapacidade de conter as crescentes rixas e animosidades entre os componentes das facções torcedoras. Ao enfeixar esses acontecimentos, extraídos da leitura serial de narrativas jornalísticas obtidas em periódicos esportivos e de relatos orais colhidos em entrevistas, o presente trabalho procura mostrar de que maneira um tipo específico de associação, pautado na idolatria clubística, ganhou vulto em escala nacional e internacional nas décadas de 1960, 1970 e 1980, e assumiu particularidades históricoculturais no futebol profissional do Rio de Janeiro. Busca-se evidenciar como esse fenômeno da segunda metade do século XX atendeu a novas demandas de participação e de diferenciação por parte de contingentes urbanos em um domínio cada vez mais competitivo, massificado e mercantilizado. A música, de um lado, e a violência, de outro, foram os meios expressivos mais notáveis a que esses movimentos recorreram para tomar parte e para adquirir visibilidade no universo do espetáculo esportivo contemporâneo. Ao analisar a ação, a formação e a transformação de um campo específico de subgrupos torcedores, reconstituindo uma experiência histórica particular, a tese que ora se apresenta tem o intuito de demonstrar em que medida as torcidas organizadas constroem sua identidade através de uma relação direta com os meios de comunicação de massa e orientam seus métodos de atuação através de uma bricolagem e de uma leitura muito própria dos valores presentes no jogo, no esporte e no meio social circundante.
 
Palavras-chave: Futebol, Cultura e Sociedade; História Social e Memória Coletiva; Torcidas Organizadas e Jornalismo Esportivo; Mário Filho e Jornal dos Sports; Torcidas Jovens e Cultura Juvenil; Espetáculo Esportivo e Violência.

Bernardo Borges Buarque de Hollanda
23/05/2012

O tradicional e o moderno

O estudo analisa as manifestações da cultura popular brasileira no interior do futebol profissional praticado no Brasil. Analisa os discursos das informações colhidas com os atores (jogadores, dirigentes, técnicos e jornalistas) de equipes de futebol que disputam os campeonatos regionais e nacionais. Introduz a discussão em torno das características propostas por A. Guttmann, consubstanciado na teoria de Max Weber. Para contrapor a racionalidade dos conhecimentos científicos, que lentamente estão sendo introduzidos no futebol brasileiro, o estudo busca em Georges Balandier suportes teóricos que demarquem olhares antropológicos, quando os rituais de fé, crença e superstições existentes no cotidiano popular brasileiro afloram nos atores do futebol, sendo a racionalidade insuficiente para explicar as manifestações que ocorrem nesse espaço. Busca introduzir uma discussão em torno da formação de clubes de futebol identificando dois contextos geográficos: a Região Sul, do início do século XX até meados de 1930, e a região do interior de São Paulo, detendo-se na fundação dos clubes, logo no início do século XX. Nos dois momentos, o estudo procurou abordar e identificar contextos populares na formação dos clubes de futebol, introduzindo uma discussão de resistência cultural no Sul e de manutenção de uma família de sentimentos mútuos na formação dos clubes do interior de São Paulo. Como tradicional, no futebol, o estudo aponta a identificação de crenças, fé, superstições e discursos de exjogadores de futebol que sinalizam uma possível volta ao futebol sem os superlativos da modernidade.

Unitermos: 1. moderno e tradicional; 2. fé, crenças e superstição; 3. futebol.

José Luiz dos Anjos
23/05/2012

Pelé e o complexo de vira-latas

O presente trabalho tem como objetivo entender os discursos raciais construídos no Brasil ao longo de cinqüentas anos, analisando um exemplo em particular: alguns fatos importantes da trajetória de vida de Edson Arantes do Nascimento, o Pelé. Dentro deste contexto, procuro pesquisar a forma como este personagem construiu-se como uma das figuras mais importantes da vida nacional e também o rosto que representa o Brasil no cenário internacional, como jogador de futebol e que atualmente sua fama é reproduzida através de comerciais em que é “garoto-propaganda” em diversos países. Neste sentido, a intenção é compreender como este ex-atleta prolongou sua fama ao longo destes anos e também como a permanência de sua imagem ao longo dos anos provocou e ainda suscita debates acerca das questões raciais no contexto brasileiro. Argumento que Pelé em muitos momentos da história foi uma figura que interligou vários dos discursos raciais que eram discutidos no senso comum, a intelectualidade e também entre os formadores de opinião. Por esta razão, o ex-jogador de futebol fomenta grandes polêmicas em relação a seus posicionamentos na vida nacional e provoca um debate acalorado em torno das questões raciais candentes.

Palavras-chave: discursos raciais, modernidade, intelectuais, complexo de “vira-lata”, Pelé.

Ana Paula da Silva
23/05/2012

Por que xingam os torcedores de futebol?

Este artigo analisa o padrão de comportamento expresso através da fala dos torcedores de futebol, tendo em vista as dimensões simbólicas contidas neste tipo de interação verbal.

Luiz Henrique de Toledo
23/05/1993

Quanto vale um talento?

Os jogadores de futebol profissional são possuidores de talentos variáveis, fator que os distinguem numa escala mercadológica que dinamiza a troca no universo futebolístico. Sob a ótica do futebol modernizado e do clubismo, ao talento, que é algo inato e intransferível, são agregados muitos outros valores, sobretudo de ordem simbólica, que dependem das relações estabelecidas dentro do enquadramento institucional desse esporte e que tem a ver com outros atores sociais, tais como torcedores, dirigentes, agentes e a mídia especializada. Como mercadoria singular, portanto, os jogadores são colocados em circulação no mercado “mundializado” do futebol, desfazendo vínculos e criando novas relações sociais. Este trabalho tem como objetivo compreender a lógica pela qual se dá tal processo simbólico que define os parâmetros de troca generalizada de atletas no domínio do futebol profissional.
 
Palavras-chave: Antropologia do esporte, futebol profissional, dom, mercadoria, circulação, valorização, jogadores.

Júlio César Jatobá Palmiéri
23/05/2012

Revolução Vascaína

O presente trabalho é um estudo sobre os primeiros anos do futebol carioca, sua inserção no mundo capitalista e seu papel como catalisador de uma ordem social competitiva necessária ao desenvolvimento pleno deste sistema econômico durante a Primeira República e os primeiros anos da Era Vargas. A pesquisa recai sobre um clube em especial, o Vasco da Gama. Seus dirigentes, na maior parte das vezes ligados à classe empresarial da colônia portuguesa, tomaram atitudes inovadoras e até mesmo revolucionárias para o período. Enquanto os principais clubes da Capital defendiam um futebol elitizado, branco e amador, os diretores vascaínos introduziram em seu recém-montado time de futebol elementos das mais variadas camadas da sociedade, muitos deles mulatos e negros, e, em sua maioria, analfabetos, profissionalizando-os. Construíram aquele que chegou a ser o maior estádio de futebol da América do Sul e transformaram o clube em um dos maiores do mundo em menos de vinte anos de prática deste esporte. Dessa maneira, a colônia portuguesa conseguiu meios para fugir ao preconceito exacerbado que sofria na cidade e inseriu definitivamente os jogadores de origem humilde no seio dos grandes clubes como proletários do futebol.

Palavras-chave: História – futebol – capitalismo – racismo – espetáculo de massa

João Manuel Casquinha Malaia Santos
23/05/2012

Tem que ter categoria

Esta pesquisa teve como objetivo principal investigar o ensino e aprendizado da prática futebolística para crianças e jovens de alguns bairros da Zona Leste de São Paulo. Acompanhei as aulas, treinos e jogos relacionados à escolinha do CDM Cidade Líder,
como também as demais atividades praticadas naquele espaço, principalmente, as partidas de futebol de várzea aos finais de semana. A partir da observação das relações construídas entre os diversos atores (crianças, jovens, jogadores de várzea, pais e mães, olheiros, empresários e outros), pude identificar diferentes aspectos ligados ao ensino e aprendizado do futebol, que aparecem articulados na etnografia: trabalho, corpo, dom, peneiras, masculinidade, modelos pedagógicos, profissionalização etc. Se, por um lado, observava o processo de ensino e aprendizado do futebol entre os alunos, pais e professores, por outro, percebia que, concomitante ao ensino, trabalhava-se a idéia da formação de jovens jogadores. Tal questão me fez pensar em estender a pesquisa a novas espacialidades. Marcada, inicialmente, pela observação no bairro Cidade Líder, na Zona Leste paulistana, a pesquisa posteriormente ganhou uma amplitude de atores, experiências, trajetórias e situações, o que me fez atentar às redes de relações entre os diversos atores. Com este fim, tracei uma rede futebolística, entre outras tantas possíveis, que se inicia no bairro de Guaianases, também na Zona Leste, com o objetivo de investigar a diversidade de situações, atores e questões conectadas ao processo de formação de jovens jogadores de futebol. Assim, temas como peneiras, empresários, clientelismo, política municipal e futebol de várzea aparecem entrelaçados e mostram-se decisivos no processo de formação dos jogadores. Por meio desta rede, pesquisei atores e práticas que se encontram numa posição de invisibilidade quando observados somente por meio de classificações dicotômicas: jogo/esporte, amadorismo/profissionalismo e cotidiano/ritual. Trata-se, portanto, de um esforço de investigação de algumas das inúmeras mudanças estruturais do universo futebolístico, tanto no plano profissional, quanto nas formas cotidianamente ativadas nos espaços urbanos.
 

Palavras-chave: Futebol. Esporte. Redes. Periferias. Ensino-aprendizado. 

Enrico Spaggiari
23/05/2012

Torcer: a metafísica do homem comum

Procuro, neste artigo, articular as formas de torcer que historicamente engendraram a sociabilidade em torno do futebol. Para tanto, discuto as transformações na sensibilidade torcedora que, acossada pelas experiências tecnológicas, mercadológicas e subjetivas do individualismo, tendeu a esvaziar algumas das experiências públicas e coletivizadoras responsáveis pela alta projeção do futebol como mediador das relações lúdicas cotidianas nos centros urbanos brasileiros.

Luiz Henrique de Toledo
23/05/2012

Torcidas organizadas de futebol

Agradecimentos, 7

Prefácio, 9

Introdução, 11

Capítulo 1 - A prática do futebol na Metrópole: um breve histórico, 15

Capítulo 2 - Torcedores em campo, 21

Capítulo 3 - As torcidas na cidade, 39

Capítulo 4 - Conflito e sociabilidade, 99

Capítulo 5 - Torcidas organizadas: lazer e estilo de vida, 113

Capítulo 6 - Hooligans brasileiros?, 121

Capítulo 7 - Usos políticos do futebol, 135

Apito final, 151

Anexo, 155

Bibliografia, 163

Luiz Henrique de Toledo
23/05/1996

Torcidas Organizadas de futebol

Torcidas organizadas de futebol de São Paulo são agrupamentos que se formaram no fim da década de 70. O advento desses grupos redimensionou a relação torcedor-futebol profissional na medida em que engendrou um determinado estilo em acompanhar e torcer pelos times de futebol. Estilo consubstanciado num comportamento estético, verbal e modos específicos de usufruir do evento futebolístico. As torcidas organizadas são a contrapartida popular do universo do futebol profissional estruturado em clubes, federações, justiça desportiva, confederação. Esta dissertação tem o propósito de mostrar e discutir alguns dos aspectos materiais e simbólicos das praticas desses agrupamentos no contexto da cidade de São Paulo.

Luiz Henrique de Toledo
23/05/1994

Visão de jogo

Apresentação, 13
Luiz Henrique de Toledo e Carlos Eduardo Costa

Torneios universitários: disputas e sociabilidade nas práticas esportivas estudantis, 17
Carlos Eduardo Costa

A sociabilidade esportiva das igrejas renascer em cristo e bola de neve, 45
Reinaldo Olécio Aguiar

Voleibol: um espaço híbrido de sociabilidade esportiva, 75
Juliana Affonso Gomes Coelho

Futebol e basquete made in brazil: uma análise antropológica do fluxo de jogadores para o exterior, 95
Júlio César Jatobá Palmiéri

Voleibol no interior: um estudo de caso sobre o ethos dos jogadores, 115
Leonardo Erivelto Soares de Oliveira

Jogando em vários campos: torcedoras, futebol e gênero, 141
Lara Tejada Stahlberg

A difícil nacionalização do futebol brasileiro: a era Havelange, 167
Sandro Francischini

Deus e o diabo na terra do futebol: reflexões sobre a disputa totêmica no América Football Clube, 197
Thiago Passos de Oliveira

Repensando o estilo à brasileira: escolinhas de futebol e aprendizagem esportiva, 217
Claudemir José dos Santos

Estilos de jogar, estilos de pensar: esboço comparativo entre Damatta e Archetti, 255
Luiz Henrique de Toledo

Luiz Henrique de Toledo, Carlos Eduardo Costa
23/05/2012