A rivalidade entre pontepretanos e bugrinos

Considerando o futebol brasileiro como fenômeno cultural, este trabalho objetivou analisar as manifestações de rivalidade entre torcidas de futebol. Para isso utilizamos a análise etnográfica no acompanhamento de torcedores de clubes de Campinas, SP (Ponte Preta e Guarani), em doze jogos, durante o Campeonato Brasileiro 2001 e a Liga Rio-SP 2002. Foram seis jogos de cada equipe, incluindo dois “Derbys”, como é popularmente chamado o confronto entre as duas equipes analisadas. Também foram realizadas oito entrevistas semi-estruturadas, que foram gravadas e transcritas posteriormente para análise, com torcedores dessas equipes (quatro de cada time). Os torcedores, assim como o patrimônio e os jogadores, são peças fundamentais no desenvolvimento do time, incentivando-o e desestabilizando o rival. A relação entre torcedores rivais mostrou-se sempre demarcada pela constante tentativa de negação ou desqualificação do outro e auto-afirmação do seu time e sua torcida. Assim, os torcedores utilizam diversas manifestações rivalizantes determinadas por suas relações: expõem camisas e bandeiras, criam apelidos para os rivais, cantam músicas e hinos e, inclusive, tomam parte da violência, simbólica ou real. Sendo a rivalidade calcada na diferença, a violência apresenta-se como intolerância a esta diferença.
 
Futebol – Torcida – Cultura.

Márcio Pereira Morato
23/05/2012

O dom de jogar bola

Este artigo tem como objetivo investigar como a categoria dom e seus significados interagem com a construção sociocultural do fenômeno futebol. A categoria foi trabalhada a partir da sua relação com a magia e a fé, necessárias num ambiente tão supersticioso como o do futebol brasileiro. A validação do dom enquanto objeto imperativo à compreensão dos êxitos e fracassos no futebol é algo compartilhado não só pelos jogadores, como também pela imprensa esportiva e pelos torcedores. A eficácia simbólica do dom é validada em ato mágico ao ser compartilhada e aceita por seus próprios criadores e consumidores, a ponto de transformar o rico contexto de aprendizado para o futebol, vivido no Brasil, em um simples golpe da sorte: nascer ou não com o dom.

Sérgio Settani Giglio, Márcio Pereira Morato, Sérgio Stucchi, José Julio Gavião Almeida
23/05/2012