A Metamorfose do Futebol

Prefácio de Juca Kfouri, 11

Introdução, 13

1 Do jogo das multidões ao futebol-empresa, 19
A invenção do futebol moderno, 21
A luta pela profissionalização, 26
A difusão internacional e seus desdobramentos, 31
O afrouxamento dos limites à comercialização, 39
Primeiros passos do futebol-empresa, 46
Algumas implicações do novo modelo, 54
O aprofundamento das rupturas, 63
A disputa pelo controle do futebol mundial, 75
Reflexões e incertezas, 81

2 Estruturação e desenvolvimento do futebol brasileiro, 95
A origem elitista e a modernidade do futebol, 98
A transição para o profissionalismo, 107
O discurso da democratização, 115
A tutela estatal e a modernização exigida, 122
A renovação das tradições, 128
Uma nova onda de modernização, 139
A crise financeira e a vulnerabilidade externa, 148
A crise política e a descoberta do marketing, 154
A Lei Zico e a modernização inconclusa, 163

3 A revolução do futebol-empresa no Brasil, 175
A recorrência do atraso e o quadro das disparidades, 177
O discurso modernizante na imprensa esportiva, 186
Lei Pelé: um novo divisor de águas, 198
A lógica do mercado em ação, 204
Contradições da modernização pelo mercado, 216
Prognósticos para o mercado futebolístico brasileiro, 228
Um novo rumo para o futebol-empresa no Brasil, 241

Considerações finais, 253

Referências bibliográficas, 267

Marcelo Weishaupt Proni
23/05/2012

Administração de clubes de futebol profissional e governança corporativa

O futebol brasileiro, atividade de grande importância social e econômica para o país, atravessa um período de discrepâncias. Apesar das conquistas internacionais e da quantidade de jogadores que fazem sucesso pelo mundo, os clubes, de uma maneira geral, passam por uma situação de falta de recursos, endividamento, ausência de credibilidade e incapacidade administrativa, não conseguindo manter seus principais jogadores. O futebol é mal explorado como mercado e a falta de profissionalismo em sua gestão é evidente. Em um ambiente complexo, a profissionalização da gestão torna-se questão de sobrevivência para os clubes e uma exigência dos investidores em potencial. As boas práticas de governança corporativa demonstram ser uma resposta para os clubes que buscam uma gestão mais efetiva dentro de um ambiente complexo, competitivo e em constante mudança. Visando estudar a aplicabilidade e os possíveis impactos das boas práticas de governança corporativa nos clubes, foi realizada uma pesquisa descritiva, qualitativa e exploratória, seguindo o método de estudo de caso, em três clubes do estado de São Paulo. A base para a análise foi a terceira versão do Código das Melhores Práticas de Governança Corporativa do IBGC. As práticas lidam, essencialmente, com o poder de direção (decisão) e de controle dentro das organizações, visando equilibrar as influências de diferentes grupos de interesse (stakeholders), como torcedores, investidores, sócios e dirigentes, evitando conflitos dentro da organização. Um clube mais forte resultante dessas práticas tende a criar um ciclo virtuoso entre resultados (administrativos e esportivos) e o retorno por eles produzido. A adoção das boas práticas de governança corporativa pode se constituir em um importante diferencial para os clubes na competição por capital e outros recursos, pois contribuem para o aumento da amplitude, profundidade e velocidade da reestruturação e profissionalização da gestão dos clubes. Ela também tende a gerar uma queda de ações consideradas anti-éticas ou ilegais e fornecer uma maior visibilidade sobre a aplicação dos investimentos realizados. A presença de aspectos como transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa pode também ser uma forma de legitimar a atuação dos dirigentes do clube perante tantos interessados (só os torcedores, por exemplo, podem chegar a milhões) que não exercem representatividade na política e na gestão do mesmo. Vale ressaltar que a verificação desta necessidade não se restringe aos clubes de futebol, mas é uma tendência mundial, que abrange os mais diversos setores econômicos. Este processo de radicalização democrática conduz a uma “publicização” das formas de controle e decisão das organizações, motivada por sua responsabilidade e função social, e evita a formação de oligopólios no controle dos clubes. Por fim, pôde-se verificar que a gestão dos clubes de futebol profissional, ao adotar as práticas de governança corporativa propostas, tendem a alcançar uma maior legitimidade perante seus stakeholders e exercer a administração de maneira profissionalizada. Existem práticas sendo adotadas, embora não com este rótulo, e elas foram motivadas, principalmente, por obrigações legais. É possível adotá-las de maneira quase que integral, ainda que sejam necessárias adaptações em virtude do diferente contexto individual que envolve cada clube.

Palavras-chave: Administração esportiva; governança corporativa; futebol; clubes.

Daniel Siqueira Pitta Marques
23/05/2012

Análise da descontinuidade do patrocínio esportivo em clubes de futebol no Brasil

O tema definido para essa dissertação procura mostrar as condições atuais dos clubes de futebol e a sua relação com empresas patrocinadoras. Dentre os objetivos específicos, pretendemos identificar, junto aos patrocinadores de clubes de futebol, as vantagens e desvantagens analisadas no patrocínio; identificar, junto aos patrocinadores de clubes de futebol, o retorno de investimento após o término de contrato com um clube de futebol; identificar, junto aos patrocinadores de clubes de futebol, quais as ações realizadas durante o contrato com os clubes para aumento da visibilidade de sua marca e como são implementadas; identificar os fatores relevantes que fazem com que os patrocinadores esportivos não renovem seu contrato junto aos clubes de futebol; identificar os motivos de troca entre patrocinadores e clubes após o término de contrato de patrocínio esportivo; identificar se a desorganização na gestão de um clube de futebol interfere na descontinuidade de um contrato de patrocínio esportivo; identificar o reconhecimento por parte dos executivos de empresas dos riscos relacionados ao patrocínio esportivo e como enfrentar estas contingências. O desenvolvimento da dissertação se inicia em seu primeiro capítulo com algumas idéias e conceitos do marketing esportivo, mostrando o desenvolvimento e crescimento do marketing esportivo no Brasil e no mundo. No segundo capítulo, abordo o patrocínio esportivo, que mostra os efeitos e benefícios que essa ação pode gerar ao ser bem administrado, através de análises de retorno do investimento realizado pelas empresas patrocinadoras. Nos capítulos seguintes, serão apresentados os dados coletados por meio de entrevistas com as empresas patrocinadoras de clubes de futebol no Brasil e com os respectivos clubes patrocinados, com o objetivo de entender os motivos de uma descontinuidade, quais os impactos gerados e uma análise comparativa entre as respostas dessas empresas, podendo confirmar ou não as hipóteses levantadas durante a dissertação.
 
Palavras-chave: marketing esportivo; patrocínio esportivo; futebol

Ricardo Guilherme Monteiro de Almeida
23/05/2012

Esporte

Apresentação, 1

1. História do esporte: novas abordagens, 5
Ademir Gebara

2. Brohm e a organização capitalista do esporte, 31
Marcelo Weishaupt Proni

3. Guttmann e o tipo ideal do esporte moderno, 63
Luiz Alberto Pilatti

4. Bourdieu e a teoria do campo esportivo, 77
Wanderley Marchi Jr.

5. Elias: individualização e mimesis no esporte, 113
Ricardo Lucena

6. DaMatta: o futebol como drama e mitologia, 139
Alexandre Fernandez Vaz

7. Identidade nacional e racismo no futebol brasileiro, 165
Antonio Jorge Soares

8. Esporte, história e cultura, 191
Valter Bracht

9. Políticas de esporte: uma metodologia de estudo, 207
Mara Cristan

Sobre os autores, 249

Marcelo Weishaupt Proni, Ricardo de Figueiredo Lucena
23/05/2012

Esporte-Espetáculo e Futebol-Empresa

Um dos objetivos deste estudo é contribuir para uma compreensão mais ampla da história do esporte moderno e das profundas transformações que vêm ocorrendo nas últimas décadas. Neste sentido, procura-se examinar com maior interesse os fatores que têm reconfigurado a organização de competições de alto nível, com destaque para uma veiculação dos espetáculos esportivos na mídia e para a emergência do marketing esportivo. Outro objetivo é reinterpretar a história do futebol brasileiro, enfocando seus momentos de inflexão e reestruturação. Neste aspecto, a preocupação central é discutir o atual processo de modernização do futebol profissional, mostrando as forças sociais que têm impulsionado ou resistido a mudanças. Em síntese, procura-se demonstrar que a adoção de métodos empresarias para a gestão do futebol profissional faz parte de um movimento mais geral de transformação do mundo esportivo contemporâneo, que por sua vez, é produto da difusão da indústria do entretenimento e da globalização. E, no caso do futebol brasileiro, a transição para um novo modelo expressa os dilemas atuais da sociedade brasileira, em especial, os seus limites para adentrar plenamente na modernidade.

Marcelo Weishaupt Proni
23/05/1998

Ética e futebol no Brasil: argumentos para reflexão

O propósito deste artigo é fazer uma breve reflexão sobre a ética no futebol. Três perguntas balizam tal reflexão: i) quais os princípios éticos predominantes no campo esportivo no País? ii) o futebol tem desempenhado, no Brasil, a função de transmissão de valores educativos e de afirmação de condutas civilizadas? e iii) o futebol tem contribuído como referência para a construção de uma nação mais democrática e socialmente justa? Para examinar tais questões procura-se, inicialmente, esclarecer o significado amplo da palavra “ética”. Em seguida, mostra-se que a ética esportiva não corresponde a um corpo unitário de princípios e condutas. Na seqüência, são apontadas algumas contradições entre a ética do futebol escolar e a ética do futebol profissional. A argumentação procura, então, indicar que a produção e a decodificação do espetáculo futebolístico no País alimentam uma ética utilitária. Mais à frente, examina-se como o discurso da “moralização” do futebol brasileiro, na década de 1990, orientou-se pela lógica do mercado. Então, são exploradas novas frentes de debate em torno da ética no futebol atual. Ao final, considerando que o futebol profissional fornece modelos de conduta social, o artigo coloca em discussão os dilemas da ética esportiva veiculada pelo futebol-espetáculo.

Marcelo Weishaupt Proni
23/05/2012

Futebol

Apresentação, 5
Márcia Regina da Costa

Boleiros, Futebol e Cinema

Arte e futebol, 15
Ugo Giorgetti

O dilema entre o personagem e o homem, 22
Sócrates

Futebol e cinema no Brasil 1908/1981, 26
Maurício Murad

Futebol empresa

Reflexões sobre o futebol empresa no Brasil, 41
Luís Fernando Pozzi

Futebol empresa, 61
Marcelo Weishaupt Proni

Elementos para uma concepção da cultura de massa, 70
Vera Regina Toledo Camargo

Futebol em liquidação, 80
Juca Kfouri

Futebol e democracia

O futebol e a razão utilitarista, 85
Ricardo Melani

Democracia Corinthiana, 91
Wladimir

Democracia, justiça e paz, 94
Afonsinho

Corinthians: do time do povo ao futebol empresa, 97
José Paulo Florenzano

Código, padrão e respeito, 103
Joel Rufino dos Santos

Várzea, futebol e lazer

O verdadeiro celeiro, 115
Euclides B. Silva Netto

Periferia e várzea: um espaço de sociabilidade, 117
Marco Antonio S. Santos

O futebol da cidade não morreu só mudou de lugar, 119
Flávio Adauto

Torcidas Organizadas

As transformações na estrutura do futebol brasileiro: o fim das Torcidas Organizadas nos estádios de futebol, 131
Carlos Alberto Máximo Pimenta

A invenção do torcedor de futebol: disputas simbólicas pelos significados do torcer, 146
Luiz Henrique de Toledo

Resumo da história dos Gaviões da Fiel, 167
José Cláudio de A. Moraaes (Dentinho) / Eduardo Escolese

A violência no futebol e a imprensa esportiva, 171
Elisabeth Murilho Silva

Futebol, Literatura e História

Nelson Rodrigues e a emancipação do homem brasileiro: de vira-latas a moleque genial, 185
Fatima Martin Rodrigues Ferreira Antunes

Os "Atletas de Cristo" no País do Futebol, 206
Francisco José Nunes

Construindo a nação: futebol nos anos 30 e 40, 214
Plínio José Labriola de C. Negreiros

O mito do "herói" e o futebol, 240
Zartú Giglio Cavalcanti

Futebol e crenças populares: um possível debate, 260
J. Luiz dos Anjos

Mito, Crônica, Futebol, 273
M. Ivoneti Busnardo Ramadan

Márcia Regina da Costa, José Paulo Florenzano, Elizabeth Quintilho, Silvia Carbone D'Allevedo, Marco Antônio S. Santos
23/05/1999

O futebol no campo econômico

O esporte tornou-se nas últimas décadas do século XX um dos nichos de negócios mais rentáveis dentro da ascendente economia do entretenimento. Nesse cenário, surgiu como um desafio para os jornais dar conta de grupos temáticos de editorias jornalísticas que se colocavam como aparentemente imiscíveis e, por força da sociedade globalizada e de consumo, começaram a se aproximar e se relacionar, como é o caso da economia relacionada ao esporte. Recentemente surgiram no dia-a-dia das coberturas noticiosas, nas páginas dos jornais, reportagens que constroem, por exemplo, relações entre clubes de futebol e bolsas de valores ou, ainda, entre estratégias de internacionalização de produtos de companhias de bebidas e investimentos em marketing esportivo. O mesmo ocorre com matérias com pautas sobre tecnologia, espetáculo e transmissão de eventos, além de outras que abordam o impacto do turismo durante um mundial e o aquecimento da economia durante uma competição. Dentro dessa diversidade que se apresenta, essa pesquisa tem como objetivo estudar como se dá a construção do futebol como negócio na mídia impressa. Para atingir a meta, a opção tomada nesta dissertação foi a de fazer uma análise das estratégias comunicativas de produção de sentido da economia do futebol nos jornais durante a Copa do Mundo de 2002. Para isso, foram analisadas tais reportagens dos jornais diários do segmento econômico Gazeta Mercantil e Valor Econômico, além do segmentado da área esportiva, o Diário Lance!, e o generalista Folha de S.Paulo desde um mês antes do evento e durante toda a competição, ou seja, de 05/05/2002 a 05/07/2002. Com o objetivo de dar conta do corpus de 229 matérias, a dissertação segue um percurso que discorre sobre a mídia como negócio e aborda as relações dos veículos midiáticos com o futebol (introdução e capítulo 1). Em seguida, inicia-se uma reflexão sobre o jornalismo econômico e o esporte como subsídios para a análise dos textos (capítulo 2). A partir daí, levanta-se uma hipótese de construção das temáticas em quatro grupos (capítulo 3), faz-se análise de discurso de reportagens representativas de cada um deles para, conclusivamente, apontar, na construção da Copa de 2002, os contratos existentes entre jornais e seus públicos. 
 
Palavras-chaves: Jornalismo, Economia, Futebol, Copa do Mundo, Discurso e Estratégias de Comunicação.

Anderson Gurgel Campos
23/05/2012