Futebol e identidade nacional brasileira
A Copa do Mundo de futebol de 1938, disputada na França, foi o primeiro grande momento de entusiasmo do povo brasileiro com a seleção nacional. Ao ser trazido para o Brasil, na virada do século XIX para o XX, o futebol era praticado unicamente nos clubes de elite do Rio de Janeiro e São Paulo, sendo utilizado inclusive como traço distintivo desta classe. A sociedade, à época, se via às voltas com as mudanças ocasionadas por conta da troca de regime de governo, da monarquia para a república. Ao longo dos anos 10 e 20, o futebol foi adquirindo cada vez mais adeptos, na medida em que as cidades cresciam e o processo de urbanização e industrialização intensificava-se. Simultaneamente a este processo, a classe intelectual brasileira interessava-se cada vez mais em definir um arquétipo sobre o nacional, construir algumas ideias gerais definidoras que serviriam para, num âmbito global, diferir o brasileiro de outros povos e elaborar as peculiaridades do Brasil em relação a outras nações. A partir da década de 30, o futebol alcançou um enorme grau de difusão em várias camadas da sociedade brasileira. Este grau de popularidade do esporte serviu para que as vitórias que o time nacional de futebol conquistava em torneios no exterior servissem como parâmetro para propagar um modelo de identidade nacional que se construiu durante o Estado Novo. A teoria da “raça brasileira”, difundida por intelectuais na década de 30, e que tinha como alicerce a idéia de que a miscigenação promovida durante o período colonial brasileiro era um fator que enaltecia o brasileiro, foi diretamente projetada na seleção brasileira de 1938, por conta de seus jogadores negros e mulatos que, ineditamente, participavam de uma seleção nacional. Uma das principais características da política governamental de Getúlio Vargas, no que diz respeito à cultura, foi atrelar elementos de uma crescente “cultura popular” a idéias como “nação”, “cidadania” e “brasilidade”.A partir da cobertura que o jornal “Diario de S. Paulo” fez ao evento, pode se constatar o enorme grau de repercussão que o a Copa de 38 teve na sociedade brasileira, bem como o sucesso por parte do governo em transformar o time em um catalisador da identidade nacional.
23/05/2012
Revisitando o dom
Fruto de seu trabalho de doutorado, o livro de Arlei Damo apresenta rigorosa etnografia para analisar o processo de formação de jogadores de futebol no Brasil e na França. O dom, noção amplamente utilizada no meio futebolístico, figura como eixo central do livro, pois fornece a base para compreender o processo de formação dos jogadores brasileiros no contexto do que o autor chama de futebol espetacularizado. Ao percorrer os caminhos para se tornar um jogador de futebol, Damo discute questões pertinentes para entender a complexidade do fenômeno futebol na sociedade.
23/05/2012






