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A cena do boxe: o atleta de Alá (parte II)

José Paulo Florenzano

A trajetória do principal responsável pela transformação cultural nas atitudes dos atletas negros nos Estados Unidos foi deslanchada nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960, quando ele ainda atendia pelo nome de Cassius Marcellus Clay. A medalha de ouro arrebatada na competição internacional o convertia em um herói esportivo, aparentemente alheio aos problemas raciais. Nesse sentido, foi logo designado pelo prefeito de Louisville, cidade onde cresceu e aprendeu o ofício de boxeador, “modelo para a juventude” negra.[1]

Ainda como Cassius Clay, o boxeador estadunidense acerta o polonês Zbigniew Pietrzykowski para ficar com a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Roma, em 1960. Foto: Reprodução.

As relações com a Nação do Islã, no entanto, determinaram uma reviravolta na imagem pública de Cassius Clay. Da categoria de herói esportivo ele passava à condição de vilão nacional, tornando-se péssimo exemplo para a juventude estadunidense, em especial, aquela que se achava confinada e oprimida nos guetos.

Sendo assim, impõe-se de imediato uma dupla questão: como e quando se firmaram os laços entre Cassius Clay e a Nação do Islã? De acordo com o historiador David K. Wiggins, a aproximação teve início muito antes da opinião pública dela tomar conhecimento. O primeiro contato ocorreu em 1959, em Chicago, por ocasião do torneio denominado Golden Gloves. Dois anos mais tarde, quando se encontrava em Miami, o atleta recebeu o convite de um militante negro para assistir a uma reunião do grupo na mesquita da cidade.

O encontro, conforme testemunho do próprio lutador, lhe assinalara um ponto de inflexão na trajetória político-esportiva, determinado pelo aprendizado dos quatro pontos que compunham, por assim dizer, o núcleo doutrinário do movimento religioso, a saber: 1) havia um Deus negro “genuinamente preocupado” com o sofrimento da população afro-americana; 2) ela tinha sido submetida a uma lavagem cerebral que a levara a acreditar que todas as coisas de valor eram brancas; 3) a única solução para o problema racial residia, não no movimento de integração, mas na proposta de separação; 4) o único líder com coragem suficiente para revelar a verdade sobre o homem branco na América chamava-se Elijah Muhammad, o presidente da Nação do Islã.[2]

Elijah Muhammad foi um ativista americano, sendo líder do grupo Nação do Islã desde 1934. Foto: Wikipedia.

Paulatinamente, o jovem boxeador foi aprofundando o aprendizado, abraçando o novo credo religioso e a ética do trabalho que a adesão implicava, alicerçada na defesa do labor árduo e honesto, na prática da poupança e da sobriedade, dentre outros preceitos convergentes com o exercício da profissão.[3] A Nação do Islã, por sua vez, dispunha-se a revisar os dogmas e contornar as desconfianças que até então alimentara sobre a prática do pugilismo. Com efeito, o código de comportamento da organização prescrevia aos muçulmanos não desperdiçar “seus rendimentos em bebidas alcoólicas, narcóticos, fumo, jogos de azar, danças, encontros ou esportes”, como, por exemplo, o pugilismo.[4]

Considerado, a princípio, como “diversão perniciosa” proporcionada por lutares negros para entretenimento e satisfação dos espectadores brancos, o boxe, a partir da ascensão de Cassius Clay, transformar-se-ia aos olhos da Nação do Islã no palco de projeção das mensagens políticas e religiosas do grupo, consubstanciadas nos ideais de disciplina, hierarquia, masculinidade, amor-próprio e orgulho racial.[5] O jovem lutador, entretanto, encampava não somente os referidos ideais como também as proposições mais extremistas do movimento, notadamente a crença de que o cristianismo se constituía numa religião organizada pelos inimigos do homem negro, enquanto a civilização branca havia sido engendrada por uma “raça diabólica”.[6]

Dessa maneira, em meados dos anos sessenta, invertiam-se os papéis dos grupos raciais que historicamente desempenhavam no palco da história as personagens de Santos & Demônios. E a inversão possuía raízes heréticas, fincadas no solo espiritual da Nação do Islã por um vendedor ambulante afro-americano chamado Wallace. D. Fard, cujos sermões visionários anunciavam os princípios teológicos que nortearam a caminhada da referida seita, surgida nos guetos da cidade de Detroit, no contexto da Grade Depressão. Conforme a análise do historiador Manning Marable, a cosmologia da Nação do Islã baseava-se em uma visão dicotômica do mundo, bipartido em duas “raças” consideradas por ela irreconciliáveis e antagônicas: de um lado, a dos “negros asiáticos”, caracterizados como o povo original da Terra, proveniente do Oriente Médio; e, de outro lado, os brancos diabólicos espalhados pela Europa e pela América. Estes últimos teriam sido criados há milhares de anos por um cientista negro, tão brilhante quanto arrogante, denominado Yacub, integrante da “elevada” tribo de Shabbaz.

Fotografia que se acredita ser de Wallace Fard Muhammad, líder religioso estadunidense e fundador da organização islâmica afro-americana Nação do Islã. Foto: Wikipedia.

Autor de um complô genético, Yacub produziu de forma inadvertida uma série de mutações que culminaram no advento dos brancos. Embora banidos para as cavernas do Cáucaso, as criaturas engendradas pelos experimentos de Yacub retornaram para assumir o controle e exercer o poder sobre o povo original, o qual, desde então, salientava Wallace D. Fard, encontrava-se adormecido “mental e espiritualmente”. A tarefa da Nação do Islã, portanto, consistia em despertá-lo do sono secular no qual havia mergulhado, deixando-se dominar pela “raça branca”, cuja demonologia – como se vê – ocupava um lugar central na teologia da seita.[7]

Por volta de 1934, no entanto, o fundador da Nação do Islã sairia de cena da mesma maneira como havia entrada em ação, isto é, sem deixar rastros. O vazio de poder foi logo ocupado por Elijah Poole, afro-americano e operário qualificado que migrara nos anos vinte do interior da Geórgia para a cidade industrial de Detroit, trocando, no início dos anos trinta, a militância no movimento político de Marcus Garvey pelo engajamento na organização religiosa de Wallace D. Fard. Rebatizado Elijah Muhammad, passaria a comandá-la com mãos de ferro, autodenominando-se o “Mensageiro de Alá”. Até meados da década de cinquenta, contudo, a Nação do Islã possuía uma dimensão bastante reduzida, algo em torno de mil e duzentos adeptos. Mas no início do decênio seguinte ela conheceria um crescimento exponencial que a levaria a reunir cerca de setenta e cinco mil membros, oriundos dos estratos sociais mais desfavorecidos da comunidade negra, e concentrados nas áreas urbanas do Centro Oeste, na Costa Leste e no estado da Califórnia.[8]

Cassius Clay, embora oriundo da classe média negra, ingressava na Nação do Islã no contexto da expansão acima indicada. Ciente, porém, da rejeição que as teses defendidas por ela despertavam no país, manteve em segredo sua adesão, entrando e saindo incógnito dos encontros promovidos pelos muçulmanos durante os primeiros anos da década de sessenta. O boxeador temia que a revelação do elo pudesse prejudicá-lo profissionalmente, colocando em risco o almejado título dos pesos pesados.[9] Contudo, os rumores não tardaram a aparecer. À medida que se aproximava a luta com Sonny Liston pelo título da referida categoria, aumentava a conjectura da imprensa a respeito da frequência com que Cassius Clay participava das reuniões e o grau de envolvimento que ele possuía com o grupo religioso.

De acordo com a cronologia estabelecida por David K. Wiggins, em setembro de 1963, o Philadelphia Daily News noticiou a aparição do pugilista no encontro dos muçulmanos. Pouco depois, em fevereiro de 1964, o New York Herald Tribune estampou na primeira página a existência do vínculo. Logo em seguida o Louisville Cour Journal trouxe a lume uma entrevista na qual o pugilista defendia a proposta do separatismo racial.[10] A despeito das evidências do elo, sempre que questionado a respeito, Cassius Clay respondia aos repórteres com um lacônico: “sem comentários”.[11] Algumas publicações adotavam, então, uma postura mais cautelosa. A revista Sports Illustrated, por exemplo, procurava contornar o polêmico assunto, concentrando-se nos aspectos mais técnicos da disputa, enquanto o New York Times se limitava a registrar a recusa de Cassius Clay em discutir o “persistente boato”.[12]

Muhammad Ali, visto em segundo plano, em um discurso de Elijah Muhammad, em 1964. Foto: Wikipedia.

Se as notícias a respeito da identidade religiosa do desafiante achavam-se, portanto, envoltas em mistérios e boatos, pouca dúvida existia com relação ao desenlace da luta. Até mesmo as pessoas que lhe desejavam bem e o estimavam muito não conseguiam ocultar o pessimismo. Tamanha era a certeza da derrota que o Muhammad Speaks, órgão oficial da Nação do Islã, sequer se dera ao trabalho de enviar um repórter a Miami.[13] As casas de apostas em Las Vegas pagavam 7 por 1 a favor de Sonny Liston.[14] Com um cartel de 36 lutas, 25 das quais vencidas por nocaute e apenas uma derrota, ocorrida cerca de dez anos atrás, ele parecia se constituir em um “bloco sólido de granito”, “indestrutível”, “totalmente assustador”, cuja idade, porém, achava-se imersa em mistério.[15] De acordo com o New York Times, talvez tivesse 30 anos, como ele próprio alegava, ou 37 anos, como algumas pessoas acreditavam.[16]

Se havia alguma chance para Cassius Clay ela residia na diferença de idade. Mas para aproveitá-la, o jovem desafiante de 22 anos, com um cartel de 19 lutas e igual número de vitórias, 15 das quais por nocaute, precisava sobreviver aos primeiros rounds, tarefa nada fácil à luz do retrospecto recente envolvendo a disputa do título dos pesos pesados. A memória dos nocautes infligidos logo no início das lutas contra os últimos adversários, notadamente Floyd Patterson, haviam criado a “sensação generalizada” de que todos os autoelogios decantados em prosa e verso por Cassius Clay lhe seriam enfiados goela abaixo pelos golpes esmagadores de Sonny Liston.[17] Segundo o colunista Arthur Daley, o jovem desafiante parecia não ter plena consciência da “iminência do desastre” que o aguardava.[18]

Foto de Sonny Liston tirada em 1963, quando era campeão mundial de boxe, na categoria peso pesado. Foto: Wikipedia.

Contrariando, porém, todas as expectativas, na noite de 25 de fevereiro de 1964, no Convention Hall, de Miami Beach, Cassius Clay arrebatava o cinturão dos pesos pesados, tornando-se o mais jovem campeão mundial da categoria na história do boxe. As surpresas não paravam por aí. O capítulo especial estava reservado para a conferência de imprensa na manhã do dia seguinte. Havia chegado, enfim, o momento de dirimir as dúvidas acerca da conversão religiosa. Perante uma assistência incrédula e estupefata, composta de jornalistas de todas as proveniências, o pugilista negro lembrava que o islã era uma religião com cerca de setecentos e cinquenta milhões de fiéis espalhados pelo mundo e que se sentia como mais um integrante da ummah muçulmana. Desse modo, ao derrotar Sonny Liston na cidade de Miami ele não apenas inaugurava um novo reinado na história do boxe, como, sobretudo, enunciava o desejo de ser o autor de si mesmo, legando à posteridade aquele que certamente constitui o discurso mais corajoso, radical e subversivo jamais pronunciado na esfera do esporte:

Creio em Alá e na paz. Não tento impor minha presença morando em bairros brancos. Não quero me casar com uma branca [Não quero machucar ninguém como faz a Ku Klux Klan]. Fui batizado aos doze anos, mas não sabia o que estava fazendo. Não sou cristão. Sei para onde estou indo e sei a verdade. Não quero ser o que vocês desejam que eu seja. Sou livre para ser o que bem entender. [19]

O novo campeão mundial dos pesos pesados anunciava, nesses termos, o advento do Atleta de Alá, uma significação imaginária social articulada com base na ideia central da autonomia, orientada para a luta implacável contra a discriminação racial, associada ao sentimento de solidariedade com os grupos marginalizados formados na diáspora negra.[20] O enviado especial do New York Times, Robert Lipsyte, registrava, perplexo, a “recusa” da nova personagem em “desempenhar o papel” tradicional do “herói esportivo” que “não se envolve” nas questões sociais, políticas e culturais.[21] O Atleta de Alá rompia com o discurso do estereótipo e adotava como divisa uma das formulações mais belas da história da filosofia ocidental, enunciada por Jean-Paul Sartre no prefácio de Os condenados da terra, a bíblia da luta anticolonial escrita por Frantz Fanon: “nós não nos tornamos o que somos”, isto é, homens e mulheres livres, “senão pela negação íntima e radical do que fizeram de nós”.[22]

A personagem que encarnava a nova significação imaginária social desejava recriar-se mediante uma dupla negação. Se o primeiro passo nessa direção consistira em abandonar o cristianismo para se converter ao islamismo, o segundo implicava renegar o nome de Cassius Marcellus Clay, imposto ao bisavô escravo e transmitido ao longo das sucessivas gerações, elo que agora, graças à consciência racial adquirida no âmbito da Nação do Islã, o boxeador se recusava a levar adiante. A mudança de nome, a rigor, dar-se-ia através de etapas. Após se autodenominar Cassius X Clay, o X indicando “a identidade africana perdida” no contexto da escravidão, o novo campeão dos pesos pesados adotou uma denominação intermediária, Cassius X, antes de assumir a fórmula definitiva de Muhammad Ali.[23] Esta, no fundo, lhe foi atribuída pelo líder da Nação do Islã durante uma transmissão radiofônica realizada em Chicago, na noite de 6 de março de 1964.[24]

O renascimento simbólico do pugilista deixava atônitos tanto os admiradores quanto os adversários, ninguém escapava ao impacto provocado pela dupla e interligada mudança de nome e de religião. Até mesmo parte da comunidade negra, embora com receio de que a crítica viesse a ser interpretada como deslealdade racial, não se abstinha de externá-la. O mal-estar tornava-se mais evidente no universo do boxe. Joe Louis considerava a conversão religiosa simplesmente “inaceitável”.[25] Floyd Patterson, por sua vez, oferecia-se para lutar “gratuitamente” a fim de resgatar para o cristianismo o título dos pesos pesados.[26] Quanto à Sonny Liston, exprimia uma preocupação comum a todos eles, a saber, a de que o novo campeão pudesse “afastar os brancos das bilheterias” devido à sua condição de “integrante dos Black Muslims”.[27] Aliás, a propósito da expressão utilizada pela imprensa estadunidense, e reproduzida pelo noticiário internacional, para se referir à Nação do Islã, Muhammad Ali advertia os repórteres:

Eu não sou um muçulmano negro, porque essa é uma palavra criada pela imprensa branca. Eu sou um homem negro que adotou o Islã. [28]

Difícil dimensionar com precisão o abalo provocado pelo advento do Atleta de Alá. Na observação lapidar de David K. Wiggins, ele personificava a opção pelos valores antitéticos aos do grupo hegemônico na sociedade. Nesse sentido, Muhammad Ali “era denunciado porque se juntara a um grupo que desafiava a autoridade branca associada à concepção dominante do sagrado na América”.[29] E, no entanto, o renascimento simbólico do lutador encontrava-se envolto em um terrível paradoxo. A ruptura com o passado escravo, com o sagrado hegemônico e com a opressão branca que o gesto encerrava, irrompia no quadro social de um movimento político-religioso que não comportava a autonomia individual do atleta que o realizara.

A Nação do Islã, como assinala Manning Marable, possuía uma estrutura hierárquica, autoritária, centrada no culto à personalidade do líder.[30] Conservadora do ponto de vista ideológico, ela “louvava o capitalismo”; patriarcal da perspectiva das relações de gênero, ela atribuía um papel subalterno às mulheres. Como se não bastasse, ela possuía na disciplina o fator essencial de sua existência, submetendo os infratores aos mais diversos castigos: do silêncio obsequioso até à suspensão das atividades, passando pelas agressões físicas perpetradas pela ala paramilitar do agrupamento, instância incumbida do exercício da coerção contra os dissidentes, críticos e apóstatas, em suma, todos aqueles que por uma razão ou por outra eram vistos como uma ameaça potencial à liderança de Elijah Muhammad, caso, especificamente, de Malcolm X, conforme veremos no próximo artigo.


Notas

[1] Harris, Othello. Muhammad Ali and the Revolt of the Black Athlete. In: Muhammad Ali: the People`s Champ. Edited by Elliot J. Gorn. Chicago: University of Illinois Press, 1997, p.57.

[2] Wiggins, David K. Victory for Allah: Muhammad Ali, the Nation of Islam, and American society. In: Muhammad Ali: the People`s Champ. Edited by Elliot J. Gorn. Chicago: University of Illinois Press, 1997, pp.90-91.

[3] Wacquant, Loïc. Corpo e alma: notas etnográficas de um aprendiz de boxe. Rio de Janeiro, Relume Dumará, 2002.

[4] Udom, E. U. Essien. O Poder Negro. Editora Senzala, São Paulo, s/d, p.125.

[5] Remnick, David. O rei do mundo: Muhammad Ali e a ascensão de um herói americano. São Paulo, Companhia das Letras, 2000.

[6] Wiggins, David K. op. cit., p.90.

[7] Marable, Manning. Malcolm X: uma vida de reinvenções. São Paulo, Companhia das Letras, 2013, pp.100-106.

[8] Marable, Manning, op. cit., pp.142-158.

[9] Marable, Manning, op. cit., p.315.

[10] Wiggins, David K., op. cit., p.91. David Remnick, op. cit., p. 191, acrescenta a entrevista concedida pelo pai de Cassius Clay ao Miami Herald, no início de fevereiro, confirmando a veracidade dos boatos que circulavam pela cidade. Questionado a respeito, o boxeador despistava, afirmando não se incomodar nem um pouco as declarações do pai. Cf. Cf. “Police Prevent a Noisy Clay from Crashing Liston`s Camp”, The New York Times, 8 de fevereiro de 1964.

[11] Cf. “Police Prevent a Noisy Clay from Crashing Liston`s Camp”, The New York Times, 8 de fevereiro de 1964. Quanto ao semanário esportivo, o boxeador foi capa de edição publicada antes da luta. Mas nenhuma menção foi feita ao elo com a Nação do Islã. Cf. “My $1,000,000 Getaway” by Cassius Clay e “Liston`s Edge: a Lethal Left”, Text Maule, Sports Illustrated, February 24, 1964. Volume 20, No.8.

[12] Cf. “All the World`s a Stage, via TV, for the Fight”, “The Cast”, Robert Lipsyte, The New York Times, 23 de fevereiro de 1964.

[13] Marable, Manning, op. cit., p.314; Wiggins, David K., op. cit., p.92.

[14] Cf. “Liston 7-1 Choice to Beat Clay Tonight and Keep Heavyweight Title”, Robert Lipsyte, The New York Times, 25 de fevereiro de 1964.

[15] Cf. “The Big Bear”, Coluna: Sports of The Times, Arthur Daley, The New York Times, 24 de fevereiro de 1964. Sonny Liston tinha, até então, tinha sido derrotado apenas por Marty Marhall, em setembro de 1954.

[16] Cf.  Cf. “Liston 7-1 Choice to Beat Clay Tonight and Keep Heavyweight Title”, Robert Lipsyte, The New York Times, 25 de fevereiro de 1964.

[17] Cf. “All the World`s a Stage, via TV, for the Fight”, “The Plot”, Leonard Koppett, Cf. “A Boy on a Man`s Errand”, Arthur Daley, 23 de fevereiro de 1964. Ambas as matérias publicadas no The New York Times. Sonny Liston tornou-se campeão mundial em 25 de setembro de 1962, em Chicago, ao derrotar no primeiro round Floyd Patterson; e confirmou o título, em 22 de julho de 1963, em Las Vegas, vencendo novamente o adversário, também no primeiro round.  

[18] Cf. “A Boy on a Man`s Errand”, Coluna: Sports of The Times”, Arthur Daley, The New York Times, 23 de fevereiro de 1964.

[19] In: Remnick, David, op. cit., p.230. No livro do jornalista estadunidense não consta a referência de Muhammad Ali à Ku Klux Klan. Cf. “The First Days in the New Life of the Champion of the World”, Sports Illustrated, Huston Horn, March 9, 1964, Volume 20, No. 10. Quanto à frase: “I don’t have to be what you want me to be. I’m free to be who I want”, ela se encontra no texto do jornalista Robert Lipsyte.  Cf. “The Champion Speaks, but Softly”, The New York Times, 27 de fevereiro de 1964.

[20] Sobre o conceito de significação imaginária social, ver Castoriadis, Cornelius. A ascensão da insignificância. As encruzilhadas do labirinto IV. Rio de Janeiro, Paz e Terra, 2002.

[21] Cf. “The Champion Speaks, but Softly”, Robert Lipsyte, The New York Times, 27 de fevereiro de 1964.

[22] Sartre, Jean-Paul. Prefácio. In: Os condenados da Terra. Frantz Fanon. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1979, p.11.

[23] A mudança de nome, a rigor, dar-se-ia através de etapas.  Roberts, Randy. The Wide World of Muhammad Ali: The Politics and Ecnonomics of Televised Boxing. In: Muhammad Ali: the People`s Champ. Edited by Elliot J. Gorn. Chicago: University of Illinois Press, p.42. Cf. “Clay Puts Black Muslim X in His Name”, The New York Times, 7 de março de 1964. Nessa edição aparece a foto da nova e provisória assinatura do boxeador: “Cassius X”.

[24] Marable, Manning, op. cit., p.327.

[25] Harris, Othello, op. cit., p. 58.

[26] Roberts, Randy, op. cit., p.43.

[27] Cf. “Na grande área”, coluna de Armando Nogueira, Jornal do Brasil, 26 de fevereiro de 1964, mas assinada no mês em questão por um jornalista interino.

[28] Cf. “The First Days in the New Life of the Champion of the World”, Sports Illustrated, Huston Horn, March 9, 1964, Volume 20, No. 10.

[29] Wiggins, David K., op. cit., pp. 93-94.

[30] Marable, Manning, op. cit., pp.141/273.

Como citar

FLORENZANO, José Paulo. A cena do boxe: o atleta de Alá (parte II). Ludopédio, São Paulo, v. 128, n. 6, 2020.