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A febre esportiva em São Paulo na chegada do século XX

Plínio Labriola Negreiros

Pensar a presença do futebol em São Paulo, assim como em outros espaços urbanos que foram se constituindo ao longo do século XIX, nos obriga a olhar para as práticas de ócio, lazer e esportes. No caso paulistano, apenas no último quartel do século XIX, por conta da expansão do café concomitante à multiplicação da malha ferroviária e do decorrente crescimento da população, com forte marca imigrante, chegam novas formas de ocupação do tempo do não-trabalho.

Nesse sentido, após 1879, decresce o interesse da população paulistana pelas procissões e pelas festas religiosas, até então o mais importante passatempo dessa população. Explica Ernani Silva Bueno que esse fenômeno ocorre em função do aumento dos locais de passeio e divertimento, dos clubes recreativos e das competições esportivas.[i] Ou seja, as atividades religiosas cumpriam menos uma função de fé do que uma forma de ócio. O historiador da história de São Paulo afirma:

“Nas últimas décadas oitocentistas surgiram em São Paulo centros de recreação como a chamada Ilha dos Amores, alguns tivolys nos bairros, e no século atual parques para passeio nos arredores, como o Villon, na avenida Paulista [hoje, Parque Tenente Siqueira Campos, mais conhecido como Trianon, o seu belvedere demolido em 1950] e o do Museu, no Ipiranga. Fundam-se sociedades numerosas, de fins recreativos, e clubes carnavalescos. Começam a ser feitas corridas regulares de cavalos nos hipódromos”.[ii]

Enfim, São Paulo passa a ter contato com variadas formas de lazer. Porém, tratar-se-á, especificamente, dos esportes com sua organização, amplitude e significação para uma cidade que crescia rapidamente com fortes contradições.

O primeiro aspecto que salta aos olhos, no que se refere às práticas esportivas na cidade de São Paulo, era o grande número de esportes que, pouco a pouco, tornaram-se objeto de atenção dos paulistanos. A cada dia os periódicos anunciavam novas competições esportivas, evidentemente importadas. Tais atividades foram revestidas, inicialmente, por uma forte curiosidade; posteriormente, caso a atividade agradasse, esta passava a ser motivo de modismo até se consolidar. Citam-se, aproximadamente, trinta esportes diferentes, ainda que a preocupação em os noticiar recaia apenas sobre alguns como o futebol, o turfe, o remo, o tênis e a pelota basca.

Além disso, eram produzidos discursos diferentes defendendo a prática esportiva e física, entendendo-se que estas eram capazes de formar, num amplo sentido, o homem. Observa-se, com frequência, a preocupação em descrever os níveis de progresso que os esportes atingiram em países industrializados, tais como a França, a Inglaterra e os EUA. Alguns países da América Latina, como o Chile — onde se nota uma preocupação governamental no apoio aos esportes —, serão objetos de comparação, ou de simples admiração. O Correio Paulistano publica esta pequena notícia, reportando-se aos EUA:

A educação física do estudante norte-americano

Nas universidades americanas, como se sabe, a cultura física […] merece tanta atenção quanto a instrução intelectual; e a ginástica, os esportes, os jogos atléticos são tidos em grande estima. […].

Não há, na América, uma universidade, nem uma escola superior, em cujos programas não figure o ensino da ginástica, ou não possua os edifícios necessários e apropriados aos mais variados jogos atléticos. […][iii]

Em artigo publicado n’O Estado de S. Paulo, o redator informa acerca de um esportista português que visitara a capital da República, apresentando o atual estágio do desenvolvimento dos esportes em Portugal. Veja-se parte da reportagem:

Os Esportes — Em Lisboa e no Rio — Sportman português no Rio

[…] não é menos certo que nos últimos anos eles atingiram na capital portuguesa um grau de aperfeiçoamento e de expansão, que seria difícil, se não impossível, prever dez anos antes… O cricket, introduzido por ingleses tem, lá, numerosos cultores entre os nacionais. O esporte hípico, o marítimo, o football, todos aqueles afins que adquiriram tais proporções nos últimos anos, Lisboa pode rivalizar nesse gênero com outras capitais da Europa.[iv]

Mesmo apontando o avanço dos esportes em Portugal, o periódico frisa a questão de que os mesmos estavam atrasados, se comparados aos do Brasil e da Argentina.

Em outro momento, visitou o Rio de Janeiro, o sr. Ulisses Reyman, um acadêmico de medicina na Bahia, que, segundo um periódico, vinha percorrendo vários estados brasileiros, desde o Pará, fazendo propaganda do esporte. Segue-se a notícia: 

Um Propagandista do Esporte 

[…] O sr. Reyman […] bate-se pelo desenvolvimento da cultura física no nosso país e busca unir, pelos laços da solidariedade, todas as sociedades esportivas dos estados, para, empregando os seus esforços, melhor incutir no espírito público a necessidade da educação física no Brasil, elevar o esporte à altura que ele atingiu nos países europeus. […][v]

Novamente a comparação com a atividade esportiva europeia foi apresentada. O Brasil precisava, conforme o esportista baiano, percorrer caminhos semelhantes aos dos países modernos.

Mesmo nos momentos em que a tragédia se fazia presente nos esportes, o discurso continuava sendo no sentido de apoiá-los, mas não de forma incondicional. Durante uma competição atlética, um corredor passou mal durante a prova e morreu poucas horas depois. O fato foi amplamente noticiado e discutido na imprensa paulista. Desse fato derivou este artigo:

O Abuso do Esporte

Não vêm fora de propósito algumas considerações sobre a morte do desditoso sportman Urbino Taccola […]. Em nossa opinião o excesso de esporte precisa ser reprimido. À primeira vista parecerá que isto é um absurdo […].

A verdade, porém, é que todos os abusos têm e precisam ter sempre um corretivo.

Os clubes, primeiro, e as autoridades depois, devem ter nesta questão um papel principal […].

Os esportes são fontes de energia, de beleza, de saúde. Mas dentro de certos limites […].[vi]

 De forma alguma o esporte foi condenado. Ao contrário, ele foi posto como algo capaz de permitir uma vida saudável. O excesso de esporte, juntamente com a falta de controle médico sobre o atleta, era um desvio que deveria ser corrigido. Além deste, outros desvios seriam condenados, como o profissionalismo e a violência física.

Já os discursos efetivamente contrários às práticas esportivas, quanto à questão do desenvolvimento físico, eram pouco presentes. Os militantes anarquistas se opunham à prática do futebol, mas por razões doutrinárias e não médicas. A imprensa, em alguns momentos, abraça essa tese, porém de forma implícita, quando noticia algum fato que, de algum modo, prejudica a imagem do esporte. Notem-se estas informações:

Pouco antes das três horas da tarde, jogavam  futebol, no ground do Velódromo, os estudantes Mário Vieira Marcondes, de 21 anos, solteiro, residente à rua 13 de Maio nº 319, e Pelágio Rodrigues dos Santos, de 20 anos, também solteiro, morador à rua Tamandaré nº 142, quando, correndo em direção contrária, encontraram-se violentamente, em consequência do que saíram ambos contundidos: o primeiro com um ferimento contuso na região superciliar esquerda e no joelho direito, e o segundo com ferimento contuso na região frontal. Todos os feridos foram medicados no gabinete da

Assistência pelo dr. Luiz Happe.[vii]

Não se construiu exatamente um discurso contra a prática esportiva, contudo, alertava-se sobre os perigos que dela advinham. Na realidade, a quantidade de espaço que era colocado à disposição do esporte era muito superior às pequenas notas, esporadicamente publicadas, em oposição aos esportes. Portanto, a postura da imprensa, em geral, era a de incentivar as práticas físicas. Era visível que, a cada ano, o espaço dedicado aos esportes nos periódicos paulistas aumentava substancialmente.

Chegam os novos esportes

Ao mesmo tempo, os árduos defensores da cultura física tinham uma queixa contra os poderes públicos: entendiam que estes não apoiavam devidamente os esportes quanto deveriam, ou como ocorria nos países imitados com orgulho. Tais defensores avaliavam que o crescimento da educação física em São Paulo era algo significativo. Este fragmento de uma grande reportagem, que objetivava discutir o desenvolvimento do esporte na cidade, dá a dimensão que esta prática possuía:

O nosso movimento esportivo

O importantíssimo papel que na formação de um povo desempenha a cultura física é dos problemas que em todos os países mais chamam a atenção dos dirigentes. Infelizmente entre nós nada nesse ponto devemos aos poderes públicos. A não ser uma ginástica sueca (!?) ministrada nas escolas por processos discutíveis…

Assim o estado em que se acham os esportes (manifestação heterogênea da cultura física) é tudo exclusivamente produto da iniciativa particular.[viii]

É possível que tenha havido algum exagero por parte do jornalista. A Prefeitura de São Paulo costumava ceder, através de concessões, terrenos para a construção de campos de futebol. Por outro lado, de fato, não existia uma política sistematizada de apoio aos esportes. Apenas no caso do futebol, quando este atingiu uma projeção internacional, é que a intervenção governamental, em vários níveis, se fez sentir.

A imprensa em São Paulo dedicava aos esportes, desde a última década do século XIX, espaços específicos para noticiá-lo. Cada periódico possuía uma seção dedicada às práticas esportivas. Judith Mader Elazari cita alguns desses periódicos, como A Plateia, de 1891, o Diário Popular, de 1895, A Notícia, em 1906, entre outros. A autora que trabalhou, de forma pioneira, com a questão do lazer em São Paulo também destaca alguns periódicos de vida efêmera, especificamente voltados aos esportes, tais como: A Bicycleta, de 1896, O Sportman, de 1902, Arte e Sport etc.[ix]

Através da imprensa é possível constatar a real importância que os esportes iam adquirindo entre a população de São Paulo. São frequentes os relatos que demonstram toda a paixão e envolvimento dos paulistanos com as práticas esportivas. Como se nota nesta notícia: “Em prol da cultura física — O entusiasmo pelo exercício físico domina a juventude paulista. Em cada bairro da nossa capital criam-se associações atléticas ou um grupo de footballers, de ciclistas; onde se encontra meia dúzia de crianças e um jornal velho se organiza um match.”[x]

Outro aspecto que marcou a prática esportiva foram os eventos organizados pelos clubes paulistanos em momentos de comemoração. Normalmente no aniversário do clube, em festas cívicas ou em finais de ano. Obrigatoriamente tinha-se uma partida de futebol, que fechava o evento. Mas, costumava-se dar espaço para outros esportes competitivos. Da seguinte forma a imprensa tentava promover o acontecimento esportivo:

Futebol

Realiza-se hoje, no Velódromo Paulista, uma festa esportiva que consistirá de um importante match de futebol entre os valentes times do S. C. Americano e do S. C. Internacional e de corridas ciclísticas, nos quais tomarão parte os campeões europeus e muitos amadores desta capital. O programa é o seguinte:

  1. Corrida ciclística de velocidade, bateria semifinal e final;

  2. Corrida americana, muito interessante, nunca vista em São Paulo;

  • Grande corrida motociclística;
  1. Corrida reservada aos corredores de segunda categoria;
  2. Corrida a pé, infantil e
  3. Grande match de futebol, Americano versus Internacional. Aos vencedores será entregue uma linda taça artística.

Aos corredores serão entregues medalhas de ouro e prata.

Durante a festa tocará a banda policial de São Paulo. […][xi]

Cabe destacar que alguns chamarizes importantes para a festa eram assistidos por um grande público. É o caso dos ciclistas campeões estrangeiros, da corrida americana — que não se explica em que consistia —, que nunca fora vista na cidade e do jogo de futebol. Alguns dias antes, outra festa esportiva havia se realizado no Parque Antártica, com aparente sucesso.[xii] Foi, inclusive, em uma dessas festas esportivas, organizada pelo Clube Espéria, que um maratonista não conseguiu cumprir os vinte quilômetros da prova, vindo a sofrer um mal súbito e falecendo pouco tempo depois. Tratou-se de Urbino Taccola, já citado anteriormente.

Existiam também as festas organizadas pelas colônias radicadas em São Paulo, como a que ocorreu em 29 de novembro de 1914, no Parque Antártica, patrocinada por sírios, na qual constou, entre outras atividades, um jogo de futebol entre um time de brasileiros e outro de sírios. [xiii]

Dado o fato de os esportes terem uma forte aceitação na cidade, era comum a inauguração de novas práticas. Os periódicos davam-se ao trabalho de explicar, passo a passo, as regras e os encaminhamentos necessários para o novo jogo. Tem-se a impressão de que apenas a informação de que tal disputa era inédita aumentava a expectativa em vê-la. Desta forma, é noticiado um novo esporte:

Push-Ball

Devido à iniciativa do C. A. Paulistano, será jogado no Velódromo, no dia 26 corrente, um interessante match de Push-Ball, esporte inteiramente desconhecido nesta capital.

Os nossos principais footballers acolheram a ideia do Paulistano com extraordinário entusiasmo, empenhando-se todos para tomarem parte no primeiro match.

O Push-Ball será jogado com uma bola marca Grasshaper, de 15 e meio pés de circunferência, provida de câmara de ar com borracha de primeira qualidade […].[xiv]

"Push Ball, U.S.A." A game of pushball at Central Stadium in Washington circa 1923.

Na foto, pushball disputado em Washington, Estados Unidos, no ano de 1923. Fonte: Billy Black.

Como se afirmou, a imprensa estava atenta em apoiar as práticas esportivas noticiando-as, ainda que fossem dedicados espaços apenas para alguns esportes que mais chamavam a atenção do público leitor. Trata-se prioritariamente das seguintes práticas: remo, tênis, futebol e aviação. Apesar de o futebol ser o preferido em São Paulo, essas outras atividades movimentaram a cidade, atraindo parcelas significativas da população.

No caso da aviação, cujo número de esportistas praticantes era muito reduzido, uma verdadeira multidão acompanhava as performances dos aviadores, geralmente estrangeiros. Em março de 1912, os aviadores Roland Garros, francês, e o brasileiro Eduardo Chaves realizaram um raide entre Santos e São Paulo. Na chegada em São Paulo, “os arrojados moços” sobrevoaram a cidade por 25 minutos, fazendo difíceis manobras com os seus aeroplanos. Segundo os periódicos, que abriram amplos espaços para o evento, o povo paulistano recebeu os aviadores com “delirantes aclamações”. Eram verdadeiros heróis que chegavam à cidade.[xv]  

Em maio do mesmo ano, novo raide, com saída de São Paulo para chegar ao Rio de Janeiro. Dessa vez Eduardo Chaves realiza a proeza sozinho. Ao chegar na então capital federal, foi homenageado em inúmeras festas. Informam os jornais que “[…] às dez horas da manhã, os alunos da Universidade de São Paulo […] dirigiram-se à casa do destemido aviador, onde lhe fizeram uma carinhosa manifestação de simpatia”.[xvi]

Mas a fatalidade também rondava a aviação. Em função de um concurso promovido pelo Aero-Club de São Paulo, dois aviadores italianos chegam à cidade. O prêmio de 2 contos de réis atraiu os esportistas. Porém, o aviador genovês Giulio Piccolo veio a falecer após um acidente com seu aparelho. O evento e o acidente são narrados desta forma:

Uma vítima da aviação

[…] As notícias, portanto, divulgadas largamente pela cidade em enormes cartazes, escritos em letras garrafais, de que ontem se efetuaria no velho campo do “Paulistano” uma experiência de aviação, atraiu àquele local numerosíssima concorrência de pessoas. […]

O valente aviador foi recebido pela multidão com vibrantes aclamações. […]

Um fato inesperado, neste momento, prendeu a atenção de todos: após um forte estampido, o motor ficou completamente envolvido em chamas […]. Percebendo o perigo que o ameaçava, Piccolo [arremeteu], com tanta infelicidade, porém, que caiu de ponta-cabeça sobre o solo, fraturando o crânio numa pedra.

[…] Piccolo, com os olhos fora das órbitas e com o nariz a jorrar sangue, estava quase agonizante.[xvii]

O fato chocou a população paulistana, que se envolveu ainda mais com o acontecimento. O aviador italiano, considerado pobre, deixando viúva e dois filhos pequenos na Itália, morreu nas primeiras horas do dia seguinte ao acidente. Imediatamente o periódico dedicado aos italianos de São Paulo, Il Fanfulla, abriu uma subscrição com o objetivo de ajudar a família do aviador morto. O aviador Ruggerone cedeu os 7 mil francos que havia ganhado em um espetáculo do prado na Mooca, realizado em benefício da viúva do aviador. No Teatro Colombo ocorreu também uma festa beneficente. Apesar do trágico acontecimento, mesmo com tanta solidariedade, não foi perceptível qualquer abalo no prestígio da aviação. Tanto que dias depois novo espetáculo foi marcado.[xviii]

Esse tipo de evento que vitimou Giulio Piccolo ocorria constantemente em São Paulo no início da década de 10, até 1913. Encontra-se, inclusive, uma ampla campanha publicitária, objetivando tornar o espetáculo um sucesso de público. Um anúncio classificado foi publicado pela imprensa de São Paulo:

Hipódromo da Mooca

AVIAÇÃO

Domingo, 13 de março de 1911, depois do meio-dia. Os primeiros voos de resistência, velocidade e altura do aviador franco-paulista EDMOND PLANCHUT no seu aeroplano Bleriot-Gaivota (último modelo) […].[xix]

Na peça publicitária constavam ainda outros dados como o preço das entradas, que variavam de 10 mil réis a 500 réis, no prado externo. Enfim, se a aviação não possibilitava uma participação maior dos esportistas, ao menos era motivo para o encontro de multidões.

O remo foi outro esporte de muita importância na cidade de São Paulo e no litoral paulista. Juntamente com a natação, foi muito praticado dadas as condições fluviais da capital paulista. Assim foi comentada a fundação do Clube Espéria, em 1913, no periódico A Vida Esportiva: “A canoagem e a natação eram esportes cuja ausência de há muito se fazia sentir nesta capital. Foi, pois, com grande satisfação que vimos este grupo de devotos sportmen, que compõem o Espéria, tomarem a iniciativa da introdução deste esporte entre os rios.”[xx]

Hipódromo da Mooca. Fonte: São Paulo Antiga.

Segundo J. M. Elazari, “os clubes de remo e natação eram frequentados exclusivamente por ‘famílias distintas’, em qualquer dia da semana, mesmo às segundas-feiras […]”. Ainda que mesmo com certo elitismo, o remo vai se abrindo e outros clubes passam a praticá-lo. Em uma festa promovida pelo Clube Espéria, em junho de 1911, onze clubes participaram, inclusive várias associações de Santos e uma de Campinas.[xxi] Também já se iniciava o intercâmbio com o Rio de Janeiro, onde esta prática era mais difundida.

O tênis, em função dos equipamentos caros e de um local específico para jogá-lo, foi praticado apenas por poucos clubes, constituindo-se em um esporte de elite. Grande parte dos seus praticantes também jogava futebol, entre outras modalidades esportivas. Realiza-se um torneio em São Paulo com apenas quatro equipes, como se pode ver nesta nota: “Lawn-Tennis — O Sport Club Germânia [atual Clube Pinheiros] realizará um importante torneio de Lawn-Tennis nas quadras do Parque Antártica, nos dias 1, 7 e 8 de setembro próximo futuro, com o concurso do Club Athletico Paulistano, Associação Atlética das Palmeiras e Club de Regatas São Paulo. […]”[xxii]

Quanto ao turfe, sabe-se de sua atividade desde a fundação de um clube (o Club de Corridas Paulistano, atual Jockey Club de São Paulo) preocupado com as corridas de cavalos em 1875. Posteriormente, foi conseguido um terreno e construiu-se na Mooca o Hipódromo Paulistano, inaugurado em 1876. Segundo J. M. Elazari, “os principais apreciadores deste esporte pertenciam à elite paulistana, representada por ‘ilustres famílias’. As várias referências às corridas mostram que comparecer a um hipódromo era um acontecimento chic e distinto. As famílias do ‘melhor meio social’ não deixavam de concorrer ao rendez-vous com suas toilettes maravilhosas”.[xxiii]

Apesar desses esportes apresentados (aviação, remo, tênis, turfe, além do futebol) ocuparem mais espaços nos noticiários dos periódicos, eram inúmeras as outras práticas esportivas da cidade de São Paulo. Algumas são citadas em raras oportunidades. É importante, porém, dimensionar as outras atividades esportivas que ocupavam a atenção dos paulistanos.

O automobilismo estava, no início do século, começando suas atividades. Segundo Jacob Penteado, “os primeiros automobilistas daqui foram Luiz Santos Dumont, irmão do nosso grande Santos Dumont, e Antônio Prado Júnior. A seguir, apareceram Luiz Fonseca, Washington Luiz, Sílvio e Armando Prado. Quase todos eles viviam mais em Paris do que em São Paulo. Em 1903, os irmãos Álvares Penteado, com Antônio Prado Júnior e Santos Dumont, realizaram a primeira viagem de São Paulo a Ribeirão Preto”.[xxiv] Em artigo publicado n’O Estado de S. Paulo, o automobilismo foi desta forma tratado:

Automobilismo — Os circuitos de Itapecerica, Osasco e Cantareira. Um apelo ao sr. secretário da Agricultura.

Há três para quatro anos, o sr. Washington Luiz, então secretário da Justiça e Segurança Pública, aos domingos, fazia longas excursões de automóvel. […]

Mais tarde, o dr. Antônio Prado Jr. e outros sportmen, encantados com a descrição desse belíssimo passeio realizaram-no também verificando, ao mesmo tempo, que nesse trecho se poderia fazer uma corrida de automóvel, à semelhança das que anualmente se realizam em França. […][xxv]

Mas não era apenas o famoso circuito Itapecerica que fascinava os poucos esportistas que poderiam praticar o automobilismo. Outras viagens eram realizadas, como esta:

Automobilismo — De São Paulo a Ribeirão Preto e Jaboticabal de automóvel — 673 quilômetros percorridos.

Cumprindo a promessa que fizemos aos nossos leitores, damos hoje minuciosa descrição da interessante e arrojada excursão de automóvel, de São Paulo a Ribeirão Preto e Jaboticabal, feita pelo sr. Antônio Prado Júnior, em companhia dos srs. Washington Luiz, dr. Guilherme Rubião, Luiz

Fonseca e coronel Bento Canavarra. […][xxvi]

Constata-se que não eram quaisquer esportistas que poderiam praticar o automobilismo. Meses após, os mesmos empreendedores desta viagem, mais o então deputado estadual Júlio Prestes, viajam de São Paulo a Curitiba, percorrendo 1 200 quilômetros em cinco dias.[xxvii]

Praticava-se também o boxe, esporte este cujos amantes fascinavam-se com a presença de lutadores estrangeiros. Por esta notícia é possível acrescentar alguns dados fundamentais sobre o boxe, que estava sendo introduzido na cidade: “Boxe — Na próxima semana deve chegar a esta capital o sr. James Hand, afamado jogador de boxe, que tem tomado parte em importantes torneios internacionais, conseguindo sempre obter ótimas classificações. Sabemos que este sportman realizará aqui várias conferências sobre o gênero de esporte a que se dedicou, exibindo por essa ocasião os mais difíceis golpes.”[xxviii]

 A prática esportiva pode ser considerada, na época tratada, um privilégio masculino. Existiam mulheres que exerciam atividades físicas fora das escolas, mas consideram-se exceções. Como nesta nota informando acerca de uma nova agremiação esportiva: “Basket-Ball — Paulistano Basket-Ball Club — Com o título acima, fundouse nesta capital um clube de basket-ball, composto de senhoritas pertencentes à elite paulistana. […] Os elementos de que se compõem as equipes têm se submetido a treinos rigorosos para os próximos encontros com os outros elementos congregados. […]”[xxix]  O basquete foi introduzido no Brasil em 1898, mas não se tem notícia de times ou campeonatos até 1916, ao menos em São Paulo.

Já o ciclismo começou a ser praticado em fins do século XIX. Segundo Nestor Goulart Reis Filho, era o esporte da moda na cidade, em 1890. “Era praticado por pessoas elegantes, que podiam importar da Europa os modelos da época, com rodas dianteiras imensas. Às vezes eram designados como velocípedes. Com a generalização de seu uso, constituíram-se os velo-clubes com seus velódromos e organizaram-se competições com apostas, como no hipódromo.”[xxx] Para E. V. Pereira de Souza, até 1893, “as poucas bicicletas eram privilégios de mocinhos ricos”.[xxxi] Mas em 1894, elas passaram a ser importadas comercialmente e “[…] ‘damas de respeito’ e ‘cavaleiros austeros’ aderiram ao esporte do pedal”.[xxxii]

Em função do modismo criado pelo ciclismo, São Paulo deu lugar ao famoso Velódromo Paulistano, que depois seria palco dos campeonatos de futebol até 1915. Como Antônio Prado Júnior era um hábil e apaixonado ciclista, sendo neto de dona Veridiana Prado, proprietária de vastos terrenos no bairro da Consolação, consegue da avó a cessão de um amplo terreno, nesse bairro, para a construção de um velódromo. Aliás, consegue também recursos financeiros para o construir. Segundo Nestor Goulart Reis Filho,

Por volta de 1892, Giuseppe Valori executou a obra, segundo projeto de 1886, de Tommazo Bezzi. Era uma grande raia de forma elíptica, com 380 metros de comprimento e cento […] de largura, tendo no meio um amplo jardim. De um dos lados, foi implantada uma grande arquibancada coberta, com cerca de 70 metros de comprimento, onde na época se calculava pudessem instalar de 700 a mil pessoas. A sua frente, caberiam mais 2 a 3 mil pessoas.[xxxiii]

Como a bicicleta custava caro, não estando ao alcance da maioria da população, a tendência desse esporte foi declinar. A moda foi terminando. A prática continuou a existir, porém não mais como “febre”. Tanto que é possível observar esta nota: “Nova Associação — Foi fundada no distrito do Bom Retiro uma sociedade esportiva com o título Club Ciclystico Fiorentino, tendo por objetivo realizar corridas duas vezes por mês, premiando os vencedores com uma medalha de ouro. […]”[xxxiv]

Além da fundação de um clube interessado no ciclismo, também se notou certo entusiasmo na visita de um esportista estrangeiro, mesmo sendo apêndice de um jogo de futebol. Assim informavam os periódicos: “Ciclismo — E amanhã, às três horas e meia da tarde, que o afamado ciclista português sr. Pedro Maia Vasquez realiza, no Velódromo, a sua anunciada corrida […]. A prova realiza-se num dos intervalos do match de futebol.”[xxxv]

Por outro lado, é relevante o fato de a participação das mulheres se dar no ciclismo. Nesse sentido, tem-se comentário esportivo acerca da presença feminina em competição ciclística:

Nas corridas do Derby Club esteve uma moça que fez a sua entrada no prado montada gloriosamente em uma bicicleta e trajando o amplo vestuário próprio das bicicletistas, espécie de bombachas presas abaixo do joelho, e que não deixam de ter elegância. O fato, porém, constituía uma novidade entre nós, e o povinho, cheio de indiscreta curiosidade, começou a fazer grandes ajuntamentos em torno da moça bicicletista, atormentando-a com uma atenção impertinente. […]

A coisa, porém, tomou mais graves proporções. Uma chusma de garotos começou a vaiar a moça, perseguindo-a mesmo, procurando inutilizar-lhe a bicicleta e obrigando-a por fim a refugiar-se no encilhamento. […][xxxvi]

Este relato revela o quanto de provincianismo São Paulo ainda tinha. Por mais que a cidade crescesse, recebendo novas e instigantes influências, o inédito produzia ações desconcertantes, até violentas, como se viu.

Também a esgrima foi objeto de prática, com a fundação de alguns clubes especializados, como o Clube de Esgrima Maniello Parise, fundado em 1902. Foi praticada em clubes multiesportivos, como se vê nesta notícia: “Várias — Sport Club Internacional — Pelo passamento do sócio benemérito sr. Joaquim Barros, antigo professor de esgrima deste Clube […].”[xxxvii]

Como se vê, o S. C. Internacional, fundamentalmente organizado para a prática do futebol, também se interessava pela esgrima.

Outro esporte, este muito citado, era o pingue-pongue. Segundo Jorge Americano, na chácara Vila Kyrial, na Vila Mariana, “[…] às terças-feiras à noite havia o campeonato de pingue-pongue […]”.[xxxviii] Nas lembranças do sr. Amadeu, recolhidas por Ecléa Bosi, entram referências ao citado jogo, praticado em um clube.[xxxix] Algumas notícias revelam que este esporte detinha um certo prestígio, como se vê aqui: “Pinguepongue — Na Casa Clark, à rua 15 de Novembro, estão expostos os prêmios ganhos pela primeira turma da Associação Cristã de Moços, vencedora do campeonato de 1910.”[xl]

Duas informações importantes: tratava-se de um esporte organizado que já tinha campeonatos próprios; por outro lado, o pingue-pongue teve um privilégio dedicado talvez apenas às competições futebolísticas, que era o fato de ser motivo de exposição nas vitrines de uma importante casa de comércio sediada no centro da cidade. Em 1911 já existia a Liga Paulista de Pingue-Pongue, que recebia a participação de quatro clubes: Ipiranga, Americano, Associação Cristã de Moços e Vitória.[xli] Outras sociedades são fundadas com o intuito de praticar esse esporte, como o Manda e Não Pede.[xlii] No campeonato de 1912, a Liga Paulista de Pingue-Pongue tinha como seu presidente eleito o sr. Rufus Lane, diretor da A. A. Mackenzie College,[xliii] o que revela a adesão desse clube àquela prática esportiva.

Muitos ainda são os esportes que os paulistanos praticavam e assistiam. Eram alguns destes: pelota, rúgbi, golfe, patinação, críquete, hipismo, boliche, bocha, pólo aquático, xadrez, bilhar, malha, luta romana, basebol, handebol, tiro ao alvo, halteres, columbofilia, pedestrianismo, hóquei, peteca, motociclismo e esportes de jogos olímpicos. De fato, uma gama muito grande de atividades esportivas.

Uma parte significativa desses esportes não vingou em São Paulo, pelo menos na época tratada. É o caso, por exemplo, do golfe. De outra forma, é interessante observar os dados publicados em A Vida Esportista, em 1904, referindo-se à cidade de São Paulo:

Até 31 de julho último existiam nesta capital 118 associações esportivas assim discriminadas: clubes de futebol, 72; ginástica, 9; canoagem, 2; de esgrima, 8; de tiro, 5; de corridas, 1; de ciclismo, 2; de atletismo, 8; de lawn-tennis, 3; de base-ball, 4; de peteca, 2; de chinquilho, 2; de equitação, 1; de pedestrianismo, 2 e de patinação, 1. São nacionais 92 sociedades; alemãs, 4; italianas, 9; inglesas, 3; e internacionais, 10.[xliv]

Da mesma forma, é interessante notar um anúncio publicitário encontrado n’O Estado de S. Paulo:

Casa Fuchs — Rua São Bento, 83

Completo sortimento de artigos para SPORT

Football

 

Patinação

Tennis

 

Gimnastica

Croquet

 

Pushball

Golf 

 

Pólo de água

Hockey

 

Natação

Baseball

 

Tamborim[xlv]

 

Esse estabelecimento comercial talvez tenha sido o primeiro a trabalhar com artigos esportivos. A mesma Casa Fuchs publicou em 1906 o Guia do Football Association, que pretendia ser uma cartilha para os iniciantes no jogo de futebol, sendo distribuído aos fregueses da loja. Além disso, com esse anúncio publicitário, é possível observar uma parte dos esportes praticados na cidade. Mostra também o caráter sistemático dessas práticas.

É necessário ainda perceber qual a avaliação que os esportistas faziam sobre sua própria época. Além das queixas contra a falta de apoio governamental, tem-se uma avaliação muito positiva do desenvolvimento esportivo em São Paulo, tendo como referência de análise a competência dos paulistanos em cada esporte. Observe-se esta reportagem sobre os esportes em São Paulo no início de 1913:

O nosso movimento esportivo

[…] Hoje em São Paulo, todos os esportes são cultivados, todos têm amadores e em todos eles nós podemos apresentar cultores que não nos envergonham. E assim veja-se:

No futebol, o esporte entre nós mais cultivado, unicamente em São Paulo tem encontrado apreciável resistência os times estrangeiros de categoria que têm visitado o Brasil.

No remo, as nossas guarnições, embora as condições naturais dos rios não nos auxiliem, impõem-se em qualquer parte. Conquistam vitórias no Rio e no estrangeiro.

No turf, mais do que nós, podem falar os turfmen cariocas que acham o nosso hipódromo digno de nele virem correr os representantes da sua coudelaria. […]

No ping-pong, Luiz Gomes e Jayme Ferreira da Silva conseguiram para São Paulo um brilhante lugar onde quer que se apresentem. […]

O automobilismo e o hipismo têm em São Paulo dois clubes com elementos de sucesso em qualquer parte.

Na aviação, possuímos Edu Chaves e outros, e assim sucessivamente em todos os esportes. Tudo isto fruto unicamente da diligência, da boa vontade e da tenacidade paulista.

O movimento esportivo e o amor que temos à cultura física devem constituir para todos nós um objeto do mais legítimo orgulho. […][xlvi]

Nessa introdução de uma espécie de balanço nos esportes em São Paulo, são necessários alguns comentários. Nem sempre a análise do cronista esportivo é consoante com a realidade, até porque a sua análise utiliza referenciais discutíveis. Como, por exemplo, avaliar o progresso de um esporte apenas pela presença de um ou dois expoentes. Esse critério é limitado, dado não garantir a existência de um uniforme progresso em determinado esporte.

Por outro lado, mesmo com uma ponta de bairrismo, a análise consegue demonstrar que os esportes em São Paulo viviam um momento de euforia, já que um periódico se deu ao trabalho de publicar uma reportagem historiando e analisando os esportes na cidade. Trabalharam especificamente com o tênis, o remo, o turfe e o futebol. Seguramente, o espaço que a imprensa concedeu aos esportes era consoante ao interesse dos seus leitores. É revelador o caso do periódico O Comércio de São Paulo que, em 1910, pouca atenção dava aos esportes e cuja seção Sport só era publicada às segundas-feiras, sábados e domingos, com poucas informações. Passados três anos, reservaria para a mesma seção Sport, agora diária, espaços cada vez maiores, chegando até a dar explicações aos leitores, como neste caso:

Os Footballers Paulistas na Argentina

Ainda desta vez, a falta de espaço obriga-nos a adiar a publicação das impressões do nosso representante sobre a excursão dos footballers paulistas à Argentina.

Prometemos reencetar a sua publicação na próxima terça-feira, com toda a regularidade. Somos forçados a assim proceder devido ao excesso de noticiário esportivo, ocasionado pelos matchs que entre nós vêm disputando o Corinthians.[xlvii]

Inclusive, existiam finais de semana em que eram disputadas, simultaneamente, tantas competições esportivas, que não haveria mesmo espaço nos jornais, nem jornalistas para cobrirem os eventos. Alguns acabavam priorizados. A imprensa realçava que a cidade comportava inúmeras atividades esportivas ao mesmo tempo, como se vê nesta notícia:

Festas esportivas

O dia de amanhã é um dia cheio para os nossos sportmen. Esporte por toda a parte e de todo gênero; só de futebol temos nada menos que seis matchs de campeonato: quatro da Liga Paulista e dois da Apsa [Associação Paulista de Sports Athléticos], além de outros de diversos clubes aqui existentes. No prado da Mooca corridas; na Ponte Grande, regatas e festa esportiva; no Frontão da Boa Vista, espetáculo do Club A. da Pelota e função do estabelecimento; no stand do Cambuci, exercícios de tiro de linha n. 3; no Skating Palace, patinação e match de hockey, de cricket, lawn-tennis, xadrez e outras diversões esportivas.[xlviii]

E, de fato, o crescimento vertiginoso da cidade permitia e comportava múltiplas e simultâneas atividades esportivas. Já não acontecia, como no início do século, de uma atividade esvaziar outra. Existia público para várias atividades. Eram poucas as exceções.

Enfim, uma série de fatores tornou a cidade de São Paulo um espaço onde a prática dos esportes se desenvolveu com rapidez. A capital paulista encontrava-se aberta para conhecer, assistir e praticar esportes vindos, geralmente, da Europa. O fascínio por tudo o que fosse estrangeiro caracterizava o morador de São Paulo. Conforme lembra o sr. Abel, “o punching ball, eles trouxeram, ninguém sabia o que era. O rugby nós não sabíamos o que era”.[xlix]

O novo intrigava e logo era motivo de modismo. Apenas alguns esportes, após uma rápida onda modista, estabeleceram-se na cidade, criando raízes e organizações sólidas. Da mesma forma que a cidade começava a viver radicalmente a experiência do trabalho fabril, a contrapartida do lazer encontrava-se acoplada; foi então que os esportes tiveram papel decisivo. Às classes trabalhadoras, além de habitar os piores locais da cidade, de trabalhar muito com poucas compensações, restava praticar talvez o futebol, que não necessitava de aparelhagem e condições especiais. Também as práticas esportivas eram privilégio de uma minoria.


[i] BRUNO, Ernani Silva. História e tradições da cidade de São Paulo. São Paulo, Hucitec/Sec. Mun. Cultura da Pref. do Mun. de São Paulo, 3ª. ed., 1984, p. 1216.

[ii] Id. Ibid.

[iii] Correio Paulistano, 9 dez. 1911.

[iv] O Estado de S. Paulo, 26 jun. 1913.

[v] Correio Paulistano, 19 mar. 1911.

[vi] O Estado de S. Paulo, 16 dez. 1910.

[vii] O Comércio de São Paulo, 15 jun. 1914.

[viii] Id. 17 jan. 1913.

[ix]  ELAZARI, Judith Mader. Lazer e vida urbana: São Paulo, 1850—1910, Dissertação de mestrado em história social. São Paulo, FFLCH—USP, 1979, p. 98.

[x] O Estado de S. Paulo, 25 jun. 1903. Apud J. M. Elazari, op. cit., p. 111

[xi] O Comércio de São Paulo, 5 jan. 1913.

[xii] “Ainda estão vivas nos espíritos de todos quantos assistiram às belas festas dos ‘Viaggiatore Italiani’, no dia 29 do mês passado, no P. Antártica, as agradáveis impressões que elas, quer no que respeita à concorrência que aflui àquele logradouro, quer dos números do programa — todos eles cheios de atração. […] O Comércio de São Paulo, 3 jan. 1913.

[xiii] O Estado de S. Paulo, 26 nov. 1914.

[xiv] Id., 18 nov. 1911.

[xv] Id., 10 mar. 1912

[xvi] Id., 9 mai. 1912.

[xvii] Correio Paulistano, 25 dez. 1910.

[xviii] Id., 27 dez. 1910.

[xix] Id., 10 mar. 1911.

[xx] A Vida Esportiva, 19 nov. 1903. Apud J. M. Elazari, op. cit., p. 110.

[xxi] Idem

[xxii] Correio Paulistano, 30 mai. 1911.

[xxiii] A Vida Esportiva, 19 nov. 1903. Apud J. M. Elazari, op. cit., p. 105.

[xxiv] J. Penteado, São Paulo nesse tempo (1915—1935). São Paulo, Melhoramentos, s.d. [1962?], p. 302.

[xxv] O Estado de S. Paulo, 19 ag. 1912.

[xxvi] Id., 30 jun. 1913.

[xxvii] Id., 11 set. 1913.

[xxviii] Id., 20 set. 1911.

[xxix] Id., 20 set. 1913.

[xxx] Nestor Goulart Reis Filho, “O futebol e os velódromos”, in Jornal da Tarde. Caderno de Sábado, 9 jun. 1990, p. 6.

[xxxi] E. S. Bruno, op. cit., p. 1245.

[xxxii] Id. Ibid.

[xxxiii] N. G. Reis Filho, op. cit., p. 6.

[xxxiv] Correio Paulistano, 23 jul. 1911.

[xxxv] O Estado de S. Paulo, 20 jan. 1912

[xxxvi] O Estado de S. Paulo, 6 jul. 1912.

[xxxvii] A Bicycleta, 8 nov. 1896. Apud J. M. Elazari, op. cit., p. 109.

[xxxviii] Jorge Americano, São Paulo naquele tempo, p. 340.

[xxxix] BOSI, Ecléa, Memória e sociedade, São Paulo, T. A. Queiroz, 1979.p. 80.

[xl].Correio Paulistano, 9 jul. 1910

[xli] Correio Paulistano, 8 jul. 1910.

[xlii] Id.,  23 set. 1911.

[xliii] Id., 21 jul. 1915.

[xliv] O Estado de S. Paulo, 9 mai. 1912.

[xlv] A Vida Esportiva, n. 19, 21 ag. 1904. Apud Inezil Penna Marinho, História da educação física no Brasil, p. 47.

[xlvi] O Estado de S. Paulo, 1 set. 1912.

[xlvii] O Comércio de São Paulo, 17 jan. 1913.

[xlviii] Id., 31 ag. 1913.

[xlix] As memórias do sr. Abel foram recolhidas por E. Bosi, op. cit., p. 130.