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A Máfia do Apito, o maior escândalo do futebol brasileiro

Equipe Ludopédio

Além de ser pentacampeão de Copas do Mundo, o futebol brasileiro é reconhecido internacionalmente pela sua alta qualidade de jogo, assim como também pelas habilidades dos esportistas dentro da quadra.

No entanto, ao interior das fronteiras locais, a história deste esporte nem sempre foi gloriosa. Embora graças às tecnologias de árbitro assistente de vídeo (VAR, do inglês vídeo assistant referee), nos jogos de hoje em dia seja muito difícil manipular os resultados dos encontros, no passado o panorama era diferente.

Há 15 anos acontecia o maior escândalo do mundo futebolístico brasileiro, conhecido como a Máfia do Apito. As irregularidades foram descobertas e reveladas pela imprensa daquele momento. Confira os fatos.

O que foi a Máfia do Apito?

O dia 23 de setembro de 2005 a revista Veja, uma das publicações mais famosas do Brasil, deu a conhecer uma notícia que viraria o maior escândalo dos últimos tempos para o futebol brasileiro.

A reportagem revelou que existia um esquema de manipulação de resultados futebolísticos que tinha sido descoberto pelos Promotores de Justiça de Combate ao Crime Organizado com a Polícia Federal, na cidade São Paulo.

De acordo com a investigação, um grupo de investidores comandado pelo empresário Nagid Fayad, cujo apelido era “Gibão”, davam propinas aos árbitros Paulo José Danelon e Edilson Pereira de Carvalho em troca de certos benefícios.

A tarefa dos juízes era garantir determinados resultados nos jogos que dirigissem, com o objetivo de que os investidores ganhassem nos sites de apostas onde tinham colocado importantes quantidades de dinheiro.

Segundo as pesquisas, os árbitros recebiam 10 mil reais por partida fraudada e eles teriam interferido nos resultados de diversas competições, como a Copa Libertadores, a Sul-Americana, o Paulistão e os Brasileirões Séries A e B.

Foto: Freepick

O impacto nos resultados

A manobra ilegal foi revelada durante o campeonato Brasileirão 2005 Série A. Em consequência, 11 jogos desse torneio que tinham sido apitados pelo árbitro Pereira de Carvalho foram anulados e tiveram que ser disputados novamente para obter novos resultados.

Embora os investigadores tivessem certeza que o esquema estava em andamento fazia um bom tempo, o Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) resolveu que as partidas de outros campeonatos não podiam ser alteradas porque seria muito complicado voltar a disputar todos os jogos.

Após refazer esses 11 jogos, o campeonato terminou e o Corinthians se consagrou campeão por 3 pontos de vantagem sobre o Internacional, que ficou em segunda posição.

O time paulista conquistou 4 pontos em dois encontros que foram refeitos, mas se os resultados originais tivessem sido mantidos, o Internacional poderia ter ganhado a competência por uma ampla diferença de pontos.

O que aconteceu com os responsáveis?

Além de serem afastados e banidos permanentemente do quadro pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), os árbitros Danelon e Pereira de Carvalho foram denunciados pelo Ministério Público por formação de quadrilha, estelionato e falsidade ideológica.

Anos mais tarde o Desembargador Fernando Miranda colocou em suspenso e posteriormente trancou a ação penal entendendo que os atos cometidos não constituíam crimes senão desacertos que, embora sejam feitos de forma proposital, não se podem considerar comportamentos ilícitos.


Como citar

LUDOPéDIO, Equipe. A Máfia do Apito, o maior escândalo do futebol brasileiro. Ludopédio, São Paulo, v. 138, n. 5, 2020.