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A marca de uma equipe

Wences Sanz

Um dos elementos mais característicos no mundo do futebol que tem sido – e ainda é – objeto dos olhares de desenhistas é o escudo. O escudo é uma marca do clube, seu logotipo, sua projeção fora dos limites de um estádio e o símbolo que o faz reconhecido.

Wences Sanz fundador da Domestika – Por que um elemento tão importante para os clubes tem isso desvalorizado historicamente? Não é uma decisão fácil para nenhum presidente de um clube de futebol quando decide mudar o escudo, embora eles saibam que devem fazê-lo para aumentar suas vendas em merchandising. Na melhor das hipóteses, foram feitos retoques superficiais para se adaptar aos novos tempos, mas são operações de simples maquiagem, sem aprofundar a questão. Há muito medo do que os torcedores podem dizer. E porque os escudos tem certo estilo heráldico, o que pode até significar uma afronta e nenhum dirigente quer entrar para a história como o responsável por tal mudança. Mas sim que estão produzindo pequenas modificações, pequenas mudanças nos escudos.

A Internazionale de Milão já suprimiu a estrela do seu escudo. E o Real Madrid FC, teve que tirar a cruz da coroa em Dubai, ainda que temporariamente, para não atrapalhar os negócios milionários nos Emirados Árabes. Tanto o Real Madrid, como o FC Barcelona, adaptou seu escudo centenário para os novos tempos, mas eles criaram novos e modernos logotipos para utilizar em diferentes suportes de marketing e também poder dirigir-se ao público mais amplo, especialmente fora das fronteiras.

Desde de muito tempo, junto com o escudo, o Real Madrid criou o logotipo onde se lê “Realmadrid”, tudo junto, sem o “M” maiúsculo de Madrid, dando um toque de modernidade a um clube que com a chegada de Florentino Pérez, não se importa de retocar o que seja necessário para poder aproveitar a enorme força econômica do clube.

Nos Estados Unidos, mestres quando o assunto é marketing esportivo, já sabem como isso funciona. Com as equipes da NBA, da NFL, da NHL e agora com as equipes da MLS (Major League Soccer) tem explorado o merchandising em escudos / logotipos que podem ser colocados em diferentes roupas esportivas e criar um universo de produtos à venda. E a Premier League está caminhando nessa direção.

Football Club Internazionale Milano

A Inter de Milão realizou uma discreta mudança no desenho do seu escudo, mas com grande alcance e branding. É um claro exemplo de como a modernização da heráldica de um clube serve para vender desde camiseta até squeezes, tudo com um redesenho adaptado aos novos tempos e onde o clube leva o valor da “internacionalidade” em seu DNA, e isso pode ajudá-lo a gerar mais renda, já que esportivamente a Inter não se destaca há muito tempo.

Real Betis Balompié

Não só os grandes clubes estudam seus desenhos e a atualização da sua imagem. As equipes mais modestas também necessitam aumentar suas rendas e, neste caso, o Real Betis se apresentou alguns anos atrás com uma nova imagem. Mas com um uso tipográfico – bastante – similar ao que fez o Real Madrid, unindo as palavras “Real” e “Betis”. Ainda é um escudo, mais do que um logotipo, conservando o símbolo da coroa, mas muito mais estilizada e que facilita colocar em praticamente qualquer item de merchandising.

Carleton Ravens (Canadá)

No Canadá foram muito mais agressivos e um clube que estava inativo há 15 anos, o Carleton Ravens regressou a liga de futebol do Canadá com uma imagem totalmente nova e pensada em captar novos seguidores / torcedores. Devido à sua proximidade com seus vizinhos americanos, é possível notar a influência em suas equipes profissionais da NBA, NHL ou MSL. Logotipo simples, mas com muita força, utilizando apenas duas cores, sobretudo o preto, que dá uma agressividade que encaixa perfeitamente com essa tipografia com esse tipo de letra angular e até ameaçador.

Real Madrid

Os designers também gostam de futebol, ainda que não reconheçam. Na Espanha, se você é um designer que gosta de futebol, em muitos casos, sofrerá vendo como o escudo do seu clube está totalmente obsoleto, mal utilizado e pede aos gritos uma atualização. Um caso interessante é o que o designer Rubén Ferlo propôs em 2013 para o Real Madrid, retornando o escudo atual a praticamente uma versão dele de 80 anos atrás, com pequenos detalhes.

Certamente, o escudo do Real Madrid, como monograma e sem a coroa que o torna “Real”, poderia ser considerado mais moderno do que o criado em 1941 e que, com poucos toques, ainda é atual. Mas não descartaria se Florentino estiver pensando no mercado global e nos 450 milhões de seguidores em todo o mundo, e que isso poderá sofrer alterações em breve.


*Artigo publicado no número 12 da Revista Líbero

Tradução: Victor de Leonardo Figols