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Brasileiro, pero no mucho

Guadalupe Carniel

O Campeonato Brasileiro série A é o principal torneio do país. Já teve diversos regulamentos, poucas vezes repetindo sua fórmula até 2002 e isso sendo um motivo de orgulho bizarro, já que tivemos edição que não se chegava nem a conclusão de quem era o campeão; outras com torneios paralelos ocorrendo, enfim, todo tipo de coisa já inventaram antes de chegarmos aos pontos corridos, vigente desde 2003.

Mas ele é o mais importante? Ele é brasileiro mesmo, no sentido de contemplar todos os estados? Pensando nisso, a redação peloteira decidiu mergulhar nos números e ver isso de perto. O que constatamos é que não, estamos bem longe de ter um campeonato que fuja de um eixo Sul-Sudeste com pitadas nordestinas, com predominância pernambucana e baiana, que deixa de lado sete estados da região, que é riquíssima em futebol, vide a Lampions League.

Ao analisarmos os times participantes, percebemos que esmagadoramente, são clubes das capitais, ou seja, um “Brasil Oficial” que despreza seu interior- que tem muita história para contar- e levanta outro ponto importante: os estaduais aprofundam ainda mais as diferenças entre os ditos “grandes” e os “pequenos”. Se você duvida, veja os campeões de cada estado e conte nos dedos quantos destes clubes de menor expressão na mídia tem títulos.

Não defendemos um campeonato gigantesco, como a Copa João Havelange, única vez em que todos os estados e o Distrito Federal participaram. E também entendemos as dimensões continentais do país. O formato que deveria ser, cabe a vocês escolherem ou discutirem com os amigos — no bar, quando tiver a chance depois da pandemia.

Três observações: primeiro, levamos em conta o Campeonato Brasileiro como tal a partir de 1971, que é quando a CBD (atual CBF) resolveu de fato organizar um torneio nacional (e não temos com isso nenhuma intenção de deslegitimar a Taça Brasil como um torneio nacional de fato, foi apenas uma opção de recorte); segundo, consideramos nessa pesquisa o campeão de 1987 como sendo Sport, pois obteve o aval da FIFA — que decidiu não interferir, cabendo à CBF decidir na época, e sendo definido então que o clube pernambucano ficava com a tal taça das bolinhas, mas isso é outra história, e aja texto pra explicar. E por último, se você veio procurando respostas, a gente não sabe. Mas fazer perguntas, como bons jornalistas, nós entendemos e deixamos para vocês responderem nossas provocações.

A trilha sonora para pensarmos o regional e o nacional no Campeonato Brasileiro é Meu time do Siba:


A Revista Pelota em parceria com o Ludopédio publica nesse espaço os textos originalmente divulgados em sua página do Medium.