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Brincando de Manager – parte 2

Leonardo Megeto Montelatto

Ano novo, vida nova! Esse parece ser sido o lema da diretoria do Palmeiras para 2020. Desde que fizemos o Brincando de Manager – parte 1, em novembro do ano passado, muita coisa mudou no clube. O diretor Alexandre Mattos, grande responsável pela montagem do elenco nos últimos anos, assim como o treinador Mano Menezes e sua comissão deixaram o alviverde.

Para seus lugares, Mauricio Galiotte e o comitê gestor (formado por diretores do clube para participar das decisões envolvendo o futebol), outra novidade para 2020, trouxeram o velho conhecido Vanderlei Luxemburgo para comandar a equipe dentro de campo e o até então pouco conhecido Anderson Barros, ex-Botafogo, para a função de diretor. Como fator comum envolvendo os dois está o fato de não terem sido a primeira opção do clube para seus cargos. Luxemburgo chegou após as negociações com Jorge Sampaoli não terem avançado, assim como Barros foi contratado após contatos com Diego Cerri, do Bahia, e Rodrigo Caetano, do Internacional.

Tais mudanças causaram a implementação de uma nova filosofia no futebol do Palmeiras. Diferentemente do agressivo Alexandre Mattos, Anderson Barros tem um perfil muito mais cauteloso e discreto no mercado, casando com o momento atual do clube, que não arrecadou tanto quanto esperava em 2019, devido a fatores como eliminações precoces nos torneios e diminuição das rendas nos jogos. Investimentos altos e não previstos anteriormente, como as contratações de Vitor Hugo, Ramires e Luiz Adriano no meio da temporada, também causaram prejuízos aos cofres alviverdes.

Anderson Barros sendo apresentado como diretor de futebol no Palmeiras, ao lado de Edu Dracena, novo assessor técnico. Foto: Fabio Menotti/Agência Palmeiras/Divulgação.

Dessa forma, o Palmeiras optou neste início de temporada por utilizar três alternativas: negociar atletas do elenco que não seriam aproveitados, seja de maneira definitiva ou por empréstimo, diminuindo assim a folha salarial e o inchaço do elenco. Apostar no retorno de jogadores do clube que estavam emprestados a outras equipes, além de promover atletas da vencedora categoria de base, o que a muito tempo vinha sendo cobrado.

Posto tudo isso, discutirei neste texto exatamente os casos desses jovens que retornaram ou foram promovidos no Verdão. Será que realmente terão espaço no elenco? Irão ganhar minutos em campo ou apenas farão parte do grupo?

O primeiro caso é o do goleiro Vinicius Silvestre. Com 25 anos, ele passou as últimas temporadas emprestado à Ponte Preta e ao CRB, voltando para ocupar o posto de terceiro goleiro, atrás do titular Weverton e do experiente Jailson. Provavelmente, não receberá chances, a menos que fatores como convocações de Weverton para a seleção (lembrando que o Campeonato Brasileiro não será interrompido durante a Copa América) e lesões aconteçam.

Aproveito para deixar aqui uma pequena reflexão sobre a saída do ídolo Fernando Prass. O clube tem total direito de escolher os atletas que irão compor o grupo de trabalho. Questões como desempenho, idade, potencial futuro e peso salarial fazem parte desse processo. Entretanto, tratar com um mínimo de respeito e gratidão aquele que tanto fez e ganhou pelo clube, muitas vezes lesionado, era obrigação da diretoria!

Nas laterais, apenas Lucas Esteves foi integrado ao grupo. Já tendo estreado como profissional em 2019 com Felipão, pode ser que ganhe oportunidades pela esquerda, que terá o contestado Diogo Barbosa iniciando como titular. Se Victor Luis for realmente negociado, suas chances de atuar aumentarão muito. Pela direita, nada mudou, com a manutenção da dupla Marcos Rocha e Mayke.

Emerson Santos e Pedrão retornaram de empréstimos ao Internacional e ao América-MG, respectivamente, e inicialmente irão apenas compor a defesa, com Gustavo Gomez, Vitor Hugo e Luan brigando pela titularidade. Caso Felipe Melo seja mais utilizado como zagueiro, como Luxemburgo deu a entender em entrevistas recentes, a minutagem da dupla deverá diminuir ainda mais.

O meio campo talvez seja o setor mais inchado do elenco. Como volantes, iniciam o ano no grupo Felipe Melo, Bruno Henrique, Matheus Fernandes, Ramires, Jean, Patrick de Paula e Gabriel Menino. Os dois últimos fizeram grande dupla no sub 20 em 2019 e possuem excelente potencial. Patrick foi recuado de meia armador para primeiro volante e parece ter se encontrado. Revelado numa edição da Taça das Favelas, possuí excelente saída de bola e boa finalização de média e longa distância. Já Gabriel fez parte de diversas convocações de seleções de base e também é visto como muito promissor. O grande problema está justamente no número de atletas na posição. Caso Felipe Melo seja realmente remanejado para zagueiro, Matheus Fernandes confirme sua venda para o Barcelona e Jean encontre um novo clube (não viajou para a Florida Cup, assim como Deyverson), a dupla terá mais espaço para evoluir em campo.

Gabriel Menino, em atuação pela base do Palmeiras. Foto: Twitter/@gmenino00.

Gustavo Scarpa, Lucas Lima, Raphael Veiga, Zé Rafael, Guerra, Allione e Alan são as opções que Luxemburgo terá inicialmente para a armação da equipe. Os quatro primeiros foram mantidos do grupo de 2019 e esperam finalmente deslanchar no Palmeiras. Scarpa tem negociação com o Almería da Espanha e ainda pode deixar o elenco. Já Guerra, que estava no Bahia, e Allione, que atuou no Rosario Central, retornam e não devem permanecer. O problema está em encontrar equipes interessadas na dupla, que estão em final de contrato e que o Palmeiras gostaria de negociar de forma definitiva para recuperar parte do que foi investido neles. O caso de Guerra é ainda mais complicado, já que o valor gasto para sua contratação foi aportado pela Crefisa, tendo que ser devolvido no momento de sua saída do clube. Alan, tido como grande promessa dos últimos anos na base, receberá sua primeira oportunidade como profissional. Sua adaptação pode ser mais lenta, tendo em vista suas características e capacidades físicas. Caso semelhante ocorre no rival Corinthians. Fabrício Oya, grande destaque de competições de base, vem tendo muita dificuldade em sua transição para o profissional. Resta aguardar e acompanhar seu desenvolvimento.

Nas pontas, teremos a presença de diversos jovens. Gabriel Veron, Ivan Ângulo, Luan Silva e Wesley se juntam aos experientes Dudu e Willian. Desses, Veron é o que desperta maior expectativa. Craque da Copa do Mundo sub 17 no ano passado é tido como maior revelação do clube depois de seu xará Gabriel Jesus. Já estreou na reta final do Campeonato Brasileiro, com direito a gols e assistência. Será aquele que deverá ter mais oportunidades em campo desde o início da temporada. Já Ângulo, Luan e Wesley são incógnitas e terão de ser avaliados durante as competições.

Gabriel Veron foi campeão e eleito o melhor jogador do Mundial Sub-17. Foto: Alexandre Loureiro/CBF.

Para finalizar, na posição de centroavante, apenas Luiz Adriano e Deyverson compõem o grupo, após as saídas de Borja e Henrique Dourado. Como Deyverson ainda pode sair, o clube deverá ir ao mercado atrás de algum jogador. Arthur Cabral, Papagaio, Léo Passos e Gabriel Barbosa são jovens que ainda pertencem ao Palmeiras, mas que se encontram atualmente emprestados.

Olhar final

Após destrincharmos a nova formatação do elenco palmeirense para 2020, observamos que o clube realmente o compôs com mais jogadores jovens e formados nas categorias de base, muito mais pela condição financeira atual do que por convicção. Entretanto, com rara exceção, esses atletas iniciam o ano com status de reserva ou até como terceira opção em sua posição. Precisarão, com suas performances em treinamentos e aproveitando as oportunidades que receberem nos jogos, provar que realmente tem o potencial que deles se espera, num ano que será de muita cobrança da torcida pelas decepções ocorridas em 2019.