125.15

Brincando de manager – parte 1

Gustavo Dal'Bó Pelegrini, Leonardo Megeto Montelatto

Otimismo e confiança são característica necessárias tanto para o torcedor quanto para o clube. Aquela velha máxima de que, enquanto há chances é necessário acreditar, faz todo o sentido para que nossa motivação sempre exista. O realismo, porém, que é outra característica importante, nos bate à porta rodada a rodada para nos lembrar que o campeonato já se encerrou para nós. Apesar das chances matemáticas, é virtualmente impossível que alcancemos o Flamengo na liderança, mesmo ainda havendo um confronto direto em casa. Da mesma forma, a distância de vários pontos para o quinto colocado nos dá tranquilidade quanto a vaga direta para a Libertadores de 2020. Se nos localizamos nesse limbo, onde apenas esperamos cumprir tabela e assistir as últimas seis rodadas, o planejamento para o ano que vem já deve existir. Mas para planejar, é preciso antes avaliar.

Sendo assim, inspirados nos jogos virtuais onde nos colocamos no papel de dirigente esportivo, como Brasfoot e Football Manager, resolvemos brincar de Mattos e Galiotte e avaliar o futebol palmeirense. Passando por elenco atual, jogadores emprestados, contratações e até mesmo a comissão técnica, vamos nos próximos textos opinar sobre a situação do futebol palmeirense, e ao fim tentar entender como anda o trabalho de nossos mandatários.

Goleiros: Weverton, Fernando Prass e Jailson

Disputando vaga como terceiro goleiro na Seleção Brasileira, Weverton parece ser o nome da meta alviverde para os próximos anos. Fernando Prass, hoje com 41 anos, foi um dos maiores nomes do Palmeiras neste século. Foi contratado para a Série B de 2013, participou dos momentos de dificuldade e das glórias dos últimos anos, chegando a ser convocado para a Seleção Olímpica, porém uma lesão tirou sua chance de ser o goleiro campeão olímpico, que caiu nas mãos de Weverton, curiosamente. Jailson, que passou de desconhecido para um dos grandes nomes do Brasileirão de 2016, já tem 38 anos e futuro também incerto. Weverton, portanto, é o nosso goleiro, enquanto pelo menos um entre Jailson e Prass deve sair e abrir espaço para alguém mais jovem.

Palmeiras visitou o Internacional em Porto Alegre/RS e saiu com um empate em 1 a 1 na partida válida pelo Campeonato Brasileiro de 2019. Foto: Itamar Aguiar/ALLSPORTS.

Laterais: Marcos Rocha, Mayke, Diogo Barbosa, Victor Luis

Todos passaram por altos e baixos. Todos têm qualidade semelhante, porém características diferentes. Acredito serem bons nomes para o elenco, apesar das oscilações, e as laterais não precisam de mudanças para a próxima temporada. Ao mesmo tempo, nenhum dos quatro são grandes craques. Então, mediante boas ofertas, negociar um deles não faria mal.

Zagueiros: Gustavo Gomez, Vitor Hugo, Luan, Edu Dracena, Antônio Carlos

Gustavo Gomez é o melhor nome desta defesa. Recentemente comprado junto ao Milan, é nome certo para o futuro. Outro recém adquirido junto ao futebol italiano, Vitor Hugo possui grande carisma e identificação com o clube, além de muita força no jogo aéreo e de ser o único canhoto dos zagueiros. Luan teve muita dificuldade em sua chegada ao clube, mas formou grande dupla com Gomez. Bom nome para o elenco. Edu Dracena tem 38 anos e não deve permanecer. Depois de poucos jogos em 2017, Antônio Carlos foi titular em boa parte de 2018, fazendo dupla com Dracena. Neste ano atuou menos, porém sempre contestado. Uma venda não seria ruim, tanto para ele quanto para o clube.

Volantes: Felipe Melo, Bruno Henrique, Thiago Santos, Matheus Fernandes, Jean

Felipe Melo renovou contrato recentemente, então é nome certo para continuar. Boas atuações e momentos de descontrole continuarão fazendo parte da rotina palmeirense. Bruno Henrique jogou muito em 2018, porém não repete neste ano sua imposição na marcação e sua chegada com chutes precisos de fora da área. É o capitão da equipe, deve continuar apesar de que o engajamento de o manter em caso de nova oferta não será o mesmo do início do ano, mesmo pelos problemas que ele e sua esposa enfrentaram junto à torcida. Thiago Santos é o clássico primeiro volante, cão de guarda. Excelente ladrão de bolas, com falhas na saída de jogo. Tem contrato longo ainda. Matheus Fernandes é jovem, contratado no início do ano junto ao Botafogo. Com a saída de Moisés deveria ganhar mais minutos. Jean renovou até o fim de 2020 e apesar de não ser mais o excelente volante dos tempos de São Paulo e Fluminense, é um jogador que nunca comprometeu no Palmeiras. Pode também fazer a lateral, mas apesar da polivalência, sua saída não seria tão sentida

Willian tenta roubar a bola de Otero, na partida entre Palmeiras e Atlético Mineiro, no Allianz Parque, pelo Campeonato Brasileiro 2019. Foto: Bruno Cantini/Atlético.

Meio-campistas: Ramires, Gustavo Scarpa, Lucas Lima, Raphael Veiga, Zé Rafael, Hyoran

Podendo atuar tanto como volante quanto como meia aberto pelo lado direito, Ramires chegou como nome de peso. Apesar da lesão, tem qualidade indiscutível, e pode ser uma grande peça em boa forma física. Gustavo Scarpa nunca conseguiu sequência no Palmeiras, seja por questões judiciais, seja por questões físicas. Mesmo assim é o melhor dos nomes da armação. Lucas Lima chegou a peso de ouro, e é uma grande decepção. Nunca atingiu o futebol dos tempos de Santos que o levaram para a Seleção. Uma venda seria muito boa. Raphael Veiga, Zé Rafael e Hyoran alternam boas atuações com jogos apagados. Ainda assim são bons nomes para o elenco. Se alguma proposta boa surgir, suas vendas não seriam tão sentidas e difíceis de serem repostas.

Pontas: Dudu, Willian, Carlos Eduardo, Ivan Angulo, Luan Silva

Dudu é o principal jogador do elenco e em toda janela um esforço muito grande é feito para sua manutenção. Não deve ser diferente ao final deste ano. Willian não voltou tão bem da grave lesão que teve no joelho, porém deve recuperar o bom momento com a pré-temporada e sequência de jogos. Carlos Eduardo é a segunda contratação mais cara da história do Palmeiras, atrás somente de Borja. Teve péssimas atuações no início do ano, com excessivos erros técnicos. A torcida perdeu a paciência com ele, além dos minutos em campo estarem muito reduzidos. O valor investido dificilmente será recuperado, e no Palmeiras não deve ter sequência de jogo. A melhor saída parece ser um empréstimo. Angulo teve boas atuações pela Colômbia sub-20, sendo contratado inicialmente para a base palmeirense. Manteve as boas atuações e pode passar a ser mais aproveitado no clube. Luan Silva chegou por empréstimo do Vitória, já com uma lesão de joelho. Quando iniciava a transição para o campo, sofreu outra lesão no mesmo local. Tem contrato até o meio de 2020 e é uma incógnita.

Carlos Eduardo é marcado por Marinho na derrota do Palmeiras para o Santos na Vila Belmiro pelo placar de 2 a 0. Foto: Paulo Pinto/ALLSPORTS.

Atacantes: Luiz Adriano, Borja, Deyverson, Henrique Dourado

Luiz Adriano chegou para ser titular e homem gol da equipe. Tecnicamente superior aos demais, mostrou ótimo futebol antes da lesão e deve ser nome certo para o ano que vem. Borja é a contratação mais cara da história do clube. O dinheiro investido dificilmente será recuperado, e o prejuízo pode ser grande já que o dinheiro precisa ser devolvido para a Crefisa, que bancou sua contratação. Não demonstra muita empolgação em se transferir, não demonstra empolgação em campo, não demonstra empolgação com nada. Situação complicada. Deyverson ficou muito queimado após a eliminação para o Grêmio na Libertadores. A paciência do torcedor se esgotou. Por outro lado, recusou oferta da China no início do ano e uma saída agora também parece improvável. Já Henrique Dourado veio por empréstimo somente até o final do ano. O clube não deve investir em sua contratação.

Por fim, acreditamos sim que o Palmeiras possua o melhor elenco do futebol brasileiro. Tem opções com qualidades semelhantes em praticamente todos os setores do plantel. Quando um jogador se lesiona ou é suspenso, seu substituto não diminui a qualidade da equipe. Entretanto, se compararmos times por times, Grêmio, Internacional, Cruzeiro, Corinthians, Santos, São Paulo, Atlético Mineiro e Athlético Paranaense tem qualidade relativamente semelhantes ao Palmeiras, com o Flamengo tendo um time titular superior em qualidade individual.

Tendo em vista o grande poderio financeiro do clube, o investimento em jogadores prontos, que cheguem para jogar e decidir, deve ser a prioridade para a formação do elenco para o próximo ano, mantendo a qualidade do plantel já existente. O ano se encerra decepcionante devido as altas expectativas do início. A escolha de um caminho a ser trilhado, tanto sobre o elenco como sobre a comissão técnica, é a questão mais importante da diretoria para o fim da temporada.

Alexandre Mattos é diretor executivo de futebol do Palmeiras desde 2015. Foto: Divulgação/Cesar Greco/Agência Palmeiras.

Saldo Final

Quem tem que ficar: Weverton, Gustavo Gomez, Vitor Hugo, Felipe Melo, Bruno Henrique, Ramires, Gustavo Scarpa, Dudu e Luis Adriano.

Quem deve ficar: Marcos Rocha, Mayke, Diogo Barbosa, Victor Luis, Luan, Zé Rafael e Angulo.

Quem pode ficar, mas pode sair: Prass, Jailson, Dracena, Thiago Santos, Matheus Fernandes, Jean, Raphael Veiga, Hyoran e Luan Silva.

Quem não pode ficar: Antônio Carlos, Lucas Lima, Carlos Eduardo, Borja, Deyverson e Henrique Dourado.