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Campeonatos Estaduais: monótono para o torcedor, desinteressante para os grandes

Rafael Gomez

Ainda não chegamos à metade do “Paulistão” que também poderia ser chamado de “paulistinha”, mas já torcemos pelo seu final. É fato que o melhor estadual do país se tornou muito longo e monótono, mais de quatro meses de duração… O atual campeonato serve para iludir os torcedores, pois times que ainda estão em formação ou até sem um grande elenco seguem goleando/liderando com folgas o estadual.

O nível dos times chamados pequenos é muito fraco, mesmo começando antes dos times grandes a preparação para a competição. É verdade que de vez em quando aparece algumas boas surpresas como o atual campeão paulista o Ituano, mas isso são raras exceções.

Com o atual calendário do futebol brasileiro cheio de problemas, os clubes chamados grandes têm feito escolhas que enfraquecem o futebol do seu próprio estado. Os clubes têm interesses maiores que o estadual (Copa do Brasil, libertadores e etc.) isso faz com que os mesmos utilizem na maioria do tempo os chamados “times mistos” ou quando não o time totalmente de reservas.

Torcedor solitário no Pacaembu assiste a uma partida do Paulistão 2015. Foto: Gabriel Uchida – FotoTorcida.



Para alguns os estaduais devem ser extintos, já para outros o que deve ser mudado é a forma de disputa (divididos em quatro grupos, as equipes jogam apenas contra os times dos outros grupos. Os dois primeiros de cada grupo se classificam).

O Campeonato Paulista já foi “celeiro” de craques nos anos 90, hoje já não exerce o mesmo poder. Se formos analisar nos últimos anos, quais são os jogadores que se destacaram em times pequenos e fizeram sucesso em times grandes? São raros, mas podemos citar Paulinho (ex-Bragantino/Corinthians e atualmente no Tottenham), Romarinho (ex-Bragantino/Corinthians e atualmente no Al-Jaish), Hernani (ex-Mogi Mirim/Flamengo e atualmente no Al-Nassr).

Diferentemente da década de 90, onde víamos desfilar pelos campos paulistas (Rivaldo, Djalminha, Giovanni, Cafu, Zinho, Viola, Evair, Marcelinho Carioca entre outros). Há menos investimento nos clubes do interior que já não revelam mais craques, e quando algum jogador desponta com status de grande jogador no futuro, o mesmo não desponta é o caso do Bruno Cesar (Santo André); Rodrigo Biro (Penapolense); Roni (Mogi Mirim); Bruno Mendes (Guarani); Ricardo Bueno (Oeste); Val Baiano (Grêmio Barueri) dentre outros que se perderam no mundo do futebol.

Enquanto os estaduais não se tornarem atraentes para os torcedores e principalmente para os clubes,viveremos esperando o Campeonato Brasileiro.