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Como estaria seu time se os convocados de Tite disputassem o campeonato brasileiro?

Arthur Sales

O campeonato brasileiro de futebol masculino dos meus sonhos passa por muitas esferas, entre elas, a de um calendário decente que dê espaço inclusive para outras modalidades, e proporcione tempo de preparação para os grandes clubes no início da temporada e emprego para jogadores e profissionais da base da pirâmide que se encontram sem ocupação a cada fim de campeonato estadual, e outras que permitiriam uma disputa esportiva mais limpa, exemplar e humana, passando por uma gestão competente e transparente.

Aspectos que poderiam levar o campeonato a ser um dos grandes patrimônios culturais do país, fortalecendo clubes em um ciclo virtuoso que poderia transformar o brasileirão, em um mundo dos sonha, em uma NBA do futebol.

Infelizmente, a realidade é outra. A disputa do verdadeiro campeonato brasileiro foi iniciada há algumas semanas e já tivemos as primeiras baixas nos elencos dos clubes, sendo Paulinho do Vasco, que ruma para a Alemanha, um dos casos de maior destaque. Ver os grandes talentos brasileiros desfilando em campos europeus é um fenômeno que se apresenta atualmente como praticamente irreversível. Se agora são as saídas precoces de Paulinho, Vinícius Júnior e tantos outros jogadores muito potencial que são lamentadas, antes foram Coutinho, Neymar e Gabriel Jesus. Muitos outros virão, e irão.

Ver essas saídas com o sentimento de torcedor é ter o sofrimento de imaginar como seria o seu time hoje se aquele craque ainda estivesse por aqui, entender o futebol como um setor da economia que poderia fazer muito mais pelo país do que faz hoje é saber que uma gestão melhor poderia trazer como consequência torcedores mais felizes e a garantia do pão de cada dia para muito mais gente.

Brasil é a sexta liga em receitas do planeta. No mundo ideal, onde poderia estar? Crédito: Sports Value/Amir Somoggi

Imaginemos que no fim da década de 90, quando ainda existia certa igualdade no poder de investimento, na qualidade dos elencos, e o prestígio do futebol brasileiro era ainda maior do que o de hoje, houvesse uma grande revolução e clubes e campeonatos tivessem sido comandados da melhor maneira possível. Nesse mundo ideal, passaríamos bem pela primeira década do milênio, e teríamos um campeonato fortíssimo, talvez o melhor — e mais rico — do mundo. Se não, um dos.

Um topo da pirâmide forte o suficiente para alavancar toda a estrutura do futebol, seus quase 30 mil jogadores, que em sua maioria jogam 3 meses por ano, e milhares de profissionais das mais diversas áreas, da fisioterapia à comunicação que fazem parte desse universo, e transformá-lo finalmente em algo viável e saudável, em todos os seus níveis.

Caso isso tivesse acontecido, o pôster do campeonato brasileiro de 2018 teria uma cara parecida com essa:

E os elencos dos grandes times do torneio teriam entre seus jogadores algumas dessas figuras*:

    Fernandinho; Neto
Jemerson; Bernard
Daniel Alves; Anderson Talisca
WillianMarquinhosPaulinhoRenato Augusto
Ramires
Roberto FirminoFilipe Luís
Fabinho; MarceloThiago Silva
Douglas Costa; Lucas Leiva
Oscar; AlissonTaisonFred
Gabriel Jesus
Neymar; Alex Sandro; Felipe Anderson; Danilo
Casemiro; Ederson; Lucas; Willian José; Miranda
Philippe Coutinho; Allan
Hulk; David Luiz

Nesse caso o Brasil seria verdadeiramente o país do futebol em um mundo que tem essa modalidade como sua preferida. Com esses jogadores e um calendário organizado, quão mais cheios estariam os estádios? Quão mais atrativo ficaria o Brasileirão para os bilhões de torcedores do mundo? Quanto o país ganharia com essa exposição nas mais diversas esferas da diplomacia ao turismo? Esse exercício, claro, é utópico, apresentado aqui apenas para atiçar a imaginação do torcedor e de quem gosta de futebol, pode ter faltado esse ou aquele jogador em um time ou outro, mas voltemos à realidade. Infelizmente, em 5 anos, o pôster da Champions League ou da Liga Europeia de Clubes, que parece ser cada vez mais uma questão de tempo, estampará outros rostos brasileiros, se não Vinícius Júnior ou Paulinho, outro talento daqui, e continuaremos pagando para assistir da TV o que poderia ser visto na esquina de casa fôssemos mais competentes.

*Consideramos nesse levantamento os últimos clubes pelos quais os jogadores atuaram no Brasil, em negrito, os 23 convocados. Cássio, Fagner e Geromel não foram citados por já jogarem no país.