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Conversando com ex-jogadores da Seleção: Eduardo Stinghen (Ado)

Bernardo Borges Buarque de Hollanda

São Paulo, Museu do Futebol.

Depoimento de Eduardo Stinghen (Ado).

Gravado no Museu do Futebol, a 19.08.2011.

Tempo de duração: 2h40min.

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Ado durante a entrevista no Museu do Futebol.

O depoimento de Eduardo Stinghen, popularmente conhecido como Ado, ex-goleiro do Corinthians e da Seleção Brasileira, transcorreu com descontração e bom humor. Desde a sua chegada ao Museu do Futebol e sua entrada no Auditório, foi possível perceber seu espírito irreverente e bem-humorado. Simpático, sorridente, Ado recheou sua fala com tiradas sem bem humoradas. Tal clima facilitou logo de início a interação entre os entrevistadores e o entrevistado, favorecendo o fluir do depoimento, que compreendeu quase três horas de duração.

À medida que a série de entrevistas se acumula, pode-se pensar o conjunto das mesmas em perspectiva comparada. No caso do goleiro Ado, tal comparação pode ser feita com base em alguns elementos reincidentes nos discursos que o precederam. Saltam à vista no conjunto quatro temáticas recorrentes: A. Sua origem social-familiar; B. A posição de goleiro e suas particularidades; C. A participação e a observação dos jogadores reservas, coadjuvantes nas Copas do Mundo; D. O comportamento disciplinado/indisciplinado do atleta fora de campo.

O primeiro item refere-se à história de vida tal como recordada e relatada pelo próprio depoente. Em termos paralelos ao que se convencionou chamar de “escrita de si”[1], a “fala de si”, nos depoimentos de História Oral, afigura-se significativa, pelo modo como é reconstituído oralmente seu próprio passado. Este, por um lado, ocorre sem a elaboração e sem os engenhos mais sofisticados do escrever, que aceita apagamentos, rasuras e o reescrever. A fala, em História Oral, tem de ser elaborada e materializada no próprio ato instantâneo e direto da gravação, embora, é claro, seja possível uma preparação prévia do discurso.

Essa condição pode até aproximar metodologicamente a História Oral de outras correntes historiográficas e até mesmo de técnicas como a Psicanálise – pense-se no “paradigma indiciário”[2] de Carlo Ginzburg, ao associar a História ao método freudiano –, não obstante se trate de uma associação em nível tão somente metodológico, nunca em termos de objetivo ou de semelhança de propósito científico.

Sendo assim, Ado, ao ser perguntado sobre suas origens e sua infância, evoca imagens do passado, algumas delas pouco precisas em termos de datas e lugares. Nascido em uma cidade do interior de Santa Catarina, Jaguaré do Sul, acentua o caráter estrangeiro de seus avós e pais. Filho de migrantes, sua família descende de austríacos que se radicaram no sul do Brasil. O período em que a migração ocorreu, todavia, apresenta-se pouco nítida em seu discurso. Indagado sobre o período da Segunda Guerra, assente positivamente, mas a resposta não soa muito convicta nem confiável quanto à época da emigração da Europa para o Brasil.

Em seguida, chama a atenção a maneira pela qual descreve o pai, professor de português e latim em uma escola religiosa, pertencente aos Irmãos Maristas. Da figura paterna, de quem foi aluno numa escola de Londrina, ressalta os traços de rigidez e regramento a que era submetido em família. Com educação muito rígida, recorda-se de haver “hora para tudo”: para o almoço, para o banho, para o sono. Esta imagem do pai, associada à retidão, às exigências severas e à disciplina exacerbada, será contrastada e distendida ao longo do tempo, na medida em que Ado se emancipa da família, vindo a ter uma imagem bem distinta no meio do futebol.

Nas suas lembranças, o futebol surge a partir de uma dupla entrada: primeiramente ligada à “matriz escolar” (o termo é de Arlei Damo), ou seja, a uma prática de recreação ou de educação física cultivada no espaço da escola. Este dado remete-nos às próprias origens do futebol no Brasil, em que as escolas de origem protestante – quer as inglesas quer as alemãs – incentivaram tal atividade, como acentuam Victor Melo de Andrade[3] e Tarcísio Mauro Vago[4].

Em segundo lugar, o futebol está vinculado à imagem tradicional da “várzea”, em que as condições precárias de atividade são destacadas por Ado. A precariedade da prática do jogo, em princípio um aspecto negativo, converte-se numa condição positiva, uma vez que permite a superação de situações adversas e a aprendizagem de um aspecto arraigado no imaginário nacional: a capacidade de improviso do brasileiro[5].

Na vivência de Ado, o mesmo menciona, por exemplo, a bola de cabotão, a ausência de luvas, o campo de terra arenosa, na qual qualquer queda era seguida de machucados e contusões, como exemplo das dificuldades a superar, comparativamente às facilidades dos dias de hoje.

O passo seguinte foi a atuação nos clubes locais, como o Londrina e o Corinthians londrinense. Sua profissionalização é descrita como um fenômeno muito precoce. Não lhe foi necessário passar por diversas escalas das divisões de base, como existem hoje. Nesta altura da narrativa, seu relato é bastante bem definido em termos temporais. Com catorze anos, deu-se o início no futebol de clube; com dezesseis, fez sua entrada no profissional; com dezoito, aconteceu a contratação do Corinthians, o que implicou ir residir em São Paulo e dar partida a uma carreira de destaque em um clube grande, de porte nacional e popular.

Sua “descoberta” como goleiro no futebol paranaense tem contornos míticos em seu discurso, pois margeia com o acaso extraordinário ou a coincidência improvável: pelos idos de 1969, Ado conta que foi jogar na capital do Paraná. Estava presente à partida João Saldanha, então técnico da Seleção, que lá se encontrava com o intuito de observar um goleiro do Coritiba. Saldanha acabou por se impressionar por ele, goleiro do time adversário, e mencionou seu nome em uma reportagem. Tal fato fez despertar o interesse de um grande clube, no caso de Ado, do Corinthians Paulista. Assim, de maneira até certo ponto casual, é justificada a sua projeção no futebol profissional, narrativa recorrente em outros relatos, nos quais aspectos também imponderáveis e fortuitos são evocados.

Esses primeiros dados de origem social e familiar do jogador são indícios de um quadro distinto do apresentado por outros depoentes. A começar pela região natal: Ado é procedente do Sul do Brasil e não do interior de São Paulo ou do Nordeste, como a maioria dos ex-atletas entrevistados, até o momento. Os pais são migrantes da Europa central, mas há poucos dados evocados para que se trace um perfil mais bem acabado deles. Ouvindo Ado, acaba por não se saber se a família integra a corrente migratória vinda da Alemanha, na grande onda europeia, dentre alemães e italianos, que se direcionou à região sul do país.

Pela descrição, a família nuclear aparenta pertencer à classe média de uma cidade do interior do Brasil. Independente da certeza em torno do perfil, suas origens sócio-familiares destoam da média dos jogadores anteriormente entrevistados – à exceção de Pepe, filho de espanhóis comerciantes. A estrutura familiar de Ado é vista como positiva, na medida em que, segundo o depoente, é necessário “ter cabeça” para jogar. Ou seja, requer-se do jogador uma base para que este suporte, do ponto de vista psicológico, a pressão da torcida.

A consequência disto é uma diferença de imagem com relação ao estereótipo convencional do jogador de futebol. Nas entrevistas que antecederam a dele, identificam-se várias vezes o uso de expressões e apelidos, muitos dos quais pejorativos: “negão”, “neguinho”, “crioulo”. No caso de Ado, o mesmo considera que seu “tipo europeu” era menos comum no meio futebolístico. Louro, de olhos verdes, “cabeludo”, forte, e com estatura alta, o goleiro era referido comumemente como “alemão” por colegas e técnicos, em alusão às suas origens europeias. A título de exemplo, Ado recorda o ex-jogador da Seleção Brasileira e então técnico do Corinthians, Dino Sani, a dizer: “esse alemão treina demais”. Mais à frente, no relato, lembra também do médico da Seleção, Lídio Toledo, quando da sua convocação: “Quem é esse alemão?”

O segundo item salientado na entrevista é a posição de goleiro. O fato de terem sido feitas entrevistas com Cabeção, Felix, Leão e Waldir Peres permite uma consideração acerca das especificidades da posição. Por que escolheu ser goleiro? Quais os atributos deste? Que referências de goleiro do passado tinham? Neste sentido, uma das qualidades frisadas por Ado é a liderança e a capacidade de comando do mesmo. Gritar e orientar os demais colegas do time são, para ele, outros recursos elementares dos que se postam no gol.

Além disto, frisa que ter vontade e demonstrar reflexo rápido são características essenciais de um goleiro. Uma de suas inovações, segundo o próprio, foi passar a sair do gol e a movimentar-se mais que os goleiros de então. Antes, os goleiros eram estáticos, ele introduziu o dinamismo na posição, chamando a atenção de técnicos, como o já mencionado João Saldanha.

Destarte, a auto definição de Ado é a de que era um goleiro bastante irrequieto, irascível, a falar bastante com o time e a reclamar frequentemente com o juiz. Ressalta as dificuldades de ser goleiro em sua época, uma vez que não havia luvas nem sequer um treinamento especializado. Não existia, como hoje, a figura do treinador de goleiros. Estes costumam ser os próprios goleiros, quando se aposentam, a exemplo de um Cantarele, goleiro do Flamengo na década de 1980 e de Carlos Germano, goleiro do Vasco, nos anos 90[6].

A posição é definida como solitária e até certo ponto ingrata. O goleiro tem de estar sempre atento e não pode vacilar. O nome de Barbosa, goleiro da Seleção Brasileira, é evocado. Ado distingue erro de falha. A seu juízo, errar faz parte da dimensão estrutural do jogo, sem ele não haveria gol. Assim, entende que deveria haver menos cobrança.

Uma recordação importante é a de que se inspirava muito em treinos com boxeadores[7], que lhe ensinavam técnicas específicas e uma preparação física pesada, dado também assinalado por Cabeção na primeira entrevista do Projeto.

Seus ídolos foram goleiros como Castilho, do Fluminense, e Gilmar, do Corinthians. Manga, do Botafogo, também é citado como um arqueiro admirável. Como era torcedor corintiano, em criança, lembra-se que brincava de bola, simulava saltos e gritos em tom de mímica à narração dos radialistas: “seguuraaa, Gilmar…”. Inquirido acerca de referências internacionais, diz que não sabia muito de goleiros de outros países, mesmo Yashin ele não conhecia.

O item C – observação e participação dos reservas como coadjuvantes em Copas do Mundo – é uma decorrência mais abrangente do que foi observado até o momento neste Projeto de pesquisa, “Futebol, Memória e Patrimônio”. Vários dos depoentes foram convocados para disputar as Taças do Mundo, mas na condição de eventuais substitutos dos titulares. Já o primeiro depoimento, de Luís Ramos, foi concedido pelo terceiro goleiro na Copa de 1954. Como na época ainda não havia banco de reservas nem substituição, os substitutos contentavam-se em assistir às partidas nas arquibancadas, junto aos torcedores.

O caso de Ado foi semelhante. Ainda muito novo e sem experiência, foi preterido por Zagalo, que escalou Félix para a posição. Ado foi o segundo goleiro, com a camisa 12, e Leão, o terceiro da posição. Para os propósitos deste Projeto, o fato de ser titular ou reserva não importa tanto quanto as revelações menos usuais que se podem fazer sobre a experiência de participar de um torneio de magnitude internacional.

Ser reserva não lhe foi um castigo, pois sentia que “a próxima Copa seria dele”. O ex-goleiro tece considerações mais gerais sobre o que entende por um time ideal. Para ele, este deriva da “mescla” entre atletas novos e atletas experientes, algo preconizado por Zagalo no elenco da copa de 1970. Aos olhos de Ado, o ambiente do campeonato mundial de 1970 era extremamente positivo. O jogador faz elogios a praticamente todo o grupo, do médico ao massagista, dos jogadores aos dirigentes.

Dentre os nomes lembrados, está o brigadeiro Jerônimo Bastos, chefe da delegação; o médico, Lídio Toledo; a comissão técnica, com Admildo Chirol e Cláudio Coutinho. Sobre o último, destaca a fineza do trato e a admiração. Outro a quem não poupa elogios é João Havelange, homem adorável em suas palavras. Sua gratidão é confirmada pelo fato de terem-se encontrado anos atrás na Alemanha e Havelange ainda lembrar dele, indo cumprimentá-lo.

Acentua o clima de união entre todos, o que contribuía para dirimir as rixas eventuais ou as disputas internas. Todos queriam vencer, em especial Pelé, já em fim de carreira, que via aquela Copa como a última oportunidade ou o ápice de sua consagração definitiva. A gana de Pelé em vencer é ressaltada, o que fazia-o empenhar-se ainda mais nos treinos. Do ponto de vista da concentração, afirma que todos estavam focados. Lembra-se de Pelé a tocar violão, da ambiência positiva que reinava e de todos concentrados com o mesmo objetivo.

As recordações de Ado remetem ao período preparatório da Seleção. Lembra que naquela altura ainda nutria esperanças de que poderia vir a jogar, pois nos amistosos havia um rodízio entre os goleiros. A antecedência da preparação para a Copa também é destacada. Vão com antecedência ao México, a fim de se aclimatarem à altitude, corroborando aspectos desenvolvidos pelo pesquisador Antônio Jorge Soares acerca da dialética entre “memória e esquecimento” aplicada às narrativas sobre a Copa 70[8].

Os treinos no México são descritos por Ado como espaços de congregação entre os jogadores. Recorda-se do quanto incentivava os titulares do time – como Rivelino, de quem era muito amigo no Corinthians – por meio de desafios e mensagens de apoio. Foi assim com Gerson, durante um dos treinamentos em que Ado aplicava uma série de exercícios com o jogador do Botafogo. Segundo ele, é por isto que, ao marcar um gol, Gérson corre imediatamente na direção de Ado, fora do campo, salta e pendura-se sobre ele, dando-lhe um forte abraço.

A euforia da conquista, quando da vitória na final contra a Itália, é narrada com entusiasmo. Diz ter ficado “louco”, tendo-se perdido em meio à multidão de mexicanos que ovacionavam os brasileiros. Ado não se recorda com nitidez da seqüência disputada pela Seleção. É preciso que os entrevistadores digam o nome de uma seleção – Romênia, Inglaterra, Uruguai – para que se acione seu processo associativo.

Afirma terem o pressentimento da vitória e comenta que o jogo contra a Itália, na final, acabou por ser a partida menos difícil, uma vez que os italianos vinham de uma partida exaustiva contra a Alemanha nas semifinais, comprometendo seu desempenho na decisão. O retorno para o Brasil é comentado como outra “loucura”. Não tinha dimensão da festa e do delírio coletivo que imperava no Brasil. Depois de uma viagem cansativa, foram recebidos em Brasília pelo governo federal – refere-se ao “militarismo” imperante no país – e o desfile no carro do corpo de bombeiros, em diversas cidades. Em tom chistoso, cita o fusca que os jogadores ganharam do prefeito de São Paulo, Paulo Maluf.

O quarto aspecto que se depreende do depoimento de Eduardo Stinghen é o comportamento, por assim dizer, “boêmio” do jogador, tal como construído pelos meios de comunicação. Além disto, vale ressaltar a imagem de “galã”, associada ao seu nome. Como se sabe, o futebol é pródigo na construção de imagens em torno de “malandros e caxias”[9], sobre os quais a relação com o trabalho é sempre tematizada. No caso de Ado, o próprio cultivou uma aparência que o associava à imagem da juventude rebelde ou alternativa da época. “Cabeludo”, diz que apreciava os Beatles e os hippies em voga nos anos 1970.

A construção do personagem Ado também passou pela dimensão física. Considerado um jogador bonito, pelo seu porte atlético e pelos traços europeus, chegando a chamar a atenção inclusive da atriz Leila Diniz, que o conheceu certa feita na concentração, levada pela imprensa. A beleza juntava-se ao hedonismo. Jovem, Ado gostava de freqüentar as festas, de beber wiskies e de sair à noite. Assim, passou a ser tratado como um jogador boêmio, festeiro, reputação que, dentre outros motivos, acabou por prejudicar sua carreira na Seleção, pois não foi convocado para a Copa da Alemanha, em 1974.

Sabe-se que o controle e as fugas de jogadores da concentração são um ponto controvertido quando se trata de excursões e de participações em torneios internacionais. É uma temática canônica nos textos jornalísticos e na crônica esportiva, entre os idos de 1930 a 1980. Trata-se de um aspecto que envolve a definição dos limites entre a disciplina e a indisciplina, para além do comportamento grupal. Mais do que uma questão de foro íntimo ou privado – a vida do indivíduo fora do ambiente de trabalho –, generaliza-se a discussão para uma dimensão mais ampla, em torno dos padrões de conduta e dos códigos de ética profissional.

No imaginário brasileiro, este debate é remetido de imediato à questão da malandragem e, assim, diversos jogadores são associados a estereótipos malandros, rebeldes ou contestadores, com graus de variação segundo cada jogador. Uma galeria de jogadores pode ser evocada, dos mais antigos – Leônidas da Silva, Garrincha, Afonsinho, Paulo César Caju, Almir Pernambuquinho – aos mais contemporâneos, Edmundo[10], Romário, Renato Gaúcho, entre tantos outros.

 

[1] Cf. Ângela de Castro Gomes (Org.). Escrita de si, escrita da História. Rio de Janeiro: Editora da Fundação Getúlio Vargas, 2004.

[2] Cf. Carlo Ginzburg. “Sinais – raízes de um paradigma indiciário”. In: Mitos, emblemas, sinais: morfologia e história. São Paulo: Companhia das Letras, 1990.

[3] Cf. Victor Melo de Andrade. Cidade Sportiva: primórdios do esporte no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Editora Relume Dumará, 2001.

[4] Cf. Tarcísio Mauro Vago. Histórias de Educação Física na escola. Belo Horizonte: Maza Edições, 2010.

[5] Cf. Simoni Guedes. “Subúrbio, celeiro de craques”. In: Roberto DaMatta (Org.). Universo do futebol. Rio de Janeiro: Pinakotheque, 1982.

[6] Observação: os exemplos são nossos, não de Ado.

[7] No documentário “Futebol” (1998), dirigido por João Moreira Salles e Arthur Fontes, o ex-goleiro Pompéia, do América (RJ), relembra a cena de um filme sobre boxe, que assistiu no cinema, como fonte de inspiração para o goleiro. Assim como o pugilista, o arqueiro necessita de agilidade e força para fazer defesas. A propósito, convém salientar que boxe e futebol são esportes populares que recrutam atletas das classes menos favorecidas, tal como assinalaram Pierre Bourdieu, em A distinção (1978), e Loïc Wacquant em Corpo e alma: notas etnográficas de um aprendiz de boxe (2002).

[8] Cf. Antônio Jorge Soares. Futebol, raça e nacionalidade (tese). Rio de Janeiro: PPGEF/UGF, 1998.

[9] Cf. Simoni Guedes. “Malandros, caxias e estrangeiros no futebol: de herois e anti-herois”. In: Laura Graziela Gomes; Lívia Barbosa; José Augusto Drummond. (Orgs.). O Brasil não é para principiantes: Carnaval, malandros e heróis 20 anos depois. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas, 2000.

[10] Cf. José Paulo Florenzano. Afonsinho e Edmundo – a rebeldia no futebol brasileiro. São Paulo: Musa Editora, 1998.