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Conversando com ex-jogadores da Seleção: Luís Moraes (Cabeção)

Bernardo Borges Buarque de Hollanda

Nota explicativa

O relato das seis entrevistas a seguir é parte do Projeto “Futebol, memória e patrimônio”, cujo objetivo foi a constituição de um banco de depoimentos orais (registrados em áudio e vídeo), com jogadores de futebol que participaram do selecionado brasileiro, em um total oito edições de Copas do Mundo, entre 1954 e 1982. O mapeamento da participação brasileira em torneios internacionais compreendeu o registro e a análise das histórias de vida desse conjunto de protagonistas, com a gravação de 120 horas de entrevistas de caráter documental sobre a história esportiva nacional. Tendo em vista a realização da Copa do Mundo no Brasil em 2014, uma das finalidades foi fornecer subsídios documentais para que se pudesse articular, em uma perspectiva crítica e diacrônica, a memória esportiva à memória coletiva e à história política do país, durante os últimos sessenta anos.

Os referidos depoimentos foram registrados, tratados e analisados por pesquisadores do Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC), da Fundação Getulio Vargas, em parceria com técnicos e investigadores da equipe de pesquisa do Museu do Futebol, instituição da Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo, sediada no Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho (Pacaembu), a fim de constituir um acervo comum a ambas as instituições.

A formação deste corpus documental permitiu que se registrasse e analisasse o relato de figuras centrais do futebol profissional brasileiro, em particular atletas que se tornaram figuras emblemáticas da identidade nacional. Além de ficar acessível a um público amplo, na Biblioteca e Midiateca do Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB/MF), o acervo está disponível sob a forma virtual na página do CPDOC e serviu de base para a edição de um DVD. O material está franqueado à consulta de pesquisadores, propiciando novas visadas analíticas sobre o papel dos esportes na construção coletiva da memória nacional.

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Luís Moraes (Cabeção) durante a entrevista. Foto: Museu do Futebol.

 

São Paulo, Museu do Futebol.

Depoimento de Luís Moraes (Cabeção).

Gravado em 20.05.2011

Tempo de duração: 2h20min.

Luís Moraes inaugurou a série de depoimentos para o projeto. Em razão disto, a entrevista foi antecedida de grande expectativa, tanto para a equipe do CPDOC quanto para os colegas do Museu do Futebol. Vários pontos se colocavam em questão: A. Qual a melhor forma de abordagem do entrevistado e qual a relação de tratamento com o depoente? B. Haveria sintonia entre os dois entrevistadores (um do Museu, outro da FGV) na condução do depoimento? C. Como seria feita a leitura do Roteiro preparado pelos estagiários e qual seria seu modo de utilização no decorrer do depoimento? D. Qual o tempo estimado e quais as perspectivas de duração média da entrevista? E. Haveria sucesso no esclarecimento do propósito da entrevista junto ao entrevistado?

Em relação a esse último ponto, não apenas a primeira entrevista constituiu um desafio, mas foi uma questão que perpassou todos os depoimentos. Nem sempre foi fácil esclarecer o propósito da gravação a ex-jogadores acostumados a dar entrevistas para jornais, a maioria delas rápidas e direcionadas pela pauta dos jornalistas, e a repetir determinadas explicações consagradas sobre sua participação nas Copas. O ambiente de um Museu pode até ter favorecido uma percepção diferente daquela a que estava acostumado o depoente, embora as luzes e a câmara filmadora rapidamente o reaclimatassem naquele entendimento tradicional de entrevista para os meios de comunicação.

No caso de Luís Moraes, mais conhecido ao longo da carreira pelo apelido de Cabeção, dois pontos o tornaram diferenciais dos demais e devem ser levados em consideração. Por um lado, pelo fato de estar em idade avançada e de ter dificuldades de audição, o que algumas vezes comprometeu o andamento da entrevista e sua interação com os entrevistados. Por outro lado, o fato de não ser um jogador “badalado”, ou frequentemente procurado pela imprensa para falar. Neste último aspecto, acabou por se revelar um elemento positivo para a entrevista. Isto porque sua fala pareceu menos “viciada”, ou por outra, seu discurso afigurou-se menos “pronto”, “armado”, podendo recordar com mais espontaneidade.

Cabeção foi o terceiro goleiro da Seleção Brasileira na Copa de 1954. Até então havia apenas dois atletas na posição. Somente na Copa de 1970 o Brasil voltou a ter três goleiros: Félix, Ado e Leão. Com base nas informações levantadas no Roteiro e expressas pelo próprio na gravação, Moraes não chegou a ter o status de uma “celebridade” reverenciada pelo grande público ou pela opinião pública. Isto não significa dizer que não foi um jogador importante nem que não tenha tido prestígio junto à numerosa torcida do Corinthians, que o viu como goleiro durante quase dez anos.

Essa condição de menor “visibilidade”, se comparada aos jogadores titulares, revelou-se um certo trunfo no depoimento. Ao ter vivenciado os bastidores daquela quinta edição do torneio internacional organizado pela FIFA, na Suíça, seu relato pareceu a um só tempo “interno” e “externo”. Ou seja: ele pode fazer comentários sobre o que viu e viveu estando “dentro” dos acontecimentos, mas ao mesmo tempo sem participar diretamente das polêmicas, tal como sucedeu com jogadores como Pinheiro, zagueiro que participou de uma briga com o time da Hungria, ao final da partida, no vestiário, quando o Brasil já estava eliminado. Ou com jogadores como Djalma Santos, autor de um dos dois gols da Seleção Brasileira contra a equipe de Puskas.

Tal “posição”, por assim dizer menos proeminente e mais coadjuvante, permitiu que o relato de Luís Moraes fluísse com informações pouco costumeiras sobre a Copa de 1954. A ótica de Cabeção difere substantivamente da conhecida análise de João Lyra Filho, juiz do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro, chefe da delegação brasileira e representante da Confederação Brasileira de Desportos no evento, registrada no relatório apresentado ao final da competição[1].

A literatura sobre o assunto informa que o referido dirigente esportivo, amigo do sociólogo Gilberto Freyre, autor do prefácio a O negro no futebol brasileiro (1947), era conhecido por ser o redator da primeira legislação brasileira referente aos Esportes, em 1941, quando da criação do Conselho Nacional de Desportos, o CND. Esta surge nos estertores do Estado Novo, junto ao Ministério da Educação e Saúde (MES).

Já no Relatório entregue à CBD, em 1954, Lyra Filho fazia um diagnóstico duro, frisando a debilidade de ordem psicológica ligada ao jogador brasileiro. Segundo o escritor paraibano, tal fraqueza se manifestava nos momentos decisivos, todas as vezes em que a Seleção disputava torneios internacionais e se via frente a frente com outros selecionados. Na memória nacional, isto havia acontecido em 1950, quando os brasileiros enfrentaram os uruguaios, e repetia-se quatro anos depois na partida contra os húngaros, que eliminavam o Brasil, para a frustração das expectativas gerais.

Ora, o discurso do representante oficial da Seleção Brasileira atribuía a derrota a uma falta de controle e de frieza nos momentos de decisão, o que podia ser contrastado com um povo europeu, representado pela equipe magiar, comandada por Ferenc Puskas, “o Maradona da época” na expressão de Cabeção, Sandor Kocsis e outros. O reconhecido jornalista esportivo Mario Filho referia-se a uma “tremedeira” da equipe húngara, algo distinto de 1950, ocasião em que houve “covardia” dos brasileiros diante do Uruguai de Obdúlio Varela, incapazes de reagir às provocações dos jogadores da Celeste[2].

Se a pauta do debate é colocada em termos morais, com a atribuição de “culpa” pela derrota, o depoimento de Cabeção, embora também se paute no horizonte “nativo” que procura identificar e/ou personificar a não conquista de um título através de um “bode expiatório”, caminha em sentido totalmente diferente daquele apontado por Lyra Filho.

A explicação de Luís Moraes ressalta a derrota em termos mais estruturais e menos individuais. A seu juízo, fatores “extracampo” é que comprometeram a conquista do título. Aponta os dirigentes como os principais responsáveis pela eliminação do Brasil nas partidas semifinais: “naquela época, foram mais cartolas do que jogadores”. De acordo com seu argumento, houve um excesso de políticos e toda a sorte de cartolas se imiscuiu à equipe, prejudicando o desempenho coletivo. “Todos davam palpite e o vestiário ficava cheio”, observa.

Instado a dizer especificamente de quem se tratava, não sabe apontar nomes. Discorreu apenas genericamente sobre a intrusão de representantes com pouca relação direta com o futebol. Quando estimulado por um dos entrevistadores, lembrou-se de Lyra Filho, do Rio de Janeiro, como o comandante do grupo. Lembra-se de discursos inócuos dos dirigentes antes dos jogos, a evocar pracinhas que tinham morrido na Segunda Guerra e a comparar a Copa com um confronto bélico. Por causa disto, não fizeram aquecimento antes da partida contra os húngaros. Quando chegaram de ônibus ao local da partida, a equipe da Hungria, com sua disciplina “militar”, pois havia jogadores que eram capitães, já estava treinando num campo. Diz Cabeção que os brasileiros ficaram “amarelados”, aí sim concordando com o descontrole emocional da Seleção tal como relatado por Lyra Filho.

Tratava-se assim, nas lembranças de Cabeção, mais de um problema de organização e de administração. Este era o ponto. Estes critérios organizativos e administrativos não diziam respeito a jogadores nem a técnicos, mas os influenciaram negativamente. “Eles queriam passear, a CBD sempre foi uma festa”. O resultado foi que: “perdemos feio para a Hungria”.  Com a perda, desatou a briga generalizada nos vestiários escuros. Socos, pontapés e até garrafadas na cabeça do jogador, naquele jogo que foi apelidado pela imprensa de “a Batalha de Berna”.

Além dos aspectos meramente polêmicos em torno da derrota na Copa, uma série de aspectos vividos antes, durante e depois dos eventos é explorado pelo depoimento oral. Primeiramente, os conhecidos problemas de comportamento na concentração. Um dos incidentes comentados pela crônica especializada foi a repreensão aos jogadores Pinheiro e Veludo, que não voltaram para o hotel no horário estipulado. Poucos jogadores falavam inglês, mas muitos saíam para divertir-se nos passeios noturnos mesmo assim.

Conta-se que o zagueiro e o goleiro, ambos do Fluminense, foram a uma boate. Segundo Cabeção, os demais jogadores faziam um pacto para que os dois entrassem pela janela dos fundos, sem serem percebidos. O técnico Zezé Moreira, da Seleção e do Fluminense, no entanto, era bastante rígido. Ficou à espera dos mesmos dentro do próprio quarto e flagrou a chegada em plena madrugada.

Mais obediente, Cabeção dividiu quarto com Julinho Botelho e Baltazar. Afirma que o clima geral era de amizade. Todos eram amigos e não havia “vaidade” ou disputa entre os atletas. Afinal, observa Cabeção, todos pertenciam a equipes grandes do eixo Rio de Janeiro/São Paulo. Dos jogadores, cita Rubens, ídolo do Flamengo, de quem guarda boas lembranças.

Outro episódio lembrado por Moraes foi uma reunião confabulada pelos jogadores e liderada por Brandãozinho e Maurinho, do São Paulo, para mudar o sistema de jogo. Segundo Cabeção, Zezé adotava o mesmo método aplicado no clube que treinava, o Fluminense, com base na marcação por zona. No entendimento dos jogadores, aquele sistema dava certo com o Fluminense, e com o meio-campista Telê Santana, mas não se aplicava automaticamente aos outros jogadores. Disciplinador, Zezé soube do boato de uma reunião, interveio e impediu a sua realização: “Aqui quem manda sou eu”.

Embora o Brasil fosse conhecido como um futebol ofensivo, Cabeção salienta o estilo defensivo e retrancado de Zezé Moreira. O esquema tático não mudara muito. Nota que realmente só haveria mudança em escala mundial com os holandeses sob o comando de Rinus Michels. No sistema da Holanda, o “carrossel laranja”, todos atacavam e defendiam sucessivamente. Menciona a importância de Djalma e Nilton Santos, assim como de Bauer e Brandãozinho. Mas Didi é que era o líder, o mais habilidoso entre todos. Se a Copa de 1950 tivera Zizinho e Ademir, o artilheiro, a Copa de 1954 teve como protagonista Didi. Na opinião de Luis Moraes, o problema de Didi era que não falava, não orientava, não liderava… Era um meia-armador, mas que não abria a boca.

As próprias condições de ida e de participação dos jogadores são circunstanciadas com mais detalhes por Luis Moraes. Eram bastante distintas dos padrões atuais e servem, por isto, para contraposições narrativas usuais entre um “ontem” e um “hoje”. Quesitos anedóticos, como o andar de avião e as sucessivas escalas feitas pelos voos da época para a chegada nos lugares de destino, são tratados. As viagens são descritas como excessivamente longas, verdadeiros périplos por países e continentes, até chegarem à Suíça.

O regresso adquire as mesmas proporções. Tristes com a desclassificação para a final, os atletas regressaram logo depois do jogo contra a Hungria, em um voo fretado pela Panair do Brasil.

Cabeção faz comparações com a “vedetização” atual do jogador de futebol, a fim de dizer que, “em seu tempo”, o atleta da Seleção, quando retornava dos jogos, tinha de passar pelos mesmos rituais dos cidadãos comuns nos aeroportos. As malas eram vistoriadas e os suvenires que traziam dos outros países tinham de ser inspecionados na Alfândega. Isto é, não havia tratamento diferenciado ou especial pelo simples fato de representarem a Seleção, o que para ele, hoje, é espantoso.

Com doses de ironia, recorda que tiveram de abrir suas malas e pagar os impostos devidos pela compra de relógios e outras “bugigangas”. O que chama a atenção é que tal tratamento das autoridades fiscalizadoras deveu-se em grande medida à derrota. Se tivessem sido vencedores, argumenta ele, teriam sido tratados sob condições especiais. O caso lembra o debate proposto pelo antropólogo Roberto DaMatta acerca da distinção entre indivíduo e pessoa no Brasil. Como derrotados, os jogadores perdiam a aura de distinção – ídolos – e voltavam à condição anônima de indivíduos comuns[3].

Moraes narra com “naturalidade” sua entrada no time que participou da Copa. Soube pelos jornais da convocação para a Seleção. Seu clube, o Corinthians Paulista, recebeu a passagem e Cabeção foi-se apresentar no Rio. Recorda-se da concentração, embaixo das arquibancadas do estádio de São Januário, pertencente ao Vasco, onde ficava o dormitório. Depois vieram os treinos, que segundo ele tiveram ao todo seis meses de duração: primeiro em Lindóia (MG), depois em São Paulo e por fim no Rio, culminando em jogo no Maracanã. Considera que a preparação não era como hoje. Até havia professor de educação física, mas era o treinador que dava coletivo.

Antes da Suíça, foram para as Eliminatórias no Chile, em busca da classificação. Ao descrever a competição pela vaga de goleiro, mostra-se mais indignado. Naquelas Eliminatórias, houve a contusão de Castilho, titular da posição, com quem ele tinha boas relações. Suas esperanças de jogar aumentaram, mas o médico da Seleção diagnosticou que Cabeção apresentava problemas de pressão. Irônico mais uma vez, dá a entender que Veludo foi favorecido. Não se rebelou, tendo-se contentado com a condição de terceiro goleiro, logo depois que Castilho se recuperou.

Na época, não havia banco de reservas e ele assistiu às partidas com os demais colegas, nas arquibancadas de madeira, como os torcedores. Os estádios eram pequenos, mas ficavam cheios nos jogos. Policiais com os pastores alemães vistoriavam as cercas de madeira que dividiam o campo das tribunas. Luis Moraes não lembra de torcedores brasileiros.

No entanto, afirma que o Brasil tinha prestígio na Europa desde Leônidas da Silva e a Copa de 1938. Quando os atletas iam pelas ruas suíças ou em passeios turísticos a caminho de igrejas e museus, eram parados nas ruas, para dar autógrafos. Os habitantes locais reconheciam jogadores como Nilton Santos, que passara por lá em excursões do Botafogo. A torcida local era a favor da Hungria. Descrevia uma torcida mais quieta e mais bem comportada. Ela contentava-se em assistir, vibrar e rir.

Em súmula, são esses os aspectos básicos sobre a Copa de 1954 relatados por Luís Moraes no depoimento ao Museu do Futebol. Cabeção ainda participaria de uma excursão com a Seleção Brasileira à Europa em 1956. Em sua versão, desentendimentos com técnicos – cita o treinador Flávio Costa – o impediriam de ser convocado para a Copa de 1958. Seu relato sobre o torneio internacional na Suécia vem eivado, portanto, de certo amargor com sua exclusão do selecionado. No entanto, pondera que, a partir da conquista da Taça do Mundo, o jogador brasileiro passou a ser mais valorizado, com um melhor “ordenado”.

A volta ao Corinthians em 1954 também é sucedida de ruídos de comunicação com os diretores do clube, o que provoca a sua saída. Vai atuar no Bangu, do Rio de Janeiro. Depois, retorna ao Corinthians e segue para a Portuguesa de Desportos. Joga ainda no paulistano Juventus e depois no Bragantino, de Nabi Abi Chedid. Atuou ainda pela Portuguesa Santista, ocasião em que menciona a defesa de uma cobrança de pênalti batida por Pelé.

Perto dos quarenta anos, já consciente de sua perda de agilidade física, decide “pendurar as chuteiras”. Já tencionava continuar como técnico de futebol, pois considerava-se um jogador extremamente observador e que gostava de gritar do gol, orientando os colegas em campo. Nos anos 1970, assume então as categorias de base do Corinthians. De início no “Dente de Leite”, depois também no Infantil, Juvenil e Juniores. Foram quase vinte anos à frente dos novatos corintianos. Visitava a várzea em busca da revelação de talentos. Diz-se responsável por revelar futuros jogadores profissionais como Casa-Grande, Wladimir, o goleiro Ronaldo, Solidi, Solito, Rafael, Zé Eduardo, Darci e Ataliba.

A última meia-hora de seu depoimento é marcada pelo ressentimento para com o clube. Narra o episódio da perda de seu filho. Professor de Educação Física, atleta nadador do Corinthians e campeão de natação, com 30 anos veio a manifestar-se no jovem um problema no cérebro. O filho adoeceu. Apresentava má formação vascular, sem cura, segundo o diagnóstico do médico. O problema de degenerescência necessitava de uma intervenção cirúrgica de valor exorbitante. Cabeção recorreu então ao dirigente do clube como Wadi Helú, que conhecia o vice-presidente do Hospital Alberto Einstein, em busca de apoio para viabilizar a operação. Não teve nenhuma contrapartida dos dois e seu filho veio a falecer. Desde então fala com amargura do Corinthians.

[1] Ver o relatório de João Lyra Filho: “Taça do Mundo, 1954”.

[2] Ver artigos do livro de Mario Rodrigues Filho, “O sapo de Arubinha: os anos de sonho do futebol brasileiro”. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.

[3] Cf. DaMATTA, R. “Carnaval, malandros e heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro”. Rio de Janeiro: Rocco, 2006.