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Deuses do Futebol – São Jorge e Cafu

Guilherme Trucco

Este é o artigo número 4 da série “Deuses do Futebol”, no qual o autor busca fazer o sincretismo de jogadores míticos brasileiros, com os santos e entidades cultuados no Brasil em diversas religiões.

São Jorge mata o dragão. Foto: Wikipedia.

A Lenda do dragão de São Jorge conta que o exército romano estava acampado próximo a uma cidade, quando Jorge fica sabendo sobre uma fera alada, de hálito tão venenoso, que matava todos ao seu redor. A fera habitava as muralhas da cidade, e seus moradores enviavam carneiros para manter a besta longe da população. Entretanto, já sem opção, o rei decide entregar sua filha ao Dragão.

Jorge ao saber disso decide enfrentar a fera, porém, em troca, caso derrotasse o bicho, o rei e a população deveriam se converter à fé.

Jorge utiliza lança e espada para domar a fera, sempre se protegendo com sua armadura, e embaixo de uma laranjeira, do fogo do Dragão, acabando por matar o bicho.

O dragão (o demônio) simbolizaria a idolatria destruída com as armas da Fé. Já a donzela que o santo defendeu representaria a província da qual ele extirpou as heresias.

São Jorge guerreiro é um dos santos mais idolatrados no mundo inteiro, muito por conta das suas características de santo protetor, cantadas em verso e prosa em sua oração declamada por muitos artistas, como Jorge Ben Jor, Zeca Pagodinho e Clara Nunes, entre tantos.

Ogum incorporado num terreiro de candomblé. Foto: Wikipedia.

No Candomblé e na Umbanda, é sincretizado com Ogum (ou Oxóssi), justamente por suas características guerreiras, de força e proteção poderosas.

No futebol, quando falamos de um jogador guerreiro, incansável na proteção a zaga, mas ainda assim capaz de chegar no ataque de lançamento em punho, o sincretismo só pode ser feito com Cafu.

Lateral direito de fôlego interminável, jogou as copas de 94, 98, 2002 e 2006, sendo campeão em 2 (em 94, foi reserva de Jorginho).

Cafu. Foto: Wikipedia.

Além disso, a lenda de ter sido rejeitado em 14 peneiras antes de ser aceito em uma equipe profissional bem como as carcomidas históricas que levava do mestre Telê Santana para aprender a chegar à linha de fundo e cruzar com perfeição colocam Cafu como o guerreiro por definição.

Sua iconografia, vitrais e santinhos, devem sempre representar o momento da taça da Copa de 2002, com a camisa amarelinha inscrita em afrescos: 100% Jardim Irene.

São Cafu de Irene, portanto.