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“El brujo” Fleitas Solich e sua reformulação no Flamengo

Gabriel de Oliveira Costa

Décadas antes da globalização permitir proximidade com outras fronteiras. Durante os anos 50, o paraguaio Fleitas Solich desembarcava na Gávea para iniciar um processo de ascensão histórica. O período do “rolo compressor” flamenguista seria fundamental para a evolução do futebol nacional.

Fleitas Solich e seu esquadrão de 53-55

Já conhecido por ser o carrasco brasileiro da Copa América de 1953, Solich chegou com peso de ouro para substituir Jayme de Almeida (pai). O treinador que já era famoso por revelar jogadores, criou para o futebol brasileiro Zagallo, Dida e Evaristo. Suas táticas consagraram o elenco rubro-negro como um time veloz e habilidoso, conquistando 9 títulos em 6 anos.

Virada rubro-negra

Solich chegou ao Flamengo diante de um cenário de crise. O início da década ficou marcado pelo fracasso diante dos rivais, em especial ao Vasco, que mantinha longo tabu. Após a venda do craque Zizinho para o Bangu, o Fla teria de buscar na base a receita de seu novo sucesso. A partir de 1953, com a primeira temporada do paraguaio, mais três conterrâneos seriam pilares do Flamengo: Benítez, Chamorro e García.

A primeira geração de ouro do Flamengo tinha Jordan e Pavão com destaque no sistema defensivo. O meio-campo de Dequinha, Rubens, Paulinho e Moacir. A linha de frente com Zagallo, Dida, Evaristo, Joel e cia, protagonizaram o rolo compressor da era “Solich”.

Taças no Flamengo

Tricampeão carioca (53-55), o Flamengo chegou a somar 77 gols em 27 partidas no Carioca de 1953. Nesse ano, o time terminou a temporada com 151 gols, tendo Índio como artilheiro (41). 

O esquema de Solich lembrava a Hungria, com um 2-3-5 clássico na época, o rubro-negro priorizava o jogo ofensivo a todo instante. Como recompensa, na Copa de 1954, ocorrida na Suíça, Dequinha, Índio e Rubens foram convocados para a seleção brasileira. Arrastando multidões no Maracanã, o Fla conquistaria com facilidade o segundo tricampeonato estadual de sua história. Com aproveitamentos sempre acima de 60%, os jovens revelados por Solich se consolidariam na história do clube.

Além das conquistas estaduais, o esquadrão flamenguista acumularia sucesso em torneios internacionais. Goleadas no Peñarol, Internacional e Estrela Vermelha marcaram a façanha do time na época. 

Gilberto Cardoso

O Presidente rubro-negro da época merece destaque na memória. Pioneiro em trazer um treinador internacional naquele período, Gilberto faleceu após um jogo de basquete do Flamengo em 1955. O infarto após uma calorosa vitória de seu clube, marcaria um período de tristeza em meio às conquistas.

A saída de Solich

Fleitas Solich com a camisa do Flamengo. Foto: Arquivo Nacional.

A fama do treinador flamenguista chegou ao Bernabéu em 1959. Os merengues buscaram a escola sul-americana para desbancar o Barcelona, que ameaçava o protagonismo de Madrid à época. Solich deixou o Flamengo, levando consigo o brasileiro Didi, atual melhor jogador do mundo. Além do “Mr. Football”, Darcy Canário deixou o América e se transferiu para o Real.

O começo de 60

Após um ano em Madrid, Solich voltara ao rubro-negro que desde sua saída, voltaria ao jejum de títulos. Seu retorno em 1960 não foi marcado com taças, no entanto serviu de largada para novos triunfos. 

Na época em que o Botafogo assumiria o protagonismo carioca, o Flamengo deu uma resposta para sua torcida vencendo o Torneio Octogonal de Verão. Superando Corinthians, Boca, River, Vasco e São Paulo, os rubro-negros celebrariam o título internacional.

Emendando a sequência, o Torneio Rio-SP também foi conquistado pelo Flamengo. Apesar da sonora goleada sofrida para o Santos de Pelé (7 a 1), o time de Solich deu o troco final em pleno Pacaembu, contra o mesmo Santos: 5 a 1.

O “rolo compressor” do Flamengo perderia gás depois dali, e mesmo com Solich alavancando a imagem do clube em seu período no comando, em 1962 o paraguaio acertou sua saída novamente.

Portanto, a saída de Solich marcou o fim do maior período vencedor do clube até então. O Flamengo mais forte desde sua saída seria a geração de Zico, criada ao final dos anos 1970. “El Brujo” deixou o clube com 366 partidas, 14 títulos e o legado de: craque se faz em casa.

Além de contribuir com a seleção de 54 e 58, o paraguaio ascendeu para o futebol, uma constelação de craques oriundas da base rubro-negra.