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El jefe da primeira greve

Roberto Jardim

Os mais velhos o conhecem por ser um dos responsáveis pela maior tragédia do futebol brasileiro – pelo menos até os 7 a 1 da Alemanha, em 2014. Os mais novos, possivelmente, talvez só tenham ouvido falar dele. Ou nem isso.

O certo é que, além de ter acalmado seus companheiros, esfriado a Seleção Brasileira e 200 mil torcedores ao segurar a bola por um par de minutos para reclamar do gol sofrido, ajudando sua equipe a colocar a cabeça no lugar para virar o jogo e conquistar uma Copa do Mundo, o camisa 6 do Democracia Fútbol Club é muito mais do que isso.

Criança pobre, trabalhou como jornaleiro e operário, até poder ganhar seu sustento correndo atrás da bola. Assim, a experiência da dura vida nas ruas durante a infância e a realidade do trabalhador braçal fizeram de Obdulio, apesar de semianalfabeto, uma pessoa inteligente. Além de torná-lo um líder. Dentro e fora do campo.

– Eu era um negrinho pobre, que ia a todos os lados com minhas alpargatas e uma velha boina. Sentia-me livre e me divertia, acreditava que o futebol era algo importante e que ganharia muito com ele – contou ao jornalista Antonio Pippo, em 1993, em uma das poucas longas entrevistas que deu desde 1950 e que virou o livro Obdulio desde el Alma, do qual são retiradas as declarações do nosso personagem.

Foi com essa liderança que fez carreira nos três clubes profissionais pelos quais jogou e na seleção uruguaia, a famosa Celeste Olímpica. E, devido a ela, ganhou o apelido de El Negro Jefe e o respeito de colegas de campo, dos dirigentes, da imprensa e dos torcedores, mesmo dos adversários.

Capitão em todos os times pelos quais passou, manteve a braçadeira ao levar o Uruguai a duas Copas do Mundo, em 1950, no Brasil, e 1954, na Suíça, ganhando uma e ficando em quarto na outra. Virou lenda por sua força, sua hombridade e sua honradez. É lembrado até hoje por quem veste a camisa da seleção charrua, pela qual jogou 45 vezes, de 1939 a 1954, e marcou nove gols.

Foi por conta da autoridade, conquistada a ferro e fogo nos tempos de trabalhador das ruas, que comandou a primeira e maior greve que o futebol mundial já conheceu. Após oito meses, findo o protesto, sem grandes conquistas, como frisa El Jefe a Pippo, Obdulio não baixou a cabeça nem mudou seu senso de justiça. Continuou a atuar pelo Peñarol, defendeu sua seleção, conquistou uma Copa do Mundo e se tornou exemplo para muitos boleiros engajados e ativistas.

A escola da rua

Obdulio Jacinto Muiños Varela nasceu em 20 de setembro de 1917 em uma Montevidéu então de casas baixas e muito campo aberto além das regiões centrais. Como hoje, o Uruguai tinha na pecuária seu braço forte. E os bairros pobres da capital expressavam isso, com empregos vindos dos frigoríficos e das fazendas das cercanias. Ou nem isso.

Foi numa dessas regiões, entre Capurro e Cerro, junto à Baía de Montevideo, que Obdulio veio ao mundo.

– O bairro La Teja era uma zona muito pobre. De gente sacrificada. Ficava muito longe do Centro – lembra.

O pai vendia lenha e tinha uma pequena horta, que depois perdeu. A mãe cuidava dos 11 filhos. Obdulio recorda:

– Mesmo que possa não parecer, na nossa casa havia muita alegria.

Com tantos filhos e um lar sem muitos confortos, era natural que ele, assim como os demais irmãos, passasse a maior parte do tempo na rua:

– Era inevitável. Tantos negrinhos soltos, tantas necessidades, a busca por um ou outro peso.

Por conta disso, a escola nunca foi uma prioridade. Como ele mesmo contou, a passagem pelas salas de aula não durou muito. Obdulio estudou apenas três anos. Só foi aprender a escrever, bem mais tarde, quando casou com Catalina Keppel, que lhe ajudou na tarefa.

– Minha escola mesmo foi a rua. Ela é muito especial. Mas era preciso ter cuidado, assim como você aprende muito, também pode perder muito. Na rua é preciso crescer, se fazer gente. E isso está acima do dinheiro e da fama.

Como a família era pobre, sempre correndo atrás do sustento, a vida dos Varela era itinerante. Obdulio passou a infância indo de um bairro para outro. Sempre na periferia montevideana.

– Devíamos a todos: comerciantes, donos das casas onde morávamos, e tínhamos que sair correndo sempre. Que podíamos fazer?

Para ajudar em casa, começou a trabalhar muito cedo. Aos oito ou nove anos, passava as madrugadas na rua vendendo jornal. Primeiro em Paso Molino – próximo a La Teja. Depois, no Centro, na esquina da 18 de Julio com Yaguaríon, em frente à sede do jornal El Día.

– Foram meus primeiros encontros com as leis da rua, que se baseiam na amizade e no valor da palavra.

Depois de jornaleiro, trabalhou em um boliche, onde levantava os pinos e devolvia as bolas aos jogadores. Assim, passava a noite toda fora de casa, tendo que dormir em qualquer canto que achasse. Passou a ganhar mais do que vendendo jornal.

– Com aquele dinheiro, comia umas milanesas e ia dormir onde desse.

Também trabalhou como mensageiro enquanto a bola ainda era apenas diversão. A paixão pela redonda, aliás, surgiu com pai, que o levava aos jogos do Capurro, um dos inúmeros times de bairros da capital charrua. Ali, aprendeu muito, principalmente vendo o meio-campista Gallego Fernández, conhecido como Patrón de la Cancha:

– Foi daqueles jogos que vieram minha forma de jogar, entregando-me por inteiro.

Das noites nas ruas, também veio o gosto por pela farra e pelo vinho. El Jefe afirmava nunca ter tido problemas por tomar umas e outras. Os resultados em campo e a admiração de colegas e torcedores, de ontem e hoje, são a concordância ao que contou ao jornalista Antonio Pippo.

Um caudilho das canchas

É certo dizer que a experiência nas ruas de Montevidéu levou Obdulio a se transformar em El Negro Jefe. E isso tem explicação na História do Uruguai como país e nação.

O passado charrua é marcado pela ação dos caudilhos, líderes políticos, normalmente estancieiros ou militares, seguidos pelo povo, de todas as classes. Essas figuras criaram raízes no imaginário popular e na cultura uruguaia, inclusive no futebol. Assim, os times passaram a ter seus líderes incontestes. Seus caudilhos da bola.

Um dos primeiros foi José Nasazzi, capitão da Celeste nos dois títulos olímpicos (em Paris, 1924, e em Amsterdã, 1928) e na conquista da primeira Copa do Mundo, em 1930, disputada no Uruguai. Muitos seguiram seu perfil, que o jornalista Antonio Pippo traçou: são homens fortes, de pouca fala, mas muita experiência e liderança, chegando a ser autoritários, às vezes; são taciturnos e livres, receosos de favores fáceis; também são muito honrados, mesmo próximos da noite e da bebida; têm a marca da rebeldia, sempre enérgicos e valentes.

“Mas é preciso dizer que são pessoas cheias de contradições e destemperanças, muito diferentes dos heróis dos livros. Até porque vieram do fundo da pobreza, quase da marginalidade”, resumiu o escriba uruguaio.

Assim era Gallego Fernández, ídolo de Obdulio. Assim passou a ser El Negro Jefe.

– Tornei-me assim pela necessidade que a vida na rua impõe para se fazer respeitável. E fui assim também dentro do campo. Comecei a usar o exemplo de Gallego Fernández. Tomei gosto de jogar falando sempre, gritando forte às vezes, ordenando.

Em seguida, Obdulio resume:

– Com o tempo aprendi que isso é fundamental. Um time sem caudilho será desorganizado, individualista, e mais de um dos jogadores se entregará a primeira dificuldade.

Quando morava em La Comercial, bairro perto de onde hoje fica rodoviária de Tres Cruces, nosso personagem começou a jogar na Fortaleza, antigo clube do bairro, localizado na esquina das ruas Nueva Palmira com Juan Paullier. Como era um cuadro muy chico, não havia campo de futebol. A gurizada jogava em qualquer lugar. Até mesmo na rua.

Da Fortaleza, Obdulio passou pelo Dublín e pelo Pascual Soma. Mais ou menos por essa época, já sabia que queria continuar no futebol:

– Nessa altura eu já sabia que ou saia da pobreza com o futebol ou ficava pobre para sempre.

Foi então que chegou ao Club Atlético Juventud, de Las Piedras, cidade próxima a Montevidéu:

– Desde pequeno sempre mantive posição. Jogava parado, no meio. Tinha pinta de capitão. Pensava que ali tínhamos um panorama de todo o campo. Gostava de pedir a bola quando estava livre. Depois, levantava a cabeça e lançava para algum companheiro melhor posicionado.

Chegou ao Juventud em 1932, ano da profissionalização do futebol. Quatro anos depois, era promovido para o profissional. Ficou no clube, que disputava, normalmente, as séries B e C, dois anos. Em 1938, foi transferido para o Montevideo Wanderers.

– Foi aí que começou minha vida de profissional. Ali ganhei, realmente, os primeiros pesos por jogar futebol. Imagine que alegria!

Depois um bom ano nos Bohemios, foi convocado pela primeira vez para a seleção charrua. Em janeiro de 1939, foi ao Peru disputar a Copa América. Nos primeiros anos entrava em poucas partidas, mas virou titular em 1942 e só deixaria a Celeste em 1954, após 45 jogos e nove gols.

– Sempre fui um homem honrado. E, dentro do campo, sempre dei o melhor de mim. Mas quando vestia a Celeste, não sei, era como uma transformação. Só assim entendia o que queria dizer pátria, sentia-me alguém responsável pela alegria e pela tristeza dos meus compatriotas. Também me sentia livre e importante.

Da época do Wanderers, Obdulio guardou as melhores lembranças. Dizia ter sido seu maior momento:

– Não me entenda mal. Não sou um desagradecido. Mas no Wanderers vivi uma época plena, livre, cheia de amigos, divertida… Parecia que podíamos tocar o céu com as mãos. Época de pura ilusão.

A grande greve

Depois de cinco anos nos Bohemios, El Negro Jefe, que era capitão dos alvinegros desde 1940, chegava a um dos grandes do Uruguai. Seu perfil de caudilho das canchas levou-o ao Peñarol, time que defenderia pelos próximos 12 anos, até sua aposentadoria, em 1955, aos 38 anos.

Nesse período, o Carbonero enfrentou altos e baixos, como narra Obdulio a Pippo. Porém, o meio-campista ajudou o clube a levantar 20 taças, entre campeonatos uruguaios e os torneios Competencia e Honor, competições extintas atualmente. Muitos deles, com nosso camisa 6 como capitão da equipe. Foi ali que mostrou mais da sua liderança.

– Foram 12 anos de emoções, vividas a pleno. Ali deixei minha alma, senti tudo o que acontecia. Além disso, estava sempre na frente. Se surgia algum problema com os técnicos, eu dizia a eles. Não deixava de jogar, de me esforçar, mas o que estava errado era preciso ser dito. Discutia o que tinha que discutir. E aceitava o que era preciso aceitar.

E acrescenta, explicando porque era como era:

– Sempre tive um pouco de rebeldia. Sempre fui de dizer não quando não queria algo. Sei que minha rebeldia me distanciou de muitos, principalmente quando notava que estavam se metendo na minha vida particular.

Seu estilo de liderança também era admirado pela família. Em depoimento a Pippo, sua mulher Catalina disse:

– Apesar de ser atrapalhado com dinheiro e de gostar bastante de uma farra, Obdulio sempre teve um conceito muito estrito de honradez.

Segundo Cata, como Obdulio a chamava, o craque ajudava os amigos, e aqueles que não conhecia. Além disso, brigava pelo que era justo, não se importando com quem tivesse que bater de frente.

Assim, chegamos a outubro de 1948, quando começava a primeira e mais longa greve de jogadores do futebol mundial. Até maio do ano seguinte, ou seja, apenas um ano antes da Copa que seria disputada no Brasil, todos os atletas charruas cruzaram os braços por contratos mais justos e salários melhores.

O movimento foi liderado pela Mutual Uruguaya de Futbolistas Profissionales, sindicato criado por Obdulio e seus companheiros e inspirado no FAA – Sindicato de Futbolistas Argentinos e Agremiados, surgido em 1944. As duas divisões profissionais uruguaias, criadas em 1932, pararam. O campeonato de 1948 não teve vencedor.

A paralisação se estendeu ao outro lado do rio da Prata, onde os jogadores argentinos também deixaram de jogar, defendendo questões parecidas e levando a melhor seleção sul-americana dos anos 40 a uma crise que a tiraria do Mundial no Brasil – mas isso é outra história.

Para se sustentar, os jogadores uruguaios trabalhavam onde dava e recorriam à Mutual:

– Vendíamos bônus e organizávamos jogos. Com isso, conseguimos alguns pesos para construir a casa dos jogadores e dar algum sustento durante a parada. Mas levamos a greve até 1949 sem conseguir benefício algum para a categoria.

Apesar de muitos afirmarem que a greve terminou com vitória dos boleiros, Obdulio era crítico quanto aos resultados obtidos. Disse a Pippo que os jogadores se equivocaram e saíram perdendo:

– No fim, venceram-nos, prometendo mil coisas que não foram cumpridas.

O meio-campista contou que acabou sendo o mais crucificado. Diziam que ele era o único líder e o colocavam contra a torcida e a imprensa.

Além dos jogos para levantar fundos para os grevistas, a Mutual não deixava de lado a solidariedade. Assim, El Jefe ainda arranjava tempo para jogar bola pela caridade. Em uma dessas ocasiões, um homem rico do Interior quis pagar uma rodada de uísque aos jogadores que faziam uma partida para arrecadar fundos para um orfanato. Obdulio pediu a palavra:

– Pois bem, doutor. O senhor paga o uísque e nós tomamos café. A diferença nós damos para as crianças.

Ainda durante a paralisação, dirigentes do Peñarol tentaram fazer um agrado a Obdulio e sua família. Um dia, ele chegou em casa e encontrou uma cozinha nova sendo instalada. Não pensou duas vezes e mandou recolocarem as peças no caminhão e devolverem a quem as haviam mandado.

Sobre a promessa de não voltar a jogar pelo Carbonero, que havia feito durante a greve, Obdulio resume o motivo da volta:

– As pessoas me paravam nas ruas, mandavam cartas, até meus colegas vinham pedir para eu voltar. Sabe como é, sou um simples ser humano, modesto, quase ignorante. É lógico que tenho minhas contradições. Nada é tudo branco e preto. Todos temos muito cinza dentro de nós.

A esposa do Jefe também contou ao autor de Obdulio desde el Alma que ele jamais quis participar de acordos com dirigentes que não fossem beneficiar todos os jogadores da sua equipe ou como categoria. Tanto que, certa vez, o Peñarol firmou o primeiro contrato para patrocínio nas camisetas. Como os boleiros não ganhariam um tostão, nosso camisa 6 se negou a vestir o novo uniforme:

– O tempo em que colocavam argola no nariz dos negros acabou – dizia, ao afirmar que recebia para jogar futebol, não para ser manequim.

Outra vez, antes de uma partida, os cartolas queriam pagar um bicho de 500 pesos para Obdulio e 250 para os demais jogadores. Ele se negou a receber mais do que os companheiros.

Apesar de quase analfabeto, Obdulio não era um homem burro. Pelo contrário, a vida nas ruas havia dado a ele a experiência necessária para circular nos vestiários e nos salões atapetados dos dirigentes, sobre os quais resumia:

– Apenas uns três ou quatro são respeitáveis. De resto, não sabes o que é essa gente… Se dão prêmios, ficam com o ouro e entregam a prata aos jogadores… Em uma viagem, eles iam na primeira classe e nós na segunda… São os reis do engano! E têm péssima, muito péssima memória.

O resto é história

A greve de 1948 se estendeu até 1949. Mesmo sem o campeonato, Obdulio ainda mantinha a rotina de exercícios físicos diários, hábito criado ainda guri. Apesar disso, não queria vir ao Brasil disputar o Mundial, aquele que marcaria a estreia da numeração nas camisetas das equipes.

Alguns dizem que ele se achava velho para defender a Celeste, no período da Copa, teria 32 anos. Outros, que fez chantagem, só aceitando jogar se tivesse garantido um emprego público quando pendurasse as chuteiras – algumas fontes sugerem que todos os jogadores ganharam empregos públicos após o bi.

O certo é que El Jefe e um escrete desacreditado embarcaram para o Brasil para uma Copa pouco normal. Para começar, dos 32 inscritos para as 14 vagas – Brasil, país sede, e Itália, campeã em 1938, já estavam garantidos –, oito desistiram antes do começo da disputa, entre eles, Argentina – por conta da debandada de jogadores alvicelestes para a Colômbia, fruto da greve de 1948 –, Peru e Equador.

Assim, Bolívia, Chile e Uruguai seriam os representantes sul-americanos ao lado do país sede. Além disso, em cima da hora, Turquia, por questões financeiras, Escócia e Índia, por temas políticos ligados à Inglaterra, desistiram. Dessa forma, dos quatro grupos de quatro equipes, um ficou com três e outro com apenas duas.

E coube exatamente ao Uruguai ficar na chave com apenas um adversário. Que foi a Bolívia. Depois de uma goleada de 8 a 0, a Celeste chegou à fase final, disputada em forma de quadrangular, que casou as duas melhores campanhas disputando o último jogo.

No dia 16 de julho de 1950, o Brasil tinha vantagem do empate e saiu ganhando. Mas a experiência e o estilo caudilhista de Obdulio se sobrepuseram. Após o gol de Friaça, aos dois do segundo tempo, El Negro Jefe colocou a bola embaixo do braço e foi reclamar com a arbitragem. Conseguiu esfriar os ânimos da equipe brasileira e dos 200 mil torcedores e acalmar seus companheiros.

Desse ato de pura experiência surgiu a virada, o Maracanazo, com gols de Schiaffino, aos 21, e de Ghiggia, aos 34, o Uruguai conquistou seu segundo Mundial, 20 anos após o primeiro. Os jogadores charruas calaram 200 mil vozes no Maracanã recém-inaugurado.

Festa no gramado não houve. Jules Rimet, presidente da FIFA, precisou procurar o capitão uruguaio em meio a jogadores, jornalistas e torcedores chorando para entregar a taça. E para o caudilho charrua, também não houve festa no hotel.

Ele saiu sozinho, para beber com os vencidos nos bares cariocas. Mas isso já é outra história. Afinal, cansado de falar sobre o Maracanazo, Obdulio, que morreu em 20 de setembro de 1996, desabafou em seu depoimento a Antonio Pippo:

– Estou cheio de contadores de histórias, desses que depois de te ouvir, sobem no carro e contam maravilhas. Faz mais de 40 anos que os sustento. Vem um, vem outro, cai um terceiro por ali e todos contam à sua maneira, escrevem o que eu não disse.


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A série tem a colaboração de Diego Figueira, na revisão dos textos, e do craque do traço Gonza Rodriguez, nas ilustrações.

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