82.12

El Minero em Buenos Aires: o Atlético nas oitavas de final da Libertadores

Gustavo Cerqueira Guimarães

A fase de grupos

Depois do Atlético Mineiro enfrentar o Colo Colo, do Chile, o Melgar, do Peru, e o Independiente del Valle, do Equador, a equipe obteve quatro vitórias, um empate e uma derrota e se classificou em primeiro lugar, com 13 pontos, pelo grupo 5 da primeira fase da Copa Libertadores. Esses números ainda garantiram ao Galo o quarto lugar geral da competição, o que lhe dá a vantagem de realizar o segundo jogo dentro de casa, caso ele não enfrente os três primeiros colocados: Atlético Nacional, da Colômbia, Pumas, do México, e o Corinthians.

Essa vantagem não é pouca coisa, tendo em vista que por não a ter o Galo foi eliminado logo nas oitavas de final da competição no ano passado pelo Inter de Porto Alegre. A equipe não soube fazer o resultado em casa justamente diante do técnico Aguirre, então treinador do time colorado, e perdeu o jogo de volta na capital gaúcha sem sequer ameaçar o adversário. Portanto, diante dos bons resultados que o time vem obtendo, não consegui entender a tamanha insatisfação dos torcedores do Atlético Mineiro ao vaiar demasiadamente o técnico Aguirre diante do Melgar ao goleá-lo por 4 a 0, com direito a gols importantes, como o centésimo gol pela Libertadores, feito pelo zagueiro Tiago, o primeiro gol do Robinho na competição e um gol do Pratto para lhe trazer a autoconfiança, além de um gol do garoto Carlos, voltando de contusão, narrados assim pelo Mário Henrique Caixa, da Rádio Itatiaia:

O time se classificou muito bem na Copa Libertadores, pois além de estar na final do Campeonato Mineiro, diante do América, ele vem adquirindo um padrão de jogo como há muito tempo não se via, sobretudo na defesa (atenta). Alguns podem até discordar desse padrão, mas que há absoluta regularidade há, como bem vem nos advertindo o mestre Tostão em suas crônicas publicados pelo jornal O Tempo. Inclusive, há mais padrão de jogo que o estilo “Galo Doido” adotado pelo Cuca e pelo Levir nas competições vencidas pelo Galo em 2013 e 2104, respectivamente a Libertadores e a Copa do Brasil. O time ganhou bem essas competições, isso não resta dúvida, mas muito foi pela força, pelos “milagres individuais” e pelo desespero de buscar os resultados, colocando sempre a defesa marcando muito à frente, levando bolas nas costas praticamente o tempo todo – sobretudo nas costas do Marcos Rocha (craque indiscutível). No entanto, esses erros foram visivelmente corrigidos pelo recente técnico. Só para ilustrar o que estou a dizer, o Atlético no Campeonato Brasileiro de 2015 sofreu 47 gols, apenas um a menos que o último colocado, o Joinville, e dois a menos que o penúltimo na tabela, o Goiás. E olha que esse feito, negativo, foi obtido com defensores excelentes, fantásticos, extraordinários, todos já convocados pela seleção brasileira: Victor, Marcos Rocha, Leo Silva, Jemerson e Douglas Santos.

Dessa forma, acredito que é tempo de darmos mais e mais créditos ao técnico Aguirre, pois ele começou a pouquíssimo tempo no clube e não é hora para vaias. Está ficando cada vez mais chato conviver nas arquibancadas com esse tipo de torcedor, torcedor-consumidor que considera que pelo simples fato dele pagar o ingresso, ele tem o direito de ver o time ganhar, só de ganhar.

BELO HORIZONTE / MINAS GERAIS / BRASIL 14.04.2016 Atlético x Melgar no estádio Arena Mineirão - Copa Libertadores 2016 - foto: Bruno Cantini/Atlético MG

Diego Aguirre passa instruções para os jogadores do Atlético Mineiro na partida contra o Melgar pela Copa Libertadores 2016. Foto: Bruno Cantini / Clube Atlético Mineiro.

Hoje, a equipe vem escalada (provavelmente) com Victor; Marcos Rocha, Leo Silva, Erazo e Douglas Santos; Leandro Donizete, Rafael Carioca, Júnior Urso e Dátolo; Robinho e Pratto. Acredito que não teremos grandes surpresas, pois há um padrão de jogo estabelecido pelo técnico, prefiro apostar nisso, já que tudo é uma aposta. Já que se trata de um jogo, tudo pode acontecer.

O adversário: o Racing

O Racing Club, fundado em Buenos Aires em 1903, é um dos cinco principais clubes da Argentina. Seu principal rival é o Independiente, com quem faz o famoso Clássico da Avellaneda. Embora seja um time portenho de tradição, o clube participou apenas oito vezes da Copa Libertadores, a mesma quantidade de participação de seu adversário de logo mais à noite, o Atlético Mineiro. Em suas participações, o clube de Buenos Aires tem uma campanha ligeiramente superior ao clube de Belo Horizonte, pois realizou 74 jogos, obteve 36 vitórias (49% de aproveitamento), 20 empates e 18 derrotas. Marcou 126 gols a favor e sofreu 80, conquistando um título em 1967, levando também o Mundial Interclubes. Já a equipe mineira, realizou 69 partidas, alcançando 30 vitórias (43% de aproveitamento), o mesmo número de empates e uma derrota a mais. Marcou 103 gols a favor e levou 76 gols, conquistando o recentemente, em 2013. Um fato curiosíssimo a se destacar, é que o Racing nunca enfrentou equipes brasileiras por essa competição, diferentemente do Atlético que já enfrentou clubes portenhos em oito oportunidades, como quatro vitórias para cada lado.

Torço demais para o Galo hoje à noite no estádio El Cilindro, a temperatura estará baixíssima na capital Argentina, cerca de 10º. Lisandro López, o carrasco que marcou três dos cinco gols sofridos pelo Atlético nas oitavas de final do ano passado, estará em campo novamente, só que desta vez jogando pelo Racing. Gustavo Bou é outro jogador de destaque, mas não se sabe se ele vem para a partida. E como bem vem nos alertando durante a semana o nosso argentino Dátolo, os portenhos vêm pra cima do Galo com tudo nos primeiros quinze minutos de jogo. Portanto, é segurar na defesa como nunca (e isso o time vem mostrando que sabe fazer), pois o 0 a 0 já é um excelente resultado.

 

Como citar

GUIMARãES, Gustavo Cerqueira. El Minero em Buenos Aires: o Atlético nas oitavas de final da Libertadores.