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Era expectativa, virou história

Leandro Marçal

Esses últimos dias de Copa do Mundo são curiosos. Se fizéssemos questão de arquivar os prognósticos dos dias que a precederam, muita gente sentiria vergonha. Uns fizeram previsões do que esteve longe de acontecer, outros esqueceram o Imponderável de Almeida ao falar das táticas, estratégias e posicionamentos.

Se o futebol espelha a vida, com a Copa não é diferente.

Era expectativa demais e alienação de menos, falta de ânimo para acompanhar tantos jogos virando perguntas repetitivas sobre os cruzamentos na próxima fase. Um único assunto passou a ser tratado por gente de todas as classes sociais.

Imagino padres usando a competição nas homilias, pastores tratando da overdose de futebol para tocar o espírito de seus fiéis e até casais colocando a Copa do Mundo como desculpa para terminar o relacionamento capenga ou mesmo adiar compromissos.

Agora, o clima é o de quem sabe que não há forma de fazer o tempo parar. Resta aproveitar essas últimas horas de festa e curtir os momentos derradeiros.

Muitas histórias para contar. Isso é a Copa. Isso foi a Copa. E sempre será. Daqui a um tempo, os lances marcantes vão fazer parte da memória afetiva. Por incrível que pareça, já existíamos antes de acontecerem e eles foram criados diante dos nossos olhos, mesmo que à distância.

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Copa do Mundo 2018. Arte: Freepik.

Seria possível passar anos discutindo tudo o que já aconteceu em todas as edições realizadas. Mas, pensar que ainda há muito a ser escrito é o que fascina nesse evento gigantesco. Os gols fantásticos de nossa memória afetiva terão que se apertar para dar espaço aos que serão marcados ainda nessa semana, daqui a 4 anos. 8, 12, 16, para sempre.

O tempo corre e isso vira passado, memória. Seremos capazes de dizer onde estávamos nos jogos mais agudos. Vamos explicar às crianças o que representa isso tudo, por que todo mundo para, o que já aconteceu antes de sua formação no útero.

Uns dirão que não é como antigamente. Mas serão os primeiros a gritar e não mudar de assunto, como tem acontecido. Outros ficarão meses comprando figurinhas, juntando tabelas, acompanhando os noticiários, alimentando a expectativa até que ela vire história.

É uma insanidade. Mas vale a pena. Ah, se vale…