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Feliz 1993, torcida palmeirense! Luxemburgo é nosso novo treinador!

Gustavo Dal'Bó Pelegrini

O interminável ano de 2019 ainda trouxe um último presente ao torcedor palmeirense. Duas semanas depois da demissão de Mano Meneses, Vanderlei Luxemburgo é anunciado como novo treinador do Palmeiras. Se o discurso do presidente Maurício Galiotte após a demissão era de uma renovação ofensiva e moderna no estilo de jogo, a opção foi por voltar 20 anos ao passado, direto ao século XX.

Luxemburgo é, sem dúvidas, um dos grandes treinadores da história de nossa equipe. Sob seu comando, vencemos alguns dos maiores títulos de nossa história: o Paulista do fim do jejum em 1993, o Bi-Brasileiro 1993-94, o Paulista de 100 gols de 1996 e também nosso último Paulista, em 2008. São, no total, dois títulos brasileiros, quatro paulistas e um Rio-São Paulo. Um currículo excelente. Quase todos, porém, na década de 90, e o último há mais de uma década.

Fora do Palmeiras, o currículo continua grandioso. Venceu campeonatos nacionais por Corinthians, Santos e Cruzeiro, teve passagem pela Seleção Brasileira e chegou a comandar o Real Madrid, apesar de não ter deixado saudades por lá. Todas essas glórias, porém, foram há pelo menos, quinze anos atrás. Nos últimos anos, sempre teve trabalhos no máximo medianos, sem ter um futebol de qualidade e muito contestado por todas as torcidas. Após mais um trabalho mediano, agora no Vasco, a diretoria alviverde volta a apostar no “Profexô”.

Vanderlei Luxemburgo durante a partida entre Vasco e Flamengo, realizado no Estádio Mané Garrincha, pelo Campeonato Brasileiro de 2019. Foto: Andre Borges/ALLSPORTS.

Desde sua última passagem pelo Palmeiras, em 2009, seus números e títulos não são nada empolgantes. Venceu o Campeonato Mineiro pelo Atlético em 2010, o Carioca pelo Flamengo em 2015 e o Pernambucano pelo Sport em 2017. Passou ainda por Santos, Cruzeiro, Fluminense, Grêmio e pela China. Ao encerrar sua passagem pelo Sport, em outubro de 2017, permaneceu sem clube até ir parar no Vasco, em maio deste ano. Durante o período desempregado, colecionou participações em programas esportivos, onde invariavelmente discutia com quem criticasse seus trabalhos e dizia a todos que nada no futebol havia mudado nos últimos dez ou quinze anos. Seu último projeto, este ano pelo Vasco, encerrou-se na semana passada, tendo apenas 12 vitórias em 34 jogos, terminando o Campeonato Brasileiro na 12ª posição.

Não é difícil entender o pensamento do comando palmeirense na escolha. Ao não chegar a um acordo com Sampaoli, a contestada diretoria aposta na memória afetiva do torcedor e no folclore do novo treinador. Fala-se como se o trabalho de Luxemburgo à frente do Vasco tivesse sido grandioso pelo time carioca não ter lutado para não cair. O próprio treinador, na verdade, subvalorizou seu elenco por todo o campeonato, como se não tivessem bons valores no time. Mesmo assim, ficou atrás de Bahia, Goiás e Fortaleza, elencos mais limitados e de menor poderio financeiro. Seu maior feito na temporada inteira foi o empate por 4 a 4 com o campeão Flamengo nas últimas rodadas. Nada que brilhasse aos olhos, mas o suficiente para que Galiotte e sua equipe o escolhesse como novo escudo contra as críticas que recebe dos palmeirenses.

A recepção da torcida se mostra dividida, mas tende a piorar com o tempo. As temporadas de Santos e Flamengo foram demonstrações claras da desatualização dos treinadores brasileiros, tão contestada por Vanderlei. Dificilmente o treinador conseguirá mostrar o futebol que a torcida exige, e mesmo que obtenha algum êxito no estadual, é difícil acreditar num bom trabalho a médio e longo prazo. Assim como Mano Meneses, o treinador parece já chegar com prazo de validade.

Jorge Sampaoli. Foto: Ivan Storti/Santos FC.

O comando palmeirense, ao não ter a coragem de apostar em novas ideias, mesmo que a partir de um nome desconhecido, acovarda-se e traz alguém muito aquém do esperado. Por temer passar mais dias sem técnico e atrasar o planejamento para 2020, recorreu ao que estava mais próximo. Ao apostar todas as fichas em Sampaoli, esqueceu-se que talvez o acordo não chegasse, e acabou não pensando em outros nomes com as qualidades e características esperadas. Diante da frustração das negociações com o argentino, restou apenas quem já estava por ali. Se sonhamos com futebol moderno, acordamos com um treinador do século XX.

Particularmente, eu tento sempre ter certo otimismo nos nomes que chegam ao Palmeiras, mesmo porque só me resta torcer para o bom desempenho da equipe. Mais uma vez, assim, como no caso de Mano, espero estar totalmente enganado e que, magicamente, Vanderlei tenha voltado às suas ideias e momentos de glória. Dessa vez, porém, o otimismo é bem menor que das outras. É muito difícil apoiar um time quando sua diretoria parece que quer apenas brincar com a cara do torcedor.