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Há de brilhar a cruz dos teus brasões

Marcos Teixeira

Fazemos parte de uma grande família e muito nos orgulhamos. Uma família que completou 100 anos no dia 14 de agosto de 2020. E é disso que se trata, afinal: família. Não a de sangue, mas a que escolhemos, a que nos acolhe e a que acolhemos. Família é sentir-se em casa, seja qual for a casa. Basta ser rubro-verde.

Nem sempre unida, tampouco amiga, mas sempre querida. Às vezes, mais benquista pelos de fora do que pelos seus, sobretudo quando estes são os que gerem os destinos e geram as confusões, como numa grande família qualquer, embora esta não seja uma família qualquer.

Chegamos ao ano 100 mesmo sem saber o que será daqui para a frente, ou melhor (ou pior, dependendo do ponto de vista), desde o fim de 2013 para a frente, mesmo caminhando para trás em inúmeras ocasiões. O amor que não divide não precisa ter divisão para ser amado, mas não precisa por à prova tantos amores, como tem feito em tantas desfeitas. Desfaçatez, de disparate em disparate, disparadamente as piores decisões possíveis de serem tomadas.

Lusa, 100 anos! Foto: Fábio Soares/Futebol de Campo.

Mas seguimos. Tão fortes quanto o amor pela Portuguesa pede que seja. Aliás, exige que seja assim. Por mais 100, mais 1000, quantos mais houverem, mesmo que sejamos cada vez menos para carregar a nossa cruz, que é a de Avis, e que carregamos com o amor que corre no sangue de quem é rubro-verde até nas veias.  

Porque sempre haverá de brilhar a cruz dos teus brasões. Porque para cada Castrilli, haverá um Enéas, um Basílio, um Pinga; para cada tapetão, uma linha com Djalma Santos, Brandãozinho e Ceci; para cada dirigente com ideias alicerçadas no barro, um Oswaldo Teixeira Duarte. Essa grande família, que tem Dener, Capitão, Julinho, Ivair, Servílio, Kaverna, Rainha, Sardinha, Garba (que Deus o tenha!). O quase gol de Edu, nos eternos segundos até o travessão, na má sorte que nos persegue em forma de azar, de apito ou de conchavos de fora para dentro.

Nosso orgulho nos basta. Da mesma forma que Portugal, nossa mãe, fez-se em outro 14 de agosto, lá em 1385, fizemos história por pelo menos 80 destes 100 anos, e nos renovamos para fazer mais, não importa quantas batalhas de Aljubarrota tenhamos que lutar. Que seja breve, tão breve quanto é perene a nossa força, a nossa tradição. Tudo aquilo que não se compra, mas se conquista. Essa é a grandeza na certeza que a suas glórias nos dão, Portuguesa.

E vamos à luta. Por mais 100 anos.