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Hungria: a mãe esquecida do futebol – Parte II

Gabriel Said

Esta é a segunda parte sobre a história da Hungria no futebol e sua influência no jogo moderno. Se ainda não leu a primeira parte, clique aqui.

Adesivo do 1. FC Köln em poste próximo ao Parlamento de Budapeste. Foto: Acervo pessoal.

Berlim, 22 de junho de 1922: no antigo Deutches Stadion – que foi demolido para a construção do Estádio Olímpico –, Hamburgo e Nuremberg jogavam a final única do campeonato alemão. O campeonato reunia os sete campeões regionais e o atual campeão nacional em uma disputa eliminatória de jogos únicos. Para chegar à final, o campeão do norte, Hamburgo eliminou o Titania Stettin, representante báltico e Wacker Munique, campeão do sul. Já o Nuremberg era o atual campeão e havia derrotado SpVgg Leipzig, da região central, e SV Norden-Nordwest, campeão da província de Brandemburgo.

A final em Berlim terminou empatada em 2 a 2 após os 90 minutos e os 30 minutos de tempo extra, forçando a partida à morte súbita. No livro Uli Hesse, Tor!, de 2002, tem uma breve passagem sobre a partida onde diz “ninguém tinha força restante para dar um chute ao gol, mas ninguém estava disposto a desistir também”. Após 189 minutos de futebol, a partida foi interrompida pela escuridão da noite.

Em 6 de agosto, a partida foi retomada em Leipzig. Muito mais intensa e violenta: Willy Böß, atacante do Nuremberg foi expulso com 18 minutos de jogo. No início do segundo tempo, Träg abriu o placar para o Nuremberg e, vinte minutos depois, Hamburgo empatou com Schneider. Logo depois, Kugler, do Nuremberg se machucou e o time ficou com dois a menos em campo. A partida foi para o tempo extra de novo e, aos 5 minutos, Träg foi expulso. No intervalo, Nuremberg perdeu outro jogador; Popp entrou em colapso e a partida foi encerrada. Inicialmente, o título foi atribuído ao Hamburgo, mas com protestos do Nuremberg foi decidido mais tarde que ambos os clubes seriam campeões desta que é considerada até hoje como a Final Eterna.

Max-Morlock-Stadion, estádio do Nuremberg inaugurado em 1928, quando Nuremberg era a equipe mais forte da Alemanha. Foto: Reprodução.

O treinador do Nuremberg era o ex-defensor do MTK Budapeste, Dori Kürschner. Após um tour na Alemanha com o MTK em 1920, Kürschner continuou no país trabalhando no Stuttgart Kickers, ganhando o campeonato de Württemberg e se classificando para o campeonato da região sul da Alemanha, terminando em terceiro. Sua forma de trabalho chamou a atenção do Nuremberg e mais tarde estariam ganhando o campeonato nacional. Entre o título de 21 e a Eterna Final, Kürschner rodou por Bayern de Munique e Eintracht Frankfurt.

Na década seguinte, Kürschner esteve a maior parte do tempo na Suíça, onde era muito popular. Junto de Jimmy Hogan, foi responsável por preparar a seleção suíça para as Olimpíadas de 1924, então o maior torneio internacional de seleções. Os suíços perderam para o Uruguai na final após vencer Lituânia, Tchecoslováquia, Itália e Suécia. Treinando o Grasshopers durante nove anos, Kürschner ganhou a liga três vezes e a copa quatro. “Conhecido e adorado por toda a Suíça”, como aparece no jornal Ujság de 21 de maio de 1931, Dori também era amigo de figuras importantes como Hugo Meisl e Walther Bensemann. Em 1934, porém, Dori Kürschner toma a decisão de se mudar, e isso teria um impacto profundo na história do futebol.

O tour do MTK não deixou apenas Dori por lá, o Bayern de Munique se encantou com o futebol danubiano e estava determinado a aprendê-lo. Nos anos seguintes, o clube tentava regularmente convencer ex-jogadores do MTK Budapeste a treinarem o Bayern até que em 1925 contratou Jim Pherson, treinador escocês, para ensinar o jogo de passe curto. A falta de resultados competitivos abreviou sua passagem por lá, e os bávaros voltaram a buscar húngaros daquele MTK. Naquele momento Imre Pozsonyi, ex-jogador do MTK, estava de saída do Barcelona e acabou fechando com o tcheco DFC Prag ao invés dos bávaros, mas o Bayern conseguiu levar um dos reservas do MTK; Léo Weisz. O húngaro conseguiu levar o time até a semifinal nacional de 1928, com a equipe perdendo para o Hamburgo e Weisz, o seu emprego. Seu sucessor foi Kálmán Konrád, um conhecido do MTK. Em seu primeiro ano, conseguiu chegar às quartas de final nacionais, eliminando o Dresden de Jimmy Hogan nas oitavas. Em 1930, seu contrato não foi renovado após o clube falhar em se classificar para o campeonato nacional. Em 1932, o Bayern derrotou o Nuremberg treinado por Jenő Konrád, irmão de Kálmán, e conseguiu seu primeiro título nacional com o austríaco Richard Kohn.

Os irmãos Konrád adoravam a Alemanha apesar de serem judeus e sofrerem cada vez mais com o antissemitismo. Enquanto Jenő continuou em Nuremberg o máximo possível, sempre com o apoio do clube, Kálmán trabalhou em diversos países diferentes nos anos seguintes: Tchecoslováquia, Romênia e outros até chegar à Suécia, onde ajudou o país a formar a base da seleção vice-campeã mundial de 1958.

Ao sul dos Alpes a influência húngara é mais forte. Ao mesmo tempo que se pode afirmar que o crescimento italiano no futebol se deve à ascensão do fascismo no país, é impossível ignorar as contradições com o país sendo tão receptivo a aprender com as duas melhores escolas de futebol do mundo na época: rio-platense, com os oriundi (jogadores argentinos e uruguaios com descendência italiana), e danubiana, vindo de Viena e Budapeste. Martí Perarnau mostra a presença húngara na Itália:

“A marmita húngara influenciou fortemente o mundo inteiro – somente na Itália se reuniram 60 treinadores e 74 jogadores húngaros entre 1925 e 1940 – exceto em um cenário: Inglaterra, a terra ilhada que por definição recusa historicamente qualquer inovação, inclusive as promovidas pelos nativos, que dirá por forasteiros.”

O campeonato nacional italiano tinha recém se unificado e muitos clubes tinham dificuldades com a mudança, como o caso da Ambrosiana, atual Internazionale, além de Napoli, Roma e Fiorentina, que foram feitos a partir de fusões de clubes locais na mesma época para abrir espaço a clubes de todas as regiões italianas no novo campeonato.

Árpád Weisz fez história na Internazionale e Bologna até ser vítima do nazismo e morrer em Auschwitz. Foto: Wikipedia.

A Inter foi treinada pelo húngaro József Viola em 1928-29 e depois por Árpád Weisz. Weisz queria botar em campo um jovem atacante e, com a saída do atacante Fulvio Bernardini, o treinador falou: “Finalmente posso jogar com o garoto”. O atacante de 19 anos era Giuseppe Meazza. Rejeitado pelo rival de Milão por ser muito baixo, Weisz reconheceu sua habilidade e o colocou sob uma dieta de carne para ganhar força e o fazia chutar a bola com os dois pés contra uma parede para virar ambidestro. Weisz introduziu o ritiro, que é a concentração no dia anterior ao jogo e universalmente utilizada hoje em dia. No meio do campeonato de 1929-30, Meazza já era titular e a Inter foi campeã nacional meses depois com 31 gols do jovem atacante. Weisz, com 34 anos, é até hoje o mais jovem treinador estrangeiro a ganhar a liga italiana.

No livro Il giuoco do calcio, de Aldo Molinari, ex-diretor da Internazionale, Vittorio Pozzo descreve no prefácio a Inter de Weisz como “o time mais técnico de toda a Itália”. Giuseppe Meazza, que marcaria 272 gols pelo clube, ganharia duas Copas do Mundo e teria um estádio com seu nome, falava que Weisz era o melhor treinador que ele teve. Gipo Viani, um dos pioneiros do catenaccio, também falava abertamente da influência de Weisz em sua vida.

Após a Inter, Weisz teve destaque em Bologna no final da década de 1930, ganhando um tricampeonato com o clube da cidade. O clube também começou a contratar empresas para cuidar da manutenção do gramado e instalar aquecedores no vestiário. Nada, a não ser a história, poderia impedir esse clube com treinador judeu a continuar crescendo.

Vista da cidade de Bologna, onde Weisz foi tricampeão. Foto: Acervo pessoal.

Géza Kertész trabalhou durante anos na Itália, sendo considerado um gênio das ligas inferiores. Conseguiu promover Salernitana, Catanzarese, Catania e Taranto da terceira para a segunda divisão e por uma derrota no último jogo não conseguiu promover a Atalanta para a primeira em 1938-39. “Meu pai sempre lembrava de Géza como alguém de bom coração. Ele era um homem calmo e equilibrado. Não procurava conflitos e nem gritava com seus jogadores como treinador. Ele amava vinho tinto seco e era grande fã de ópera”, relata seu neto Lajos Pécsely.

Ernő Erbstein foi o húngaro com mais sucesso na Itália. Começou no Olympia ainda como jogador, na antiga cidade de Fiume (atual Rijeka) quando o país tinha territórios croatas. Apesar de restrições a estrangeiros e de uma forçada volta à Hungria, Erbstein retornou à Itália no final da década de 20 como treinador do US Bari. O início foi fraco, terminando em 13º entre 16 na divisão classificatória para a nova Serie A unificada, sem vencer um único jogo fora de casa. Estava tentando replicar uma versão de W-M húngaro que aprendeu em um tour pelos Estados Unidos um tempo antes. Foi demitido e substituído pelo austríaco Josef Uridil.

Erbstein, então, foi treinar o AG Nocerina, que jogava a Nocera Inferiore, uma das divisões regionais classificatórias para a Serie B. Nocerina foi vice-campeã com pontuação igual ao campeão, mas o clube teve que decretar falência devido à sua condição financeira, e Erbstein foi parar no Cagliari para a temporada seguinte. A equipe, então, conseguiu a promoção para a Serie B e na sua estreia terminou em 13º, mas o clube se alinhou às políticas de restrições a estrangeiros e Erbstein foi mandado embora.

Em 1933, após rápido retorno ao Bari, Erbstein vai para o ambicioso clube Lucchese, da cidade murada de Lucca. No ano seguinte, contratou o atacante Bruno Scher, do Triestina, que era considerado como “não confiável” por ser abertamente comunista e antifascista. Scher era um atacante com qualidade de Serie A jogando nas divisões regionais, o que fazia dele um excelente reforço. Apesar de algumas cobranças bastante estritas de Erbstein com seus jogadores, como proibir cabelos longos, o húngaro não via sentido na desconfiança sobre o atacante. Dizia que “coragem e suor são os ingredientes que precisamos para preparar nosso bolo da vitória”.

Erbstein gostava de contra-ataques assim como a maioria dos treinadores que usavam o W-M. Mas ao invés de se preocupar mais com a velocidade e força, ele tinha foco na técnica. Tinha como prioridade fazer dos seus jogadores ambidestros e introduziu o campaccio (campo ruim) para melhorar a técnica dos jogadores, talvez tentando replicar os grunds (várzeas) húngaras.

Lucchese venceu a divisão regional terminando sete pontos na frente do Pisa e marcando 80 gols em 28 jogos. Na fase seguinte, para se classificar à Serie B, venceu cinco e empatou o outro dos seis jogados e se classificou para a segunda divisão. Para a Serie B, foi contratado o goleiro Aldo Olivieri que estava sem clube e mais tarde se tornaria herói italiano na Copa de 1938. Lucchese terminou em 7º na B com a segunda melhor defesa, mas com ataque fraco. Para o ano seguinte, então, foi contratado Vinicio Viani, que marcaria 34 gols no campeonato, até ser substituído pelo talentoso Danillo Michelini, de 17 anos.

Erno Erbstein ficou no Lucchese até 1938 e saiu com a missão cumprida, pegando o clube na terceira divisão e o deixando com um sólido sétimo lugar na primeira divisão. O húngaro cultivava enorme interesse em filosofia e ciência do esporte, sendo conhecido por desenvolver métodos avançados de observação de jogadores, rotinas de treinamento, dietas para melhorar o desempenho físico e principalmente por sua preocupação humanista com os jogadores, que o ajudou imensamente em toda a sua maturação até chegar no clube que faria o seu trabalho mais relevante: Torino.

Em seu primeiro ano em Turim, Erbstein terminou em 2º, atrás do Bologna de Weisz. Depois disso o cerco fascista aos judeus ficou muito forte e mesmo fugindo de volta para Budapeste, com a invasão nazista à Hungria, Erbstein foi enviado a um campo de concentração. Lá, com a ajuda de outros presos conseguiu brilhantemente organizar uma fuga e ficar escondido até o fim da guerra, mas mesmo durante esses anos truculentos Erno mantinha contato com o presidente do Torino e assim que a guerra acabou ele estava de volta à Turim.

Erbstein, primeiro em pé da direita para a esquerda, e o Grande Torino. Foto: Wikipedia

O Torino manteve a filosofia de trabalho de Erbstein durante sua ausência, esperando ansiosamente seu retorno e já colhendo os primeiros frutos com os títulos de 1942-43 e 1945-46. O retorno do húngaro em 1946 transformou aquele time no Grande Torino, que ganharia todos os campeonatos jogando um futebol que combinava o estilo técnico danubiano de passes curtos com a solidez do W-M inglês, criando um estilo de contra-ataque conhecido como il sistema. O Grande Torino era uma força imparável, chegando a ter 10 dos seus jogadores no time titular da Itália num amistoso em 1947 contra a Hungria, de vitória italiana por 3 a 2. Muito provavelmente o Torino junto da La Maquina do River Plate eram os dois melhores times do mundo na época até a Tragédia de Superga.

Esquema tático do Grande Torino. O meiocampista Rigamonti jogava recuado, mas não era um terceiro zagueiro como no W-M. Foto: TacticalPad.

No leste europeu, um treinador húngaro chamado Márton Bukovi fez uma inovação tática que anos mais tarde seria fundamental para os Aranycsapat da década de 50 e vários outros times formidáveis como o Ajax tricampeão europeu, Barcelona de Guardiola e até o Liverpool atual: Bukovi introduziu o falso nove.

Em 1935, cinco anos após encerrar a carreira devido à lesão, o presidente do MTK Budapeste convidou Bukovi a treinar a equipe, que rejeitou por não querer treinar antigos colegas de equipe. Então, foi chamado pela federação húngara a ler as cartas de pedido de ajuda a desenvolver o futebol através da escola danubiana que outras federações enviavam à Hungria e Bukovi optou por ajudar a Iugoslávia, assumindo o Đaranski Zagreb, precursor do Dinamo Zagreb.

James Donnelly, irlandês que antecedeu Bukovi, falou sobre a direção do clube: “Eles acreditam que sistemas ganham jogos e que todo o segredo do futebol está em uma escola e não nos pés dos jogadores, sua noção de espaço, coletivismo […] Queriam que com uma varinha mágica eu fizesse o time jogar de uma forma e se trocasse a varinha, mudasse o estilo”. Bukovi, porém, tratou da situação com malandragem: “Era óbvio que não implementaria o W-M do dia para a noite, mas falei que faria imediatamente. Por sorte, eles (diretores) não entendem muito de futebol porque o quê nós fizemos foi muito diferente, era il sistema”.

Para entender, o antigo 2-3-5 (pirâmide invertida) deu lugar ao W-M, muito famoso pela rigidez britânica. O W-M era também chamado de il metodo. Il sistema era a variação usada por Erbstein e um meio termo entre a pirâmide invertida e o W-M, em que os dois atacantes internos eram recuados assim como no W-M mas o meio campista central não virava defensor, continuando à frente da defesa e organizando a saída de jogo.

O 2-3-5, ou pirâmide invertida. No W-M o center-half é recuado para entre os camisas 2 e 3 enquanto os camisas 8 e 10 são recuados para o meio de campo, formando um quadrado com o 4 e o 6. Foto: footballhistory.org

Đaranski era um bom time, conseguindo vencer o Liverpool por 5 a 1 em Zagreb em um amistoso e o campeonato iugoslavo em 1936-37 e em 39-40. Nos anos seguintes, o campeonato parou pela guerra. Sobre a Croácia, Bukovi reconheceu que algo foi mais importante do que os títulos em sua vida. “Quando cheguei em Zagreb não tinha ideia da luta do povo croata. Só aqui percebi ela e que pelo esporte, especialmente através do futebol, uma verdadeira luta política é feita”.

Após a guerra, Bukovi voltou a trabalhar em Zagreb. Đaranski se tornara o Dinamo Zagreb e na decisão do campeonato da cidade contra o Lokomotiva foi feita a inovação. “Não foi só um ordinário jogo de futebol no nosso país – nem, ouso dizer, para o mundo. Naquele dia, apareceu pela primeira vez um atacante com uma função especial em campo. Era a primeira vez que a Iugoslávia ouvia sobre um atacante que saia da área, e acho que a primeira vez no resto do mundo também. E com sucesso!”, disse Bukovi.

Assim como Erbstein, Bukovi não recuou tanto o center-half (5). E mais tarde com Hripko como camisa 9 daria mais fluidez ao time introduzindo o primeiro falso nove e um rascunho do 4-2-4. Foto: edição pessoal com uso do Tactical Pad.

O conceito já existia com Smith no Corinthian nos anos 1890, Luis Ravaschino no Independiente nos anos 1920 e Mathias Sindelaar no Wunderteam austríaco da década de 30, mas Dragutin Hripko recuou como nenhum outro atacante, atuando efetivamente como meio-campista e abrindo espaços para os meias avançarem ao ataque, formando um dos primeiros protótipos do 4-2-4.

O país que deu fama ao 4-2-4 foi o Brasil em 58, depois de vários anos aperfeiçoando-o com ajuda de seus vizinhos sul-americanos e imigrantes húngaros conhecidos destes citados acima. Enquanto estava no campo de concentração, Erbstein conheceu Béla Guttmann, que o ajudou a organizar a fuga. Guttmann é famoso pela fantástica equipe do Benfica entre 1959 e 1962, mas antes da fama em Lisboa ele esteve na América do Sul com outros compatriotas, entre eles; Dori Kürschner. Na próxima parte vamos ver um pouco da relação húngara com as já potências rio-platenses e como o Brasil cresceu com a presença húngara no país.


Importante lembrar que essa série é feita a partir do livro The names heard long ago, de Jonathan Wilson. O livro é muito mais rico em detalhes e de histórias e é uma super-recomendação aos interessados. Para saber mais detalhes sobre a vida e trabalho de Ernő Erbstein, vale a leitura de Ernő Egri Erbstein, trionfo e tragedia dell’artefice del Grande Torino, de Dominic Bliss.