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João Havelange: a vida do cartola mais poderoso e polêmico do futebol brasileiro

Matheus Marinho, Elcio Loureiro Cornelsen

Introdução

Jean-Marie Faustin Godefroid Havelange, ou simplesmente João Havelange, nasceu em 1916, no Rio de Janeiro. Filho de um casal belga radicado no Brasil, teve em sua infância todos os privilégios que um membro da elite carioca do início do século XX poderia ter. João soube aproveitar cada um deles: os capitais cultural, financeiro e, principalmente, social deixado pelo pai, poderoso comerciante belga, representante de empresas de armas, engenheiro e poliglota num país ainda em incipiente desenvolvimento. Em sua residência, convivia com “as pessoas que mandavam no Brasil da época” (RODRIGUES, 2006, p. 22), o que ajudou em sua carreira relevante como atleta, jurista, empresário e dirigente esportivo. Nadador e jogador de water polo com participação na Olimpíada de Berlim em 1936, foi no futebol que o nome Havelange marcou época na liderança da CBD (Confederação Brasileira de Desportos, atual CBF) entre 1958 e 1973, e da FIFA (Fédération Internationale de Football Association) no período 1974-1998. Havelange ainda foi membro atuante do COI (Comitê Olímpico Internacional) entre 1963 e 2013. Após a morte precoce do pai, quando ainda tinha 18 anos, Havelange permaneceu atuante nas piscinas olímpicas, formou-se em direito e intermediou importantes contratos em seu escritório de advocacia em São Paulo, onde era ligado à administração dos esportes aquáticos do Clube Espéria. Dali, naquele cargo de gestão, passou para a Federação Paulista e, posteriormente, para a Federação Carioca, não parando mais. O tino para negócios e, posteriormente, para a liderança de 24 anos na FIFA fora herança do cargo de diretor-presidente da empresa de transporte terrestre Viação Cometa: “O que eu fiz na CBD e na FIFA eu aprendi na Cometa” (RODRIGUES, 2006, p. 41). Havelange faleceu no Rio de Janeiro, em 2016, aos 100 anos, vítima de uma pneumonia.

João Havelange nos tempos de atleta. Foto: Divulgação.

Um livro de memórias

O trabalho de grande fôlego do jornalista Ernesto Rodrigues revela, em suas mais de 400 páginas, um perfil diferente do principal dirigente esportivo brasileiro de todos os tempos. Diferente da imagem pública negativa que vigora no senso comum e na mídia sobre Havelange, devido ao envolvimento do biografado em escândalos de corrupção e favorecimentos eticamente duvidosos, a obra, que dialoga todo o tempo com a suposta perseguição dos periódicos e dos jornalistas para com o dirigente carioca, revela as versões de Havelange, de aliados e de alguns de seus adversários sobre os bastidores do poder nas entidades que gerem o esporte brasileiro e mundial.  Segundo Rodrigues, a obra constitui “[…] um retrato instigante […]. Ou inexplorado por uma imprensa nem sempre desarmada em relação ao personagem” (RODRIGUES, 2006, p. 12).

O livro segue a linearidade cronológica dos principais acontecimentos da carreira profissional de Havelange com pequenos trechos sobre sua vida pessoal. Apesar da visão simpática do biógrafo em relação ao biografado, a riqueza do trabalho intenso de entrevistas e dos pontos de vista de outros atores sobre os fatos trazem à luz uma versão interessante e quase nada explorada sobre a vida do dirigente, com destaque especial para a pesquisa desenvolvida recentemente por Luiz Guilherme Burlamaqui sobre o dirigente, A dança das cadeiras: política externa, organização dirigente e circulação de elites transnacionais na eleição de Havelange à presidência da FIFA (1968-1976) (2018). Em Jogo duro, fica evidente o esforço de Ernesto Rodrigues para corroborar a proposta biográfica clássica: desvendar a vida de um homem que nasceu para o sucesso (portanto, “um notável”), que superou os obstáculos com altivez e sabedoria, num tipo que podemos chamar de laudatória, ao mesmo tempo em que busca atingir certa ressignificação da imagem do autor, como descrito pelo teórico francês François Dosse (2009).

Copas do Mundo: o dirigente Tri-Campeão mundial

Na presidência da CBD, em 1958, após ser diretor de esportes aquáticos dentro da mesma entidade, Havelange usou suas boas relações em São Paulo e no Rio de Janeiro para pacificar as antigas rusgas entre os dirigentes das duas cidades.

O pragmatismo nos negócios fez com que Havelange implementasse um choque de profissionalização dentro da entidade que comandava a delegação brasileira para a Copa do Mundo da Suécia daquele ano: alimentação e instalações adequadas, além de uma equipe de saúde formada por clínico, dentista e psicólogo; os últimos dois,  profissionais inéditos na Seleção. O psicólogo surgira, segundo Havelange, menos do dito popular de que os brasileiros não se portariam bem emocionalmente nas decisões esportivas, do que de uma necessidade de acompanhamento de pessoas que vinham de contextos socioeconômicos conturbados. A gestão aliada ao material humano do escrete brasileiro liderado pelo garoto Pelé, bancado por Havelange por ser ainda muito novo, deu o primeiro título mundial ao Brasil, logo no primeiro ano de sua presidência.

Em 1962, no Chile, a Seleção conquistaria sua segunda Copa do Mundo, a receita da mínima profissionalização da delegação que acompanhara os craques brasileiros foi repetida, mas o episódio chave daquele torneio foi “uma das cartolagens mais festejadas da história do futebol brasileiro” (RODRIGUES, 2006, p. 85). Paulo Machado de Carvalho, o homem forte de Havelange na condução da delegação, interveio para que Garrincha, expulso na semifinal contra os donos da casa, não cumprisse a suspensão automática e jogasse a partida. Mané, o craque do torneio, jogou porque o bandeirinha Esteban Marino, testemunha da expulsão, ausentou-se do torneio misteriosamente.

João Havelange olha para a Taça Jules Rimet. Foto: Gerência de Memória e Acervo da CBF.

Em 1966, ocorreu o primeiro grande fracasso administrativo de Havelange. Em meio a uma crise política na CBD que culminou na saída de seu homem de confiança (Paulo Machado) à frente da delegação brasileira que embarcou para a Inglaterra, instaurou-se uma crise na Seleção, desde a maciça convocação de jogadores, a desorganização da comissão e a criticada ida de um preparador físico que era parente da esposa de Havelange. Resultado: após a derradeira lesão de Pelé, obteve-se um dos piores desempenhos da Seleção em Copas.

Em 1970, o grau de profissionalização esteve novamente em pauta. Havelange fez questão, junto com a comissão técnica formada por militares como Carlos Alberto Parreira e Cláudio Coutinho, de que a equipe de preparação física utilizasse o método do renomado professor americano Keneth Cooper. Para tanto, enviou Coutinho para uma temporada nos EUA, para que reproduzisse o método na Seleção. O futebol-arte se via completado com a eficiência de uma preparação física com bases científicas. Entrevistado em 2005, Havelange disse que “não deu menor importância ao fato de a maioria dos centros de excelência da educação física do Brasil, na época, funcionarem em locais onde havia guaritas e se batia continência” (HAVELANGE apud RODRIGUES, 2006, p. 125).

João Havelange em encontro com dirigentes. Foto: Gerência de Memória e Acervo da CBF.

Sobre a influência militar na Seleção, Havelange esquivou-se, confirmando que somente o chefe da delegação, o Brigadeiro Jerônimo Bastos, foi uma indicação do Regime, e que limitou-se às suas funções de logística. Já sobre as influências do Presidente Médici na escalação de Dario e nas conhecidas polêmicas com o técnico substituído por Zagallo às vésperas da Copa, João Saldanha, ele nega, assim como Tostão, Pelé e o próprio Zagallo, em trechos de entrevistas citados. Havelange corroborou a tese de que o ambiente já estava insustentável para o técnico, por culpa do próprio Saldanha: os problemas com o consumo de bebidas alcoólicas, sua relação conturbada com a comissão técnica e com o estopim da demissão: a infeliz declaração na qual Saldanha insinuou que Pelé não estaria enxergando direito.

“Em 2005, ao comentar as críticas que sempre misturaram seu conservadorismo político com uma postura de militante golpista, ele [Havelange] desabafou: ‘Eu não tive nada a ver com o AI-5, não tive nada a ver com a Revolução. Eu respeitei o regime que havia no país, que era minha obrigação como cidadão. Se foi bom ou ruim eu nada pude fazer.’” (HAVELANGE apud RODRIGUES, 2006, p. 129).

Perfil administrativo polêmico: dono de uma personalidade pragmática, Havelange exercia a diplomacia com maestria

“A chave, tanto para abrir os gabinetes presidenciais, como para entender o desafiador leque de convivência política e ideológica que Havelange costurou ao longo de décadas, foi sempre, segundo ele, o poder do futebol e as amizades que ele sempre cultivou na elite brasileira. Ou estes dois fatores providencialmente combinados.” (RODRIGUES, 2006, p. 96).

“Eu faço esporte, eu não faço política”. Com pequenas variações, esta foi a frase mais repetida por Havelange nos episódios narrados ao longo da obra de Ernesto Rodrigues. Em meio a diversas situações geopolíticas, interesses nacionais, e de tentativas e usos da capacidade mobilizadora do futebol por políticos profissionais e dirigentes, tal afirmação pode ser interpretada da seguinte forma: Havelange fazia política independentemente do Regime e da ideologia de seus interlocutores.

A capacidade camaleônica de adaptação do cartola carioca explica muito o sucesso financeiro da entidade suíça em sua gestão e a impressionante rede de relacionamentos (leia-se influência e poder) entre diferentes autoridades, empresários e dirigentes esportivos por todo o mundo.

João Havelange em ensaio nos anos 1970, quando sonhava em ser presidente da FIFA. Foto: Divulgação.

Fiel ao ideal de apoio irrestrito aos amigos e também “aos amigos amigos”, Havelange não hesitou em dialogar (segundo ele, para o bem da FIFA) com ditadores sul-americanos, autocratas africanos e asiáticos, reis, comunistas soviéticos e chineses para alcançar seus objetivos. A biografia de Havelange é rica em si mesma, uma vez que o cargo de dirigente de uma corporação internacional de tamanha relevância como a FIFA, em um quarto final de século efervescente, como o século XX, o colocava automaticamente em uma turbina de interesses e decisões capitais para o futuro da política e do esporte bretão, que estava prestes a se tornar um dos negócios mais lucrativos do planeta. A característica que os amigos e colegas mais valorizavam em João: “transitar com desenvoltura e suavidade pelos corredores do poder, independentemente do partido, do regime, do rei ou do ditador da vez.” (RODRIGUES, 2006, p. 73).

Foi no governo (Governador da Guanabara) de Carlos Lacerda, como Secretário de Esportes, em 1960, que Havelange ajudou a criar o FUGAP (Fundo de Garantia do Atleta Profissional), uma espécie de previdência aliada à preparação profissional para uma futura carreira dos ex-atletas. Na mesma época, um embate por recursos federais contou com sua intervenção: Lacerda (à direita) travara uma batalha hostil com o então Presidente João Goulart (à esquerda) por recursos federais. João foi o intermediário, resolvendo o assunto em reunião com o presidente. Mais uma vez, utilizou sua “fenomenal elasticidade de seu círculo de relações pessoais” (RODRIGUES, 2006, p. 88).

João Havelange em encontro com Juscelino Kubitschek, então presidente do Brasil. Foto: Gerência de Memória e Acervo da CBF.

No golpe de 1964, o dirigente teve de utilizar sua rede de contatos para se livrar de uma investigação, após um interrogatório de um militar sobre a assinatura do então exilado ex-Presidente Juscelino Kubtschek, seu amigo pessoal, como avalista de um apartamento em seu nome. Ainda no período ditatorial, Havelange veio a intervir na prisão da esposa de um amigo, pelo Regime. Em poucas horas, a jovem militante estava solta, sorte diferente de diversos desaparecidos políticos.

Nas eleições de 1974 para a FIFA, após capitalizar seu sucesso como dirigente da CBD, três vezes campeão do mundo, Havelange utilizou o pragmatismo de sempre para interpretar o estatuto da entidade e conseguir os votos necessários para sua eleição. Também mobilizou sua rede de amigos para conseguir apoio e financiamento (Elias Zaccour, um amigo libanês de Havalange, também ajudou explicitamente o companheiro quitando a dívida de 14 federações africanas para com a FIFA, para que as mesmas pudessem votar) nas viagens pelos rincões do globo em busca de votos das federações até então marginalizadas pelo presidente em exercício da entidade, o britânico Stanley Rous. Entre as promessas de campanha do brasileiro estavam: o retorno da China comunista como federação filiada à entidade, um posicionamento firme contra o Apartheid na África do Sul e o aumento da representatividade e do número de vagas para federações africanas e asiáticas.

João Havelange e Stanley Rous, o dirigente inglês contra quem concorreu à presidência da FIFA. Foto: Divulgação.

Havelange cumpriu à risca as promessas de campanha, mesmo com a citada antipatia e resistência do núcleo duro europeu da FIFA para com o presidente da entidade. O maior obstáculo dentre as promessas foi o caso da China. Para obter sucesso, foi auxiliado pelo magnata empresário de Hong Kong, Henry Fok, interlocutor no imbróglio colossal entre os governos da China e de Taiwan, que não se aceitavam mutuamente dentro da entidade. Segundo a biografia, o interlocutor e a retórica de Havelange deram um fim às rusgas entre as federações e abriram um mercado de um bilhão de potenciais consumidores para a FIFA.

A facilidade em transitar entre democracias e regimes autoritários ou totalitários ficara cada vez mais evidente no caso China-Taiwan, e também nos decisivos votos que conseguira no Oriente Médio e no bloco soviético. Sobre o apoio do bloco da URSS, obtido após troca do voto no COI para que Moscou fosse a cidade sede das Olimpíadas de 1980 com o representante do governo soviético Pavlov, Havelange conclui: “era um regime difícil, mas quando se comprometia, era perfeito, um relógio” (HAVELANGE apud RODRIGUES, 2006, p. 146).

Como presidente da FIFA, Havelange seguiu o protocolo e, na polêmica Copa do Mundo de 1978, na Argentina, não mediu esforços para que o evento ocorresse à revelia dos abusos do Regime presidido pelo General Videla e da pressão internacional para suspensão do torneio. Pressionado para reeleição na FIFA, Havelange mobilizou até mesmo o apoio técnico da TV Globo, adquirido por sua estreita relação com o diretor global Boni para que o sinal chegasse, em cores e em qualidade aceitável (diferentemente do que a infraestrutura argentina poderia oferecer), para todo o planeta.

João Havelange em mais um evento como presidente da FIFA. Foto: Divulgação.

A relação com o empresariado mundial e com o incipiente marketing esportivo revolucionou totalmente as receitas da FIFA na gestão do dirigente carioca e ajudaram sensivelmente em suas reeleições. No seio da globalização, contratos milionários passaram a vigorar entre a entidade suíça e empresas multinacionais como a Adidas, a ISL, a japonesa Dentsu e a Coca-Cola, em uma de suas medidas de que mais se orgulhara:

“O dinheiro dos patrocinadores é que dá a liberdade necessária ao esporte. Em qualquer atividade, o dinheiro liberta. Uma receita sem publicidade cai nas mãos dos governos e perde sua liberdade. Nossos patrocinadores nos dão os recursos que nos permitem ter a independência que temos. Em troca, nós lhe abrimos os mercados. Isso é o que conta.” (HAVELANGE apud RODRIGUES, 2006, p. 256).

Em outro episódio “neutro” ideologicamente, Havelange intermediou mais uma remessa de recursos federais para o Rio de Janeiro. Os recursos pretendidos por Lionel Brizola, em 1982, para a construção da Linha Vermelha, importante complexo viário carioca, eram sucessivamente negados pelo presidente e amigo de Havelange, João Figueiredo. Após mais uma reunião demorada, o projeto seria desarquivado das gavetas do planalto central.

Joseph Blatter, então secretário geral, e João Havelange, presidente da FIFA, segurando a bola da Adidas, Tango Espanha, em abril de 1982. Foto: Wikipedia.

Outros episódios icônicos e demonstrativos do poder de influência de João Havelange são narrados na obra de Ernesto Rodrigues. O que descredencia João, no último capítulo, seria a seguinte assertiva: “Quero ser lembrado apenas como um administrador” (HAVELANGE apud RODRIGUES, 2006, p. 379). Polêmicas envolvendo suas reeleições e o incessante jogo de interesses que vigora periodicamente para a escolha das sedes da Copa do Mundo, além de outras informações de bastidores interessantes para os pesquisadores dos bastidores do futebol, estão contidas no texto.

Enfim, Havelange fez da FIFA, uma entidade com mais países vinculados do que a ONU, como gosta de se gabar na obra; porém, também a utilizou como uma extensão de sua rede de networking, claramente moldando seu projeto ambicioso de poder que atrelou a administração da entidade a vínculos pessoais, num ciclo imenso de favorecimentos nos quatro cantos do mundo. Eticamente, nos resta a reflexão sobre o uso privado da instituição com um dos maiores interesses públicos da humanidade: o futebol.

Considerações finais: um legado com muitas polêmicas

Alguns fatos merecem ser ressaltados. Havelange foi, sem dúvida, um importante ator do esporte brasileiro e mundial. O rompimento do eixo eurocêntrico no comando da FIFA foi importante para a internacionalização em massa do futebol, uma vez que a África, a Ásia e a Oceania foram descobertas no mapa da entidade suíça. É certo que o interesse de Havelange era se eleger, na base do regulamento “um país, um voto”, presidente à custa das federações periféricas do mundo. Conseguiu e cumpriu as promessas de envio de cursos de capacitação e recursos financeiros para o desenvolvimento do futebol local (de fato, os gastos dos gestores locais nem sempre condiziam com o objetivo proposto). A Copa do Mundo não diminuiu drasticamente seu nível técnico por conta do aumento de participantes de 16 para 24 e, posteriormente, 32 finalistas, e, além disso, tais medidas implementadas na gestão Havelange ajudaram a aumentar o interesse pelo futebol em outras partes do globo.

Sabendo nadar no contexto mundial da globalização, Havelange estava no lugar certo e na hora certa para transformar o futebol no esporte número um do mundo e um dos negócios mais lucrativos da história. É difícil mensurar se o contexto interferiu mais no sucesso da proposta de internacionalização ou se as medidas supracitadas foram mais preponderantes. Críticos dirão que foi o contexto, apoiadores dirão que o poder da caneta e das costuras políticas de Havelange foi decisivo. Talvez um pouco das duas coisas.

João Havelange, em visita à sede da CBF, na Barra da Tijuca, Rio de Janeiro. Foto: Rafael Ribeiro/CBF.

Mas, se existiu, qual foi o custo ético da expansão astronômica de uma entidade semiamadora para uma corporação que movimenta bilhões de dólares por ano? A biografia que inspirou este texto, datada de 2006, não conseguirá rebater os sucessivos escândalos de corrupção envolvendo os nomes de Havelange e de outros aliados elogiados ao longo do texto, tais como Sepp Blatter, o ex-genro e ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, Carlos Arthur Nuzman, ex-presidente do COB, além dos dirigentes da ISL, empresa que detinha relação estreita com a FIFA em toda a gestão de João Havelange.

Antes de seu falecimento, Havelange renunciou a seu cargo no COI e à presidência de honra da FIFA, fugindo de investigações das entidades nas quais atuou decisivamente durante grande parte de sua longa, relevante e polêmica vida.

Referências

DOSSE, François. O desafio biográfico: escrever uma vida. São Paulo: EDUSP, 2009.

RODRIGUES, Ernesto. Jogo duro: a história de João Havelange. Rio de Janeiro: Record, 2006.

Sites consultados

FIFA confirma que Havelange e Teixeira receberam propina. Exame. Acesso em: 17 fev. 2020.

ESCANDALO ISL foi responsável por derrubar Havelange. Folha de S.Paulo. Acesso em: 17 fev. 2020.

João Havelange, uma vida extraordinária. Ludopédio. Acesso em: 17 fev. 2020.

PF está nas ruas do RJ para cumprir mandados de prisão. G1. Acesso em: 17 fev. 2020.

FUTEBOL bandido 2: nos anos Havelange, cultura de corrupção invadiu a FIFA. UOL. Acesso em: 17 fev. 2020.

PREFEITURA oficializa mudança de nome do Engenhão para Nilton Santos. Estado de S.Paulo. Acesso em: 17 fev. 2020.