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Jogos sem súmula? No feminino acontece

Luciane de Castro

Quando a gente pensa que já viu de tudo no futebol feminino, vem alguém pra mostrar que NÃO, nós ainda não vimos todas as bizarrices e amadorismos praticados por dirigentes e demais envolvidos com a modalidade. A última vem da Federação Mato-grossense de Futebol. Quer dizer, já não seria a primeira, mas é sem a menor sombra de dúvida, a mais amadora.

Lembro que na Copa do Brasil de 2010, num jogo entre Mixto/MT e Gênus/RO, a partida não pode acontecer porque não foi providenciada a ambulância que consta como item obrigatório para a realização de qualquer partida de futebol no país, de acordo com o Estatuto do Torcedor. A CBF, inclusive, publica o Plano de Ação com as diretrizes da Lei 10.671/03 para todos os clubes e federações.

Pois bem, o jogo não aconteceu e de acordo com o que determinava o regulamento, o Mixto/MT estaria desclassificado e o Gênus/Ro avançaria para a próxima fase da competição. Cumprimento de regras? Justiça com a equipe que viajou “alguns” quilômetros para jogar sua bola? Não, muito longe disso. O presidente da Federação Mato-grossense de Futebol em exercício na época, João Carlos Oliveira Santos, em coletiva, deu a seguinte declaração:

Federação Matogrossense de Futebol (reprodução).

“Bom relacionamento” passa por cima de regulamento

A delegação do Genus/Ro retornou a Cuiabá para realizar o jogo que não deveria ter acontecido e foi desclassificado da Copa do Brasil de 2010. Bonito, né?

Aí chegamos a 2012 e como sempre esperamos que as coisas caminhem de maneira mais profissional com as meninas, mas a Federação Mato-grossense se supera e me deparo com a seguinte informação no site Cenário MT.com.br:

“O Campeonato de Futebol Feminino Amador de Mato Grosso, encerrado na semana passada com a vitória do Serra sobre o Operário, pode ser inteiro anulado por supostas irregularidades como a falta de súmula (espécie de ata de cada partida onde constam informações sobre os árbitros, juiz e jogadores que estiveram em campo durante cada partida), obrigatória pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para validade de eventos esportivos.

Depois de receber denúncias de graves irregularidades relacionadas à final do campeonato de futebol feminino amador de Mato Grosso, a presidência do Operário, time que perdeu a final por 3 x 1 do Serra, entrou com um recurso ordinário junto ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) para que a Federação Mato-grossense de Futebol apresentasse a súmula do jogo, porém, a Federação, respondeu ao STJD dizendo que a súmula não havia sido feita.

Diante disso, o Operário resolveu questionar junto ao STJD sobre o mesmo documento referente ao campeonato inteiro e caso a Federação não apresente, o time pode pedir a anulação dos jogos.

O Serra chegou ao título com uma equipe reforçada por várias jogadoras de São Paulo.

O Operário, formado basicamente por atletas do Rio de Janeiro, é vice-campeão estadual feminino pela terceira vez seguida”.

Diante de tal bizarrice, vou procurar informações no site da Federação e me deparo com páginas vazias no que se refere ao Estadual Feminino. Súmulas? Pra que??

Federação Matogrossense de Futebol (reprodução).

No site do STJD não consegui encontrar informações sobre o Recurso Ordinário que o Operário enviou, segundo a reportagem do site citado acima. Acabo de mandar email para o Superior Tribunal de Justiça Desportiva para tentar saber em que pé está a situação. Aguardo a resposta.

Enquanto isso, vamos pensar um pouco: Como é que jogos acontecem sem o preenchimento de súmulas e isso só é observado na final do campeonato? Ninguém assinou nada e ainda assim foram a campo pra peleja? E as informações dos árbitros, onde foram anotadas? Muito estranho, mas não de se admirar que aconteça numa partida de futebol feminino, ainda mais por aqui, onde bom relacionamento, “serviços prestados” ou qualquer outra forma de lobby, suplanta as regras.