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O jornalista esportivo

Luciano Victor Barros Maluly

Quando comecei a escrever esta crônica sobre jornalismo esportivo, minhas pernas tremeram da mesma forma de quando tive a oportunidade de ser titular, pela primeira vez, de uma equipe de futebol. Eu tinha sete anos e fui acompanhar meu primo Marcelo até o quintal da casa dos vizinhos. O dono da bola também era um menino gordinho, um ano mais velho, e que seria titular porque, simplesmente, era o dono da bola. O nome dele era José Luiz Cerveira Filho (hoje professor de sociologia na Universidade Federal do Paraná). Os garotos maiores jogariam na linha e o Zé, mesmo xingando a todos, ficou como um dos goleiros. Ninguém queria jogar no gol, mas, para mim, seria a glória. Fiquei lá, quietinho, esperando uma chance. “Bota o Tuquinho!”, meu apelido de criança, gritou um dos moleques. “Ele é muito pequeno e magrinho”, o outro menino sussurrou. “Sua mãe ficará brava”, disse o meu primo. Tomei coragem e fui lá, sem falar uma palavra. Não levei nenhum gol e, quando estávamos ganhando de cinco a zero, o goleiro adversário começou a chorar e fugiu com a bola gritando “Eu quero jogar na linha!”.

E foi ali na Estância Turística de Piraju, no interior paulista, que comecei a descobrir o meu amor pelos esportes e pelas atividades físicas. Aprendi a nadar no Rio Paranapenama, quando meus amigos Rogério Campanelli e Renato Dardes Barbério tomaram a minha boia de pneu de caminhão no meio da travessia e precisei retornar, sozinho, a nado até a beira do rio. Também foram esses mesmos amigos que me empurraram do trampolim do Iate Clube Piraju, onde aprendi a dar alguns saltos.

Pratiquei atletismo, futsal, basquete, vôlei e, principalmente, handebol na escola. Gostava tanto desta última modalidade, que uma vez virei herói estudantil, quando disputamos a final do campeonato da aula de Educação Física, ministrada pelo professor Theudureto Porfírio da Rocha Júnior, também chamado de Doretinho. O jogo decisivo estava empatado, quando defendi um pênalti no último minuto e ainda fiz o gol da vitória ao encobrir o goleiro adversário que estava adiantado. Considero o feito como a minha primeira conquista como “profissional”. Devo ao meu professor os ensinamentos sobre o esporte e a educação física. Aprendi com ele as regras das modalidades e também valores como o jogo limpo (fair play), a amizade e, principalmente, dar o melhor de si, mesmo que o resultado não seja o esperado.

Também joguei futebol de campo, tendo sido campeão interescolar da cidade na categoria até os 14 anos. Não joguei a final, porque fiquei doente em virtude de minha irmã Christiane ter caído de Mobilete (tipo de bicicleta motorizada). Preferi ser solidário e fiquei com ela no hospital. Também joguei os Jogos Regionais em Garça, onde fomos vice-campeões, com muito orgulho. Lutamos para ser vice e ali aprendi que nem sempre o campeão é o primeiro colocado. A cidade de Marília, representada pelos juniores do Marília Atlético Clube, ficou em primeiro, mas ambos saímos vencedores.

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O futebol. Foto: Jan Ribeiro/Pref. Olinda.

Meu último jogo na cidade foi como titular da equipe de futsal do Tiro de Guerra. Que time! Estávamos entrosados, mas ficamos em quinto lugar, jogando como a seleção brasileira dos craques Douglas e Jackson – ídolos da garotada na época – que conquistou o bicampeonato mundial em 1982 e 1985.

Alguns atletas da minha cidade sempre impressionaram pelo talento, como o Marquinhos Zampieri e os irmãos Rogério e Alexandre Mineiro (craques em todas as modalidades), o Cláudio Pezão e o Zé Carlos Nunes (pelos dribles), o Paulo Kase (pela raça) no futebol, a Elianinha no basquete, a Lúcia Goretti na natação, entre tantos outros. Ficava admirando e torcendo pelos meus ídolos.

Porém, foi com o time profissional do Piraju Futebol Clube que enfrentei os primeiros desafios como torcedor, junto com o meu primo Ricardo Pedro. Quando adolescentes, queríamos assistir aos jogos, mas, como bons malandrinhos, sem pagar o ingresso. Em vez de gastar o dinheiro com o jogo, guardávamos para o sorvete e a pipoca. Só tinha uma saída: pular o muro e se esborrachar no terreno que ficava do lado oposto das arquibancadas. Deixamos o jogo começar para não sermos flagrados. O resto era só comemorar. Nosso ídolo, assim como dos demais torcedores, era o goleiro Gilmar, o único titular natural da cidade. Do Piraju Futebol Clube, recordo do esforço do falecido presidente Pedro Jonas da Silva, o Pedrão, um incentivador do esporte na cidade, que sempre organizava campeonatos e levava a molecada para participar de algumas peladas com os craques da época. Ficava no banco e entrava nos segundos finais, com orgulho de compartilhar o tapete sagrado com meus ídolos, como Tarugo, Mané Carioca, Almir, entre outros.

Quando terminei o colégio, fiquei perambulando por um tempo, pensando no que fazer da vida. Sempre fui muito estudioso e cheguei até a passar no vestibular para o curso de Educação Física na Universidade Estadual de Londrina, no Paraná. Desisti, porque sabia que o meu destino era outro. Anos depois, passei novamente na UEL, mas desta vez para o curso de jornalismo. Logo no primeiro ano, comecei a frequentar as aulas obrigatórias de Educação Física. Para mim, era um prazer. No primeiro jogo, o nosso professor formou um grupo para treinar contra o time titular de futsal da UEL. Primeira bola do jogo, primeiro gol do fixo (jogador de marcação) do catadão. O professor ficou chateado com a situação e eu mais ainda, pois torci o pé no final do jogo.

As minhas memórias permanecem nos campos, nas quadras, nas piscinas, nos rios e nos lugares onde se pratica uma modalidade ou qualquer atividade física. Dou o mesmo valor aos jogos do Campeonato Brasileiro de Futebol e aos atletas amadores que caminham pelo Campus da Cidade Universitária. Sempre desejei contar algumas histórias, assim como revelar o que aprendi com os meus mestres ou o que ensino aos meus alunos. E hoje o Ludopédio transformou o meu sonho em realidade ao conceder este espaço para um professor que queria ser jornalista esportivo.