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Londres 1908 – Uma tragédia coloca a Grã-Bretanha no centro do mapa olímpico

Paulinho Oliveira
Cartaz 1908 Jogos Olímpicos

Cartaz 1908 Jogos Olímpicos.

Quarta-feira, 22 de junho de 1904. Nem haviam ainda começado os Jogos de Saint Louis, mas, do outro lado do Atlântico, Londres, capital do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda, já era uma cidade olímpica. Porém, o título não lhe fora concedido pelo fato de sediar os Jogos Olímpicos, mas sim por servir de palco para a 6ª Sessão do Comitê Olímpico Internacional. Em seu último dia, os membros do COI, chefiado pelo Barão de Coubertin, escolheriam qual cidade teria o direito de sediar os Jogos Olímpicos de 1908. No primeiro dia da 6ª Sessão do COI, 20 de junho, quatro importantes cidades europeias estavam no páreo. Além de Londres, Berlim (Alemanha), Milão e Roma (ambas na Itália). Londres e Milão foram logo descartadas, e Berlim desistiu de sua candidatura. Assim, no dia 22 de junho, Roma acabou sendo escolhida a sede dos Jogos de 1908 por unanimidade.

A escolha da capital italiana era o reflexo do crescimento de uma nação que havia se unificado recentemente, em 1870 – embora seu povo tivesse uma história milenar, que remontava ao tempo dos Césares. A Itália do início do Século XX era um reino pretensamente imperialista, com possessões na África e até no Extremo Oriente – caso de Tianjin, na China, cedida para a Itália pela Dinastia Qing em 1901. Por outro lado, não tinha o poderio econômico e militar de potências tradicionais imperialistas como Grã-Bretanha, França e Alemanha – o que não impediu o rei Vitor Emanuel III de apoiar a realização dos Jogos de 1908 em Roma, que já estava com preparativos adiantados para receber o evento esportivo, quando, em 5 de abril de 1906, o Monte Vesúvio – um vulcão de quase 1,3 mil metros localizado no golfo de Nápoles, região da Campânia, sul da Itália – entrou em violenta erupção, devastando a cidade de Nápoles e matando centenas de pessoas.

Por conta da catástrofe causada pelo Vesúvio, o governo italiano moveu todos os recursos financeiros reservados aos Jogos Olímpicos de 1908 para a reconstrução de Nápoles e o atendimento às vítimas não fatais da erupção, o que fez com que Roma tivesse de desistir de sediar os Jogos, a dois anos do início das disputas olímpicas. Com isso, o COI se reuniu em 9 de novembro de 1906, em Atenas, para escolher, por unanimidade, Londres como sede dos Jogos de 1908. A capital britânica se ofereceu para sediar o evento porque, no mesmo ano, seria palco da Exibição Franco-Britânica (Franco-British Exhibition), uma exposição em moldes similares às que ocorreram em Paris (1900) e Saint Louis (1904), em união com a França, país com o qual a Grã-Bretanha compartilhava várias colônias localizadas em diversas partes do globo. Assim, os Jogos Olímpicos de 1908 seriam os terceiros consecutivos a se integrarem como atração de uma exposição internacional.

A Grã-Bretanha na época dos Jogos de 1908

O Século XX começou com a Grã-Bretanha entrando em luto. Em 22 de janeiro de 1901, faleceu a rainha Vitória, aos 81 anos, o que encerrou o até então mais longo reinado da história britânica, que durou 63 anos, sete meses e três dias. Extremamente popular, Vitória, em seu longo reinado, consolidou o poderio colonial britânico no mundo e tornou ainda mais próspero economicamente seu reino. Para demonstrar tal prosperidade, a rainha abriu oficialmente, em 1851, no Crystal Palace, em Londres, a Grande Exibição (The Great Exhibition), evento que é considerado a primeira exposição universal da história. A morte de Vitória também encerrou uma dinastia. A Casa de Hannover governava os britânicos desde o reinado de Jorge I (1714-1727). Como o marido de Vitória, o príncipe Alberto (falecido em 1861), era integrante da Casa de Saxe-Coburgo-Gota, essa dinastia passou a deter o poder da Coroa britânica a partir do reinado de Eduardo VII.

O novo rei era um personagem controverso. Casado desde 10 de março de 1863 com a princesa Alexandra da Dinamarca, Eduardo VII teve inúmeros casos extraconjugais, objetos de fofocas jornalísticas na época, o que, no entanto, não impediu que seu casamento com Alexandra fosse descrito pelos historiadores como tendo sido feliz. Esse aspecto da vida de Eduardo VII levou a desconfianças por parte de seus críticos quando ele assumiu o trono após a morte da rainha Vitória. Durante o reinado, porém, qualidades do soberano britânico foram evidenciadas, como um talento especial para a negociação, especialmente nos aspectos diplomático e militar. Fluente em francês e alemão, Eduardo VII cultivava uma saudável relação diplomática com a França, sendo decisivo na articulação da Entente Cordiale, uma série de acordos assinados em 8 de abril de 1904 por meio dos quais era reconhecido o controle britânico sobre o Egito, enquanto se aceitava a soberania francesa sobre o Marrocos. A Entente Cordiale seria fundamental na formação posterior da Tríplice Entente (Grã-Bretanha, França e Rússia), que atuaria na I Guerra Mundial (1914-1918) contra as Potências Centrais (Alemanha e Império Austro-Húngaro). A diplomacia de Eduardo VII fez com que se superassem as diferenças históricas entre britânicos e franceses, tanto que ambos os países se associaram para organizar a Exibição Franco-Britânica em 1908, que celebrava, justamente, a Entente Cordiale.

Por outro lado, era na Alemanha que residia o principal foco de discórdia do rei Eduardo VII, o imperador alemão Guilherme II. O Kaiser era sobrinho do rei britânico, e ambos tinham um relacionamento de animosidade recíproca. Eduardo VII nunca tratou seu sobrinho como imperador, mesmo este já sendo soberano alemão e aquele, ainda Príncipe de Gales. Guilherme II, por sua vez, zombava de seu tio, chamando-o de “velho pavão”. Eduardo VII e, especialmente, sua esposa Alexandra jamais perdoaram o fato de Guilherme II haver promovido a anexação de Schleswig-Holstein, que pertencia à Dinamarca até 1864. Essa animosidade entre Eduardo VII e Guilherme II representou um combustível a mais para que Grã-Bretanha e Alemanha atuassem em lados opostos na I Guerra Mundial, na qual esta última acabaria derrotada.

Outra qualidade destacada de Eduardo VII era o charme e o carisma natural, o que o tornava um soberano muito popular entre seus súditos, apesar dos escândalos amorosos e de, por vezes, ser acusado de estar fora da Grã-Bretanha em momentos políticos importantes – inclusive para dar posse ao primeiro-ministro liberal Herbert Henry Asquith em abril de 1908, convocando-o para se dirigir a Biarritz, na França, a fim de beijar sua mão, atitude que foi objeto de muitas críticas, pelo fato de o primeiro-ministro não haver tomado posse em território britânico, mas sim francês. A popularidade do rei foi um dos fatores preponderantes para que um capricho seu fosse observado nos Jogos de Londres 1908, mais precisamente na prova da maratona. Determinou-se que sua largada seria a partir dos jardins do Castelo de Windsor, para que fosse apreciada pelos pequenos príncipes e princesas reais. Já a chegada se daria no Estádio White City, em frente ao camarote de honra. A distância entre a linha de partida e a de chegada foi calculada em 42 quilômetros e 195 metros, mais que os 40 quilômetros tradicionais. Eduardo VII, obviamente, não pretendeu nada mais que um capricho real ocasional para celebrar Londres 1908, mas a distância inusitada da maratona acabaria se tornando a oficial a partir dos Jogos de Paris 1924.

stádio White City

O Flip-Flap, uma das grandes atrações da Exibição Franco-Britânica de 1908, ao lado do Estádio White City.

O zelo de Eduardo VII para garantir toda pompa e circunstância da maratona era uma prova de que os britânicos levaram a sério os Jogos Olímpicos, organizados, pela terceira vez consecutiva, em paralelo a uma mostra internacional. A Exposição Franco-Britânica, aberta em 14 de maio de 1908, ocupava uma área de 570 mil m² em Shepherd’s Bush, bairro da zona oeste de Londres. Em seu vasto terreno, pavilhões de exposições variadas ligadas à tecnologia, agricultura, produção têxtil e artes, além de jardins amplos, pavilhões de colônias britânicas e francesas e até uma “vila senegalesa”, buscando reproduzir a África aos olhos europeus – sempre com um viés eurocêntrico e preconceituoso. Havia, porém, atrações que se destacavam e para as quais longas filas se formavam: um tobogã precursor da montanha-russa; e um equipamento chamado Flip-Flap, no qual duas espécies de guindaste se interligavam para subirem e descerem ao mesmo tempo, levando dezenas de pessoas de cada lado a terem uma visão panorâmica de toda a mostra.

Outra atração, que se sobrepujava às demais na área da exposição, era o White City. Com capacidade para 68 mil espectadores e a um custo de 60 mil libras para o Estado britânico, foi o primeiro estádio construído especificamente para uma edição de Jogos Olímpicos na história. Sua inauguração foi no dia 27 de abril de 1908, quando começaram os Jogos de Londres, com a presença do rei Eduardo VII, o que denotava que os britânicos – ao contrário dos franceses em 1900 e dos norte-americanos em 1904 – estavam dispostos a dar aos Jogos Olímpicos a importância esperada pelo Barão de Coubertin e pelo COI. O estádio tinha uma estrutura invejável para a época: pista de atletismo para as provas rasas de corrida, pista de ciclismo, uma piscina de 100 metros para as provas de natação e polo aquático, equipamentos de ginástica, alvos para o tiro com arco e barreiras para as provas de atletismo com obstáculos. Centralizava a maioria das modalidades esportivas nos Jogos de Londres 1908, e quase todas as disputas ocorreram na capital e seus arredores – à exceção das corridas de barco a motor e da vela, cujas disputas se deram no Estreito de Sorent (ao sul da Grã-Bretanha) e na vila de Hunters Quay, na foz do Rio Clyde, na Escócia.

Londres, àquela época, era a mais populosa cidade do mundo. Com o status de capital desde a conquista normanda da Inglaterra em 1066, experimentara um crescimento populacional de grandiosas proporções nos últimos cem anos. Se, no começo do Século XIX, Londres possuía pouco mais de um milhão de habitantes, em 1901 sua população foi estimada em 6,2 milhões de pessoas, um aumento de 615% em um século, concentrando, em 1908, cerca de 15% dos habitantes de toda a Grã-Bretanha. O crescimento acelerado de Londres no espaço de um século se deu, em grande medida, por conta da imigração em massa de habitantes das colônias britânicas e de países mais pobres da Europa, bem como da Irlanda (que, à época, ainda fazia parte do Reino Unido), com milhares de irlandeses fugindo da Grande Fome (1845-1849).

A prosperidade econômica da Grã-Bretanha se refletia em maior escala na sua capital, que contava, inclusive, com metrô desde meados do Século XIX. Em 1908, o Metropolitano de Londres (Underground) já tinha 8 linhas operando com um total de 105 estações que cobriam praticamente toda a metrópole, inclusive com trechos subterrâneos. Além disso, um complexo sistema de escoamento de esgoto melhorou substancialmente o saneamento básico da cidade, diminuindo consideravelmente a mortalidade. Tamanho progresso, todavia, não se traduzia em igualdade de oportunidades para toda a população londrina, e os subúrbios da capital se viram povoados de operários e imigrantes, em sua maioria, pobres, ao contrário das áreas mais próximas do centro de Londres. As mulheres, por sua vez, continuavam apartadas de seu direito de participar da vida política britânica, e o patriarcalismo se refletia na desigualdade de gênero entre os atletas que disputaram os Jogos de Londres 1908: dentre os 2.008 atletas participantes, eram 1.971 homens (98,16%) e apenas 37 mulheres (1,84%).

As primeiras manifestações políticas em Jogos Olímpicos

Dois anos antes de Londres 1908, aconteceram os Jogos Intercalados de Atenas 1906. Não considerado como Jogos Olímpicos oficiais pelo COI, o evento, todavia, celebrou o décimo aniversário do retorno dos Jogos Olímpicos da Era Moderna. Na ocasião, foi introduzida a parada das nações, que consistia no desfile das delegações participantes, seguindo suas respectivas bandeiras nacionais. Ao decidir repetir tal solenidade, Londres 1908 se tornou a primeira edição oficial de Jogos Olímpicos a contar, na sua cerimônia de abertura, com o desfile das 22 delegações participantes. A predominância europeia em Londres era marcante, com 17 países representando o continente. Da América, apenas 3 nações compareceram (Argentina, Canadá e Estados Unidos). A África do Sul, ainda colônia britânica, representou o continente africano, enquanto da Oceania veio a Australásia (uma delegação combinada de Austrália e Nova Zelândia, esta que fazia sua primeira aparição em Jogos Olímpicos). Nenhuma delegação da Ásia compareceu.

Dentre as 22 delegações participantes dos Jogos de Londres 1908, duas compareciam pela primeira vez na história. A Turquia, porém, na verdade representava o Império Otomano, que já não tinha a mesma dimensão da época de seu auge, mas ainda englobava um vasto território que ia desde a região dos Bálcãs, na Europa, até a fronteira com a Pérsia, no Oriente Médio. Já a Finlândia, embora competindo com uma delegação autônoma, não era uma nação soberana, mas um Grão-Ducado cujo chefe de Estado era o tsar Nicolau II da Rússia. A Finlândia protagonizou a primeira manifestação política em uma edição de Jogos Olímpicos, quando membros da delegação finlandesa se recusaram a desfilar atrás da bandeira russa, optando por entrar no White City sem seguir qualquer bandeira. Outro país escandinavo, a Suécia (que já havia participado de Atenas 1896 e Paris 1900), foi responsável pelo primeiro boicote (ainda que parcial) da história olímpica, ao decidir não participar da cerimônia de abertura de Londres 1908, porque, em uma falha da organização dos Jogos, a bandeira sueca não se encontrava posicionada no White City. A organização também se esqueceu de colocar no estádio a bandeira dos Estados Unidos, o que gerou outro constrangimento, quando o campeão olímpico do arremesso de peso em Saint Louis 1904 Ralph Rose se recusou a apresentar o pavilhão de seu país na frente do camarote do rei Eduardo VII. Este constrangimento diplomático seria superado posteriormente, com um pedido formal de desculpas da família real britânica à delegação norte-americana.

Windham Halswelle

Windham Halswelle, o solitário campeão olímpico dos 400 metros rasos em Londres 1908.

As controvérsias de Londres 1908, todavia, não se encerrariam na cerimônia de abertura. No atletismo, por exemplo, a primeira polêmica que entraria para a história aconteceu na disputa dos 400 metros rasos masculinos. Após vencerem facilmente suas séries eliminatórias, os norte-americanos John Carpenter, John Taylor e William Robbins superaram, em 22 de julho, sem dificuldades, seus adversários em suas respectivas séries semifinais. O quarto finalista foi o britânico Wyndham Halswelle, que estabeleceu, em sua série, o recorde olímpico da prova, com o tempo de 48 segundos e 4 décimos. No dia seguinte, 23 de julho, a final dos 400 metros rasos, que tinha tudo para ser uma emocionante disputa pelo ouro entre um atleta da casa e três norte-americanos – refletindo, no campo esportivo, uma rivalidade política que vinha desde a independência dos Estados Unidos em 1776 –, acabou virando uma grande bagunça, por conta da interpretação dos juízes da prova, todos britânicos. O norte-americano John Carpenter cruzou em primeiro lugar a linha de chegada, com o tempo de 47 segundos e 8 décimos, o que representaria o novo recorde mundial da prova. Porém, o árbitro britânico Roscoe Badger sinalizou aos demais árbitros que Carpenter havia impedido que o atleta da casa Wyndham Halswelle o ultrapassasse, o que, de acordo com as regras do atletismo vigentes na Grã-Bretanha, era passível de desclassificação. Carpenter protestou, argumentando que, nos Estados Unidos, a manobra era permitida, mas seu protesto foi em vão. Com a desclassificação de Carpenter, uma nova final foi marcada para o dia 25 de julho entre os remanescentes (Halswelle, da Grã-Bretanha, Taylor e Robbins, dos Estados Unidos), mas os finalistas norte-americanos decidiram não participar da prova, em protesto contra a desclassificação de Carpenter, que julgaram arbitrária, ao tempo em que acusaram os árbitros britânicos de favorecimento do atleta da casa. Correndo sozinho – a única vez em que isso ocorreu em uma final na história olímpica –, Wyndham Halswelle acabou se tornando campeão olímpico dos 400 metros rasos com o tempo de 50 segundos. Robbins e Taylor se recusaram a receber suas premiações.

A segunda grande polêmica se deu na maratona, em 24 de julho, cujo final foi dramático. O italiano Dorando Pietri foi o primeiro a entrar no White City, sob os aplausos da multidão que o lotava, mas estava visivelmente esgotado. Desnorteado, quis percorrer o trajeto contrário, mas, ajudado pelos árbitros, tomou a direção certa. Antes da linha de chegada, desmaiou várias vezes, sendo reanimado por médicos e amparado até conseguir completar a prova com o tempo de 2 horas, 54 minutos, 46 segundos e 4 décimos, o que representava a quebra do recorde olímpico que durava desde a vitória do grego Spiridon Louis em Atenas 1896. Porém, o segundo a cruzar a linha de chegada, o norte-americano Johnny Hayes, protestou, e, em consequência, Pietri foi desclassificado. Assim, Hayes se tornou campeão, com o tempo de 2 horas, 55 minutos, 18 segundos e 4 décimos, quebrando o recorde olímpico de 1896. Pietri, no entanto, não sairia de Londres sem qualquer premiação, pois, um dia depois, a rainha Alexandra da Dinamarca deu-lhe um grande troféu de ouro e prata.

Em grande parte por causa das polêmicas envolvendo seus árbitros, a Grã-Bretanha terminou os Jogos de Londres 1908 bastante à frente dos seus rivais no quadro de medalhas. No total, foram 146, sendo 56 de ouro, uma supremacia semelhante à que os Estados Unidos haviam conseguido como anfitriões em Saint Louis 1904. O domínio europeu prosseguiu absoluto entre os dez primeiros colocados, sendo que apenas os Estados Unidos (vice-líderes) e o Canadá (7º lugar) eram não-europeus. Áustria e Hungria permaneceram com delegações separadas, embora integrantes do mesmo país, o Império Austro-Húngaro, e a Hungria se destacaria com a 6ª colocação ao final no quadro de medalhas. Na 3ª posição, em sua melhor participação até então, a Suécia, país-sede dos Jogos de 1912, com 25 medalhas no total, sendo 8 de ouro.

Abertura Jogos Olímpicos 1908

Cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos de 1908. Foto: International Sport/Theodore Cook.

Os Jogos de Londres 1908 tiveram a maior duração da história. Começando em 27 de abril e terminando em 31 de outubro, duraram exatos 6 meses e 4 dias. Foram elogiados pelo COI por conta do alto nível de organização, considerando que os britânicos tiveram menos de dois anos para se preparar para os Jogos – apesar das polêmicas que ocorreram no atletismo e também na inclusão das corridas de barco a motor (a única vez na história olímpica), a fim de privilegiar membros da família real (que, no entanto, acabaram não ganhando medalha alguma). A contabilidade, contudo, foi controversa. Segundo os organizadores, houve um lucro de 6,3 mil libras, e as despesas totais somaram 15 mil libras, incluindo 34% de “despesas com entretenimento” jamais esclarecidas. A maior parte da receita declarada foi obtida com doações, enquanto 28% veio da venda de ingressos. Todavia, não entrou na prestação de contas o gasto de 60 mil libras do governo britânico para erguer o White City, no que representou, provavelmente, o primeiro caso de verba não declarada na história dos Jogos Olímpicos.

O presente artigo é parte integrante do Capítulo 4 do livro JOGOS POLÍTICOS DA ERA MODERNA, de Paulinho Oliveira, disponível na plataforma Amazon.


Como citar

OLIVEIRA, Paulinho. Londres 1908 – Uma tragédia coloca a Grã-Bretanha no centro do mapa olímpico. Ludopédio, São Paulo, v. 140, n. 56, 2021.