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Marrocos de 1970, a primeira seleção africana em um álbum da Copa do Mundo

Ponta de Lança, Revista Pelota

Copa do Mundo e álbuns de figurinhas formam uma dupla que está presente em todos os mundiais. Disso nós já sabemos!

Os grandes craques, as seleções que surpreendem e fazem com que seus cromos sejam mais desejáveis durante o torneio, os jogadores que estão no álbum, mas não vão pra Copa, os atletas que jogam bem no certame mundial mas não estão no álbum, como por exemplo o camaronês Roger Milla em 1990. Isso sem contar nas trocas de figurinhas e todo rico imaginário que um livro ilustrado da Copa do Mundo carrega consigo para os amantes do futebol.

Os álbuns oficiais do Mundial são fabricados pela Panini desde 1970. Nessa mesma edição tivemos o retorno de equipes africanas ao mundial. A primeira seleção africana a disputar uma Copa foi o Egito, em 1934, e após um longo e triste hiato, a equipe de Marrocos voltou a figurar no principal torneio de futebol do mundo, sendo assim, os marroquinos são os primeiros africanos a se transformarem em milhares de figurinhas ao redor do planeta.

Nas duas páginas dedicadas à seleção de Marrocos, estão lá, entre foto da equipe na tradicional pose do pré-jogo, símbolo da federação e bandeira do país, cromos de 11 jogadores.

Hiato das seleções africanas em Copas

Nas oito primeiras edições de Copas do Mundo, o único representante do continente no torneio foi o Egito, em 1934, na Itália.

Até a década de 1960, a maioria das atuais nações africanas não eram independentes e ainda eram posse de países europeus. Logo, a filiação à Federação Internacional de Futebol, a FIFA, não poderia acontecer.

Em 1962, Marrocos representava as seleções africanas ao lutar pela vaga para disputar a fase final da Copa através da repescagem. Os norte-africanos não tiveram sucesso ao enfrentar a Espanha, com derrotas por 1 a 0 em casa e 3 a 2 fora.

Já em 1966, a Confederação Africana de Futebol, a CAF, boicotou o Mundial, por conta da obrigação de disputar uma única vaga com a melhor seleção asiática. A entidade representante do futebol de África exigia uma vaga fixa. Dessa forma, ao menos um país do continente era certo participaria do maior evento mundial do futebol. Entretanto, a FIFA só acatou tal pedido em 1970. Na oportunidade, os marroquinos foram ao Mundial do México, após garantirem a vaga nas eliminatórias africanas, deixando pelo caminho Senegal, Tunísia (no sorteio, após três empates entre as equipes), Sudão e Nigéria, as duas últimas no triangular final.

Elenco do álbum fiel à convocação

Todos os atletas do Marrocos presentes no álbum foram convocados para o Mundial de 1970. Além disso, outros oito jogadores que não tiveram seus cromos confeccionados fizeram parte do elenco marroquino naquela Copa. O país tinha direito de convocar 22 atletas mas levou apenas 19 para o México. O plantel escolhido pelo treinador iugoslavo Blagoja Vidinic era inteiramente formado por futebolistas domésticos, oriundos de times do Marrocos.

O clube que mais cedeu jogadores para compor a seleção marroquina, na ocasião, foi a Association Sportive des Forces Armées Royales, o FAR Rabat, com seis desportistas. Raja Casablanca, Wydad Casablanca, Kenitra, Mouloudia Oujda, Chabab Mohammedia, Union Sidi Kacem, DH Jadida RS Settat e MAS Fès foram as outras equipes que disponibilizaram seus atletas para os “Leões do Atlas”.

Desempenho marroquino em 1970

Marrocos fez parte do Grupo 4 da Copa do Mundo de 1970, ao lado de Alemanha Ocidental, Bulgária e Peru. A participação do país foi discreta, eliminado precocemente na primeira fase, com derrotas para a Alemanha Ocidental, por 2 a 1, e para o Peru, por 3 a 0. Contudo, o primeiro ponto de uma seleção africana em Mundiais foi conquistado pelos “Leões do Atlas” após o empate com a Bulgária, por 1 a 1, gol marroquino marcado por Ghazouani. Tal desempenho resultou no último lugar da chave.

Curiosidade

O atacante Ahmed Faras foi eleito o melhor jogador da Copa Africana de Nações de 1976, edição na qual o Marrocos conquistou seu primeiro e único título da maior competição do futebol africano. Faras é considerado o maior atacante da história do país e também é carrega a honraria de maior artilheiro de sua seleção, com 42 gols marcados em 88 jogos, segundo dados do Transfermarkt.

Já o goleiro, Allal Bem Kassou, foi escolhido em 2006, pela Confederação Africana de Futebol, comum dos 200 futebolistas mais importantes do continente.

Outras Copas, outras figurinhas

De lá pra cá, Marrocos participou de mais quatro mundiais, 1986, 1994, 1998 e 2018. Sendo assim, automaticamente, viu seus craques transformados em cromos pela Panini em mais quatro ocasiões. (Colocar página de 1986, quando a seleção conseguiu sua melhor colocação)

Convocados de 1970:


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