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Marta: rainha do futebol

Erilma Desiree da Silva Conceição, Elcio Loureiro Cornelsen

“Meu treinador disse que eu corria como uma menina.
Eu falei que se ele fosse um pouco mais rápido
ele conseguiria correr como uma menina também”
Mia Hamm

 “não deixem de apoiar o futebol feminino”
Marta

O futebol feminino vem lutando para sobreviver, até então, lidando com poucos investimentos, pouca visibilidade e falta de patrocínios de peso para a categoria. Infelizmente, esse quadro não é só do futebol, na lista dos 100 atletas mais bem pagos da Forbes, de 2018, não havia nenhuma mulher.

Nem mesmo a tenista Serena Williams, vencedora de 23 títulos de Grand Slam, que integrou a lista, em 2017, como única representante feminina esteve presente esse ano. Devido a sua gravidez, Serena se ausentou do esporte temporariamente, e consequentemente, sua renda foi afetada.

O universo futebolístico feminino ainda aspira dignidade e respeito. Estando longe dos salários milionários, as jogadoras trabalham duramente para alcançar seu espaço no futebol rentável. Mesmo assim, diante do cenário sexista do futebol brasileiro e mundial, ainda somos agraciados com Marta.

Em 2000 a atacante iniciou sua carreira profissional aos 14 anos no Vasco da Gama e, quatro anos depois, já estava entre as três melhores jogadoras do mundo, ao lado da alemã Brirgit Prinz e da americana Mia Hamm.

A premiação de melhor jogador do mundo realizada pela FIFA iniciou-se em 1991, na categoria masculina, e para o futebol feminino, em 2001, dez anos depois da primeira edição da Copa do Mundo de Futebol da categoria, em 1991, na China.  Marta ficou em 3ª lugar na premiação FIFA em 2004, 2ª em 2005 e nos anos seguintes levou a troféu cinco vezes consecutivas: 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010.

Ao lado de Dzsernifer Marozsán e Ada Hegerberg, jogadoras do Lyon, a camisa 10 brasileira consagra-se novamente como a melhor jogadora do mundo. Eleição disputadíssima, já que Ada foi a artilheira da UEFA Champions League 2017/18, com 15 gols, se igualando a Cristiano Ronaldo, com o mesmo número de bolas nas redes na competição masculina. Já Dzsernifer brilhou em 2016, quando, atuando pela seleção alemã, foi campeã olímpica no Rio. Duas grandes atletas que tem dominado o futebol europeu nos últimos anos!

Mas a noite do dia 24 de setembro de 2018 foi da rainha do futebol, da maior artilheira da história da seleção brasileira (feminina e masculina), com a marca de 117 gols. A alagoana consagrou-se ao receber mais uma vez o prêmio de melhor jogadora FIFA 2018. Marta é a única atleta a vencer a premiação 6 vezes, ultrapassando Cristiano Ronaldo e Lionel Messi com 5 títulos cada um.

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Homenagem para Marta na sede da CBF. Foto: Matheus Guerra/MoWA Press.

O evento The Best FIFA Football Awards aconteceu no Royal Festival Hall em Londres e reuniu os maiores nomes do futebol mundial. Marta recebeu o troféu das mãos de Cindy Parlow (ex-jogadora de futebol) em um momento para ficar na memória. Emocionada, Marta disse:

“Oh my God! Eu realmente estou sem palavras, é um momento fantástico. As pessoas falam assim: ‘você já esteve nessa posição tantas vezes, e em todas as vezes se emociona!’ Realmente, eu faço isso porque representa muito para mim.”

A eleição de Marta significa muito para a construção da memória do futebol feminino. A camisa 10 é um exemplo de luta e perseverança para as atuais jogadoras e também para as futuras. Marta desbravou um campo árido de rótulos, preconceitos e sexismo no esporte. Por um tempo foi chamada de “Pelé de saias”, mas sua grandeza superou qualquer comparação e estereótipo.

Em pleno século XXI, entre adversidades e desigualdades, as mulheres continuam trabalhando arduamente para mudar essa realidade, seja no futebol, no tênis, em outros esportes ou mesmo na política. Marta, atualmente, joga no Orlando Health dos Estados Unidos, mas sempre aponta críticas ao descaso do futebol feminino no Brasil.