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Mulheres no mundo do futebol: restrições e representações

Djalma Oliveira de Souza, Maria do Espirito Santo Rosa Cavalcante Ribeiro

O futebol não consegue driblar um observador atento quando o assunto é o preconceito. O futebol hoje cantado em versos de samba e rock “em rou” como sendo um esporte do “povão” no qual uma bola de meia e alguns tijolos (para as metas) podem significar sua prática, não obstante estabelece distâncias monumentais quando o assunto é a possibilidade de integração entre homens e mulheres.

As discussões em torno da participação das mulheres em todos os níveis da sociedade brasileira quase sempre concluem que a mesma é vilipendiada dos mesmos direitos que possuem os homens. É notória a pouca participação efetiva das mulheres em decisões políticas, sociais e culturais. E mais delicado ainda, quando percebemos a acentuação dessa exclusão onde deveria de fato torná-la explicita, ou seja, na própria academia.

Historicamente o preconceito racial e a exclusão feminina podem também ser explicados através da identificação do processo de formação da sociedade Brasileira, onde os homens (brancos) detentores do poder e assegurados pela religião incrustaram na sociedade a ideia de que as mulheres deveriam ocupar somente os espaços estabelecidos por eles. Podemos certificar essa afirmação através de vários exemplos vividos no nosso cotidiano, onde as mulheres são violentadas fisicamente, moralmente e psicologicamente.

Segundo dados da OMS, nossa taxa de 4,8 homicídios por 100 mil mulheres, em 2013, nos coloca na 5ª posição internacional, entre 83 países do mundo. Só estamos melhor que El Salvador, Colômbia, Guatemala e a Federação Russa, que ostentam taxas superiores às nossas. (MAPA DA VIOLÊNCIA 2015: HOMICÍDIO DE MULHERES NO BRASIL/ 2015)

Sabemos que historicamente foi “ceifado” das mulheres as possibilidades profissionais de estudo e de liberdade. Mas que atualmente os estudos de gêneros possibilitaram e abriram caminho para um parcial entendimento desse contexto. O futebol não é um caso isolado onde as mulheres são excluídas da possibilidade de sua prática, mas percebemos que, além de serem desprestigiadas do jogo a “historiografia”, através de best Sellers, de artigos, de obras literárias, de notícias de jornais e revistas, destratam e ignoram a existência das mulheres na sociedade brasileira após a chegada do esporte no Brasil.

O futebol como meio de explicação do povo brasileiro se esqueceu das mulheres. Não se trata em identificar se as mulheres puderam ou não jogar bola, trataremos como a historiografia especializada a ignorou e a representou ao longo das linhas escritas. Esse artigo despretensiosamente pode abrir caminho de pensarmos outras formas de análise de como as mulheres são “tratadas” na prática do esporte, nas quais podemos destacar:

a) Os poucos estudos da não inclusão das mulheres quando o assunto é conceituar toda a nação deixando de fora a visão feminina;

b)Verificar o porquê da falta de incentivos financeiros à prática feminina;

c) E o “fenômeno” Marta? Como explicar o fato de ter uma atleta cinco vezes a melhor do planeta e mesmo assim o futebol feminino ficar desprestigiado?;

d) O comportamento “machão” das praticantes do esporte;

e) Como é praticado o esporte nos campinhos de terra na atualidade;

f) Os resultados práticos após a confecção de leis impostas pelas entidades responsáveis pelo futebol (FIFA, COMEBOL) para a popularização do esporte através das mulheres.

A história do futebol oficial no Brasil descrita de forma clássica e por quase todos é contada pela literatura onde os burgueses brasileiros mandavam seus filhos estudarem na Europa, no caso exclusivamente Inglaterra, e esses pupilos depois de formados traziam em suas bagagens algumas novidades. No Brasil, sua introdução (futebol) foi atribuída ao jovem paulistano Charles William Miller, filho de um engenheiro escocês aqui radicado. Enviado à Inglaterra com nove anos para completar seus estudos, Miller retornou em 1894 trazendo em sua bagagem um verdadeiro arsenal litúrgico. (HILÁRIO, 2007, p. 60)

Esses exemplos de história onde o fato atribuído é condicionado pela ação dos homens representam muitas vezes a possível explicação dos motivos pelo qual a posse de determinados acontecimentos faz da historiografia um lar onde os mesmos se acham donos do produto (no caso o futebol) e mais, de como deve ser perpetuado.

A figura masculina dentro do futebol chega às margens de um endeusamento onde o craque recebe as glórias e muitas vezes é nomeado como REI, como um DEUS dos campos, uma espécie de Salvador da pátria ou como diria Nelson Rodrigues “Imortais”. As alegrias e as tristezas do povo estão correlacionadas ao desempenho do craque que, com suas fraquezas seus problemas e frustrações resolvem tudo com uma bola na rede ou mais uma conquista.

Do outro lado, está a figura feminina que não representa praticamente nada e não exerce influência nas decisões sociais do país, eventualmente se houver um destaque no feminino será renomeada usando o codinome masculino (Marta, a Pelé de saias) a própria construção dos estádios para que os homens pudessem se esbaldar se satisfizer, se deliciarem, aumentando assim suas glórias, servem de argumentos dessa posse autoritária e unilateral, a exemplo disso, podemos questionar o que foi construído para as mulheres onde elas pudessem usufruir algo de forma em que fossem as protagonistas? Os homens acabam sendo uma espécie de donos da bola.

A partir disso, percebemos a exclusão das mulheres na prática e na vivência esportiva futebolística. O futebol é um espaço quase que exclusivamente masculino seja dentro ou fora de campo. Identificamos através de pesquisas que até no jornalismo esportivo quase não há espaço para as mulheres onde dificilmente ou raramente a mesma é aceita para exercer a profissão.

A participação das mulheres no radio jornalismo esportivo brasileiro teve como uma das primeiras e mais marcantes experiências a equipe formada na Rádio Mulher, em 1971, em São Paulo. “Elas analisavam a beleza dos jogadores, foi Zuleide quem começou a falar das pernas famosas do goleiro do Palmeiras na época, Emerson Leão, a limpeza dos uniformes, e davam um tom sutil às transmissões” (PROVENZANO, 2009, p.06)

A historiografia referente à história do futebol em uma análise específica de alguns trabalhos essencialmente masculino, nos faz inferir que grande parte dessas obras acentuam a ideia de que as mulheres não faziam “parte do plano” quando o assunto era o futebol. Em uma extensa obra bibliográfica lançada no ano de 2013, “O Futebol Brasileiro, 1894 A 2013: uma bibliografia“,  publicada em parceria entre a Fundação publica Joaquim Nabuco e o Ministério da Educação, foram catalogadas as principais obras que trataram da história do futebol brasileiro. O autor convidado para essa catalogação foi o pesquisador Túlio Velho Barreto (Adjunto da Fundação Joaquim Nabuco, onde trabalha desde 1984).

Em um interessante trabalho bibliográfico divide a historiografia do futebol em três partes. A primeira parte ele ressalta as obras de produção jornalística desde a chegada do futebol até a atualidade. Em uma segunda etapa o autor destacará a literatura ficcional dos autores brasileiros e pôr fim a terceira etapa onde ele demarca os estudos acadêmicos. Analisamos especificamente algumas obras de cada uma dessas partes divididas pelo autor onde destacaremos exclusivamente a exclusão feminina.

Crônica futebolística

A base de sustentação e pesquisa utilizada para essa primeira parte foi baseada através da revisão da obra de Fátima Antunes (2004) onde a autora destaca como e o que escrevia os três principais cronistas do futebol nos anos 1940. É destaque para autora em sua obra Mario filho, Nelson Rodrigues e José Lins do rego. Cabe ressaltar que na supracitada obra a autora faz sua apresentação descrevendo suas motivações para a análise futebolística e suas paixões pelo tema, podemos perceber que a autora reforça o “coro” (apesar de reconhecer que o futebol é um espaço masculino) dos que comungam a ideia de que o futebol explica de certa maneira “o brasileiro”. Essa identidade comum, que ultrapassava os limites familiares e alcançava o espaço público, fornecia as bases de um padrão de sociabilidade específico. Tratava-se, na verdade, de um código de integração a um determinado sistema social. (ANTUNES, 2004, p.17)

O escritor paraibano, nascido no município de Pilar, Jose Lins do Rego (1901-1957) contribuiu sobremaneira com a literatura brasileira através seus romances e crônicas. Independentemente de seu estilo literário, seus textos foram fundamentais para o engrandecimento da língua portuguesa. Suas crônicas especialmente buscavam realçar fatos e cidadãos brasileiros relacionados ao mundo do futebol.

Via no futebol como um espaço para a promoção da unidade nacional e consequentemente de superação das divergências regionais […] nesse sentido, Zé Lins era um incentivador Incansável do brasileiro à ação e à reversão de um quadro de dificuldades. (Antunes, p.118)

Arquivos do futebol goiano Joao batista Alves filho. primeira edição gráfica o popular 1982 pagina 39

O desenvolvimento técnico dos jogadores de futebol foi uma das matérias primas para os cronistas brasileiros, consequentemente parece ter desenvolvido uma espécie de empolgação onde a linha que separava o futebol da vida social agora estava apagada.

Em tese não havia mais uma separação. José Lins através de suas crônicas fez uma integração entre os que não eram enxergados na sociedade e a classe opressora, dessa forma havia uma possível aproximação entre esses elos da sociedade.

Devemos ressaltar que essa integração é “dispensada” da inserção das mulheres nas alegrias do povo brasileiro e nas definições do autor, pois não há referências ou citação de gênero nos textos pesquisados para confecção desse artigo.

A presença expressiva do futebol no conjunto da vida e da obra de José Lins do Rego contribuiu para pensarmos a possibilidade do estabelecimento de uma ligação entre a questão dos esportes populares e a problemática originária do modernismo. (HOLLANDA, 2003, p. 22)

Outro autor de destaque nessa fase de análise dos cronistas tão importante historicamente quanto o supracitado José Lins é a figura de Mário Rodrigues Filho (1908-1966) que nasceu no Recife, Pernambuco e que em 1915 desembarcou no Rio de Janeiro com os pais e irmãos. Dada a importância desse cronista ao futebol brasileiro o maior estádio do planeta na época de sua inauguração o Maracanã, homenageia o habilidoso cronista.

Se em 1907 constavam no noticiário dos grandes jornais cariocas 77 clubes de diferentes perfis sociais, em 1915 apareciam 216 só nas páginas o jornal O Imparcial – tendo quase triplicado, em oito anos, o número de clubes futebolísticos no Rio de Janeiro. (PEREIRA, p.121)

Mario filho atribuía às vitorias da nossa seleção como um impulso à “criação” de nossa própria Identidade. É claro que não devemos observar a obra do autor de forma isenta de questionamentos e que façamos uma análise mais acentuada da utilização de alguns conceitos por ele empregados.

O que se observa nos escritos de Mário filho (um lendário torcedor do Fluminense) após a leitura de algumas crônicas relacionadas ao futebol é que não há de forma explicita qualquer tipo de citação ao gênero feminino, o autor de uma forma geral engloba homem e mulher em um mesmo espaço onde apenas os homens recebem os louros da gloria “eterna”.

Entendemos que o autor tendo vivido em um ambiente onde as mulheres não eram autorizadas ao menos saírem de casa sozinhas esse reconhecimento ao negro realçando e defendendo o “preto” futebolista não o isenta de críticas onde o autor praticamente ignora a figura feminina, acreditamos que conceituar uma nação através do futebol, (identidade) sem uma análise feminina, sem ouvir ou ver a participação das mulheres no processo seria demasiado incompleto.

Nelson Falcão Rodrigues nasceu no Recife, em 1912. Aos 5 anos, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro. Onde se destacou no teatro, no romance, e na crônica esportiva. Nelson Rodrigues “O anjo pornográfico” foi um escritor polêmico e autor de muitas frases que marcaram e marcam até os dias atuais o nosso cotidiano. Pesquisado incansavelmente na academia em várias disciplinas (História, Letras, Ed. Física, Psicologia) entre o seu nascimento e passagem o futebol brasileiro passou por grandes transformações.

Os registros históricos destacam que o futebol já era praticado em campos verdes e amarelos do Brasil, quando o autor chega ao Rio de Janeiro em 1915 e que já existiam clubes tradicionais como Vasco da Gama, Fluminense, Flamengo, Botafogo isso sem citar os clubes de outras regiões do país. O material resgatado dos jornais O Globo e Jornal dos Sports, entre as décadas de 1950 a 1970foi materializado em um livro intitulado “Pátria de chuteiras” que fora lançado em 2012. Ano do centenário de nascimento do autor. Uma obra divertidíssima onde o autor especificamente tenta resgatar do brasileiro, jogador ou não, toda uma autoestima perdida após a derrota em pleno Maracanã pelo Uruguai em 1950.

Nelson Rodrigues ao invés de acentuar a derrota ele inverte o discurso dos demais cronistas e torcedores e demonstra que o brasileiro seria capaz através de seu talento superar qualquer adversário e que aquela derrota, aquele fantasma, não iria decretar o fim do futebol brasileiro.

Amigos, fui testemunha, certa vez, de um fato prodigioso. Imaginem vocês que ia eu passando pelo cemitério, quando lá chegou um enterro. Alguém me esperava numa esquina próxima. Mas há um “charme” na morte, há um apelo que ninguém resiste. Entre um casamento, um batizado ou um enterro, qualquer um prefere o velório, embora este último não tenha os guaranás e os salgadinhos dos dois primeiros. (RODRIGUES, 2003)

Nelson Rodrigues entendia que o futebol seria uma espécie de representação da nação, diante disso aceitar que nossa seleção, nossos jogadores fossem uns derrotados antes de entrarem em campo não ajudaria em nada no desenvolvimento da nação.

A fé e a crença no brasileiro, adquiridas pelo futebol, deveriam orientar todo um povo na aquisição de autoestima – garantia Nelson. A seleção, lançando mão de uma série de símbolos nacionais, representaria a pátria e, assim, seria capaz de promover um sentimento de união nacional. Pelos feitos da seleção, a nação iria adquirir a autoestima, necessária para o resgate moral do brasileiro. (ANTUNES, 2004, p.264)

Como nossa analise se baseia especificamente em identificar como as mulheres eram representadas no mundo futebolístico, dentro e fora de campo, percebemos nas crônicas rodrigueanas uma quase que total ausência da figura feminina nas linhas escritas. Elas não deixam de serem citadas, porém, apenas como complemento textual. Quando o autor tenta resgatar o patriotismo brasileiro através do futebol a figura feminina, não entra na conta do escritor já que ele em nenhum momento narra nenhum episódio onde as mulheres poderiam ser protagonistas.

Mulheres falam de futebol (escritoras)

A literatura brasileira sempre nos presenteou com belas histórias e textos magníficos. Indiferente as questões de gênero, homens e mulheres da nossa literatura souberam interpretar nossa sociedade, política, econômica e socialmente de forma genial em suas escrituras. Poucas mulheres se aventuraram na escrita relacionada ao futebol, fato não muito surpreendente levando em consideração que a mulher quase sempre não pode viver nem os bastidores do esporte. Mas é salutar e conveniente trazer neste artigo algumas referências de escritoras importantes da língua portuguesa.

Em um artigo intitulado Mulheres fora da área: escritoras “arriscando-se” a dissertar sobre futebol, feito a três mãos pelas mestrandas Maria Thereza Oliveira Souza, Larissa Jensen e pelo Doutor em história André Mendes Capraro, tivemos a oportunidade de verificar o que e como especialistas da língua portuguesa do gênero feminino escreveram sobre o assunto supracitado. As escritoras são Raquel de Queiroz, Clarice Lispector e Lya Luft.

Os autores justificam essa abordagem utilizando o argumento que dificilmente temos notícias de mulheres escrevendo sobre o futebol, salientam os problemas relacionados às questões de preconceito por esse motivo as mulheres ficaram sempre distantes do assunto, dentro e fora de campo. As poucas linhas escritas por Raquel de Queiroz (1910-2003) quase sempre e exclusivamente estão relacionadas ao seu time de coração (Vasco da Gama) onde a escritora não analisa tecnicamente um jogo.

[…] me levaram para assistir a um jogo. Vasco e Fluminense? Acho que sim. Meu tio, vascaíno, me explicou que o Vasco era uma das mais puras expressões do Rio – o português-carioca, aqui nascido ou aclimado, nesta cidade que eles fundaram e que, já antes de D. João VI, amavam apaixonadamente. (QUEIROZ, 1946).

Declaradamente a autora não analisa o futebol tecnicamente, “fui provocada” e a partir dessa provocação ela pode nos presentear com alguns textos relacionados ao futebol. Raquel de Queiroz sempre esteve à frente de seu tempo. Escritora refinada e atualizada foi a primeira mulher em 1977 a fazer parte da academia brasileira de letras.

Clarice Lispector (1920-1977) também não era especialista em futebol e o seu contato com o esporte foi promovido pelo cronista Armando Nogueira que pediu que escrevesse um texto sobre o assunto, aceito o desafio a escritora ucraniana escreveu “Armando Nogueira, futebol e eu, coitada.” Percebemos ao ler o texto que a escritora realmente não era especialista sobre o assunto.

Mas ela levanta algumas questões que devem ser analisadas. O futebol é de fato um esporte viril? Através dessa premissa podemos entender que só os homens devem praticá-lo? Seria esse o motivo das meninas se comportarem como homens? A autora não entender sobre o tema seria uma espécie de normalidade na sociedade futebolística?

Clarice Lispector escritora radicada no Brasil desde 1922 nos apresenta ao escrever suas crônicas um quadro onde ela demonstra o que realmente poderia ser uma espécie de representação da maioria das mulheres brasileiras. Ou seja, pouco contato com o esporte. No decorrer da crônica ela descreve que aquele jogo era muito violento e que jamais iria praticá-lo. Subtende-se que a autora acha que o futebol era realmente para o sexo masculino e essa argumentação poderia ser uma das explicações pela desinformação da maioria das mulheres sobre o futebol.

Os autores do artigo supracitado salientam que talvez de forma despretensiosa a escritora tenha “aberto” uma possibilidade de análise de como era a condição feminina dentro e fora de campo no período, década de 1960.

A terceira e última autora evidenciada nesse artigo é a gaúcha de Santa Cruz do Sul nascida em 1938 Lya Luft, contista, ensaísta, poetisa, cronista tradutora e romancista declara que não frequenta estádios e esporadicamente assiste pela TV a um jogo de futebol, mas periodicamente escreve algumas linhas sobre o assunto. Lya Luft ao mencionar o esporte em suas escrituras não analisa questões técnicas e táticas sobre o jogo, procura analisar questões sociais e comportamento das pessoas que praticam e das que são apaixonadas pelo esporte.

“Minha relação como futebol começou cedo e sempre foi desajeitada” (LUFT, 2014).

“Fui a um ou outro jogo, sempre focada na coisa humana: as reações das pessoas, as expressões e posturas dos jogadores, os gritos e suspiros da massa – meio assustadora” (LUFT, 2014).

A autora ao focar questões humanas contribui sistematicamente para que façamos uma análise mais profunda focando as condições em que a mulher está inserida no mundo do futebol (deixemos claro que a autora necessariamente não questiona a presença ou ausência da mulher no esporte) e abre caminhos de debates onde podemos questionar uma paixão nacional estritamente pensada e praticada pelo gênero masculino.

A academia e o futebol feminino

A terceira parte dessa abordagem de produção histórica do futebol brasileiro tem como foco principal dissertar alguns trabalhos acadêmicos relacionados ao tema. Mesmo sendo um esporte com relativo clamor popular o futebol não foi um assunto muito prestigiado pela academia.

Durante muito tempo as fontes mais usadas para um saber histórico do esporte estavam quase sempre dependentes as matérias jornalísticas e publicações em revistas. Nelson Rodrigues em uma crônica publicada da década de 50 escreveu “nossa literatura ignora o futebol” e complementa “Nossos escritores não sabem cobrar um reles lateral” (Rodrigues, 1997, p. 70). Identificamos que na atualidade os acadêmicos e intelectuais estão pesquisando o tema futebol com mais frequência.

Segundo dados do censo 2010 Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), existem hoje 9 grupos e 41 linhas de pesquisa em futebol registrados no Brasil. As pesquisas sobre o esporte supracitado, normalmente estão relacionadas as áreas de Humanas com destaque à antropologia, às questões históricas, sociais econômicas e políticas, mas também identificamos trabalhos científicos nos cursos de Educação Física e Fisioterapia.

Segundo o sociólogo e jornalista Ronaldo Helal, o tema futebol ganhou mais destaque e começou a ser mais respeitado a partir da publicação do livro Universo do Futebol, organizado pelo antropólogo Roberto DaMatta. Domina entre as obras um esquecimento coletivo dos autores onde os conceitos são atribuídos à nação observando somente a situação masculina. Ou seja, o que é apresentado como “união nacional” “integração social” presentes na obra de Marcos Guterman (2009), por exemplo, pode se contradizer com a realidade das mulheres.

Grande parte dessas obras utilizam os conceitos exprimindo tradicionalmente a condição dos homens. Leonardo Affonso (2000) repetidamente menciona os conceitos de nacionalidade, patriotismo, sentimento nacional e identidade. Sem mencionar de fato as condições femininas no que respeito à sua situação de exclusão do cotidiano.

E essas obras também mencionam a gradativa abertura da presença do negro em campo, reiteradas vezes e capítulos após capítulos marcam a participação e o heroísmo do homem negro, é através desse discurso que essa literatura toma para si o poder de conceituar uma realidade inexistente a todos.

Entendemos que existiu de fato uma aproximação supracitada entre Homens negros e Homens brancos e que o uso de alguns conceitos – “camaradagem” “igualdade” “democracia” podem na medida do possível através de analises terem existido, porém sem citar as mulheres, sem mencionar as mulheres no corpo social acreditamos que a discussão poderia de certa forma torná-la inconsistente. Identificamos uma serie de plataformas digitais produzidas no meio acadêmico que registram e disponibilizam suas pesquisas ao público em geral.

Ao fim de breves observações percebemos poucos registros de estudo do futebol onde as mulheres fossem o foco da pesquisa. Na contramão do discurso de que na atualidade as mulheres ganharam espaço no futebol, dentro das academias percebemos ainda uma relativa timidez em relação a abordagem feminina no esporte. Encontramos plataformas diversificadas de análise futebolística e percebemos que prevalecem os estudos táticos, estudos relacionados aos fenômenos (os craques) e aos clubes (institucional).

Os estudos da história do futebol no Brasil se baseiam muito pelo que foi dito e é escrito da região Sudeste. Mais recentemente outros centros esportivos e torcedores em geral estão viabilizando através de pesquisas acadêmicas e com a criação de sites e páginas nas redes sociais mais possibilidades de protagonismo do futebol jogado em outras regiões.

De fato, na historiografia do futebol brasileiro são poucas as referências que não às regiões Sul e Sudeste, sobretudo as cidades do Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. Tudo se passa como se apenas essas regiões tivessem importância histórica para o desenvolvimento do futebol no país, tal o nível da invisibilidade das outras. (DIAS,2012)

Ao viabilizar o conhecimento histórico do futebol através de outros centros esportivos a história possibilita a abertura de novos debates importantes como de gênero, sociabilidade, de inclusão, de técnica e até de memória. “Inadvertidamente, o metropolitanismo permanece no próprio âmago da história moderna.”. Evidentemente não devemos deixar de mencionar algumas pesquisas relevantes que nos trouxeram muitas informações acerca da participação feminina no esporte supracitado.

A prática esportiva feminina independentemente do tipo de modalidade sempre foi regrada às mulheres. Alegações absurdas alicerçadas em parâmetros religiosos, culturais, sexuais e até com observâncias relacionadas à perda de poder e de protagonismo dos homens deixaram as mulheres fora também do futebol.

Subjacente a essa interdição, havia a concepção de que o suor excessivo, o esforço físico, as emoções fortes, a rivalidade consentida, os músculos delineados, os gestos espetacularizações do corpo, a liberdade de movimentos, a leveza das roupas e a seminudez, práticas comuns ao universo da cultura física, quando relacionadas à mulher, abrandariam os limites que contornavam uma imagem ideal de ser feminina. (GOELLNER)

Futebol feminino, trecho de uma história omitida

Ao percorrermos a trajetória histórica identificando os primeiros toques na bola dado pelas mulheres podemos desmistificar a ampliação do discurso que o futebol feminino é recente.As primeiras notícias da pratica feminina no esporte bretão no Brasil data nos anos de 1913, episódio narrado nas escrituras do historiador José Sebastião Witter:

“no Brasil, o primeiro jogo de futebol feminino de que se tem notícia foi disputado em 1913, entre times dos bairros da Cantareira e do Tremembé, de São Paulo. (MAZZONI 1996, p.21.)

A marcação da sociedade machista paternalista diante das mulheres para que ela não exerce qualquer tipo esporte foi quebrada e reestruturada ao longo dos séculos, criaram leis, Decreto-lei 3.199 , que em abril de 1941 instituiu o Conselho Nacional de Desportos (CND), afirmava em seu artigo 54 que “às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”.

Notícia de jornal destacada no Museu do Futebol: “Impedido pela polícia o futebol feminino”.

Destituída somente na década de 1980. Criaram artifícios de difamação onde as mulheres praticantes do esporte seriam rotuladas como mulheres “machos”. Intensificaram um discurso que a mulher não entendia de futebol e que a sua prática seria apenas como diversão.

Além de atrelar a beleza física às jogadoras, essa nova fase objetiva vincular elementos relacionados ao capital econômico e cultural, como demonstração de que para essas novas – e bem-queridas – jogadoras, o futebol não é profissão, e sim, diversão.

A primeira Copa do Mundo de Futebol Feminino organizada pela FIFA foi realizada na China em 1991, tamanho o amadorismo e a falta de investimento, a seleção feminina do Brasil de futebol foi montada às presas onde segundo Valporto (2006) foi feito uma “recrutação” de jogadoras onde a base dessa seleção estava no Esporte Clube Radar (RJ). A confederação máxima do futebol, a FIFA promove na atualidade cinco competições de nível internacional para que as mulheres possam participar e demonstrar seus talentos com a bola no pé. Vejamos as supracitadas competições.

1.Copa Mundial Feminina de da FIFA,

2.Copa Mundial Feminina Sub-20 da FIFA,

3.Copa Mundial Feminina Sub-17 da FIFA

4. Torneio Olímpico de Futebol feminino,

5.Torneio Olímpicos Juvenis de Futebol.

Ao analisarmos esses certames percebemos que a seleção Brasileira esteve presente em todas as copas do mundo. Franco Junior atribui parte da ascensão feminina no futebol ao fato de que:

O futebol feminino, de fato, apesar de algumas experiências em fins do século XIX, até 1914 o futebol tinha sido exclusividade masculina. Com a guerra, moças de famílias operarias foram trabalhar nas fábricas de munição e, no bojo do processo geral de emancipação das mulheres, apropriaram-se também do futebol. (Franco Junior, p.45)

Os primeiros campeonatos nacionais de futebol feminino no Brasil datam da década de 1980, mas somente na década de 1990 é que os certames ganharam maior visibilidade. Os estados da região sudeste detêm o maior número de títulos dessa competição e podemos explicar em partes essa hegemonia atribuindo ao fato de que nessa região os times se organizam e principalmente, estão localizados no “centro” esportivo do país. Atualmente 32 equipes disputam o campeonato Brasileiro de Futebol Feminino, divididas em duas series (A1 e A2).

Recentemente (2016) a Confederação Brasileira de Futebol extinguiu a Copa do Brasil que era disputada a dez anos e que contou em sua última edição com 32 equipes. Somente em 2016 é que foi atribuída a uma mulher o comando da seleção feminina de futebol. Diferentemente do que a “cultura” popular propaga sobre a prática feminina no futebol, é sabido que as mulheres sempre estiveram na linha de jogo, é claro que na maioria das vezes como meras expectadoras ou partícipe, mas necessitamos salientar que as mulheres sempre jogaram futebol e a história produzida na academia sobre o tema nos orienta sobre o fato. Pacientemente as mulheres esperam sua vez e a cada momento a cada obstáculo derrubado vão (re)demarcando suas conquistas.

A representação

A representação feminina no mundo futebolístico reforça a cultura machista e excludente das mulheres no mundo do futebol, em uma análise pontual de algumas obras (não necessariamente acadêmicas) analisamos como as mulheres são representadas através de textos e fotografias salientando dessa forma uma possibilidade de abertura ao debate das diversas formas em que as mulheres ainda são alvos de preconceito, enxovalhamento e exclusão.

O conceito de representação, segundo Santos (p.27), tem sido muito “usado” na atualidade e muitas vezes são “mencionados aleatoriamente e discriminadamente como se ele tivesse um único significado e uma história contínua.”  E acrescenta que o uso do conceito muitas vezes não satisfaz às explicações por eles tencionados.

Seguindo a linha de pensamento sobre o conceito de Representação proposto por Roger Chartier onde ele pontua um recuo da violência física e uma crescente austeridade da violência simbólica mantendo dessa forma a autoridade masculina sobre a feminina com práticas (sub) conscientes e reforçadas com a anuência das culturas estabelecidas no passado.

Complementando a essa afirmação, acrescentamos à própria estrutura historiográfica que por meios de uma “tradição inventada” institucionaliza uma verdade histórica sem a participação de alguns grupos essenciais para a formação de uma sociedade.

Edição 28-8-1920 nº4 Revista Sport Illustrado.

De forma desigual e reforçando sua autoridade, os homens mantém sua hegemonia futebolística diante das mulheres através de um discurso “intencional” que muitas vezes desqualificam a prática e a participação feminina no supracitado esporte. Identificamos em muitos casos uma “falsa” abertura ou até mesmo a inclusão da mulher no esporte, porém ainda é muito claro o desprestigio social da mulher no futebol.

Dividimos nosso campo de análise da representação feminina no futebol em duas partes. A primeira parte demonstraremos a forma de como as mulheres recebem a “permissão” dos homens para participarem do futebol fora de campo enquanto que na segunda parte investiremos na análise quantitativa de citações das obras analisadas e de que forma elas são apresentadas jogando futebol. Invariavelmente encontramos a presença feminina no mundo do futebol em revistas, jornais, livros, crônicas esportivas, artigos e teses acadêmicas e essas frequências quando vista de forma analítica percebemos uma situação de submissão das mulheres aos homens.

Representadas sob o formato de “senhorinhas de boa índole” que sempre estão ao lado dos seus maridos, as mulheres vivem o futebol fora de campo apenas como figuras coadjuvantes e inexpressivas disfarçadas com certo prestigio.

Dona Maria Leite Segurado. Esse símbolo do Goiás, que nasceu na cidade de Goiás no dia 1 de agosto de 1892, foi convidado pelo então presidente esmeraldino, coronel Medeiros, para se engajar no processo de reconstrução do clube. A sua contribuição inicial foi com a lavagem dos uniformes, para o uso dos jogadores, lembrando que seus serviços de lavadeira foram de forma gratuita.(Leal, p.41)

A participação feminina nesse processo de fundação do clube invariavelmente está vinculada às práticas de serviço doméstico, de meras acompanhantes de seus maridos ou simplesmente mestres de cerimônias e entrega de premiações. Percebemos também a restrita participação feminina no mundo futebolístico na revista Sport Illustrado onde na maioria das vezes elas aparecem como meras agentes de divulgação publicitária de produtos utilizados diariamente pela população. Nas edições da supracitada revista conseguimos observar as edições dos anos de 1920 a 1956 contemplando as edições 00001 a 00976 (Esporte Ilustrado) que periodicamente publicava as mesmas peças publicitárias. A permissão dada às mulheres no futebol fora de campo reforça a ideia de como a representação social feminina era fundamentada em princípios arraigados em uma estrutura cultural baseada na permanência de práticas conservadoras.

Edição 28-8-1920 nº4 Revista Sport Illustrado.

As representações são variáveis segundo as disposições dos grupos ou classes sociais; aspiram à universalidade, mas são sempre determinadas pelos interesses dos grupos que as forjam .O poder e a dominação estão sempre presentes. As representações não são discursos neutros: produzem estratégias e práticas tendentes a impor uma autoridade, uma deferência, e mesmo a legitimar escolhas. (CHARTIER, 1990, p. 17).

Nesse contexto de impedimento da participação feminina no futebol os homens se cercam de estratégias onde a há um fio condutor que determina quem e quando pode ultrapassá-lo, as mulheres se veem com prestigio aflorado por poderem pelo menos fazer parte do mundo futebolístico mesmo sabendo que não poderão sair da pequena área estabelecida pelos homens. O discurso de que as mulheres não sabem jogar, que o futebol descaracteriza sua feminilidade e a própria academia que não descortinava essas retaliações foram fatores possíveis da continuidade desse impedimento fora das regras. Um fator interessante de análise da presença feminina no futebol é a constatação da presença de mulheres nas torcidas. Devemos ressaltar que essa liberdade feminina para assistir aos jogos dentro dos estádios se restringem às mulheres da alta sociedade que acompanhada dos maridos poderiam assistir os jogos.

Edição 14-8-1920 nº2 Revista Sport Illustrado.

As restrições femininas relacionadas ao futebol, já relatadas nesse artigo, refletiu na literatura e na academia onde percebemos poucas referencias às mulheres e quando citadas, normalmente são fatos irrelevantes.

Após uma certa abertura à pratica feminina dentro futebol abriu-se um novo campo de analise onde o gênero feminino começa a passar por algumas distorções quanto a sua permanência dentro de campo. Os pesquisadores Leila Salvini e Wanderley Marchi Júnior abordaram outro aspecto da participação feminina agora dentro de campo, eles observaram analisaram as publicações da revista Placar na década de 1990 através desse trabalho concluíram que a exposição das mulheres de forma sensual ajudou a desvincular a ideia de que as mulheres praticantes do esporte seriam “homossexuais” discordamos enfaticamente dessa ideia e acreditamos que essa “permissão” dada as mulheres para jogar futebol está diretamente atrelada a forma machista de pensamento arraigado na premissa de que a mulher é um objeto dessa forma acreditamos que a entrada da mulher no futebol foi aceita somente para agradar os desejos masculinos e se distancia razoavelmente da premissa de igualdade e de inserção social. O professor de educação física Reudesman Lopes Ferreira, em sua extensa obra a História do futebol de Cajazeiras-Paraíba, relata:

Mas, tudo seu preço, e Dudu, que nos afirmou ser o presidente, e treinador, da seleção, revelou que os treinamentos das meninas eram realizados no estádio Higinio Pires Ferreira a partir das quatorze horas, debaixo do sol e calor efervescente deste nosso sertão, já que, a partir das quinze horas, havia sempre os treinos do futebol masculino com programação estabelecida, mas, elas não reclamavam de nada, as jogadas eram treinadas exaustivamente em cima de muita cobrança, os materiais eram pouquíssimos, uma ou no máximo duas bolas para trabalhara fundamentação técnica no aprimoramento da condução, domínio e passes de bola e haja paciência. (FERREIRA, 2015, p.509)

Da mesma forma que quase não havia tempo para as mulheres praticarem o futebol tendo que jogarem em um horário delicado para preservação da saúde humana a obra supracitada também repete esse desprestigio feminino. O número de páginas que descrevem a prática futebolística feminina não é de UM por cento da obra. Reforçando assim a tese de que as mulheres são desprestigiadas dento e fora de campo.

Analisamos a presença feminina na obra de Hilário Franco Júnior e percebemos que há uma iniciativa do autor em relatar alguns fatos do futebol em que a mulher esteja inserida. A obra retrata fatos das primeiras jogadoras no século XX (p. 45 e 203) uma pesquisa sobre torcidas (p. 205) e apenas uma fotografia (p. 237. anexo16). Outra obra analisada por esse viés quantitativo da presença feminina nas obras sobre futebol foi a de Leonardo Affonso de Miranda Pereira, Footballmania.

Uma história social do futebol no Rio de Janeiro 1902-1938. Nessa obra, que relata a história da formação do futebol carioca, a formação dos principais clubes do Rio de Janeiro a inserção do negro nos principais clubes do Brasil praticamente não cita a mulher no mundo futebol, as poucas referências são relacionadas às torcedoras, mães que queriam ver seus filhos jogando futebol e casos amorosos e tragédias vividas pelos jogadores com as mulheres.

Conclusão

A prática esportiva feminina no futebol independentemente de todo processo histórico criado pela “instituição machista” que sempre impediu a participação feminina dentro e fora de campo, na atualidade se apresenta mais solidificado e ao mesmo tempo mais aceito pela população. É claro que de forma distorcida e desprestigiada.

O futebol feminino ainda permanece na marginalidade onde sua efetivação ainda é muito restrita e desigual. Ao pesquisarmos sobre o futebol feminino identificando sua história percebemos que as mulheres procuram a todo tempo adaptar-se as diversas formas de permissão masculina e essa adaptação faz com que elas “sorrateiramente” ganhem espaço e respeito do público.

Descobrimos que os números financeiros das mulheres futebolistas, em relação aos homens, são insignificantes e que o caminho a percorrer ainda é longo. Diferentemente dos homens as mulheres não estão alinhadas ao processo histórico quando a Historia deseja contar algum fato que procure conceituar o brasileiro.

Percebemos um total esquecimento de gênero quando o tema é futebol, fatores culturais, religiosos, estéticos e até econômicos restringem a participação feminina em campo. É salutar a informação que o esporte supracitado é referência em alguns países como Japão, Estados Unidos e Alemanha, notícias desse porte abrem possibilidades de uma melhor aceitação da mulher jogando bola no país.

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Como citar

SOUZA, Djalma Oliveira de; RIBEIRO, Maria do Espirito Santo Rosa Cavalcante. Mulheres no mundo do futebol: restrições e representações. Ludopédio, São Paulo, v. 137, n. 22, 2020.