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Na torcida da Acadêmica

Ewerton Martins Ribeiro

Recorde de público: 2.449 pessoas assistiram Acadêmica e Oliveirense, na entrada do returno da Segunda Liga: Foto: Ewerton Martins Ribeiro.

A lua aguardava ansiosa o seu eclipse quando o escrete da Acadêmica de Coimbra, o mais antigo clube português, entrou em campo neste domingo, dia 20 de janeiro, para defender em casa a sua invencibilidade de quatro jogos seguidos — e agora já são cinco: a Briosa venceu a União Desportiva Oliveirense no limite da necessidade, 1 a 0, no Estádio do Calhabé, e então alcançou o quinto lugar da tabela da Segunda Liga portuguesa (“Ledman Liga PRO”, na oficialidade dos patrocinadores).

No jogo, a Super Lua Vermelha já se formava no céu, antecipando o clima para o eclipse da madrugada de logo mais. Foto: Ewerton Martins Ribeiro.

A Acadêmica tem agora 30 pontos, a mesma quantidade do Estoril, que figura em quarto em razão daquelas continhas todas de saldo de gol, etc. e tal. No topo da tabela, P. Ferreira e Famalicão têm respectivamente 40 e 38; e apenas os dois primeiros colocados da Segunda Liga vão subir para a primeira divisão. Mas esta foi só a 18ª jornada da Ledman LigaPRO. Acaba de começar o returno.

Dez contra dez
Valendo-se da minha e de mais algumas novas adesões, o público da partida foi recorde: 2.449 pessoas não tomaram conhecimento do frio deste inverno português e foram ao estádio assistir ao triunfo da Briosa, numa disputa de um 4-4-2 contra 4-3-3 que em muitos momentos parecia simplesmente um clássico 10 contra 10, no melhor estilo da segunda divisão de qualquer país do mundo em que jogam um time desesperado, na sarjeta da tabela, e outro entusiasmado com a possibilidade de alcançar, da tabela, a dianteira. Da parte do Oliveirense, cabe dizer que o time entrou em campo na última posição da tabela e saiu pior do que entrou, se é que isso é possível.

No dia seguinte ao jogo, a camisa seca à sombra, já pensando na próxima partida. Ao fundo, a cidade de Coimbra. Foto: Ewerton Martins Ribeiro.

A respeito do gol: ali pelos sessenta e um, sessenta e dois minutos de uma partida em que nada – exceto umas caneladas – de muito interessante acontecia, seguiu-se um escanteio, e então o camaronês Donald Djoussé se desvencilhou do seu marcador para, no primeiro pau, dentro mesmo da pequena área, resvalar a bola de cabeça, com qualidade e oportunismo. Dada a sua sagacidade, matou o goleiro, que, como que pregado debaixo da linha do gol, nada pôde fazer: a bola veio rápida demais, uma pedrada, e mesmo lhe encontrando o rosto na direção, bem no meio das balizas, atravessou-lhe como um fantasma e foi parar no fundo da rede, para a alegria dos estudantes da Universidade de Coimbra.

Deste gol em diante, foi só pressão do Oliveirense, mas não havia qualidade: fechadinha, a Acadêmica – mais azeitada, já que repetia a escalação pelo terceiro jogo seguido – conseguiu levar o placar até o final da partida, ainda que no aperto e chutão. Na coletiva de imprensa, o treinador João Alves pôde resumir o sentido desse magérrimo 1 a 0 para o seu time: “e o resultado foi melhor que a exibição. Foi sim senhor.”

Agora os capas negras se preparam para o próximo jogo: enfrentarão o líder P. Ferreira na próxima segunda, 28/01, às 15h, jogando fora. Não poderia haver melhor momento para o confronto: o returno começa com tudo para a Briosa na segundona de Portugal. Vale lembrar: o melhor resultado já alcançado pela Acadêmica na Segunda Liga foi o vice-campeonato da temporada 2001-2002. Contudo, agora os capas negras contam com um torcedor a mais, e, ali, no Estádio do Calhabé, cada voz faz diferença.

Estádio Cidade de Coimbra, ou “Estádio do Calhabé”, às vésperas do jogo. Foto: Ewerton Martins Ribeiro.