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O apagão rubro-negro no Carioca

Anderson David Gomes dos Santos

O Campeonato Carioca está na 4ª rodada, o Flamengo ainda nem colocou o time principal no torneio – respeitando os 30 dias de férias dos jogadores –, mas uma decisão da diretoria em não vender os direitos de transmissão para o Grupo Globo “apagou” os jogos da equipe em transmissões audiovisuais neste mês de janeiro.

Na semana passada, o jornalista Rodrigo Mattos publicou entrevista com o vice de comunicação e marketing do Flamengo, Gustavo Oliveira, sobre o tema. Reproduzo neste primeiro texto no Ludopédio o que comentei no Twitter  – lá também já comentei sobre o processo do clube contra a Globo, que publicarei em breve em texto corrido.

Gostei bastante das perguntas do Rodrigo Mattos. Volto a afirmar, Flamengo, assim como o Palmeiras e o Athletico ano passado, tem conjuntura favorável para poder exigir mais (ao contrário dos três rivais do Rio), mas vi exageros ao exaltar os Estaduais. O Gustavo Oliveira chega a citar o Baiano, mas Bahia e Vitória colocaram o time de aspirantes no torneio justamente pela falta de relevância, especialmente a financeira, em comparação à Copa do Nordeste.

Apagão rubro-negro. Nenê faz gol de calcanhar no Fla-Flu da Taça Guanabara 2020. Foto: Lucas Merçon/Fluminense F.C./Fotos Públicas.

Falta argumento para justificar o modelo de negociação individual como “ideal” para além de ser o modelo atual (e que beneficia o topo da estrutura). As negociações de placas e exibição internacional do Brasileiro mostraram que ele e o Corinthians preferem assim porque ganham mais. Mas, fato, os outros clubes não conseguem se juntar para negociar coletivamente e nisso realmente “o problema é deles”. Bato na tecla para o caso nordestino, inclusive, que a Liga do Nordeste servisse para além da organização da Copa do Nordeste, o que poderia destacar ainda mais nossos clubes nas quatro divisões nacionais.

Por fim, o Carioca não tem o mesmo peso de outros torneios, é uma premissa falaciosa. Ainda que a Globo o transmita para diferentes estados, é um torneio arrastado e cheio de problemas de competitividade, não à toa o campeonato começou com outros grandes sem time principal.

Atualizando, o clube teria reduzido 25% desse valor simbólico para o Carioca ao pedir R$ 81 milhões. A Globo justifica que não pagaria a mais que os 18 milhões que os outros três de maior torcida do Rio de Janeiro por questão de equilíbrio no torneio. Lembrando que, em 2015, a FFERJ fechou contrato com a Globo por nove anos, especialistas dizem que o máximo deveria ser três, pois o mercado pode mudar, tempo, por sinal, que só o Flamengo assinou.

Como citar

SANTOS, Anderson David Gomes dos. O apagão rubro-negro no Carioca.