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O encrenqueiro politizado

Roberto Jardim

Todo time que se preze acaba tendo um jogador encrenqueiro, no estilo do irlandês George Best. Ou então um boleiro marrento, tipo o carioca Romário. Se juntar as duas características, melhor ainda. Seria mais completo, claro, se tal personagem jogasse muito, marcasse gols e, ainda por cima, caísse nas graças da torcida.

Se somarmos a tudo isso o engajamento político e social, então, claro que ele entraria para o Democracia Fútbol Club. E foi essa última peculiaridade que colocou Éric Cantona como nosso camisa 9. Afinal, não é todo dia que encontramos um craque sem quaisquer papas na língua.

Nos tempos de jogador, colecionava encrencas. Dentro e fora de campo. Seu gênio levou torcida e imprensa a lhe darem uma série de apelidos. L’Enfant Terrible foi um dos primeiros. O termo, em francês “criança terrível” tem seu uso melhor explicado quando serve de exemplo para aqueles guris sem medo de autoridade nem de dizer coisas julgadas inconvenientes pelos adultos. Também foi chamado de Genious (Genioso), Bad boy (Garoto mau) e Eric, the King (Eric, o Rei).

Uma das confusões mais marcantes aconteceu durante um jogo entre Manchester United e Crystal Palace, em 1995, quando deu uma voadora em Matthew Simmons, hooligan da equipe rival, após ser expulso e ouvir ataques xenófobos e racistas.

– Foi um erro, mas a vida é assim, e eu sou assim. Às vezes, para a gente (jogadores), é um sonho poder bater neste tipo de torcedor – falou após o ato, que o levou a uma suspensão de nove meses.

Essa voadora foi só um episódio a mais numa carreira recheada de confusões, marcada por um temperamento forte e explosivo, resumida assim pelo nosso camisa 9:

– Há uma linha tênue entre a liberdade e o caos. Até certo ponto sou um anarquista e tento fazer um tipo de anarquia. Mas esta é uma anarquia de pensamento, pode-se dizer, a libertação da mente quanto às formas tradicionais de ser e de fazer.

Se as brigas com colegas de equipe, adversários e até torcedores não deixavam transparecer seu lado engajado, depois que pendurou as chuteiras, o atacante passou a colecionar posicionamentos em defesa da liberdade e da democracia. Fez campanha contra os bancos e repasses de dinheiro de governos para instituições financeiras, além de militar em causas diversas, como a luta por habitação digna e ajuda a refugiados sírios.

Em 2011, por exemplo, apresentou o documentário Les Rebelles du Foot (Os Rebeldes do Futebol), no qual são contadas as histórias de Sócrates, Carlos Caszely (Chile), Rachid Mekloufi (Argélia), Didier Drogba (Costa do Marfim) e Predrag Pasic (Bósnia) – os três primeiros presentes nesse livro –, todas marcadas por momentos de luta e resistência.

No filme, Éric apresenta, também, um pouco da sua história e a da sua família, ligada à luta em defesa da democracia. Ainda profere algumas frases marcantes sobre a importância do futebol na busca por uma vida melhor para todos.

Três anos antes, em 2008, Éric deu uma reveladora entrevista à revista britânica Four-Four-Two, onde fala abertamente sobre diversos temas. Mostrando o quão longe do estereótipo do boleiro comum está, respondeu perguntas de leitores do periódico que iam da infância até Filosofia, passando pelo futebol, é claro.

Em uma delas, um torcedor pedia que ele dissesse quem venceria uma disputa filosófica entre Albert Camus e Jean-Paul Sartre, seus conterrâneos:

– Não haveria vencedor. Eles eram pessoas abertas com suas próprias ideias, mas ouviam as ideias dos outros. A verdade não era tudo – respondeu, para depois, filosofar:

– Você conversa com alguém, argumenta, para melhorar ou mudar seu ponto de vista. Se você acha que sabe a verdade sobre tudo, então você se torna muito fechado. Você fica no seu próprio mundo e enlouquece. E depois de dez anos você se mata. É importante ter seu próprio ponto de vista, mas esteja aberto a mudanças.

A luta está no sangue

Éric Daniel Pierre Cantona nasceu em 24 de maio de 1966 na portuária e multicultural Marselha, no Sul da França. Seu pai era descendente de italianos. A mãe, de espanhóis. O atacante não esconde o orgulho em falar dos avós maternos, que fugiram após as forças de Francisco Franco dominarem a Península Ibérica depois do fim da Guerra Civil (1936-1939).

Aqui vale uma pausa na história do nosso camisa 9 para lembrar: na época em que os avós maternos de Éric viviam na Espanha, o país passava pela Segunda República, iniciada em 1931. Cinco anos depois, houve uma tentativa de golpe de Estado por parte de um setor do Exército. Com isso, teve início, em 17 de julho de 1936, a Guerra Civil Espanhola, que durou quase quatro anos, terminando em 1º de abril de 1939.

Para tristeza de republicanos, socialistas, comunistas e anarquista, os militares venceram e a instauraram de um governo de caráter fascista, liderado pelo general Francisco Franco. O regime franquista dominou o país com mãos de ferro – prisão de opositores, tortura, terrorismo de Estado, exílio dos descontentes, enfim, o modus operandi de qualquer ditadura –, até 1977, dois anos após a morte do generalíssimo. Assim como no Brasil, ainda hoje existem defensores dos tempos da ditadura.

Assim, podemos voltar à história de Éric.

Por conta dessa história familiar, em 2015, ele abriu sua casa em Marselha para refugiados sírios que chegavam à França na época. Ao mesmo tempo, anunciou a doação de alimentos às vítimas do conflito na Síria:

– Meus avós maternos eram republicanos espanhóis que fugiram de Franco. Eles eram de Matorell, na Catalunha, e cruzaram os Pirineus a pé. Foram acolhidos em solo francês. Por isso, agora, abro as portas da minha casa para os refugiados – contou em uma entrevista à imprensa de seu país.

Dessa forma, em meio a este passado e a uma Marselha fervilhante como quase toda cidade portuária, que Éric cresceu. À Four-Four-Two, o eterno camisa 7 do Manchester United contou que teve uma infância feliz, devido às relações familiares.

– Tínhamos uma família unida, que me deu a melhor educação que poderia ter. Éramos da classe trabalhadora e estávamos satisfeitos com as pequenas coisas da vida. Éramos polidos, sempre dizíamos “por favor” e “obrigado”. Éramos respeitosos com os outros e aproveitávamos a vida – enumera.

Éric destacou que, por ser formada por pessoas vindas da área do Mediterrâneo – não nos esqueçamos que o pai era italiano e a mãe, catalã –, eram todos muito alegres.

– Todos adoravam cantar, sorrir, amar – resume.

Vem dessa época a lembrança dos avós escapando de Franco.

– Tinha dez anos quando conheci meu avô. Gostava muito dele. Veio para a França depois da Guerra Civil Espanhola, sem permissão para voltar. Quando me aposentei, fui viver em Barcelona por três anos, para encontrar estas memórias de infância.

Uma longa lista de confusões

Como quase todo menino no planeta bola, Éric sonhava em ser jogador de futebol. Entrando na adolescência, chegou ao pequeno Les Caillols, clube de futebol do bairro de mesmo nome, em Marselha.

Ali, jogou em diversas posições, inclusive como goleiro. Cedo, contudo, já aos 15 anos, trocava sua cidade natal por Auxerre, a 610km. Foi na base da equipe homônima que passou a atuar como atacante.

Dois anos depois da chegada, em 5 de novembro de 1983, Éric estreava na equipe principal do Auxerre, em uma partida da primeira divisão – vitória de 4 a 0 sobre o Nancy. Teve poucas chances nas primeiras temporadas e acabou emprestado ao pequeno Martigues, da segunda divisão. Voltou ao Auxerre em 1986, assinando o primeiro contrato como profissional.

O retorno, porém, não foi dos melhores. Começavam, naquele ano, os primeiros problemas disciplinares. O atacante agrediu o companheiro de time Bruno Martini e ganhou sua primeira suspensão, algo que virou rotina até sua aposentadoria precoce, aos 30 anos.

Seu talento com a bola nos pés, porém, falava mais alto, e em 1987 passou a ser convocado com frequência para a seleção francesa – estreou marcando o gol na derrota por 2 a 1 para a Alemanha Ocidental. Com os Bleus, foi campeão da Eurocopa Sub-21, em 1988.

Suas atuações pelo Auxerre e pela seleção chamaram atenção do Olympique de Marseille, de sua cidade natal, e acabou contratado por US$ 3,5 milhões, em 1988. Um recorde para a época. Éric, porém, só conseguiu destaque pelas confusões.

Um ano depois da sua chegada, em um amistoso, chutou a bola contra a torcida do Olympique e arrancou a camisa após ser substituído. Acabou suspenso por um mês – a segunda no mesmo ano, já que fora suspenso da seleção após ofender o treinador durante um programa de televisão.

Por conta do episódio, foi emprestado ao Bordeaux, no fim da temporada 1988-1989. Depois disso, novo empréstimo, para o Montpellier, onde voltou a arrumar confusão, atirando suas chuteiras em um colega de time. Mesmo assim, ajudou a equipe na conquista da Copa da França (último título do clube nesta competição), voltando a exibir bom futebol.

No retorno ao Olympique, teve boas atuações entre 1990 e 1991, sob comando dos técnicos Gérard Gili e Franz Beckenbauer. A fase acabaria cedendo lugar ao temperamento forte, já que Éric bateu de frente com o novo técnico, Raymond Goethals. Assim, mesmo com a conquista do Francês de 1990-1991, acabou negociado com o pequeno Nimes.

Novo clube, nova encrenca. Em uma partida da Liga Francesa, em dezembro, irritado com as decisões do árbitro, jogou a bola com força contra ele. No julgamento, mais indisciplina, xingou todos os responsáveis pela punição, ganhando uma pena extra de mais dois meses sem jogar na França.

Irritado, nosso craque chegou a anunciar a aposentadoria. Foi convencido do contrário, porém, pelo então técnico da seleção francesa Michel Platini, que o levou à Eurocopa de 1992. Com a ajuda de um psicanalista, foi convencido a tentar o recomeço da carreira em outro país.

Assim, Éric cruzou o Canal da Mancha e passou por uma semana de testes no Sheffield Wednesday. Sem uma resposta da direção da equipe, acabou assinando com o Leeds United, onde participou de uma das últimas grandes temporadas dos Whites.

Mesmo tendo chegado em meio ao campeonato, ajudou o clube a conquistar o Inglês de 1991-1992. Jogou 15 partidas e marcou três gols, mas teve importante participação, principalmente com assistências para o artilheiro Lee Chapman.

Na temporada seguinte, marcaria o primeiro hat-trick (três gols no mesmo jogo) da recém-criada Premier League, contra o Tottenham Hotspur. Em dezembro de 1992, porém, trocaria o branco do Leeds pelo vermelho do Manchester United. Em Old Trafford, Éric passaria suas melhores temporadas, transformando-se em ídolo da torcida e ganhando o crédito pelo ressurgimento do clube nos anos 1990.

Reerguendo os Red Devils

Quando chegou, o time comandado pelo escocês Alex Ferguson vinha mal no Inglês, mas o camisa 7 foi crucial na conquista do nacional daquela temporada 1992-1993, o primeiro título desde 1966-1967. Na sequência, a equipe vermelha de Manchester levantou as taças de 1993-1994, 1995-1996 e 1996-1997, além das Copas da Inglaterra de 1993-1994 e 1995-1996 e das Supercopas de 1993, 1994 e 1996.

Mesmo cada dia melhor em campo e com os resultados coletivos aparecendo, os problemas disciplinares não ficaram de lado. Teve punições por cuspir em um torcedor de seu ex-clube, o Leeds, além de expulsões por reclamar e xingar árbitros. Em 1994, foi preso em uma confusão e, mesmo algemado, deu um soco em um policial.

Na sua terceira temporada, em 1995, entraria na maior encrenca da sua carreira. Por consequência, receberia sua maior punição. Justamente o golpe de kung-fu narrado no começo deste texto. Após o acontecido, a imprensa inglesa revelou que o torcedor agredido, Matthew Simmons, era participante do National Front e do British National Party, organizações de extrema-direita, nacionalistas e xenófobas, com tendências neonazistas e fascistas.

Éric ganhou nove meses de gancho, pena seguida pela FIFA, que o deixou de fora das competições mundiais. Na Justiça comum, foi condenado a duas semanas de prisão, pena convertida para 120 horas de serviços comunitários.

Mesmo com todas essas consequências, nunca se arrependeu do ato. Afirmou, à imprensa que, enquanto saía de campo, foi ofendido pelo hooligan, que o teria chamado de “merda de francês”. Perguntado pela rede britânica BBC, em 2011, sobre o melhor momento da sua carreira, respondeu:

– Foi quando dei o chute kung-fu em um hooligan, porque este tipo de gente não tem nada o que fazer em um jogo. Acredito que é um sonho para alguns dar um chute em alguém assim. Eu fiz por eles. Já vi muitos jogadores marcando gols, e todos eles sabem a sensação, mas esta, de pular e chutar um fascista, não é algo que você encontre todos os dias.

Mesmo com a punição e com a perda do título da temporada, seu contrato foi renovado pelo United por mais três anos. Após a volta aos campos, com total apoio da torcida, do elenco, da comissão técnica e dos dirigentes, conquistaria mais três títulos, ostentando a faixa de capitão da equipe.

A maior punição para a voadora de 1995, porém, veio depois, quando o técnico dos Bleus, Aimé Jacquet, o deixou de fora da equipe que disputaria e seria campeã do mundo em 1998, justamente na França. Vivendo grande momento no Reds, Éric ficou chateado em saber que não seria convocado e anunciou o fim de sua carreira, aos 30 anos, em 1997.

Sobre a aposentadoria, afirmou certa vez:

– Penso que me aposentei tão cedo porque queria melhorar a cada momento, ser um jogador melhor. Quando pendurei as chuteiras, sentia que não podia mais melhorar. Também perdi a paixão ao mesmo tempo. A paixão vem com a motivação de crescer. Se você perde a paixão, você perde a motivação.

Ator, ativista e filósofo

Ao pendurar as chuteiras, não deixou o jogo de bola de lado. Apenas trocou os gramados pela areia. Passou a jogar e a atuar como técnico da seleção francesa de futebol de areia, com a qual conquistou o título mundial de 2005. No futebol de campo, trabalhou com dirigente do New York Cosmos.

Também coleciona trabalhos no cinema. Depois do primeiro filme, Elizabeth, de 1998, já enfileirou outros nove títulos – entre longas, documentários e séries.

Sobre a diferença entre atuar e jogar bola, Érica comentou:

– Para mim, futebol e atuação são muito parecidos, porque são coisas apaixonantes. Você tem sentimentos parecidos em campo e no set de filmagens. Mas eles são mais fortes em campo. Quando eu perdi isso, parei de jogar. Como ator, trabalho duro para tentar e melhorar.

Na ficção, um dos principais títulos é Procurando Éric (2009), do britânico Ken Loach. Na fita do diretor ligado à esquerda inglesa, o craque interpreta a si mesmo durante sua passagem pelo United.

O atacante aparece em delírios do carteiro Éric (Steve Evets), que vive problemas pessoais. Em seus momentos de descontração, após fumar um baseado, o carteiro encontra o ídolo Cantona, com o qual tem conversas filosóficas, recheadas de conselhos para sua vida pessoal.

O grande destaque na carreira cinematográfica, porém, é o documentário Les Rebels du Foot (2011), do qual também é produtor. Na película, disponível para assistir no YouTube, Éric intercala a narração das histórias de cinco craques da bola que foram além das quatro linhas, com frases filosóficas sobre futebol, democracia e liberdade, colocando-se sempre como um ponto fora da curva do que se pensa de um jogador ou ex-jogador de futebol.

Buscamos alguns desses pensamentos:

– Quando você perde a liberdade o que faz? Chora ou luta?

– O mundo ao redor nos empurra para trás. Chega uma hora em que a única solução é avançar.

– Precisamos ter coragem para agir antes que seja tarde demais… Tarde demais para evitar um massacre.

– Ser um ídolo não pode impedir ninguém de ver a realidade. Ser um homem é muito mais importante do que ser campeão.

– Lembro de jogar nas ruas com os meus irmãos. A gente só pensava no futebol. Não existiam raças, cores de pele nem religiões. Só a bola.

– É possível usar o futebol para educar as pessoas e repassar ideias progressivas enquanto se busca a bola. Promover democracia enquanto se marcar gols. É um belo manifesto político!

Em meio a essas produções, Éric também arranja tempo para viajar pelo mundo, morando um tempo em cada cidade – já passou por Marselha, Barcelona e Lisboa, entre outras. Além de se engajar em campanhas de solidariedade a refugiados, em defesa dos muçulmanos, pelo direito à moradia digna, e outras tantas, como uma que ele mesmo iniciou em 2009.

Por meio de um vídeo, lançado na internet, Éric defendeu uma revolução contra os bancos. Ele pedia que todas as pessoas que têm contas bancárias sacassem todo seu dinheiro.

– Como 3 milhões de pessoas nas ruas durante manifestações não dá resultado nenhum, e como não adianta pegar em armas para matar pessoas, há uma coisa simples a fazer: vá ao banco e saque todo o teu dinheiro – convocava.

O vídeo era em apoio à associação de ajuda social francesa Abbé Pierre, uma das mais conhecidas do mundo na defesa dos pobres e das pessoas sem domicílio fixo.

– Se 20 milhões de pessoas forem ao banco tirar o dinheiro, o sistema afunda e fazemos uma revolução sem armas nem sangue. Depois disso, os poderosos vão nos ouvir.

O chamado, porém, repercutiu apenas em redes sociais, sem efetividade. Mas isso não desestimulou Éric, que permanece sem medo de se posicionar, nem mesmo quando o assunto são grupos racistas e de extrema direita:

– Parece que tudo isso está ligado à crise econômica. E, infelizmente durante a crise, as pessoas caem no desespero, não sabem mais em que se segurar e tudo isso permite o nascimento do extremismo. O que é perigoso, mais uma vez, é tomar vantagem do desespero de algumas pessoas para espalhar ideias malucas. Esses que criam e desenvolvem ódio por motivos políticos, para terem poder. E penso que isso é triste e repreensível.

Sem dúvida, é quase um filósofo, como seus conterrâneos Sartre e Camus. É uma pessoa que costuma questionar o mundo à sua volta e não tem muitos problemas para se posicionar de maneira contrária.
Em tudo o que fez (e faz) na vida, chamou atenção, elevando sua participação ao fazer arte. Fez arte no futebol, no cinema e na vida. Sobre isso, comentou à Four-Four-Two:

–Toda arte é sobre tentar explicar a si mesmo. Todo mundo pode fazer isso, o homem por trás do balcão do bar, o homem varrendo as ruas. Até aqueles que estão assistindo a você para decidir se é bem-sucedido na sua arte. Isso tudo é arte. Você é um artista se você se explicar com beleza, com particularidade. É sobre dar algo para as pessoas pensarem, não providenciar respostas. Gosto dos artistas que me fazem pensar. Não quero que me digam o que pensar, gosto de ter minha própria interpretação. Se você tentar definir as coisas para mim, então a conversa acabou.


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A série tem a colaboração de Diego Figueira, na revisão dos textos, e do craque do traço Gonza Rodriguez, nas ilustrações.

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