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O terror dos homens

José Paulo Florenzano

A emancipação política de Moçambique, selada em meados da década de setenta, teve um impacto profundo na prática do futebol, atingindo, porém, de forma diversa homens e mulheres. Enquanto para os primeiros as medidas adotadas no processo revolucionário revelaram-se paradoxalmente conservadoras, em parte devido à consagração do amadorismo como valor estruturante do esporte, em parte devido à interrupção da troca de experiências com os clubes “burgueses” da metrópole imperial; para as segundas, em contrapartida, elas trouxeram consequências transformadoras, desbloqueando o caminho de uma prática que, ao longo do século XX, permanecera subterrânea, fora do campo de visão do poder.

Contando com o respaldo da Frente de Libertação de Moçambique, o futebol das mulheres obteve o direito de cidadania, organizando-se nas associações de fábrica, nos times de bairro, ou, ainda, nos clubes da antiga elite colonial. Uma vez estabelecida a premissa da igualdade entre os sexos, e dado a necessidade imperativa de democratizar as atividades lúdicas, não havia mais nenhum argumento para justificar o monopólio do futebol pelos homens.

O “desporto de massas”, livre das amarras ideológicas, irrompia como a palavra de ordem do novo regime, interpelando todos os grupos sociais: homens e mulheres, crianças e idosos, trabalhadores e estudantes.[1] A massificação das diversas modalidades esportivas, por sua vez, tinha por objetivo primordial “consolidar a unidade do Povo” no momento em que ela se achava ameaçada pelos adversários da independência de Moçambique.[2] Externamente, as forças inimigas se materializavam através das agressões desencadeadas nas províncias de Manica e Sofala, na região central do país, a partir do “regime racista rodesiano”.[3] Internamente, os “focos de marginais e reacionários” se multiplicavam nos bairros populares da capital, explorando um mercado paralelo alimentado com os produtos de primeira necessidade que escasseavam nos mercados e nas cantinas.[4] Diante de tal cenário, o governo de Samora Machel lançava mão de todos os recursos disponíveis para mobilizar e manter coesa a sociedade moçambicana. A difusão do futebol entre as mulheres, não resta dúvida, inseria-se na estratégia política de cimentar a unidade ideológica em torno do projeto revolucionário da FRELIMO.

Não obstante a existência de um cálculo político, a massificação do esporte colaborava para a redefinição dos papéis tradicionais fixados às mulheres pela dominação masculina. No contexto da independência, elas assumiam as identidades de combatentes, trabalhadoras e atletas, posições intercambiáveis que respondiam as tarefas atribuídas a todos os revolucionários. A defesa intransigente do direito da mulher em atuar livremente na esfera do futebol, no entanto, não excluía atitudes condescendentes emanadas da cobertura jornalística. Se, por vezes, os jogos eram classificados de “nível baixo”, em compensação prometia-se para um futuro próximo o “apuramento técnico” capaz de elevá-los ao patamar dos encontros praticados pelos homens. Ao mesmo tempo, atribuía-se ao árbitro a função pedagógica de ensinar às jogadoras “o porquê” de cada infração assinalada em campo.[5] Em determinados momentos, os intelectuais orgânicos da revolução viam-se assaltados por uma dúvida angustiante: “é o futebol um desporto propício às mulheres?”[6]

Em meio a um processo permeado de hesitações quanto ao caminho trilhado, não isento de recaídas nos velhos esquemas de pensamento machista, a revolução das mulheres prosseguia, desaguando em uma experiência inovadora que recodificava as relações entre os sexos no campo de jogo. De fato, três anos após a política de massificação do futebol entre as mulheres, os primeiros frutos de uma prática efetivamente subversiva começavam a ser colhidos, como nos mostra o encontro entre o Minkadjuíne, time do bairro homônimo da capital do país, e a Companhia Industrial da Matola, time de uma fábrica nos arredores de Maputo. A reportagem publicada no jornal Notícias destacava as entrevistas com as capitãs das duas equipes. Atentemos para as explicações fornecidas por Alzira a respeito dos coletivos realizados regularmente entre as operárias da CIM:

Normalmente treinamos no nosso retângulo relvado, nas instalações da fábrica, e, a maioria das vezes, com colegas de trabalho, sem discriminação de sexo.[7]

Os jogos reunindo homens e mulheres, contudo, não se constituíam em uma nota pitoresca da Companhia Industrial da Matola. Mariana, do Minkadjuíne, evocava uma experiência semelhante no bairro popular da periferia de Maputo, deixando entrever a existência de uma fórmula corriqueira nos campos da cidade:

Treinamos às vezes com os homens do nosso bairro, em jeito de confraternização-competição, o que nos tem dado imensos benefícios…[8]

A prática híbrida se restringia, a princípio, aos jogos treinos realizados nas fábricas, nos bairros e também nas escolas da cidade de Maputo. Maria de Fátima, aluna da Escola Primária Eduardo Mondlane, explicava ao repórter de Notícias como se sentia atuando nos jogos interturmas: “Não sinto complexos a jogar futebol com os rapazes”.[9]  Sidónia, aluna da Escola Secundária Estrela Vermelha, dizia, por sua vez, sentir-se em “pé de igualdade” quando “competimos com eles” ou “juntamente com eles”.[10] A despeito da difusão da prática híbrida pelos campos e quadras da capital, os torneios e festivais promovidos pela Organização da Mulher Moçambicana continuavam a reunir equipes formadas exclusivamente por jovens do sexo feminino. Aos poucos elas começavam a atrair a atenção do público, como, por exemplo, no encontro entre as equipes dos bairros do Minkadjuíne e da Mahotas. De acordo com a reportagem do jornal Notícias, a partida foi pontuada com lances de “conteúdo técnico bastante agradável”, sobressaindo a “miúda” de nome Olinda, capaz de fazer “o que quer da bola”, e a jogadora de nome Marta, cujas “fintas” e “corridas vertiginosas” em direção ao gol arrancaram aplausos dos adeptos que afluíram ao relvado dos Leões do Maputo, estádio do antigo Sporting, clube da elite colonial.[11]

A OMM, com efeito, utilizava os principais palcos do futebol na capital do país, assegurando, dessa maneira, visibilidade à modalidade feminina do jogo. Tratava-se, de modo geral, de promover a “troca de experiências” entre as equipes de fábrica, de bairro, de escola, bem como “angariar fundos” para a própria entidade.[12] Por trás da massificação do futebol das mulheres havia também um cálculo econômico, formulado com o objetivo de enfrentar a escassez de recursos e as necessidades de custeio das atividades desenvolvidas pela referida entidade.

Ou seja, a difusão do assim chamado futebol feminino resultava na convergência dos vários interesses em jogo e dos inúmeros processos em curso na sociedade moçambicana: de cima para baixo, ela refletia a estratégia política do novo regime, preocupado em sedimentar a coesão social em torno do projeto revolucionário; de baixo para cima, ela expressava o movimento das próprias mulheres, que desde os tempos coloniais reivindicavam o direito ao exercício da prática. A OMM, por sua vez, mediava as relações entre os dois polos, comprometendo-se, um lado, com as metas de massificação do esporte, e, de outro lado, com as lutas de emancipação das mulheres, utilizando a prática do futebol para angariar os fundos necessários para levar adiante as ações da organização.

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Mutola amarra a chuteira. Foto: Reprodução.

Portanto, na difusão do futebol das mulheres intervinham interesses políticos, cálculos econômicos e lutas feministas. Ao que tudo indica, foi a interconexão de todas estas variáveis a responsável pela enorme disseminação da modalidade na região de Maputo no período de 1974 a 1980. À medida, porém, que se agravava a situação política, social e econômica do país, em virtude da dimensão destrutiva alcançada pela guerra civil, o futebol deixava de ser o espaço privilegiado de experimentação no campo das relações de gênero, entrando a partir daí em acentuado declínio. Mas nem todas as sementes plantadas no período revolucionário acabariam dizimadas pela violência fratricida. Na segunda metade dos anos oitenta, em meio à terra arrasada em que se convertera Moçambique, o aparecimento de uma “miúda” revelava o potencial transformador contido no futebol das mulheres. Conforme assinalava Mia Couto:

Ela saiu correndo do subúrbio pobre de Maputo para o centro do mundo.[13]

Maria de Lurdes Mutola nasceu em 27 de outubro de 1972, no bairro do Chamanculo, na periferia da capital do país. Ela começou a jogar bola aos seis anos, no quintal de casa, nas ruas de terra, onde houvesse um espaço para a bola rolar. Aos quatorze anos foi parar na equipe juvenil do Clube Desportivo Águia de Ouro, sendo registrada na Associação de Futebol da Cidade de Maputo. Como quer que tenha se verificado o episódio, por desatenção do funcionário encarregado do registro ou por indiferença da estrutura burocrática -, a inscrição da atleta “passaria” na secretaria da AFCM, encontrando-se a jovem do Chamanculo habilitada a entrar em campo e atuar no assim chamado futebol federado.[14]

À medida que as rodadas foram se sucedendo, no primeiro semestre de 1987, as atuações da Mutola começaram a despertar a atenção da crônica e do público. De acordo com o jornal Desafio, “todo o mundo queria ver a menina-prodígio” que jogava “melhor do que qualquer homem”. De uma hora para outra, ela se tornara a principal atração. A equipe do diário esportivo, desconfiada de uma narrativa contatada com tantas “flores” a respeito da “miúda”, foi checar in loco a veracidade dos rumores que tomavam conta da capital do país, cobrindo no mês de junho a partida do Águia de Ouro contra o Ferroviário das Mahotas.

Atuando fora de casa, o time da Mutola sentira a pressão exercida pelo adversário, saindo atrás no marcador. Para classificar-se e seguir vivo na competição, o conjunto do bairro de Lhanguene precisava ao menos do gol de empate. E ele adveio através de uma jogada que o público presente ao estádio jamais esqueceria. Consoante o relato do jornal Desafio, Maria de Lurdes recebera a bola no meio de campo, passando-a rapidamente do pé direito para o esquerdo, e, ato contínuo, arrancara em direção à meta do Ferroviário, tabelando com um colega de equipe, suportando a “carga” do zagueiro adversário, entrando na área para driblar o arqueiro, e, “já sem ângulo”, ao “bom estilo de Maradona”, colocar a bola no fundo das redes.[15]

Decerto, a principal fonte de inspiração para a jovem atleta chamava-se Diego Armando Maradona, o genial e rebelde jogador da Argentina, campeão do mundo em 1986. Guardadas as devidas proporções, e situando as jogadas nos respectivos cenários imaginários em que elas ocorreram, poder-se-ia dizer que o assombro provocado pelo gol da Mutola contra o Ferroviário evocava a perplexidade suscitada pelo gol de Maradona contra a Inglaterra. De fato, como registrava a reportagem do Desafio, após a performance da ponta esquerda do Águia de Ouro, “alguns espectadores” presentes ao encontro passaram a colocar “em dúvida tratar-se de uma miúda”.[16] O próprio diário esportivo, embora favorável à presença da jogadora na competição, conjecturava se ela não configurava “um caso de bissexualidade”.[17]

Os elogios endereçados à Mutola soavam ambíguos, pois, se, de um lado, o simples fato de atuar entre os homens colocava “em causa sua feminilidade”, de outro lado, por não recear os “choques” na disputa de bola com os adversários, ela “patenteava” uma “virilidade muitas vezes ausente nos elementos do sexo oposto”.[18] Aliás, no afã de defender e justificar a presença em campo da “jovem de aspecto músculo”, a matéria do Desafio lhe realçava a “violência” do chute e a compleição “seca” do corpo, igual a de um “rapazito”.[19] Conforme sublinha Eleni Varikas, muitas vezes a mulher só pode aspirar a certas práticas, proceder a determinadas escolhas, mediante “usurpação”, “travestimento” ou a “título de exceção”.[20] O treinador da equipe adversária, contudo, não nutria nenhuma dúvida a respeito da categorização sexual da jogadora, tampouco se deixava levar pela condição de “menina-prodígio” atribuída à Mutola, como ela própria sublinhara em sua biografia:

Foi o treinador do Ferroviário que levantou o problema e exigiu a nossa desqualificação, por o gol ter sido marcado por mim, uma rapariga.[21]

O gol de empate havia eliminado o Ferroviário da competição. Inconformado, o treinador resolvera “denunciar” a presença de uma mulher entre os homens, exigindo receber do tribunal de apelação os pontos que perdera no campo de jogo. Acatando a petição do time do bairro das Mahotas, a AFCM tomava a decisão de suspender, sine die, a inscrição da jogadora. O secretário-geral da entidade justificava a medida com base em um argumento que lhe parecia restituir a ordem natural das coisas: “nós somos uma Associação de Futebol de homens”.[22] Dessa maneira, invocando a exclusividade masculina, os dirigentes esportivos se associavam para interromper a carreira de uma “miúda” que fazia “miséria” nos campos de futebol. Graças a um estilo de jogo que, segundo o jornal Desafio, reunia “capacidade de remate”, “domínio de bola” e “velocidade”, a ponta esquerda do Águia emergia como a maior promessa do futebol moçambicano desde a geração de Ouro, representada, no período colonial, por Eusébio.

Contudo, ao se constituir no “terror” dos jogadores rivais, Maria de Lurdes criara uma situação embaraçosa nos relvados da cidade.[23] Ela precisava ser banida das competições promovidas pela AFCM, não porque estivesse aquém do nível exibido pelos demais atletas, mas, sim, porque se encontrava situada em um patamar superior, tanto do ponto de vista técnico, quanto do ponto de vista moral. Mais ainda: ao se apropriar do atributo da virilidade que definia a condição masculina, ela passara a semear a confusão sobre as identidades sexuais, travestindo-se de homem, sem deixar de ser mulher, ou, ainda, ocultando uma sexualidade considerada anormal. De uma forma ou de outra, qualquer que fosse a categorização imputada à ponta extrema esquerda do Águia de Ouro, ela colocava o adversário, para citarmos mais uma vez Eleni Varikas, na posição do “infeliz para sempre desonrado” por ter “apanhado de uma garota”.[24] Uma jogadora que, ao invés de suscitar risos ou obter condescendência, arrebatava o protagonismo reservado aos homens, constituía-se em um desafio intolerável à hierarquia sexual. Os dirigentes dos clubes rivais foram, então, bater na porta da AFCM, choramingando providências:

Uma mulher joga no Águia de Ouro e está a desgraçar os nossos miúdos.[25]

A suspensão do registro salvava a honra masculina, tanto a dos miúdos quanto a dos graúdos. A ponta esquerda que se transformara no “terror das defensivas contrárias” se encontrava doravante proscrita do campo de jogo. Mas, para todos os efeitos, advogava a AFCM, a medida extrema fora adotada pela simples razão de “nunca se ter visto uma mulher jogar entre homens”.[26] Não havia outra alternativa para Maria de Lurdes, a não ser “ficar na arquibancada, à espera de que um dia haja futebol feminino”.[27] Mas, formulemos a pergunta: por acaso não havia futebol feminino em Maputo? Não vimos no início do texto o empenho da FRELIMO em massificar a modalidade nas equipes de fábrica, nos times de bairro ou nos jogos de escola? As páginas esportivas do jornal Notícias não traziam com frequência reportagens sobre a difusão do futebol nos bairros suburbanos da capital, onde, justamente, verificavam-se com naturalidade a mescla de homens e mulheres?

Eis o paradoxo que cercava a trajetória da Mutola: sem os experimentos revolucionários dos anos setenta ela talvez não tivesse se tornado a “exímia” jogadora do Águia de Ouro. Mas com o refluxo das práticas subversivas nos anos oitenta ela acabara sozinha no campo de jogo, qual uma estranha no ninho, cuja presença, conforme registrava a crônica esportiva, acarretava uma série de embaraços para os demais companheiros de equipe. Antes de tudo, Maria de Lurdes precisava vir já “equipada de casa”, pois não podia compartilhar o espaço do vestiário com os meninos. Durante a partida ela não permitia “nem abraços nem beijinhos”. E no momento de júbilo proporcionado pelo futebol, tinha de redobrar a vigilância para não colocar em risco a reputação. Os colegas desejavam “abraçá-la” para festejar o gol assinalado, mas ela os mantinha “à distância”, estendendo-lhes a mão, enquanto, um a um, eles a cumprimentavam, sem os “excessos” que costumavam caracterizar tais momentos.[28] Sem dúvida, uma estranha no ninho cujo devir embaralhava as linhas de força instituídas entre o masculino e o feminino, cruzando-as em direção a um futebol situado além das identidades sexuais. Sendo assim, tendo em vista a urgência em restabelecê-las, demarcando novamente os espaços convencionais de atuação para homens e mulheres, as autoridades esportivas baniram Maria de Lurdes dos campos federados. “Pelo menos”, salientava a reportagem do Desafio, “enquanto não houver futebol feminino, para onde a ´empurram` ou tentam empurrar os dirigentes associados”.[29]

Empurrada para fora do jogo, ela trocaria o futebol pelo atletismo, tornando-se medalhista olímpica em duas ocasiões: de prata em Atlanta em 1996 e de ouro em Sidney em 2000. Como havia frisado o escritor Mia Couto, a atleta saíra do bairro pobre da periferia de Maputo para alcançar o centro do mundo, embora não pela estrada que escolhera trilhar, a do futebol, pois esta se achava bloqueada pela dominação masculina. Sem poder seguir adiante com a carreira de jogadora de futebol, Mutola foi obrigada a voltar atrás e recomeçar do zero, pelas pistas de corrida. De fato, como nos lembra uma antiga canção da música popular brasileira: “Quem traz no corpo a marca / Maria Maria / Mistura a dor e a alegria”.[30]


[1] Cf. “O desporto é para as massas: homens e mulheres, velhos e crianças…” Notícias, 31 de março de 1975.

[2] Cf. “Grupos Dinamizadores promovem desporto de massa”, Notícias, 10 de março de 1975.

[3] Cf. “Novas agressões rodesianas a Moçambique”, Notícias, 11 de dezembro de 1978. A escalada dos ataques teve início em fins de 1975, prenunciando a guerra civil na qual mergulharia o país na esteira da independência.

[4] Cf. “Transformar Mafalala num centro de vida modelar”, Notícias, 12 de julho de 1980.

[5] Cf. “Futebol feminino – vitória política e esportiva”, Notícias, 2 de outubro de 1978.

[6] Cf. “Futebol feminino”, Notícias, 3 de outubro de 1979.

[7] Cf. “Avança a transformação no desporto”, Notícias, 04 de outubro de 1978

[8] Cf. “Avança a transformação no desporto”, Notícias, 04 de outubro de 1978

[9] Cf. “Responsáveis e alunos assumem a importância dos jogos escolares”, Notícias, 4 de agosto de 1979.

[10] Cf. “O futebol foi inventado por homens, mas não é exclusivo dos homens”, Notícias, 4 de janeiro de 1979.

[11] Cf. “Bela jornada de futebol feminino com destaque para o jogo entre bairros”, Notícias, 23 de outubro de 1978. O Sporting de Lourenço Marques, após a independência do país, renomeara-se Leões do Maputo, adquirindo por fim o nome de Maxaquene.

[12] Cf. “A prática desportiva permite-nos vencer os tabus”, Notícias, 7 de outubro de 1978.

[13] Couto, Mia (2008) “Milhões no pódio”. In: “Maria de Lurdes Mutola: a minha vida em 1 minuto, 55 segundos e 11 centésimos”. Catarina Nunes. Maputo, Fundação Lurdes Mutola.

[14] Cf. “Pode uma mulher jogar entre homens? ” Desafio, 24 de junho de 1987. Agradeço imensamente ao jornalista Renato Caldeira o apoio recebido durante a pesquisa do pós-doutorado. Foi graças à generosidade do jornalista moçambicano que consegui reunir o material sobre a trajetória de Maria de Lurdes Mutola.

[15] Cf. “Pode uma mulher jogar entre homens? ” Desafio, 24 de junho de 1987. Trata-se da primeira edição do semanário esportivo ligado ao jornal Notícias. De acordo com os editores, foi o primeiro jornal esportivo criado após a independência do país.

[16] Cf. “Pode uma mulher jogar entre homens? ” Desafio, 24 de junho de 1987.

[17] Cf. “Ela inclina-se para trabalhos de homens”, Desafio, 24 de junho de 1987.

[18] Cf. “Pode uma mulher jogar entre homens? ” Desafio, 24 de junho de 1987.

[19] Cf. “Pode uma mulher jogar entre homens? ” Desafio, 24 de junho de 1987.

[20] Varikas, Eleni (2016) “Pensar o sexo e o gênero”, Campinas, SP. Unicamp. P.12.

[21] “Maria de Lurdes Mutola: a minha vida em 1 minuto, 55 segundos e 11 centésimos”. Catarina Nunes. Maputo, Fundação Lurdes Mutola, p.29.

[22] Cf. “Lurdes: o ´pardalito` um dia voltará aos campos? ” Desafio, 12 de agosto de 1987.

[23] Cf. “Pode uma mulher jogar entre homens? ” Desafio, 24 de junho de 1987.

[24] Varikas, Eleni (2016) “Pensar o sexo e o gênero”, Campinas, SP. Unicamp. P.12.

[25] Cf. “Pode uma mulher jogar entre homens? ” Desafio, 24 de junho de 1987.

[26] Cf. “Pode uma mulher jogar entre homens? ” Desafio, 24 de junho de 1987. E, no entanto, a matéria formulava uma indagação que permitia divisar uma brecha jurídica: “Há, nas leis do futebol algo escrito que limite a prática do Desporto-Rei aos homens, entre si? ” Com efeito, no recurso do Águia D`Ouro, constava o argumento de que não havia “nenhuma lei que proíba este tipo de inscrição”.

[27] Cf. “Pode uma mulher jogar entre homens? ” Desafio, 24 de junho de 1987.

[28] Cf. “Pode uma mulher jogar entre homens? ” Desafio, 24 de junho de 1987.

[29] Cf. “Pode uma mulher jogar entre homens? ” Desafio, 24 de junho de 1987.

[30] “Maria, Maria”, música de Milton Nascimento e Fernando Brant. In: “Clube da Esquina 2”, 1978.