72.10

Oh Profissão Árdua!

Jefferson Nicássio Queiroga de Aquino

Existe uma posição no futebol que, em minha opinião, é a mais exigida dentro de campo. Isto pode acontecer por este jogador ser, na maioria das vezes, a última esperança do torcedor no momento do ataque do time adversário. Isto mesmo, estou falando do goleiro. Em alguns jogos ele é aquele jogador que fica ali, solitário por quase todo o jogo e que só encosta na bola para fazer as reposições, mas em outros é tão exigido que chega a operar verdadeiros milagres.

Elasticidade e flexibilidade, características que ajudam o goleiro a alcançar aquela bola que parecia indefensável, mas que com um leve toque consegue desviá-la do alvo. Aliados a estes atributos estão a velocidade de reação, a agilidade e a recuperação, pois em alguns momentos não basta desviar a bola apenas uma vez, é necessário levantar diversas vezes e evitar o desastre maior para a sua equipe. Posicionamento, concentração, atenção, visão panorâmica e em alguns lances é necessário até mesmo coragem para realizar uma defesa. Estas são algumas das diversas habilidades que um goleiro precisa ter para ser bem sucedido em sua posição.

Mas por que estou eu aqui enaltecendo demasiadamente os jogadores desta posição? A resposta é simples: pelo simples de fato de que muitas vezes eles são injustiçados e crucificados por uma pequena falha ou até mesmo aquela falha que de tão grotesca chega a ser até cômica, lógico que para os torcedores adversários, e toma aquele frango. Mesmo com um longo período de atuações quase perfeitas em que os gols sofridos não são por sua culpa, um frango pode colocar em dúvida a credibilidade e a potencialidade deste profissional.

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Fábio, goleiro do Cruzeiro, reclama do time em jogo contra o Santos válido pela Copa do Brasil de 2014. Foto: Wagner Carmo – VIPCOMM.

Agora vamos tentar fazer um rápido comparativo desta eficiência que é exigida dos goleiros. Para isso, vamos pensar nos jogadores de linha. Primeiramente os laterais, dentre suas várias funções este jogador também é responsável por realizar cruzamentos e possibilitar que o atacante finalize o lance e tente fazer o gol. Pois então, quantos cruzamentos certos e quantos errados são executados em um jogo? Não realizei e não tive acesso a uma estatística sobre esta informação, mas é fácil identificar em qualquer jogo que assistimos que ocorrem, na maioria das partidas, mais cruzamentos errados do que certos. Outra posição que vemos muitos erros acontecerem é a dos atacantes. São várias as finalizações erradas destes jogadores em uma partida.

Após estes dois exemplos, vamos tentar imaginar uma partida em que os goleiros tenham um número de falhas semelhante às falhas dos jogadores das posições citadas acima. Qual seria o placar final de um jogo assim? Difícil colocar em números, mas o certo é que não seriam poucos os gols que veríamos nos jogos e acredito que mais raro ainda seria ver um “0” no placar, quanto mais dois.

Para finalizar, vou contar dois lances para ilustrar algumas falhas. Primeiro lance é da Copa do Brasil de 2003, jogo realizado entre Palmeiras e Vitória. O goleiro Marcos do Palmeiras tenta chutar a bola e erra feio, chuta somente o vento e a bola sobra limpa para o jogador do Vitória completar para o gol. O segundo lance foi é do Campeonato Mineiro de 2007, jogo realizado entre Atlético e Cruzeiro. O time do Cruzeiro, ao realizar a saída de meio de campo após sofrer um gol, toca a bola para trás. O jogador Vanderlei do Atlético rouba a bola que fora mal recuada e imediatamente chuta para o gol vazio. Isto ocorre porque o goleiro Fábio andava calmamente em direção ao gol que deveria defender e de costas não percebe o lance que estava ali se desenhando.

Marcos em ação pelo Palmeiras em 2009. Foto: Sérgio Settani Giglio.

Marcos em ação pelo Palmeiras em 2009. Foto: Sérgio Settani Giglio.

Dois lances bizarros, mas não diminuem de forma alguma a competência destes dois grandes goleiros do futebol brasileiro, que ajudaram muito suas equipes e conquistaram títulos importantes.