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Os Deuses do Futebol – sincretismo de São Benedito e Didi

Guilherme Trucco

Este é o artigo número 1 da série “Deuses do Futebol”, no qual o autor busca fazer o sincretismo de jogadores míticos brasileiros, com os santos e entidades cultuados no Brasil em diversas religiões.

 

São Benedito – Fonte: Wikipédia.

São Benedito é um dos poucos negros canonizados pela igreja católica, tanto que virou padroeiro dos escravos no Brasil. É comumente representado segurando um bebê branco, devido ao milagre a ele atribuído de ressuscitar a criança. Benedito é reconhecido como portador do Espirito Santo, pois realizava muitas profecias, era vidente.

No Candomblé e Umbanda é sincretizado com Ossain, conhecedor das plantas e orações com poder de cura. Pessoalmente, gosto também de “sincretizar” com os Pretos Velhos, Caboclos e outras entidades que existem na Umbanda.

Pretos Velhos na Umbanda – Fonte: Wikipédia.

Nesse caso, na minha opinião, associo a Pai Benedito, um Preto Velho. Foi um escravo que, ainda na África, teve contato com um aborígene da Nova Guiné, que foi seu guia espiritual. Através dele, ficou sabendo que seria escravo por toda sua vida, mas que sua missão era importante. Em certo momento, não conseguiria escutar mais as pessoas desse mundo.

Pai Benedito aprendeu os encantamentos e sabedorias de diversos cultos africanos que teve contato enquanto escravo. Muitos anos depois, já escravo no Brasil, ele foi castigado por seu capitão-do-mato perfurando suas duas orelhas, e ficando surdo.

O capitão-do-mato ficou impressionado com sua sabedoria. Mesmo depois de muito castigado, Pai Benedito se dedicou a passar seus conhecimentos para este mesmo capitão-do-mato, pois sabia que sua missão era a de transmitir o conhecimento, e aproximar as culturas, mesmo daqueles que praticassem o mal por algum motivo.

Por todo esse histórico considero o sincretismo de São Benedito no futebol com Didi, inventor da Folha-seca.

Didi, além de ser um profeta de muita visão em campo, praticamente inventando o lançamento em ponto futuro, foi um dos primeiros a introduzir magia e encantamento no futebol através da seu conhecimento sobre a Folha Seca.

Didi também se preocupou em disseminar o conhecimento dessa magia, se tornando mais tarde técnico da seleção Peruana, levando um onze histórico do Peru que tinha Cubillas na campanha da copa de 1970.