135.10

Os estrangeiros no Campeonato Brasileiro de 2019

Fábio Bloise Mundstock

O Brasil é um país continental, quinto maior do mundo em extensão, sexto país em população. O chamado “País do futebol” tem matéria prima de sobra. São cerca de 30 mil atletas profissionais cadastrados na CBF.

Dentre os 20 clubes de elite, 695 atletas entraram em campo no Campeonato Brasileiro de 2019, jogadores oriundos de 23 Estados e mais o Distrito Federal.

Atualmente, o futebol brasileiro apresenta duas cláusulas de barreiras. A primeira passa a limitar o número de inscritos por equipe. No máximo 40 atletas podem ser inscritos, podendo ter até 8 jogadores trocados em um “janela” especial. A segunda barreira limita a presença de até 5 estrangeiros, número que há poucos anos era de tão somente 3.

O Campeonato Brasileiro de 2019 teve 66 atletas estrangeiros que entraram em campo, número este que significa 9,5% dos atletas que participaram do campeonato. Primeiramente, vamos elencar de onde esses atletas estrangeiros vieram. Tivemos atletas advindos de 11 países. Foram 19 da Argentina, 15 da Colômbia, 10 do Paraguai, 8 do Uruguai, 3 do Equador, 3 do Peru, 3 da Venezuela, 2 da Espanha, 1 de Camarões, 1 do Chile e 1 dos Estados Unidos. Dentre esse elenco internacional, 23 nasceram na década de 80, 42 na década de 90 e 1 na década seguinte. São 62 atletas nascidos na América do Sul, 2 na Europa, 1 na América do Norte e 1 na África.

O argentino Victor Cuesta comemora gol feito contra o Atlético Mineiro no Beira Rio, em partida válida pelo Campeonato Brasileiro 2019. Foto: Ricardo Duarte/Internacional.

Por ser um país continental, o Brasil faz divisa com nove países, o que facilita a entrada e saída de pessoas. É natural que muitos estrangeiros tentem o sucesso no chamado “país do futebol”, mas por que isso acontece?

Olhando pelo lado dos atletas, muitos querem jogar aqui. Podemos elencar dois fatores para isso. Os altíssimos salários pagos no Brasil em relação à América do Sul, e a oportunidade de jogar em um futebol de nível competitivo bastante baixo.

Pelo lado dos clubes, é possível trazer atletas de segunda linha da América do Sul por valores mais baixos do que atletas do mercado interno, no imaginário de que estes podem ser revendidos no futuro por margens maiores. Fora do eixo da América do Sul, o que vem pra cá é o refugo do refugo, com pouquíssimas exceções.

Vamos fazer um comparativo. O Campeonato Brasileiro possui 66 atletas estrangeiros. O Campeonato Argentino teve 116 estrangeiros, sendo 1 brasileiro. O Campeonato Boliviano teve 114 estrangeiros, sendo 21 brasileiros. O Campeonato Chileno teve 90 estrangeiros e nenhum brasileiro. O Campeonato Equatoriano teve 82 estrangeiros e apenas 2 brasileiros.

O venezuelano Rómulo Otero passa a bola em partida do Atlético Mineiro contra o Ceará pelo Campeonato Brasileiro 2019. Foto: Bruno Cantini/Atletico.

Mas, o que esses dados significam?

Esses jogadores estrangeiros estão agregando valor ao nosso campeonato nacional? O que estamos buscamos nesses jogadores estrangeiros? Eles estão suprindo os espaços que estamos abrindo pela ineficiência de geração de mão de obra qualificada?

O intercâmbio faz muito sentido quando há uma troca de conhecimento e podemos alimentar o sistema interno com novas culturas, um sistema tático mais moderno, agregando valor ao campeonato e ao futebol nacional. Mas na prática, isso não ocorre.

Qual o papel dos jogadores estrangeiros no nosso campeonato nacional?

Dados para pensar e gerar um debate a respeito da importância dos jogadores estrangeiros no nosso futebol.