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Por que o acesso do Confiança é tão importante para o futebol sergipano?

Thiago Peruch, Yves Vieira

O futebol do Brasil conheceu no mês de setembro os clubes que alcançaram o acesso da Série C do Campeonato Brasileiro para a Série B. Três times nordestinos – Confiança, Náutico e Sampaio Corrêa – e um gaúcho, o Juventude. Os acessos dos time da Região Nordeste mostram a força que a região possui no futebol. Mesmo ao passarem 2018 sem nenhum time alcançar a Série B, as equipes da região voltam em peso à segundona.

Eram dez times nordestinos na disputa neste ano, de vinte clubes, era imaginável que algum desses subiriam. Porém, três times da Região subirem de uma só vez é raro de acontecer. Somente em 2017, isso tinha ocorrido. Nesse ano, subiram CSA, Fortaleza (ambos na primeira divisão, em 2019) e o próprio Sampaio Corrêa. E eles podem ser os únicos representantes do Nordeste na Segunda Divisão no ano que vem. Isso porque o CRB e o Sport estão disputando o acesso para a elite do futebol brasileiro, enquanto o CSA (com mais chances de queda), o Fortaleza e o Ceará lutam para se manter na Série A.

O estado de Sergipe não possuía um representante na segunda divisão nacional desde o longínquo ano de 2001, quando o Club Sportivo Sergipe disputou a competição e foi rebaixado. Entretanto, o maior rival do Sergipe, a Associação Desportiva Confiança, garantiu seu acesso à Série B, após 27 anos, no último dia 7 de setembro, diante da equipe do Ypiranga, de Erechim-RS. O time sergipano venceu a partida de ida na Arena Batistão por 1 a 0 e empatou no jogo da volta em 1 a 1, no Colosso da Lagoa.

Neste texto será discutido a importância do acesso do Confiança para o cenário do futebol sergipano. Apesar de não chegar à final da terceira divisão nacional e, logicamente, não disputar a taça, já que foi eliminado pelo Sampaio Corrêa, vice-líder do grupo A da fase de classificação, com placar de 3 a 0 no agregado, o Dragão do Bairro Industrial terá em 2020 um calendário muito diferente do qual os torcedores do menor estado da Federação estão acostumados.

Símbolo da Associação Desportiva Confiança. Fonte: Wikipedia.

A equipe proletária dava sinais de que poderia estar perto do acesso, após subir para a Série C no ano de 2014. De lá para cá disputou a terceira divisão cinco vezes, bateu na trave pelo acesso em 2015 e 2017, lutou pela permanência em 2016 e teve uma campanha mediana em 2018.

O acesso do Confiança é fundamental para um maior desenvolvimento do futebol em Sergipe. O time do Itabaiana, equipe do interior sergipano, quase garantiu seu acesso para a Série C, sendo eliminado pelo Ituano nas quartas de final da quarta divisão nacional. Seria mais um grande feito para o esporte do estado.

Primeiramente, Sergipe voltar a ter um representante na Série B depois de 18 anos é espetacular para o estado e diria até para o Nordeste, região com mais estados do país. Como o Brasil é muito grande, o futebol brasileiro se formou com base na regionalidade. Todavia, há uma grande concentração de times de poucos estados nas duas principais divisões nacionais, como dito em cima, o Nordeste pode ter somente os três que conseguiram o acesso este ano na segundona.

De acordo com levantamento realizado por Ubiratan Leal, jornalista da ESPN Brasil, Trivela e Desimpedidos, oito estados desde 2001 tem pelo menos uma equipe na Série A ou B, e são esses São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Ceará e Goiás. Um nono seria o estado da Bahia, mas Vitória e Bahia disputaram a Série C do ano de 2006.

O Confiança terá direito a cotas de televisão e da Confederação Brasileira de Futebol nunca antes vistas na história do clube fundado em 1936. O time azulino receberá valores entre seis e oito milhões de reais por cota televisiva, já que a partir de 2019 a divisão passou a ser igualitária, com o fim da “cláusula paraquedas”, que pagava mais para clubes que caíram da Série A e possuíam contrato com a Rede Globo.

Estar na Série B, com jogos transmitidos no SporTV, auxilia muito na busca por novos patrocinadores. O Dragão poderá angariar novos patrocinadores dentro do Estado, agitando a economia sergipana, que chegará, de forma funcional, na casa de muitos brasileiros, no Brasil e até em transmissões do Grupo Globo para o exterior.

Em relação a atletas, a equipe se torna muito mais atraente do que se continuasse na Série C. E além disso, a vitrine para jovens formados na base do time azulino melhora enormemente.

Ao contrário dos seus maiores rivais do Estado, o Confiança terá calendário futebolístico durante todo o ano de 2020. Disputará Campeonato Sergipano, Copa do Nordeste e Campeonato Brasileiro da Série B.

Torcedores do Confiança festejam acesso à Série B. Foto: Reprodução/Twitter.

Ao contrário do que o ex-dirigente do Sergipe, maior rival do Confiança, Reinaldo Moura afirmou a uma rádio da capital sergipana o acesso do Confiança ajuda demais o futebol sergipano, sob diferentes perspectivas, seja econômica, de representatividade, e principalmente de exemplo.

Reinaldo Moura argumenta que o Confiança terá muito mais dinheiro em caixa e muita vantagem sobre os demais clubes do Estado, que, segundo ele, estão quebrados. O Dragão do Bairro Industrial trabalhou pelo acesso e conseguiu de forma muito merecida, sob o comando de um jovem presidente. Hyago França tem apenas 27 anos, preside o clube há quase três anos e é o dirigente mais novo entre os clubes das três primeiras divisões nacionais.

O Confiança mostra aos seus adversários do Estado que dá para se fazer um trabalho competente em Sergipe. E caso o Club Sportivo Sergipe queira ter melhores momentos na sua história, precisa ter seu maior rival como espelho. A situação não é das melhores, visto que quase não terá calendário em 2020, já que disputará apenas o estadual, pois não garantiu vaga nas disputas da Série D, da Copa do Nordeste e da Copa do Brasil.

Enquanto isso, a Associação Desportiva Confiança caminha à passos largos e cresce no cenário estadual. Figurará na Série B do Campeonato Brasileiro, a cota de transmissões chegará aos cofres do clube, novos patrocínios e grande visibilidade, além do apoio da sua torcida para continuar na segunda divisão nacional ou até conquistar o acesso rumo a primeira.